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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Fénix da cultura.

                        -Num curto espaço de tempo, desapareceram dois vultos maiores da nossa cultura. Herberto Helder e Manoel de Oliveira, cada um na sua forma de estar, foram prova de que a persistência e intransigência nos valores que defendiam, resultaram neste reconhecimento quase  generalizado, da sua grandeza.
                         -Uns partem, outros começam a dar os seus primeiros passos e o que mais importa , é sabermos que apesar de todos os dissabores, que este país têm passado, especialmente nesta área, a nossa identidade,continua a emergir e a ser preservada. Eu gostaria de salientar aqui neste espaço, porque ainda não o fiz, um outro nome grande da nossa cultura contemporânea, Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils.
                        Já não é um segredo para ninguém, mas este "artista de rua", tornou o desconsiderado e menosprezado graffiti/street numa forma de expressão artística maior e a reconhecerem o seu devido valor. Os seus trabalhos, podem ser observados,deambulando pelas ruas de New York a Londres,passando por Bogotá, Moscovo, Los Angeles, etc... Este lisboeta começou a delinear as suas primeiras pinceladas e desde logo a dar nas vistas, na margem sul, nas ruas, nos comboios,etc... Formou-se na prestigiada Universidade das Artes em Londres. A partir daí, as exposições sucedem-se e o seu nome começa a correr mundo. Quando realiza o videoclipe para os U2, "Raised by Wolves", naturalmente que a sua projecção, tornou-se muito mais mediática e outras portas se foram entreabrindo. O ano passado tive o prazer de visitar uma das suas exposições em Lisboa no Museu da Electricidade e fiquei surpreendido com a qualidade e a expressividade dos seus trabalhos.
                      Felizmente que ainda vamos tendo estas surpresas, mas se continuarmos a tratar a cultura da forma como este inenarrável secretário do estado têm procedido, talvez a emigração seja mesmo a única saída viável.
http://www.dailymotion.com/video/x2c3v1c_u2news-vhils-u2-raised-by-wolves_music

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Herberto, sempre!



                                  "...Fosses tu meu grande espaço e eu tacteasse
                                           com todo o meu corpo sôfrego e cego...."

                      Herberto Helder
                      Servidões
                           Assírio & Alvim
                              2013

                     Ao longo dos anos, fui ponteando aqui e ali, este blogue com exemplos de portugueses de excelência. Hoje, decidi colocar este nome maior da nossa poesia, também nesse rol de pessoas aqui referenciadas. E, se o faço só agora, tenho uma explicação muito lógica. Ou talvez duas ou três. Vivemos um tempo de enorme incerteza, um tempo de promiscuidade entre a realidade constituída por duros golpes palacianos, com frequentes facadas nas costas do parceiro político e a senilidade mental de um presidente arredado da razão. Esta ultima semana foi dura demais para os portuguesinhos. Ora, nada melhor que recordarmos nesta altura, um homem que apesar de o considerarem um misantropo, sempre conseguiu afastar-se de toda esta realidade, apodrecida por vaidades bacocas e galanteios enjoativos. O lançamento de uma obra sua, é sempre uma lufada de ar fresco. Nada melhor que centrarmos as nossas atenções num momento de excelência, no depauperado panorama cultural do nosso burgo.
                 
O poeta dos poetas, como muitos o consideram, publicou aos 82 anos, a sua mais recente obra, com 70 poemas originais. "Servidões", um livro que nesta altura, já será de todo impossível encontrarmos nos escaparates das livrarias. O autor sempre fez questão de publicar uma só edição de cada livro que escreveu, e assim, estes três mil exemplares eclipsaram-se em menos  de dois meses. A sua aversão a entrevistas, o facto de não  aparecer em qualquer acto social, a par da recusa de receber o Prémio Fernando Pessoa em 1993, transformaram tudo o que o rodeia, com uma aura de grande mistério, adensando ainda mais a curiosidade em relação à sua obra. Que tenhamos sempre o discernimento para procurar obras de autores maiores da nossa cultura, para compensar o aziago dos nossos dias.