Durante 4 anos, não publicou e agora reaparece com um livro de protesto. Um protesto contra todos aqueles que se dedicam a tornar o jornalismo no veículo principal para escamotear a realidade e transmitir mensagens "convenientes" a certos grupos económicos ou partidos políticos.
Quando escolhemos um jornal, sintonizamos uma estação de rádio ou preferimos um determinado canal de televisão, estamos a seguir um raciocínio, baseado nas nossas convicções, na perspectiva de encontrarmos informação isenta, clarividente. Mas quando descobrimos que por detrás das escolhas feitas, estão jogos de bastidores, truques editoriais, falhas premeditadas, jornalistas que se esqueceram das regras mais elementares, a ética profissional que deixaram pendurada no cabide ao entrarem em cena. Poderíamos nessa altura, indagar sobre a origem desse comportamento???
-Talvez descobrindo o porquê desta ignóbil forma de manipulação da opinião pública pudesse levar-nos ao cerne da questão. Por experiência própria, existirá sempre um "muro" difícil de derrubar, baseado na ideia de que, os que buscam ir mais além, são acusados de teorizarem muita conspiração e de não possuírem provas credíveis, para seguir em frente.
Ao ler estas palavras sábias de Eco, sobre vários números zero de uma publicação que nunca deveria ter futuro, lembrei-me do estado em que está a nossa comunicação social, que à semelhança de toda a Europa, luta por ser credível, mas cada vez mais, dá mostras de gato escondido com o rabo de fora. Exemplo ultimo e flagrante. António Costa, surpreende Passos com uma possível aliança à esquerda. A direita encolhe-se toda e fala em golpe de estado, as agências de rating fazem ameaças, de Bruxelas vêm avisos de retrocesso nas metas quase atingidas e a Comunicação Social associa-se à diabolização duma possível maioria inédita em Portugal!!!
Está montado o circo, agora basta vir o público,vendem-se todos os bilhetes e vai ser um sucesso de "malabarismos" da verdade! O espectáculo têm que continuar
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Herberto, sempre!
"...Fosses tu meu grande espaço e eu tacteasse
com todo o meu corpo sôfrego e cego...."
Herberto Helder
Servidões
Assírio & Alvim
2013
Ao longo dos anos, fui ponteando aqui e ali, este blogue com exemplos de portugueses de excelência. Hoje, decidi colocar este nome maior da nossa poesia, também nesse rol de pessoas aqui referenciadas. E, se o faço só agora, tenho uma explicação muito lógica. Ou talvez duas ou três. Vivemos um tempo de enorme incerteza, um tempo de promiscuidade entre a realidade constituída por duros golpes palacianos, com frequentes facadas nas costas do parceiro político e a senilidade mental de um presidente arredado da razão. Esta ultima semana foi dura demais para os portuguesinhos. Ora, nada melhor que recordarmos nesta altura, um homem que apesar de o considerarem um misantropo, sempre conseguiu afastar-se de toda esta realidade, apodrecida por vaidades bacocas e galanteios enjoativos. O lançamento de uma obra sua, é sempre uma lufada de ar fresco. Nada melhor que centrarmos as nossas atenções num momento de excelência, no depauperado panorama cultural do nosso burgo.
O poeta dos poetas, como muitos o consideram, publicou aos 82 anos, a sua mais recente obra, com 70 poemas originais. "Servidões", um livro que nesta altura, já será de todo impossível encontrarmos nos escaparates das livrarias. O autor sempre fez questão de publicar uma só edição de cada livro que escreveu, e assim, estes três mil exemplares eclipsaram-se em menos de dois meses. A sua aversão a entrevistas, o facto de não aparecer em qualquer acto social, a par da recusa de receber o Prémio Fernando Pessoa em 1993, transformaram tudo o que o rodeia, com uma aura de grande mistério, adensando ainda mais a curiosidade em relação à sua obra. Que tenhamos sempre o discernimento para procurar obras de autores maiores da nossa cultura, para compensar o aziago dos nossos dias.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Um Murmúrio em Montemor
Visitei Montemor-o-Novo, tirei algumas fotos do seu lindíssimo castelo altaneiro e gostava de recordar, um filho desta terra, que no meio literário teve um pouco esquecido, mas recentemente voltou a publicar. Falo de Almeida Faria, nascido junto destas muralhas em 1943.
Com 19 anos publicou a sua primeira obra, "Rumor Branco", muito considerada pela critica de então e elogiada especialmente por Virgílio Ferreira. Durante muitos anos, este livro e outros que posteriormente escreveu, como "A Paixão " de 1965, ou mesmo a tetralogia Lusitana, composta por "Cortes" de 1978, "Lusitânia" de 1980, "Cavaleiro Andante" de 1983, estiveram desaparecidos dos escaparates das nossas livrarias, esgotadas que foram as suas edições originais.
Durante anos foi considerado um escritor de culto.
A Assírio Alvim por altura do 50º aniversário da publicação de "Rumor Branco" voltou o ano passado a reeditar esta obra e prepara-se agora, para publicar novamente o resto dos seus livros mais antigos.
Almeida Faria não publicou nada durante 12 anos, segundo ele, porque estaria muito ocupado com o ensino de Estética na Universidade Nova de Lisboa, ele que se licenciou em Filosofia na Universidade de Lisboa, no principio dos anos 60.
Foi convidado a escrever sobre Goa e Cochim pelo Centro Nacional de Cultura, cidades ainda com vestígios da nossa presença. Assim nasce "Murmúrio do Mundo", lançado o ano passado, uma prosa de viagens, bem referenciada pela maioria dos críticos mais exigentes da nossa praça.
Quando ao longo de 150 páginas este livro faz-nos transportar para estas paragens, que desconhecemos por completo, de uma forma mágica e ao mesmo tempo escorreita, é puro prazer. Espero que tenham a vontade de descobrirem este pedaço da Índia que já testemunhou a grandeza do nosso império colonial, através da simplicidade das palavras deste montemorense.
A sua terra natal, vê-se reconhecida por esta referência da nossa cultura e deu o seu nome à Biblioteca Municipal. Uma cidade alentejana que tal como outras soube cuidar dos seus, atempadamente, algo que o Secretário de Estado da culturazinha, tarda em reconhecer. Os valores da nossa cultura têm de ser preservados, apesar de todas as crises.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A escrita é uma forma de liberdade
Clara Ferreira Alves, é uma dessas mentes esclarecidas, a quem eu aprendi a respeitar desde os tempos do seu excelente programa na RTP2, o "Falatório" em 1996. Já nessa altura, e se tivermos a curiosidade de rever alguns desses episódios, podemos constatar da excelência dos convidados por si escolhidos a dedo. É uma pérola, que eu recomendo visionamento urgente na RTP Memória. Mais recentemente, temos tido a oportunidade e o prazer de a ver no programa da SIC Notícias, "O Eixo do Mal". E naquele painel, apesar de estar muito bem acompanhada, ela destaca-se pelo discurso escorreito e destemido. Uma verdadeira mulher de coragem, que não embarca em opinar superficialmente, corta a direito e doa a quem doer, as ideias são construídas, sem ter medo de polémicas.
Acabei de ler o seu livro "Estado de Guerra" (recomendo vivamente) e pontualmente leio também as suas crónicas no "Expresso". A sua escrita é também reveladora da sua vontade de fugir aos lugares comuns e vinca bem a forma como sempre encarou a vida. Olhos nos olhos e sem hipocrisias.
Esta cronista, jornalista e escritora, já dirigiu a casa Fernando Pessoa, entre muitas outras coisas, um dia afirmou que "a escrita é uma forma de liberdade", e gostaria também de receber o prémio Nobel. Talvez não ganhe, mas o prémio de uma das mentes mais esclarecidas e incómodas do nosso tempo, esse não lhe poderemos negar.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Companheiros, vamos pra luta...
Será que é agora que vamos acordar de vez?- Temo que não. Esta passividade irritante, está implantada no nosso DNA enquanto povo. Tenho as maiores dúvidas que este Ministro das Finanças acredite neste próximo orçamento. Ele está obrigado a prescrever uma receita semelhante aquela que nos levou a esta situação. O discurso hipócrita, que o PS deixou um legado muito penoso, deixou de ter alguma espécie de sentido. Somos reféns de uma orientação neoliberal decretada pela Troika, e estas medidas são ainda mais dolorosas, são mais papistas do que o papa, como se costuma dizer.
À pouco tempo, acabei de ler "Capitães da Areia", e o escritor Jorge Amado, termina esta obra, com a seguinte frase ..."Porque a Revolução é uma pátria e uma família".... Este grande autor, que completaria 100 anos, em 2012, um cidadão do mundo, que no seu legado transmitiu sempre, a vontade de mostrar que as classes sociais mais desfavorecidas sempre lutaram por um mundo mais justo, sempre defendeu o verdadeiro sentido da liberdade e da fraternidade. Descreveu sonhos, de todos aqueles que nunca perderam o direito de estar na vida com a cabeça erguida, apesar das dificuldades. O livro que referi foi apreendido e queimado pelo Estado Novo, no Brasil. Mas em 1944 teve nova edição e deu-se a conhecer ao mundo. Esta frase sobre o que pode ser uma Revolução, seria uma utopia, por muito que a tentássemos incutír e explicar aos portuguesinhos, afáveis e letárgicos. Até aonde pode chegar a vontade de um povo, que não vira costas à luta, por muito que ela possa parecer, impossível de vencer.
De repente, levamos com mais 7% de descontos para a Segurança Social, iremos carregar este peso por tempo indeterminado, damos de caras com reduções de 5% para o mesmo efeito, por parte dos patrões e ainda por cima, estas medidas têm o demérito de não agradar, nem a uns, nem a outros!!!- Este Governo tornou-se um bom aluno para Merkel, que nos tipifica como exemplo a seguir e deixa de rastos muitas famílias, compromete o futuro do País e quanto a uma resposta adequada, tarda em aparecer. O grande mestre brasileiro, diria neste caso, ..."Companheiros, vamos pra luta..."
De repente, levamos com mais 7% de descontos para a Segurança Social, iremos carregar este peso por tempo indeterminado, damos de caras com reduções de 5% para o mesmo efeito, por parte dos patrões e ainda por cima, estas medidas têm o demérito de não agradar, nem a uns, nem a outros!!!- Este Governo tornou-se um bom aluno para Merkel, que nos tipifica como exemplo a seguir e deixa de rastos muitas famílias, compromete o futuro do País e quanto a uma resposta adequada, tarda em aparecer. O grande mestre brasileiro, diria neste caso, ..."Companheiros, vamos pra luta..."
sexta-feira, 30 de março de 2012
Requiem a António Tabucchi.
Ele "adoptou" a "cidade branca" como sendo sua e por cá ficou radicado até à sua morte. Muitas vezes é necessário observarmos um lugar como se nunca lá estivéssemos estado, de maneira a podermos descrever as suas características, a sua essência de uma forma simples e clara. Ele conseguia esse desiderato de uma forma apaixonada. No entanto, o livro que mais admirei na sua obra, foi sem dúvida, "Requiem" de 1992. Porque, fundamentalmente ele consegue "quadros" fidedignos de lugares e personagens típicas, aonde todos os que têm Lisboa no coração reconhecem facilmente. Nas entrelinhas desta descrição de um passeio, num domingo solarengo pela capital, sente-se os "cheiros" dos lugares por onde passa, tal é a força da realidade imposta. O livro narrado, sempre na primeira pessoa, revela a mestria da sua escrita, ao contar-nos uma história sem grandes enredos, mas rica no ponto de vista da relação que funde com os vários personagens, que vão surgindo, sempre à espera do "fantasma" de Fernando Pessoa e em particular a sua obra "O Livro do Desassossego".
Um "encontro" com que sempre sonhou, já que estudou e traduziu muitas suas obras para italiano. Várias vezes introduziu na sua ficção a obra pessoana, tal como o fez José Saramago (" O ano da morte de Ricardo Reis") e Amadeu Lopes. Dessa forma também contribuiu para demonstrar a sua capacidade de compreender o maior vulto da nossa literatura.
Aqui fica um pequeno excerto deste livro, como nota de despedida ao italiano mais alfacinha que existiu:
..."Hoje é um dia muito estranho para mim, estou a sonhar mas parece-me ser realidade e tenho de encontrar umas pessoas que só existem na minha lembrança. Hoje é o último domingo de Julho, disse o Cauteleiro Coxo, a cidade está deserta, devem estar quarenta graus à sombra, suponho que seja o dia mais indicado para encontrar pessoas que só existem na lembrança, a sua alma, perdão, o seu Inconsciente, vai ter muito que fazer num dia como este, desejo-lhe bom dia e boa sorte..."
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Senhor Professor.
"Não te coíbas de repetir o que já disseste, porque és pequeno e só assim talvez será possível que te ouçam.". Comecei por citar Vergílio Ferreira por variadíssimas razões, mas a primeira, porque faz agora 20 anos que eu li uma entrevista sua que deu à revista K , conduzida por Pedro Rolo Duarte (um ex-aluno seu do Liceu Camões), ainda hoje guardo esse exemplar comigo. Uma conversa que me ficou na memória e que de vez em quando a vou reler. Passados 5 anos da publicação desta entrevista, faleceu no seu apartamento rodeado de livros em Alvalade e o seu corpo foi enterrado em Melo, a sua terra natal aonde nascera em 1916. Descansa junto à sua Serra da Estrela. Sinceramente o primeiro contacto que eu tive com a sua vasta obra foi através do cinema, no filme adaptado do livro"Manhã Submersa" de Lauro António (1980). Película em que ele próprio protagoniza o papel de Reitor e aonde também contracena com Eunice Muños, Jacinto Ramos e Canto e Castro, entre outros. Quando se fala em grandes escritores portugueses, geralmente nunca ouvimos falar do seu nome, talvez porque tal como ele refere neste depoimento, sempre foi um mal amado. Antes do 25de Abril não era compreendido por o regime vigente mas os comunistas também nunca o consideraram como um dos seus. Após a Revolução continuou a não ser compreendido e só depois da queda do Muro de Berlim, ele provou que tinha razão em relação a esse "bunker", palavra que utilizava para caracterizar o comunismo, dado que lhe parecia "uma estrutura de cimento armado impenetrável. Mas a História lá se meteu numa fenda, como as plantas se metem por entre as pedras e fazem estalar os passeios. e o bunker estalou."
Este beirão de gema era um humanista puro, relatava nos seus livros um personagem sempre perante a solidão das suas ideias que são intrínsecas e muitas vezes intransmissíveis e o mundo lá fora era invariavelmente uma absurda estupidez. Quando damos por nós a reflectir um pouco mais sobre o mundo que hoje nos rodeia, quantas vezes não ficamos com essa mesma sensação. A ultima vez que isso me aconteceu, foi quando acabei de presenciar à queda inevitável de Kadhafi na Líbia, com a entrada dos rebeldes em Tripoli e com a ajuda fundamental da NATO. Mas depois vejo as Nações Unidas encolherem-se e ficarem impassíveis perante a chacina de cidadãos inocentes na Síria, ás mãos de um outro ditador!- Diferença fundamental nesta hipocrisia, uns têm petróleo os outros não. Vamos divulgar ao Mundo meias verdades e deixemos que mais Vergílios Ferreiras ponham a mão na ferida e divulguem com serena melancolia que estes dias não são de festa pá!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


