-Num curto espaço de tempo, desapareceram dois vultos maiores da nossa cultura. Herberto Helder e Manoel de Oliveira, cada um na sua forma de estar, foram prova de que a persistência e intransigência nos valores que defendiam, resultaram neste reconhecimento quase generalizado, da sua grandeza.
-Uns partem, outros começam a dar os seus primeiros passos e o que mais importa , é sabermos que apesar de todos os dissabores, que este país têm passado, especialmente nesta área, a nossa identidade,continua a emergir e a ser preservada. Eu gostaria de salientar aqui neste espaço, porque ainda não o fiz, um outro nome grande da nossa cultura contemporânea, Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils.
Já não é um segredo para ninguém, mas este "artista de rua", tornou o desconsiderado e menosprezado graffiti/street numa forma de expressão artística maior e a reconhecerem o seu devido valor. Os seus trabalhos, podem ser observados,deambulando pelas ruas de New York a Londres,passando por Bogotá, Moscovo, Los Angeles, etc... Este lisboeta começou a delinear as suas primeiras pinceladas e desde logo a dar nas vistas, na margem sul, nas ruas, nos comboios,etc... Formou-se na prestigiada Universidade das Artes em Londres. A partir daí, as exposições sucedem-se e o seu nome começa a correr mundo. Quando realiza o videoclipe para os U2, "Raised by Wolves", naturalmente que a sua projecção, tornou-se muito mais mediática e outras portas se foram entreabrindo. O ano passado tive o prazer de visitar uma das suas exposições em Lisboa no Museu da Electricidade e fiquei surpreendido com a qualidade e a expressividade dos seus trabalhos.
Felizmente que ainda vamos tendo estas surpresas, mas se continuarmos a tratar a cultura da forma como este inenarrável secretário do estado têm procedido, talvez a emigração seja mesmo a única saída viável.
http://www.dailymotion.com/video/x2c3v1c_u2news-vhils-u2-raised-by-wolves_music
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sexta-feira, 10 de abril de 2015
quinta-feira, 21 de abril de 2011
O Divino Homem das Fitas.
Este pequeno excerto da "Divina Comédia" que aqui apresento, integra duas das figuras que sempre aprendi a respeitar pela sua postura perante a cultura em Portugal e pela excelência do seu trabalho. Mário Viegas, que muito cedo nos deixou e Luis Miguel Cintra, um homem que continua contra ventos e marés a dirigir uma das mais emblemáticas salas de teatro de Lisboa, falo da Cornucópia. A sua programação pauta-se por uma escolha criteriosa de grandes autores e nunca se deixaram tentar pelos textos que fazem chamariz de mais público.
Mas esta introdução serve para homenagear mais uma figura grande da nossa cultura, o realizador deste mesmo filme de 1991. Manoel de Oliveira, nascido no Porto em 1908, que acaba de apresentar o seu novo filme "O estranho caso de Angélica". A história de um fotógrafo da Régua que é chamado para tirar o ultimo retrato de uma jovem que acaba por falecer após o seu casamento e que pertencia a uma família muito abastada. Esta película integrou mais uma vez a seleção oficial do Festival de Cannes de 2010, aliás uma presença que sempre foi assídua naquele prestigiado certame.
Sempre fui um grande apaixonado pela 7ª arte e confesso que Manoel Oliveira nunca foi um dos meus favoritos, mas a verdade é que me lembro de ter assistido a este filme que apresentei em cima e que foi para mim na altura uma bela surpresa. A "Caixa" foi outro dos que me recordo além do inevitável clássico "Aniki Bóbó", que aliás foi a sua primeira grande metragem. Desde esse momento, em 1941 realizou mais 32 obras!!!!- A sua longevidade no meio cinematográfico já lhe proporcionou reconhecimento a nível mundial, não fosse ele o realizador mais velho do mundo. Mas, mais importante do que tudo é assistirmos a esta sua "teimosia" em continuar a ser uma pessoa lúcida e com projetos para o futuro, de certeza que este senhor oriundo de uma família burguesa dos princípios do século passado, é um exemplo para todos nós. A sua preserverança na forma como faz aqueles longos planos estáticos com ausência de diálogos e por vezes monótonos, apesar das criticas do grande público e das piadas que se fizeram ao longo dos tempos, nunca o demoveram dessa forma de dirigir as suas obras.
Termino com uma das frases do mestre, num pequeno apontamento cinematográfico de um outro grande realizador, Win Wenders, ele afirmava "...a unica coisa verdadeira é a memória...". Eu diria, tenhamos bastante memória para não esquecermos dos nossos valores maiores.
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