Entardecer no Rio Zêzere...

...So quiet...


Jardim da Covilhã

Tejo mesmo ali ao lado...
Oliveira da Serra
O sr. Armando Vara já arranjou poleiro. Deixou assentar a poeira e aí vai ele em direção a uma cimenteira que detêm 32% da Cimpor, exactamente a Camargo Corrêa.Vai ser só presidente da Admnistração, porque o facto de ser arguido no processo Face Oculta não o impede de continuar a encher o bolso. Além de que irá receber uma choruda indemenização do BCP que o colocou fora de portas para não dar má imagem a esse prestigiado grupo financeiro. Se fizermos uma sondagem para avaliarmos quem neste momento se lembra da origem deste mega processo, acho que só uma percentagem muito pequena irá lembrar-se, porque entretanto já passou muito tempo e o assunto prescreveu na memória dos portuguesinhos.




Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia(...).
fragmento




A 18 de Julho de 2008, dediquei a este Português uma homenagem que dava pelo nome de "Nobel Repatriado". Nessas palavras que escrevi, acentuei que neste blog, sempre fui muito selectivo em relação aqueles que pretendo destacar e que nunca poderiam ser caracterizados no grupo numeroso dos "inhos"!- Um nome que soa a inconformismo, um nome que irá perdurar no nosso intimo como integro e que nunca teve medo das palavras.Aliás, um homem que utilizou essas mesmas palavras para escrever como poucos e que nos deixam um legado riquíssimo. Eu li, grande parte dos seus romances e se o "Memorial do Convento"é o livro mais conceituado, eu salientaria "Todos os Nomes" editado pela Caminho em Outubro de 1997. Este romance marca sem dúvida a forma como encarei o resto da sua obra. Deixo aqui um pequeno excerto dessa obra que aconselho a todos aqueles que são felizes no seu quotidiano profissional, mas que ainda não se aperceberam. Até sempre Grande Mestre e perdoa a todos aqueles que nunca te entenderam...


29 de Maio. Trezentas mil pessoas. Marquês de Pombal. Estava ali muita gente que não tinha nada a ver com sindicatos, não tinha nada a ver com partidos, estavam ali, porque existe muita insatisfação, existe uma vontade de mostrar que afinal não somos só portuguesinhos, temos cabeça para pensar e alguns ainda têm esperança. Mergulho na realidade do País e revejo-me nesta insatisfação que de Norte a Sul e Ilhas estiveram naquele lugar para se expressarem. Enquanto ainda nos é permitido...



Algum dia um novo Papa
anunciará altivo
que Deus é raiz quadrada
de um quantum negativo
e o Deus que tanto procuro
em que atingido me afundo
é aquele ser-não-ser
do que acontece no mundo
da matéria mais que densa
é que é divertido ser
ali se nada acontece
tudo pode acontecer
Prof. Agostinho da Silva
Deste filósofo que nos deixou órfãos de tanto saber, tenho uma profunda saudade. Transcrevo aqui um poema escrito por si, na altura exacta em que o Papa altivo não virá de certeza anunciar um futuro mais radioso para este povo à beira de um ataque de nervos. A história do Papa e do filósofo não se cruzam por uma questão de diferentes interpretações do sentido da vida. Pragmatismo, versus cultura mental. O professor nascido na orla fluvial do magnifico Douro sempre tentou fundir qualquer religião na vida prática, tentar libertar a sua mente para aspectos aonde as respostas fossem mais claras, enquanto que as doutrinas profetizadas por os sucessivos supremos líderes do Vaticano remetem-nos sempre para dogmas difíceis de esmiuçar no nosso quotidiano. Uma Igreja que se foi envolvendo em escândalos, que se debate com um problema gravíssimo no seu seio, que consiste na falta de vocação de gente jovem para seguirem uma carreira na Igreja católica e o desempenho do sacerdócio, todos estes problemas são o resultado de uma política sempre fechada sobre si mesma e cada vez mais longe da realidade.





No final da semana passada achei algo de muito curioso no Jornal Público. Exactamente na mesma página vinham duas notícias sobre finanças, ambas diziam respeito a medidas tomadas perante a crise económica que não poupa qualquer nação neste mercado global em que nos tornámos. Por um lado temos a Coreia do Norte liderada por Kim Jong-li que na sua doutrina comunista enclausurada numa teia montada de forma a concentrar em si todos os poderes. Todas as conexões rumam a uma mesma "fantasia paranóica" controlar tudo e todos, movendo os seus cordelinhos a partir do palácio em Pyongyang. Agora mesmo, prepara-se para deixar o poder devido ao seu débil estado de saúde, doando ao seu filho e herdeiro o poder na Coreia do Norte!- Mas a notícia, trata de mais uma daquelas medidas que já não lembram a ninguém, mas acabam por não surpreender vindo deste déspota. Mandou executar na forca um senhor de nome Pak Nam-ki, o responsável até agora das finanças. Serviu como "bode expiatório", porque uma das reformas que implantou para reduzir a inflação no País resultou ao contrário e a moeda desvalorizou assustadoramente. Para grandes males, grandes remédios e lá enviou o ministro para o cadafalso.
Sou um amante incondicional de cinema desde a minha juventude. Como as melhores salas deste País sempre me ficaram ao virar da esquina, era realmente tentador seguir os apelos mediáticos da 7ª arte. Estou agora a lembrar-me do saudoso Eden, do Condes, do Tivoli, do Império, do S.Jorge , da monumental sala que era o S.Luiz em plena Av. Almirante Reis, etc... entre outros que desapareceram e deram lugar a salas mais pequenas, entretanto que também já encerraram portas como o Castil, os Alfas, o Caleidoscópio, o Apolo 70, o Terminal, o Avis. Toda esta introdução para referir que ontem em Los Angeles realizou-se mais uma edição dos Óscares, que também já não são aquilo que eram, as audiências diminuíram, os cortes orçamentais que a Academia implementou retiraram muito daquilo que era um verdadeiro espectáculo, cheio de glamour e muita imaginação. Agora, não passa de uma simples entrega de prémios com um outro momento de evocação dos velhos tempos de Hollywood. Mas neste apontamento, não quero deixar de referir duas boas noticias que advém dessa cerimónia. Hoje sendo o dia Internacional da Mulher é importante salientar que pela primeira vez a noite dos Óscares pertenceu a uma mulher como grande vencedora, Kathryn Bigelow com o filme "Estado de Guerra" derrotando assim o famoso "Avatar" com 10 nomeações à partida. A segunda noticia, e para mim a mais apetecível e expectável, foi que com todo o merecimento, o senhor que vemos em cima na foto venceu a estatueta para melhor actor secundário. Esta sua performance no filme de Tarantino "Sacanas sem lei" encheu-me as medidas, Christoph Waltz transforma este filme numa "pérola". Desde "Crash" que venceu em 2004 de Paul Haggis, que um filme não me surpreendia tanto pela positiva. Os primeiros 10 minutos do filme são uma delicia para ver e rever sem conta, uma bela surpresa este senhor austríaco.
Poucas vezes eu compreendo este nosso Governo Socialista, mas nesta questão do financiamento previsto para as Regiões Autónomas, confesso quem não entendo é toda a oposição, essencialmente os partidos mais à esquerda. Não está em causa, os 50 milhões previstos no Orçamento para cada região, o que realmente não compreendo, como é possível ainda financiarmos os caprichos do Sr. Jardim?-É verdade que todos esses milhões que rumaram à Madeira têm alguma justificação, porque existe obra feita, mas os montantes da divida são astronómicos e continua-se a fechar os olhos à falta de regulação das contas apresentadas. O sr. Jardim vocifera de vez em quando, umas quantas "idiotices" para consumo regional, mas de alguma forma admito que o seu carisma consegue influenciar consecutivamente todo o aparelho partidário que integra, desde à décadas. No PSD, pouca gente pode dar-se ao luxo de o enfrentar (parece que agora um dos candidatos à liderança, Passos Coelho, faz questão de remar contra a maré). O CDS como já disse antes, apenas anda à caça de votos, mas o PCP e o BE, sinceramente não compreendo?