quarta-feira, 18 de maio de 2011

Movimiento 15-M


Como sempre, aqui ao lado quando metem na cabeça organizar um protesto para demonstrar o seu descontentamento em relação a algo que os prejudica, aconteça o que acontecer levam o seu querer até às ultimas consequências. Devem lembrar-se daquele episódio em 2004, quando morreram dezenas de pessoas numa estação de comboios em Madrid, um atentado terrorista que José Maria Aznar numa primeira reação acusou a ETA como sendo o cérebro desse ato, por motivos puramente eleitoralistas, dado que a Espanha preparava-se para ir às urnas logo a seguir. Pura manipulação dos factos, já que desde cedo se percebeu a sua "cartada" falhada e a perceção do povo foi imediata, ninguém perdoou o PP, foram para as ruas e o descontentamento foi traduzido no escrutínio eleitoral. De repente os socialistas ultrapassaram Aznar e a reviravolta assombrou o resto da Europa.
Agora são os socialistas que esgotaram os seus argumentos e já começam a notar-se alguns tiques de "democracia fora do prazo," as manifestações que neste momento ocorrem numa das principais praças madrilenas, Puerta del Sol, são a imagem disso mesmo, em vésperas de mais umas eleições regionais. Decidiram acampar neste local até ao próximo domingo e desta forma darem voz ao descontentamento popular que se propagando, principalmente pela juventude sem perspetivas de futuro. O movimento apelida-se de "Plataforma Democracia Real" e a ideia desta forma de protesto espalha-se por outras cidades, ontem já eram cerca de 11 localidades seguindo o mesmo exemplo. Apesar da chuva que vai caindo e das cargas policiais para desmobilizarem, estes jovens insistem em propagar esta ideia de que o povo têm o direito de se fazer ouvir nos momentos decisivos e graves como aquele que se vai vivendo um pouco por toda a Europa.
Já se ouviu falar de que esta manifestação foi criada com base naquilo que aconteceu por cá em 12 de Março, talvez assim seja, mas acho que eles levaram essa ideia mais a fundo e permanecem na rua, ao contrário de nós, aonde tudo foi efémero e desvaneceu-se. Adormecemos novamente!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Exemplo único.



Desde o princípio deste blog tenho invariavelmente apontado o dedo a este Governo, agora demissionário, mas acontece que hoje vou usar aquele belo postal de apresentação dos Monty Phyton, "...and now something completely different...", para registar um único facto, que considero positivo neste mar de asneiras em seis anos de desgovernação do PS. Refiro-me à aposta feita nas energias renováveis!! -Demos sem dúvida um salto qualitativo e somos apontados como um exemplo a seguir.
A Ilha Graciosa poderá ser a primeira região insular do mundo, a ficar livre de Co2. Uma ilha com 4500 habitantes que apresenta as condições necessárias para se empreender este projeto da autoria da "Younicos", uma empresa alemã com sede em Berlim. Este empreendimento terá como base a energia solar e eólica e será sem dúvida algo para se estender ás outras ilhas do arquipélago, que reúnem todas as condições para ser um sucesso.
Mas nada é perfeito. Enquanto recebia esta noticia com muito agrado ao mesmo tempo, tomo conhecimento que na tempestade que assolou a Ilha da Madeira o ano passado e que vitimou dezenas de pessoas, foi arquivado o processo que investigava possíveis culpados da construção desenfreada em cima de cursos de água com muita especulação imobiliária à mistura. Claro está, que toda a gente sabe que o Governo Regional estaria metido nestas andanças até às orelhas. Nem tudo pode ser diferente...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Itinerário previsto

Existe a ideia entre os portugueses que vamos passar um mau bocado nos próximos anos. Parece algo de inevitável, um destino que estava programado no nosso código genético como povo. Ao longo dos últimos 37 anos temos construído, todos em conjunto, um role de condições que paulatinamente, transformaram este País na pouca vergonha que hoje assistimos. Quando digo todos, somos mesmo todos, porque se vivemos em democracia e tivemos oportunidade de fazer as nossas escolhas de que é que nos podemos queixar agora?- Esta bipolarização partidária que dominou os destinos e opções, ao longo deste tempo, não serviram de lição aos portuguesinhos, porque segundo as sondagens, vamos cair no mesmo buraco. É uma espécie de obsessão, queixamo-nos muito mas volta e meia lá estamos nós enfeitiçados pelo olhar do "aracnídeo" e enredados na mesma teia.
O FMI está cá, para ficar durante muitos anos, e se por ventura tivermos alguma ilusão de que vieram para nos "ajudar", pensem só nos exemplos da Grécia e da Irlanda, isto para referirmos os últimos casos. Mas eu lembro o que aconteceu ao Brasil entre 1998 e 2003, aliás deixo-vos um pequeno excerto do que na altura foi publicado em finais de 2002 no jornal "O Globo" pelo economista Marcelo Neri:
"Quais as conseqüências desta política?
A assinatura de Acordos com o Fundo Monetário Internacional, e, conseqüentemente, a adoção do receituário das políticas econômicas recomendadas pelo Fundo têm invariavelmente resultado no aprofundamento da recessão e na inviabilização dos projetos nacionais soberanos de desenvolvimento. A crise social sem precedentes vivida recentemente pela Argentina é o caso mais emblemático do fracasso das políticas econômicas liberais nos países em desenvolvimento. Desde 1998, o Brasil tem recorrentemente assinado Acordos com o FMI, e como resultado das políticas econômicas aplicadas ao país se encontra desde então com a economia praticamente estagnada."
Portanto estamos conversados quanto às intenções destes senhores que agora "acamparam" no Terreiro do Paço.Ao menos, para já, que possam arrumar um pouco a casa, limando aquelas arestas que mais dão nas vistas, caso das negociatas com as empresas público-privadas, os negócios do TGV, da construção da nova auto-estrada Lisboa-Porto, da ligação escandalosa com a Mota-Engil , e mais algumas dezenas de etc...
O Presidente, esse não têm dado cavaco a ninguém, passa incólume e sereno como se nada se tivesse a acontecer. Recebeu os seus antecessores em Belem, por altura das comemorações do 25 de Abril, e apelou a um entendimento entre as comadres desavindas, mas acho que não vai ter qualquer sucesso, elas lá sabem a razão e nós também. Essa história do Bloco Central já foi chão que deu uvas, agora passado este tempo, os "tachos" ou dão para uns ou para outros!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O flash interrompido.


Mais uma oportunidade para divulgar um evento que neste momento decorre no Museu da Electricidade em Lisboa, a exposição da World Press Photo. Geralmente costumo assistir, neste espaço original da capital, a esta seleção do melhor que aconteceu no passado ano em relação a foto jornalismo. Mostro aqui dois dos exemplos premiados, mas todos os anos esta exposição não deixa indiferente ninguém, perante as obras destes homens e mulheres que arriscam a sua própria vida para nos mostrar uma realidade, que por vezes nos fica confortávelmente distante. Ainda recentemente, dois repórteres fotográficos (recentemente galardoados com premios desta organização) foram mortos em Misrata (Líbia) ao tentarem capturar imagens para a Vanity Fair e para a Getty Images, respectivamente Tim Hetherington e Chris Hondrus, ambos de 41 anos. Desde o principio do conflito já faleceram 5 jornalistas devido a fogo cruzado na Líbia
Geralmente, quando termino a minha visita, custa-me digerir toda a frieza de algumas daquelas imagens, mas ao mesmo tempo sinto-me gratificado, porque consigo transportar-me para alguns daqueles locais e pensar como reagiria perante determinadas situações com uma máquina nas minhas mãos. Enfim, sonhos...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Divino Homem das Fitas.

Este pequeno excerto da "Divina Comédia" que aqui apresento, integra duas das figuras que sempre aprendi a respeitar pela sua postura perante a cultura em Portugal e pela excelência do seu trabalho. Mário Viegas, que muito cedo nos deixou e Luis Miguel Cintra, um homem que continua contra ventos e marés a dirigir uma das mais emblemáticas salas de teatro de Lisboa, falo da Cornucópia. A sua programação pauta-se por uma escolha criteriosa de grandes autores e nunca se deixaram tentar pelos textos que fazem chamariz de mais público.
Mas esta introdução serve para homenagear mais uma figura grande da nossa cultura, o realizador deste mesmo filme de 1991. Manoel de Oliveira, nascido no Porto em 1908, que acaba de apresentar o seu novo filme "O estranho caso de Angélica". A história de um fotógrafo da Régua que é chamado para tirar o ultimo retrato de uma jovem que acaba por falecer após o seu casamento e que pertencia a uma família muito abastada. Esta película integrou mais uma vez a seleção oficial do Festival de Cannes de 2010, aliás uma presença que sempre foi assídua naquele prestigiado certame.
Sempre fui um grande apaixonado pela 7ª arte e confesso que Manoel Oliveira nunca foi um dos meus favoritos, mas a verdade é que me lembro de ter assistido a este filme que apresentei em cima e que foi para mim na altura uma bela surpresa. A "Caixa" foi outro dos que me recordo além do inevitável clássico "Aniki Bóbó", que aliás foi a sua primeira grande metragem. Desde esse momento, em 1941 realizou mais 32 obras!!!!- A sua longevidade no meio cinematográfico já lhe proporcionou reconhecimento a nível mundial, não fosse ele o realizador mais velho do mundo. Mas, mais importante do que tudo é assistirmos a esta sua "teimosia" em continuar a ser uma pessoa lúcida e com projetos para o futuro, de certeza que este senhor oriundo de uma família burguesa dos princípios do século passado, é um exemplo para todos nós. A sua preserverança na forma como faz aqueles longos planos estáticos com ausência de diálogos e por vezes monótonos, apesar das criticas do grande público e das piadas que se fizeram ao longo dos tempos, nunca o demoveram dessa forma de dirigir as suas obras.
Termino com uma das frases do mestre, num pequeno apontamento cinematográfico de um outro grande realizador, Win Wenders, ele afirmava "...a unica coisa verdadeira é a memória...". Eu diria, tenhamos bastante memória para não esquecermos dos nossos valores maiores.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Que Nobre ideia.

Nas ultimas eleições em Portugal têm-se registado um crescente numero de independentes que surgem para preencher aquela lacuna cada vez maior que os partidos políticos criaram na sociedade. Os cidadãos estão naturalmente insatisfeitos e procuram outras opções. Por vezes aparecem candidaturas surpresa como o que acabou de acontecer nas presidenciais com Fernando Nobre. Apelidou-se de independente, longe de qualquer partido político existente, com um perfil exemplar na área da assistência humanitária, criou a AMI em 1984 e desde essa data habituámo-nos a assistir às suas incursões em múltiplos palcos de guerra e a diversos cenários de catástrofes naturais, dando o seu contributo de um forma muito corajosa. Quando surgiu, com as suas credenciais e prioridades sociais, logo cativou uma boa percentagem de eleitores. Algo que se veio a concretizar no resultado das Presidenciais, quase 600 mil votos (!!!) sem qualquer aparelho partidário a suportar esta candidatura, é obra.
Em tempos de crise os partidos às vezes recorrem das ideias mais estapafúrdias, e esta do PSD convidar Fernando Nobre só porque ele obteve um êxito relativo nas ultimas eleições é algo de muito estúpido. Ou o convite aparece porque Manuela Ferreira Leite, Luis Filipe Menezes, Marques Mendes e António Capucho recusaram-se a integrar as listas do PSD às próximas legislativas ou aparece porque Pedro Passos Coelho pretende dar uma imagem de abertura a novas ideias (mais à esquerda) para cativar eleitores de outro espectro político? -Digamos que qualquer das hipóteses são insuficientes para justificar tal gesto, apenas lembro o que já aconteceu recentemente com Manuel Alegre. Teve muitos mais votos quando apresentou uma candidatura sem apoios partidários do que quando cometeu erros crassos que lhe valeram uma derrota humilhante.
Digamos que existem muitos portuguesinhos que já se arrependeram nesta história de apoiar o benemérito Doutor Fernando Nobre, era mais um que queria "tacho" e que aquelas palavras bonitas, levaram-nas o vento.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ansel Adams

"A Lua e o Half Dome" Parque Nacional de Yosemite, 1960

"Rosa e Tronco" 1932

"Montes Teton e o rio Snake" Parque Nacional de Teton, 1951

"Pinheiro Jeffrey, Sentinel Dome", Parque Nacional de Yosemite, 1940

"Casa Blanca em ruínas" Canyon de Chelly, Arizona, 1942

A minha paixão pela fotografia faz-me de quando em vez mostrar um pouco da obra dos mestres que eu tanto admiro. Desta vez falo de Ansel Adams, um notável fotógrafo norte americano que retratou com mestria os Parques Nacionais do seu País e não só. Dedicou-se à fotografia de paisagem e enquanto perito em técnicas de laboratório, inventou um método de revelação e exposição- conhecido como "sistema de zonas"- que hoje faz parte da história da fotografia. A par da sua arte e pelo facto de ter passado muito tempo nestes ambientes, abraça a causa da preservação da natureza e as suas imagens de Yosemite, tornam-se importantes para que este local passe a ser classificado como parque natural a partir de 1940.
Os seus admiradores sempre reconheceram o carácter emblemático das imagens de Adams e as suas fotografias correram mundo como ícones das belezas naturais dos Estados Unidos. Faleceu aos 82 anos, quatro anos antes recebera das mãos do presidente Jimmy Carter a Medalha da Liberdade. Deixou um legado fantástico e graças a ele, existem ainda muitos destes locais preservados devido às suas fotografias.

terça-feira, 29 de março de 2011

Um segredo bem guardado.


Sempre soube que o nível de vida dos islandeses era muito alto, à imagem do que acontece nos outros países nórdicos, seus vizinhos. Mas, subitamente em 2008 começa-se a falar de uma repentina crise que surpreendeu o resto da Europa. À custa das asneiradas dos três principais bancos da Islândia, que levaram o Executivo a emitir um decreto urgente pelo qual atribui para si a capacidade de nacionalizar as instituições financeiras privadas. A Bolsa entretanto regista quedas históricas e o Estado fica à beira da falência!!

Enquanto este panorama se vai desenrolando e agravando, o ministro das Finanças recorre ao famoso FMI. A partir daqui começa aquilo que eu realmente considero um verdadeiro porta estandarte daquilo que representa a palavra movimento cívico de um povo que vive em plena democracia. Uma ilha deste tamanho com um fraca densidade populacional, naturalmente que a maioria das pessoas vive em redor da capital, cerca de de três a quatro mil pessoas começaram por pacificamente reunir-se em frente ao seu parlamento, exigindo a demissão dos responsáveis governamentais além de uma punição pelos seus atos irresponsáveis. A persistência dá sempre resultado e ao fim de umas semanas o Governo caiu. A pressão continuou para que se mudasse a própria Constituição, que já datava de 1944 e era uma cópia da dinamarquesa.
Foi constituída uma nova equipa para dirigir os destinos do País com uma senhora de 66 anos , com o bonito nome de Sigurdardóttir que foi depois confirmada como líder parlamentar após sufrágio universal. Entre outras medidas bem aceites pelos cidadãos islandeses, esta senhora promoveu como prioridade da sua política económica, a não gratificação dos banqueiros e que ao contrário, legislou de forma a que estes fossem punidos com prisão efetiva pelos atos cometidos no passado. Alguns fugiram e estão a ser procurados pela Interpol. Esta medida impopular para o resto dos países europeus, faz com que os burocratas de Bruxelas retardem agora o processo de adesão da Islândia à comunidade europeia. No entanto este País nórdico consegue no presente afirmar que já ultrapassou a sua fase negra e encontra-se em plena fase de crescimento e consolidação da sua economia. Um "milagre"ou talvez não, apenas a vontade de um povo em fazer valer a sua voz. Todo este processo foi muito pouco divulgado pelos órgãos de comunicação social europeus, o que desde logo prenuncia algo de muito estranho, ou talvez não!

terça-feira, 22 de março de 2011

PEC IV, segundo Sócrates.

Penso termos chegado ao epílogo de uma história já com 6 longos e penosos anos. Acho que terei de falar no engenheirinho daqui por uns tempos, porque presumidamente irá querer candidatar-se a um posto qualquer, num tacho de relevo em Bruxelas.
-PEC
ou, e PECou e voltou a PECar, a sua sede de poder deverá impedi-lo de algum dia reconhecer que a sua liderança foi ruinosa para este País. A teimosia, não permitia largar mão das suas ideias e por muita falácia sobre propostas de aliança com outras forças partidárias, depois de saber que não conseguira a segunda maioria absoluta, não convenceu ninguém. Se a Justiça em Portugal fosse uma senhora de olhos vendados, balança equilibrada numa das mãos e noutra a espada como Minerva, de certeza que este senhor já teria abandonado esta sua farsa. Mas a equidade da balança pesa sempre para o mesmo lado e a espada levanta sempre sobre os mais desfavorecidos.
Quanto ás suas ultimas medidas, que em princípio não irão vingar, (porque as "hienas laranjinhas" farejam o sangue da vitima e estão com vontade de espetar o dente para a estocada final) eu penso que são mais do mesmo. Afinal de contas, todos sabemos que a Irlanda e a Grécia com processos muito semelhantes ao nosso, apesar destas mesmas medidas para combater o deficit, estão cada vez mais enterrados no lodaçal da alta finança europeia. Empréstimos para pagar juros cada vez mais altos, que por sua vez geram uma divida com efeito de bola de neve, que vai crescendo, crescendo até à banca rota!
As eleições aí estão no horizonte dos portugueses e infelizmente não antevejo que existam soluções credíveis, lideres pragmáticos em função da nossa realidade, políticas consistentes e reformadoras que consigam antever uma luz ao fundo do túnel e o mais importante, vontade de rompermos com esta bipolarização partidária de 37 anos que nos deixou neste estado.
Se o nosso futuro, mais que previsível, passa por uma substituição de um engenheirinho presunçoso por um "laranjinha" com 365 medidas no seu bolso, encomendadas aos "donos de Portugal" e que em termos práticos, resume-se a uma total indisponibilidade de avançarmos para uma credibilização da nossa economia nos mercados internacionais a par de continuarmos a encher os bolsos aos mesmos de sempre, prefiro sinceramente que entre o FMI e que aí sim, cortem a direito, sejam transversais a toda a nossa sociedade nas dificuldades que teremos de enfrentar. Substituir "boys" por "yuppies" não nos leva a lado nenhum.

terça-feira, 15 de março de 2011

Os portugueses da Luta!

- Sinceramente, este dia 12 de Março irá ficar na memória de muita gente, pelo menos para mim que lá estive foi uma "festa linda pá" como diria Chico Buarque. Através de um simples apelo de uma rede social aconteceu algo que eu considero ser uma mudança de atitude dos Portugueses (notem Portugueses não portuguesinhos!).
Calcula-se que tenham calcorreado aquela avenida cerca de 200 mil pessoas, em busca de uma esperança de que fossemos ouvidos, em uníssono gritámos bem alto o nosso inconformismo, saltámos do sofá e descemos a avenida.
A uma geração juntaram-se todas as outras, não pretendendo participar no carnaval do senhor primeiro ministro, demonstrámos que este protesto em massa poderia revelar um sinal forte em direcção aos nossos políticos. Coexistiram ali diversas formas de pensar, mas sempre numa base de respeito mútuo e no final o balanço foi positivo, porque deixou no ar a esperança de que os movimentos cívicos em Portugal poderão ter uma palavra muito importante em decisões futuras.
E, agora?- Não basta o que fizemos, até porque nada mudou para já. Não podemos adormecer sobre um primeiro passo que demos, seria tudo muito inconsequente. Não se pode permitir que alguma força partidária se cole a este movimento e será importante ter respostas claras sobre os nossos problemas, porque muito em breve elas irão ser colocadas. Não basta protestar sobre o que está mal, temos de tornar claro esse manifesto que foi criado e tentar que ele seja o mais cristalino possível para todas as Gerações. VIVA PORTUGAL, AFINAL ESTAMOS VIVOS!!!!!!!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mare Nostrum.





















"O Oceanário celebra a vida na terra através de uma visão deslumbrante da vasta e complexa diversidade de seres vivos que habitam este oceano global, evocando o papel vital que este exerce na saúde e evolução planetária."
Francisca Menezes Ferreira in
"Pavilhão do Oceanos - Exposição Mundial de Lis
boa de 1998"













quarta-feira, 2 de março de 2011

Telhados de vidro.

A hipocrisia de um Estado pode ser infinita. Regimes como o Irão e a Coreia do Norte são exemplo disso mesmo. Esta reacção que o Presidente Ahmadinejad teve , perante a possibilidade das Nações Unidas tomarem uma decisão de intervenção na Líbia, é de bradar aos céus. Simplesmente, critica essa hipótese e ainda por cima ameaça os possíveis intervenientes. Ainda à pouco tempo, regozijava-se com a luta do povo egípcio, agora como a oposição no seu próprio país recomeça a manifestar-se, não acha piada nenhuma ao que está a acontecer na Líbia!!
Mas Ahmadinejad não nos consegue surpreender pela negativa, tudo o que têm feito é sempre nesta faixa de incongruência total. O seu regime totalitarista encontra afinidades em países como a China, a Venezuela, a Bolívia e outros que tais, que se justificam uns aos outros nos palcos da política internacional, como uma nova corrente política a nível mundial, aonde o regime presidencialista chama a si todo o poder, uma espécie de autocracia moderna. Nas suas relações internacionais regem-se por uma antipatia básica e comum, ódio visceral aos Estados Unidos.
Quando, o que está em causa são clamores internos para uma reforma política nas suas densas e rígidas leis, logo vêm os fantasmas da intervenção e influência estrangeira dentro das suas fronteiras. Regimes extremamente inseguros, que tal como foram derrubados outros recentemente, também eles estarão na ordem do dia nos próximos tempos e a tensão vai-se adensando.
Na minha opinião, o efeito dominó do que aconteceu no Magrebe, está a gerar uma onda de desconforto em certos estadistas muito comprometidos com o seu passado e presente, menos claros. O ultimo exemplo do que acabo de afirmar, é sem dúvida o nervosismo visível de José Eduardo dos Santos perante uma crescente onda de contestação que ainda não saiu à rua em Angola, mas que nas odiadas redes sociais vai-se "cozinhando" algo que cheira a esturro.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Que parva que eu sou!


Desde que comecei este blog, sempre critiquei a atitude passiva como os portuguesinhos enfrentaram nos últimos anos as dificuldades do nosso quotidiano. A situação têm vindo a piorar progressivamente e neste momento já não existem formas de esconder os números do nosso descontentamento. Todos nós, mesmo os que neste momento se encontram aparentemente bem, antes de mergulharem nos seus empregos, pseudo estáveis, acordam todas as manhãs, com mais um sinal de que, ou vamos perder mais poder de compra, por esta ou aquela razão, ou o Governo decide que as medidas de contenção até agora tomadas não são suficientes, ou extinguiram-se mais uns postos de trabalho, ou a despesa do Estado, apesar de tudo é a única que continua a subir, ou o Sarkozi e a Merkel decidiram apertar mais o cerco, ou o caso de corrupção à muito nas barras do tribunal acaba por não dar em nada, ou são os partidos que se atacam ferozmente no intuito de alcançar o poder, a qualquer preço, etc... tudo sinais constantes de que não existe forma de nos sentirmos confortáveis e egoístas por muito mais tempo. Solidariedade é algo que neste momento não se pode pedir aos portuguesinhos, na minha opinião de uma forma ou outra TODOS NÓS estamos a ficar enrascados e se não temos sensibilidade para ajudar o próximo, ao menos agora, pensemos na nossa própria pele.
Esta forma pessimista de realçar as nossas fraquezas não é um Estado de alma inconsequente e prematuro, a imagem retórica do copo meio cheio ou meio vazio é simples demagogia para aqueles que continuam impávidos e serenos. O povo é, aliás, sempre sereno, dizem eles!
Esta geração à rasca, se calhar vai dar-nos uma lição!! -Pelo menos aos da minha geração, que se iludiram com os cravos de Abril e consequente entrada para a Europa. Vai dar uma lição à apelidada geração rasca, (nome dado por uma figura politica proeminente que todos devem conhecer) muitos deles que hoje se sentam naquelas mesmas cadeiras da Assembleia da Republica.
Ou posso estar muito enganado e isto vai tudo continuar na mesma, isto não passa de um movimento de processos de intenção na internet, não passam de meninos que gostam de escrever coisas... ou então, tal como eu sinto, que desta vez algo paira no ar. Existe um sentimento transversal a toda a sociedade portuguesa, que não abarca só os mais novos. Importa sim, é não partidarizar este movimento, ao qual me junto, com muita vontade de voltar a sentir orgulho em ser PORTUGUÊS.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A ilusão


Quando eu era pequeno, vivia no centro de uma grande cidade, os meus pais tinham um restaurante pequeno e muito frequentado, lembro-me de que existia uma pobreza envergonhada que por vezes nos batia à porta, à procura não de uma esmola mas de comida, afinal aquele era um local aonde se poderia afagar um pouco o estômago. Muitas destas pessoas acabavam por se fidelizar neste local já que os meus pais nunca diziam que não. Alguns deles faziam pequenos recados para compensar a sopita. Outros, a bússola mudou o seu Norte e foram bater a outras portas. Estamos a falar dos anos 70, o definhar da ditadura e os anos logo após a Revolução, tempos confusos aonde acabámos por receber toda aquela gente vinda das ex-colónias com uma mão à frente outra atrás, milhares que se abrigaram aonde calhou. Os Governos de cariz provisório caíam como tordos, uns após os outros, o que hoje era segurança amanhã era insegurança, as leis que se ditavam hoje, amanhã eram anuladas, etc... um panorama que não era brilhante.
No final dessa década, principios dos anos 80' eu ouvia falar que tudo iria melhorar, com tempo, seriamos um povo plenamente integrado na Europa, com direitos e deveres que nos trariam esperança para gerações futuras, a consolidação da democracia iria transformar muitas das nossas fragilidades. O amanhã era tido como certo, após o despotismo e a clausura de 40 anos, deixaríamos de alienar o povo com o fado do destino certo. E a FOME?????- Isso seria básico e elementar, irradicar esse flagelo da nossa sociedade, seria fundamental.
Toda esta introdução, para que eu possa entender o quotidiano e exprimir toda a frustração desta minha geração perante o desalento dos mais novos e também daqueles que trabalhando uma vida inteira, de repente, caiu o céu nas suas cabeças e lutam desesperadamente para que o vizinho não note a sua amargura ao ver-se obrigado a bater a muitas portas, porque os filhos esperam alguma coisa em casa.
Será que estou a distorcer a realidade(?), afinal de contas estamos em pleno século XXI e temos outras "armas" para combater este mal. - Mas então, o porquê de eu sentir que afinal andámos iludidos com tanto provincianismo bacoco? -Muita gente continua a olhar para o lado enquanto todo este panorama não nos bate à porta. Será que afinal, somos mesmo PARVOS como eles dizem?- Que me interessa ter muitas auto-estradas, muitos estádios de futebol, muita tecnologias se no fim o que realmente interessa, continuamos a anos luz de lá chegar!!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pare, Escute Olhe


O visionamento deste documentário que já estreou à cerca de 1 ano, levou-me a pensar que em Portugal a qualidade do serviço público prestado, depende de muitos factores, mas aquele que deveria ser sempre prioridade, fica infelizmente para último, o bem estar das populações.
Vou aqui deixar um exemplo, mas poderia falar, em termos de caminhos de ferro, no fecho de mais de 800 km nos últimos anos. A famosa Linha do Tua, fechada por decreto de resolução do Conselho de Ministros, desde finais de 1991, continua nos dias que correm a ser uma pedra no sapato de quase todos os principais políticos portugueses, isto porque as promessas foram muitas e obra nenhuma. Aqueles quilómetros de via férrea entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros jazem talvez para sempre perante cenários que não custa a acreditar, dizem os entendidos, serem do melhor do mundo em termos de beleza.
Projectos, já foram apresentados, secundarizando até as pessoas que continuam a necessitar deste transporte como pão para a boca, mas relevando a sua importância no aspecto turístico. Poderiam dinamizar todo este interior cada vez mais abandonado, com o valor intrínseco do trajecto. Ainda à cerca de um mês o Presidente da Republica visitou algumas destas paragens e confrontado com a possibilidade de reabertura deste troço, respondeu simplesmente que já passou muitos bons momentos nestes locais e desviou-se mais uma vez da questão. Infelizmente a sua memória é cada vez mais curta e deveria lembrar-se que foi através de um Governo liderado por si que despoletou o encerramento da Linha. Hipocrisia, pura e dura!
Os transmontanos desejam cada vez mais que a linha de fronteira fosse um pouco mais a Sul, de maneira que não tivessem de se preocupar mais com a realização de manifestações, sinos a rebate ou choros de revolta perante a indiferença. O poder centralista de Lisboa têm cada vez mais, vistas curtas. Colocaram transportes alternativos ao comboio, mas as pessoas continuam a esperar horas para que se possam deslocar ao médico, à escola, para os cada vez menos empregos que existem. E Lisboa fica lá, longe... Muito longe e estes políticos demoram a prometer, porque já ouviram dizer que agora estamos mal. Da Europa já não vêm aqueles milhões que costumavam vir e agora até nos estão a apertar os calos!!!
Por incrível que pareça, os senhores do PSD no poder em meados de 90 diziam, na altura, que a consulta às autarquias introduzia demasiado populismo na decisão. Por isso fecharam a Linha sem perguntar nada. A democracia segundo eles, têm limites.
Ao percorrer aquelas imagens da autoria de Jorge Pelicano, interrogo-me senão deveria ser da responsabilidade do Engenheirinho, criar condições para promover a prazo, a fixação das populações nos quatro cantos do País?
O progresso da nossa Nação é isto mesmo, muitas concessões à Mota Engil para cruzar Portugal de lés a lés com IPs em sucessão aritmética, muito betão para encher os bolsos aos mesmos de sempre. De certeza a esta hora, o conselheiro Abílio Beça, um dos grandes dinamizadores e fundadores desta linha em 1903, que por ironia do destino acabou por morrer numa das estações, trucidado por uma locomotiva em 1910, estará a dar umas belas voltas na sua tumba.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Venham mais cinco!


Desculpem lá qualquer coisinha em insistir neste tema, mas faz-me impressão e muita inveja ver um povo lutar na rua contra tudo e todos, pelos seus direitos e por uma causa. Este espírito de luta deverá estar no código genético da identidade deste povo. Fiquei arrepiado ao ver apoiantes de Mubarack (policias e a secreta disfarçados) entrarem na Praça da Liberdade (Tahrir) montados em cavalos e camelos e levarem tudo à frente sem qualquer piedade, depois tudo o que se viu nas ultimas horas...Parecia uma cena tirada de um "take" qualquer de um filme que rodavam naquela praça. Simplesmente irreal!

A grande dificuldade do ditador até agora, foi não ter encontrado nenhum líder ou cabecilhas desta revolução e como toda a gente sabe, é dificil lutar contra todo o povo que grita em uníssono pela sua libertação.

Vou transcrever uma das canções, de um homem que também nunca virou a cara à luta e que se encaixa muito bem neste espírito, que serve como minha homenagem a todos aqueles que já tombaram naquelas ruas pejadas de sangue.

"...Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já

Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá

Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar

De espada à cinta, já crê que é rei d’aquém e além-mar
Não me obriguem a vir para a ruaGritar

Que é já tempo d' embalar a trouxaE zarpar
Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X
A gente ajuda, havemos de ser mais

Eu bem sei

Mas há quem queira, deitar abaixo O que eu levantei
A bucha é dura, mais dura é a razão

Que a sustem só nesta rusga

Não há lugar prós filhos da mãe
Não me obriguem a vir para a rua GRITAR

Que é já tempo d' embalar a trouxa E zarpar
Bem me diziam, bem me avisavam

Como era a lei Na minha terra, quem trepa No coqueiro é o rei
A bucha é dura, mais dura é a razão

Que a sustem só nesta rusga

Não há lugar prós filhos da mãe
Não me obriguem a vir para a rua Gritar

Que é já tempo d' embalar a trouxaE zarpar..."

ZECA SEMPRE!!!!!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"إذا الشعب يوما أراد الحياة


Enquanto por cá tivemos mais do mesmo depois das eleições, aqui bem perto no Magrebe, ao virar da esquina atravessando o Mediterrâneo, a atmosfera vai ficando pesada para os senhores que se sentaram na cadeira do poder nos anos 80 e ainda por lá permanecem. Ben Ali já fugiu para a Arábia Saudita, aonde estará descansado numa qualquer suite presidencial num palácio de algum amigo, outro como Mubarak prepara-se com 82 anos a seguir-lhe as pisadas mas a fuga terá um destino mais descontraído para junto dos seus amigos norte americanos (Egipto foi o único país desta região do globo que reconheceu o Estado de Israel a pedido dos EUA, em troca disso recebeu milhões de dólares de ajuda ao longo de todos estes anos).
Perguntei nesta página do Facebook ( We are all Khaled Said ) qual era realmente a força do povo perante um exército que está 100% ao lado de Mubarack, ao contrário do que acontecia com Ben Ali na Túnisia, que estava a encontrar muitos entraves nas suas próprias Forças Armadas?- Recebi dezenas de respostas, aonde o denominador comum é sem dúvida a certeza de um povo que sofre na pele todos os dias o resultado de leis cada vez mais penalizadoras para a sua sobrevivência, têm que aproveitar este clima que reina na região, senão continuará esta vergonha de se organizarem pseudo eleições e tudo não passa de uma monarquia fantasiada, porque o filho do ditador egipcio prepara-se para suceder ao pai.
Quero expressar aqui neste blog a minha profunda admiração por estes povos terem a capacidade de mostrarem nas ruas o desejo de usufruirem de uma vida melhor no futuro, afinal de contas não marcam greves gerais com 4 meses de antecedência e depois lutam em casa no seu sofá!!-Toda a gente sabe do que estou a falar.
Acredito que me poderão acusar de estar a exagerar e que aqui não estamos a passar pela mesma situação destes povos e não temos um Primeiro Ministro que nos priva de falarmos em liberdade ( a mais de cem metros da sua residência), que não é corrupto, que todos os dias não piora o nosso poder de compra, que não mina o País com os seus amiguinhos (boys) para estes mexerem os cordelinhos e manter o povo manietado e sossegado. Claro que nós aqui estamos muito melhores do que esses países do Norte de África e temos uma outra realidade não é?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um buzinão às presidenciais.


























Aproxima-se um fim de semana especial. Especial porque esta data vai marcar, sem sombra de dúvida, as eleições para a Presidência da Republica, aonde se irá registar a maior percentagem de votos em branco e abstenção desde o 25 de Abril!
Portanto, está na altura de revermos quais as hipóteses que nos dão para não votar em branco ou de não descalçarmos sequer os chinelos e ficarmos no quentinho, já que se prevê também um fim de semana gélido. Vejamos:
-Temos um electricista comunista que até à campanha eleitoral nunca ninguém ouviu falar, e que irá regressar ao anonimato logo a seguir ao dia 23 de Janeiro. Um senhor que veio da Madeira que só faz figuras tristes e que agora se convenceu que o Palácio de Belém deve ter mais umas assoalhadas que o outro Palácio Rosa do Funchal e candidata-se a ficar talvez com uma arrecadação algures na Ponta do Sol. Depois, temos um candidato do PS que não sendo a escolha do engenheirinho, é só para atrapalhar o outro candidato oficial do Largo do Rato. Até parece que isto aqui têm mãozinha do Soares, ressabiado com alguém que disputou com ele as últimas eleições. Um médico ex apoiante da restauração da monarquia , que agora de repente decidiu lutar contra "moinhos", um D.Quixote pouco convincente que aliás têm uma retórica um pouco naif para estas andanças. Um Alegre que se submeteu ao silêncio em determinada altura para assim obter o apoio do seu partido, uma atitude muito pouco inteligente, dado que desta vez irá obter ainda menos votos do que na anterior tentativa, apesar do incompreensível apoio do BE. Em relação ao Cavaco candidato, apenas deixo um pequeno artigo de opinião que escrevi em Fevereiro de 1995 na "Grande Reportagem" com o título "Eu, emigrante". Estava na altura nos EUA e o Primeiro Ministro Cavaco Silva foi lá para declarar que as percentagens das remessas de dinheiro enviadas para Portugal eram cada vez menores. Mesmo de lá ouviu-se um buzinão e o Miguel Sousa Tavares, director desta excelente revista, teve a amabilidade de colocar este meu desabafo nas suas páginas.
Portanto meus amigos, com todas estas possibilidades, estou mesmo a ver o que vai acontecer!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A cantiga é uma arma!

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José Mário Branco é mais um daqueles nomes que incluo neste blogue como uma referência da cultura portuguesa a quem deveríamos todos prestar uma devida homenagem, porque nunca se curvou perante todo este chorrilho de políticos que se pavonearam no poder desde o 25 de Abril. E antes disso foram alguns anitos no exílio em Paris, porque tal como o Zeca também passou das marcas.
Esta apresentação ao vivo em 1982, têm hoje uma actualidade espantosa. Ouçam-na com atenção e reparem que pouca coisa mudou, o FMI anda por aí a rondar e tal como naquela época, é uma instituição financeira internacional que se prepara para nos "ajudar".
"...Saímos de cravo na mão a horas certas..."; "...acabamos todos a estender o braço..."; "...a culpa é dos partidos, são todos a mesma merda, é só paleio, o pessoal não quer é trabalhar..." estas e outras passagens deste testemunho histórico que levanta questões pertinentes sobre o porquê de não andarmos para a frente. Dorminhocos e entretidos com números que lançam cá para fora todos os dias. Num dia o nosso défice não aumentou como esperávamos, noutro dia o numero de desempregados aumentou porque houve uma fuga de informação e a estatística já não é o que era, noutro ainda as agências de rating andam a tramar-nos com especulações infundadas e por fim as exportações vão de evento em popa. E os portuguesinhos continuam impávidos e serenos à espera do FMI!!!
Existe na música portuguesa muita gente que se auto intitula produtora e divulgadora de música de intervenção, mas muita dessa malta o que produz é inócuo, este senhor que hoje aqui refiro costuma dizer desde sempre que a "cantiga é uma arma", e é mesmo no caso dele.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entrega de testemunho.


-Esta passagem de testemunho explosiva é digna de assustar qualquer um. Mas vejamos, agora que iniciámos mais um ano, acredito que muitos de nós têm sempre uma ténue esperança que afinal estão a pintar o quadro com cores demasiado sombrias e existe uma luz ao fundo do túnel. Porquê tanto pessimismo afinal só ainda vamos na primeira semana do ano e já aumentaram os transportes, a gasolina, a luz, o gaz, a água, o IVA cerca de 2% nalguns produtos e noutros de 6 para 23%, cortes nas prestações sociais, descida dos salários dos funcionários públicos, os medicamentos mais caros devido ao cancelamento de comparticipação do Estado na maioria deles, aumento das portagens e o agravamento das deduções do IRS. Portanto não vamos começar já a pensar no pior.
-Alguns portuguesinhos até costumam dizer que ultimamente a culpa deste ambiente negativo é dos próprios jornalistas e economistas bem falantes que insistem em falar na crise por qualquer razão. A obsessão de realçar o aumento do IVA em vez de falarem do programa tecnológico do Engenheirinho?- A opção de se colocar nas primeiras páginas o aumento da despesa do Estado em vez de se falar no esforço que os nossos governantes têm feito no estrangeiro, estendendo as mãozitas no Brasil, na Venezuela, na Líbia, etc... Julgarem em praça pública comportamentos de administradores da Carris, do Metro, da EDP, da CGD quando poderiam salientar que todos estes senhores estão imbuídos de um elevadíssimo espírito de sacrifício ao aceitarem estes cargos de muita exposição pública quando poderiam estar a exercer as mesmas funções numa empresa privada.
Acreditem que apesar de toda esta minha ironia existe muita gente que apesar de tudo, prefere continuar a colocar a cabeça na areia e esperar que a tempestade passe.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um quadro blindado!


-Agora, para terminarmos o ano em beleza, Paulo Portas quer levantar um inquérito parlamentar à aquisição dos quatro blindados e o facto de agora ir cancelar essa mesma compra por quebra de compromisso por parte do fabricante, que deixou passar o evento da NATO, deixou passar o Natal e NADA!- Uma história que só surpreende as pessoas que foram formatadas para pensar pouquinho!!

Era uma vez um senhor que gostava muito de beijar velhinhas nas feiras, um dia decidiu pegar no dinheiro dos portuguesinhos e comprar uns submarinos. Não contente com esta brincadeira deu cabo dumas máquinas de fotocópia e depois meteu uns sobreiros pelo meio. Enfim uma trapalhada. Passados uns tempos veio outro senhor com uma brincadeira semelhante, mas agora com blindados...estava eu a contar a história de embalar e o menino Cavaco adormeceu a meio e não reagiu. Historieta contada ao estilo Paula Rego, num quadro que se poderia intitular "A nossa desgraça". Isto em 2011 promete!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Excelente notícia.

Em vésperas de Natal chega-nos esta notícia fantástica, o ordenado mínimo vai aumentar DEZ EUROS!
Uma ou duas mãos de senhores e senhoras sentam-se à volta de uma mesa de madeira num ambiente a que chamam de concertação social e chegam à conclusão que para chegar aos 500€, terá que ser através de um processo faseado até ao final de 2011.
A UGT como sempre, está satisfeita com quase tudo, mas isso toda a gente estava à espera, os vários representantes do patronato deliram com a decisão porque como sempre fazem do Governo simples marionetas nas suas mãos. Vão puxando os cordelinhos e os vários ministros reagem conforme aquilo que previamente está delineado, antes destas reuniões de fachada. Está a ser mais difícil, o facto de ainda não ter sido possível aprovar a eliminação das indemnizações a todos aqueles que os "incomodam" à muitos anos e não conseguem ver-se livres deles. No entanto já tramaram todos aqueles que agora começam a sua actividade profissional e mesmo passando a efectivos, a qualquer momento podem vir parar à rua sem um cêntimo. Mas isso só não lhes agrada, porque apenas começa a ter efeito daqui a 10 ou 15 anos!!!
Quanto à CGTP, estão mais inconformados com a situação mas não deixam de ser um pouco demagógicos, porque até a este momento continuam muito ao sabor dos interesses do Partido Comunista, com todas as virtudes e defeitos que eu encontro na sua génese. Por outras palavras, eu penso que à volta daquela mesa de madeira não existia uma só pessoa que defenda os verdadeiros interesses dos trabalhadores deste País!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Europa, Europa



Roma no dia 14 de Dezembro de 2010




Atenas no dia 26 de Junho 2010




Londres no dia 10 de Novembro 2010



Dublin no dia 26 de Novembro 2010




Paris no dia 20 de Outubro de 2010
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O que vale é que em Portugal continuam-se a marcar greves gerais com 3 meses de antecedência. E quando chega o dia, existem serviços mínimos que acabam por reduzir os efeitos e ainda por cima os portuguesinhos aproveitam para ficar em casa para assistir no sofá ao evoluir da situação. Os sindicatos continuam a ser convidados para reuniões com o Governo e apesar de tudo, estão abertos a negociações!!!- Eu acho estranho que depois de todas as medidas já tomadas, os sindicatos ainda sintam predisposição para o diálogo. E se fosse a UGT a meter-se nestas negociatas, ainda compreendia, mas a CGTP continuar a acreditar na palavra do Engenheirinho e dos seus pares, depois de todas as falsas promessas, quase me apetecia perguntar aquele senhor da Wikileaks senão têm por lá alguma indiscriçãozita do Carvalho da Silva nos últimos tempos para publicar?
Quanto aos estudantes portugueses, sei lá, são tipo TÁ-SE BEM!!!

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ligações Perigosas






Todos os ingénuos que continuam a pensar que estão muito informados,porque folheiam com assiduidade os melhores tablóides da nossa praça, ou têm acesso a visionar os melhores canais de informação do mundo, estão redondamente enganados. Nós só sabemos aquilo que eles querem que o grande público saiba, tudo o resto não passa dos corredores do poder, acontece em todo lado.


- Claro que de vez em quando existem fugas de informação, tal como aconteceu por exemplo nos Estados Unidos com o caso que derrubou Nixon, o famoso Watergate, nos anos 70. Dois jornalistas tiveram acesso a informação qualificada, que depois tornaram-na pública, originando os resultados que todos sabemos. Mais recentemente temos a divulgação do que acontecia na prisão de Guantanamo logo a seguir ao "11 de Setembro". Existem outros exemplos que eu poderia citar, lembrando até a nível nacional e mais recente, aquele episódio da TVI e da Manuela Moura Guedes. Puro controle ás noticias que não interessa mostrar.

-Toda esta introdução para no fundo falar do site da Wikileaks e do seu fundador Julian Assange. Claro que depois de toda a informação que pretendia disponibilizar, teria que acontecer-lhe algo. Não se passa impunemente depois de brincar com o fogo. Esta história de ser detido por causa de se ter metido com umas meninas parece aquelas fábulas para adormecer, ninguém com juízo perfeito acredita nisto. Neste momento não importa saber qual a importância dos documentos em causa, ou se as conversas entre as embaixadas e os respectivos países são relevantes, importa sim que apesar de toda uma onda de solidariedade em defesa deste senhor no presente, o seu futuro quando tudo acalmar não vai ser famoso e provávelmente tal como já estão a fazer crer,a sua cabeça estará a prémio logo a seguir ao Bin Laden.

-A Rússia em relação aos jornalistas que se portam mal até são um pouco mais radicais, aparecem sempre de "papo para o ar" no meio do rio. Existe sempre maneira de controlar a comunicação que chega ao grande público, se calhar até para bem de todos nós.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lugar onde se vai para ver.


Existem lugares de culto na nossa capital , no que diz respeito ao teatro, que merecem uma visita frequente de todos nós. Lugares que pelo seu historial merecem o nosso respeito e vontade de os tornar eternos. O Teatro do Bairro Alto, mais conhecido por Teatro da Cornucópia preenche os requisitos que antes descrevi, principalmente por causa da perseverança de um dos seus mentores, Luis Miguel Cintra. Desde 1973 que abriu as suas portas ao público, com um outro nome grande da cultura portuguesa, Jorge Silva Melo. Até ao 25 de Abril apresentou essencialmente Moliére, devido à apertada vigilância da censura, mas daí para cá foi uma das salas mais ecléticas do País, nunca deixando de apresentar os melhores textos para teatro jamais escritos, por exemplo Gil Vicente, Shakespeare, Tchekov, Strindberg, Brecht, Fassbinder,etc...
Apesar das sucessivas crises sociais, do aparecimento de outras formas de divulgação cultural, da permanente ameaça do desaparecimento do público nas salas de teatro, aqui se mantêm este reduto de Luis Miguel Cintra, que lá vai sendo teimoso em não baixar o nível das suas peças, caindo na tentação do popularucho. Este encenador que nasceu em Madrid em 1949, filho de pais portugueses, que abraçou desde sempre a carreira de actor com uma dignidade difícil de encontrar.
Não posso esconder que a sua sobrevivência passa muito pelos subsídios do Estado e da Gulbenkyan, mas de certeza que não passa por omitir textos mais incómodos ao poder vigente, corta a direito como eu muito aprecio. Eu assisti a muitas peças da Cornucópia, na segunda metade dos anos 80, isto porque numa altura que ainda não tínhamos acesso com tanta facilidade à agenda cultural, após uma simples inscrição na primeira visita ao teatro, comecei a receber pelo correio informação de todas as iniciativas e de todas as estreias, uma medida que na altura foi inovadora e uma pequena atenção que comigo resultou. Sentia que tratavam o espectador de forma diferente, inclusive vivia-se ali um ambiente acolhedor, na própria convivência entre actores e o público.
Saúdo mais uma estreia da companhia, uma peça que fala do próprio teatro, de muitos dos autores que já referi neste texto, entre eles Beckett e García Lorca, com o título "Fim de Citação". Mais uma vez aconselho uma visita porque passados 37 anos continuam em forma!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Arquivo Íntimo.


Numa altura em que estamos perante uma crise de estadistas com um mínimo de qualidade, caso de Berlusconi, Sarkosi, David Cameron, Zapatero e o incrivel Engenheirinho, penso cada vez mais nas saudades que tenho de homens como Nelson Mandela, agora que foi lançada a sua autobiografia "Conversations with Myself".
Quando ainda era novo, reagia com violência, perante a brutalidade do regime apartheid, acerca disso no presente, apenas afirma, que os oprimidos têm sempre de adaptar as suas medidas em função da actuação dos opressores. Uma lição para aqueles que hoje em dia continuam a pensar, que vivermos em democracia e termos o direito de lutar pelos nossos direitos, faz com que fiquemos mergulhados numa letargia enervante.
Num continente aonde quase sempre imperou a corrupção, o abuso do poder e as sucessivas ditaduras militares, exemplos como a condução da África do Sul por este homem até 1998, foi um facto digno de toda a nossa admiração. A sua história de vida, que eu sempre idolatrei, convenceu-me que é sempre possível darmos a volta por cima, desde que tenhamos a lucidez e a sabedoria de encontrar um lado positivo em tudo aquilo que nos empurra para uma face mais escura da vida. Existem momentos da sua existência que eu nunca esquecerei, como a sua libertação e logo a seguir a sua ascenção até à Presidência, o Mundial de Rugby, que o seu País tão bem organizou e aonde a sua personalidade "inspirou" toda uma equipa à vitória final, motivando um povo que necessitava de um sinal para fortalecer a sua identidade perante o mundo.
- Diante da brutalidade de ter aguentado 37 anos atrás das grades e de ter sido sujeito a um racismo permanente e hediondo, conseguiu reconstruir uma nação baseada não no preconceito racial, mas numa sociedade tolerante aonde tornou realidade o sonho que muitos desejavam para todo um continente. Como seria Portugal com a visão de um homem com esta capacidade, seria pedir muito não é?
Este líder agora com 92 anos continua a ser uma fonte de humanismo aonde muitos gostariam de sentir o gosto e talvez com alguma humildade conseguissem seguir-lhe as pisadas, enfrentando todas as dificuldades que se aproximam com uma alma renovada e esperança que dias melhores poderão chegar no futuro. Termino com uma simples mas significativa passagem do seu livro:

"Devo ter ouvido mil e uma vezes que o que importa não é tanto o que acontece a uma pessoa, mas sobretudo a forma como essa pessoa aceita o que lhe acontece. [...] No entanto, sempre que é a minha vez de ser atingido por alguma infelicidade, são precisamente estas coisas simples que eu esqueço, e deixo assim que o caos se instale."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O anarquista utópico.

Um dia acordei com a nítida sensação de que a única solução seria a Anarquia!-Mas uma Anarquia à minha maneira, ou seja, não sermos condescendentes, como aquele pessoal da extrema esquerda que por aí anda; poderíamos ser radicais com a estupidez vigente, declarar "guerra" aos impérios económicos, restabelecer os verdadeiros ideais revolucionários, eliminar o medo e a letargia do povo, ignorar por completo aqueles que saltam de cadeira em cadeira, sempre à procura de um poleiro mais inatingível, dar voz aos que se vão calando porque já perderam a esperança de construir um futuro mais optimista, lutar por uma identidade que se foi perdendo ao longo dos tempos, combater os jogos de interesse nos bastidores, repensar muito bem este conceito caduco da democracia da Europa Ocidental, não comprar ilusões com base em pressupostos de palavras e frases cheias de nada, colocar sangue novo nos alicerces de um poder mais justo, sermos práticos em relação ao que realmente interessa, não descurando nunca a tentação de cairmos nos mesmos erros dos nossos antecessores, etc... enfim uma grande utopia!!
Eu penso que cada um de nós, têm uma ideia diferente de como seria a forma mais correcta de sairmos deste "buraco" aonde nos encontramos. Paradoxalmente, se por um lado muitos acham que não vale a pena radicalismos, nem anarquias, nem revoluções, nem violência, por outro também acham que assim não dá, com paninhos quentes, com paciência, com os mesmos de sempre no Poder, com compromissos sempre adiados. Afinal, como é que ficamos?- Cruzamos os braços e deixamos nas mãos destes políticos, o nosso futuro?
Essa utopia deveria ser geradora de luta e do sonho de um País melhor, mas quando se alcança algum objectivo, logo vêm os compromissos e tal como Jim Morrison um dia afirmou "Quando fazes as pazes com o poder, tornas-te poder!"e o ciclo volta a iniciar-se.