Todos sabemos que ultimamente fala-se muito mais na cotação da bolsa do que outrora, por uma única razão, todos vivem com o coração nas mãos, à espera daquele dia em que tudo vai abaixo. De repente toda a gente sabe falar de assuntos económicos, toda a gente sabe o que são agências de "rating", toda a gente comenta a divida soberana de cada País, toda a gente discute qual a melhor forma de fugirmos à cotação que nos impingiram de lixo, toda a gente contesta os vários PEC que se sobrepõem e que nos levam ao desespero, etc...
Garanto-vos que por muitos "expert" que encontremos ao virar da esquina, nenhum têm uma opinião similar ao que já tínhamos escutado antes, o que me leva a concluir que temos de ter prudência nas expectativas que criamos depois de ouvirmos este conjunto vasto de opiniões. Uns são alarmistas como o Medina Carreira, outros são optimistas como o Vítor Gaspar, outros ainda são muito pessimistas como é o caso da maioria da população portuguesa. Apesar de já começarmos a dominar as terminologias dos economistas encartados, continuamos a sentir que existe algo no meio desta engrenagem que não responde à principal questão: -COMO É QUE CHEGÁMOS A ESTA SITUAÇÃO??? A origem será difícil de determinarmos, mas depois de assistir nos últimos dias às resoluções governamentais no domínio dos transportes e de ouvir falar no imposto extraordinário, acredito perfeitamente que quem vai pagar são sempre os mesmos!- Impostos sobre mais valias, nem pensar. Impostos sobre os lucros da Banca, com um Governo de direita, nem em sonhos seria possível, por isso estamos conversados. Estão a terminar as golden share que o Governo detinha nalgumas das principais empresas da nossa praça, uma participação accionista minoritária mas que lhe confere poderes especiais, tais como eleger um terço do número de administradores, incluindo o presidente. Ou seja termina por aqui um "tacho" para muitos "boys" que se empoleiravam sempre na altura certa para acumular com outros cargos no próprio processo regulador dessas mesmas empresas que administravam. Uma trafulhice que é bom sinal terminar por agora. Vamos esperar por mais sinais deste género, embora eu acredite sinceramente que tudo isto será inglório!
"Penso que o papel do fotógrafo é o de observador privilegiado, que pode entrar em todos os sítios", são palavras de Robert Doisneau, que soube melhor do que ninguém tirar proveito de uma cidade como Paris, foi aliás considerado como o fotógrafo da cidade do século XX. Nasceu nos arredores de Paris em 1912, travou conhecimento com o surrealismo, a corrente vanguardista que dominou a capital francesa entre as duas guerras mundiais. O seu espírito humanista e a forma como retratava o ambiente parisiense caracterizou toda a sua obra. Deixo aqui alguns dos melhores exemplos daquilo que acabo de afirmar, começou por trabalhar com André Vigneau, escultor e fotógrafo de moda ligado ao surrealismo e que o introduziu no mundo da fotografia publicitária enquanto obra de arte. Mais tarde, antes da Segunda Grande Guerra, trabalhou na Renault como fotógrafo publicitário e reforçou o seu espírito e compromisso com as classes mais desfavorecidas. Aos domingos pegava na sua Rolleiflex e retratava de uma forma subtil os habitantes dos subúrbios de Paris e traduzia nas suas expressões estes momentos conturbados de uma nação ocupada pelos nazis. Colaborou com a resistência ao forjar alguns documentos e imagens retirados do Ministério dos Desportos e Juventude aonde passou a trabalhar durante a guerra. Viveu sempre em Paris, a sua cidade, a quem dedicou toda a sua obra, faleceu em 1994, depois de ter integrado agências como a Magnum, a Rapho (aonde permaneceu mais de meio século) e de ter importantes colaborações com a Vogue, Paris Match, Le PointPicture, Post, Life, etc...Os seus planos intimistas e por vezes poéticos baseavam-se na empatia que criava com os seus modelos anónimos, o fotógrafo fazia-os sentir que era como eles. Num curso de fotografia que recentemente tirei, o meu professor deu-nos conta de como é difícil estarmos na rua, no meio de uma multidão e conseguirmos ter a mestria de nos envolver e ao mesmo tempo sermos discretos de forma a conseguir o plano e o momento exato. Este mestre francês conseguia-o de uma forma magistral!
Está a decorrer a Copa América e para nós europeus, esta competição passa um pouco ao lado, apesar de termos curiosidade de seguir o comportamento dos colossos Brasil e Argentina. Esta taça é similar ao nosso campeonato da Europa que se realiza de 4 e 4 anos.Falo hoje neste assunto para referir um jogador a quem já adjetivaram de todas as formas e feitios e que agora apelidam como sendo ele e mais dez, a seleção que joga em casa e pretende o título.
Ao contrário do que se possa pensar, mesmo entre aqueles que veneram o seu grande rival em termos de performance, Ronaldo, existe um grande consenso nos dias que correm, este rapaz argentino é sem duvida o melhor jogador de futebol das ultimas épocas e porventura um dos melhores de sempre, digno de estar naquela montra daqueles "Deuses da bola" que tanto já ouvimos venerar, como Di Stefano, Pélé, Maradona, Cruif, Eusébio,etc... O inicio da sua carreira, foi traumático, porque bem cedo foi-lhe diagnosticado um problema hormonal que retardava o desenvolvimento ósseo, nessa altura começou um tratamento que custava 900 dólares por mês e foi a fundação aonde o pai trabalhava que custeou este processo, baseava-se numa injeção em cada perna durante todos os dias!!!- Já então mostrava os seus dotes numa equipa argentina, Abanderado Grimaldi. Mas entretanto a Argentina passava por um momento de grandes dificuldades financeiras o que levou a que se cortassem muitas despesas e Messi impedido de prosseguir os seus tratamentos, rumou a Espanha, por iniciativa dos pais. Uma prima da mãe, que residia em Lérida, perto de Barcelona, passou a tomar conta do rapaz. Os olheiros do clube catalão depressa o foram buscar e passaram a pagar todos os tratamentos, além do sustento da própria família que se vieram juntar a ele. Começou a dar nas vistas nos escalões mais jovens e daí até à sua estreia pela equipa principal foi algo meteórico. Uma curiosidade que muita gente não sabe, é que Messi estreou-se pelos seniores contra o Porto no estádio do Dragão em 16 de Nov. de 2003, o resto da história toda a gente sabe. Uma das grandes facetas que eu mais admiro neste craque, é que sabe ser um senhor dentro e fora do campo, um verdadeiro exemplo a seguir.
Passo a passo lá nos vamos enterrando, já nos consideram "lixo" lá para os lados do Tio Obama. As medidas agora anunciadas são de molde a que a nossa economia consiga mergulhar no abismo, muito por culpa da recessão que se adivinha devastadora, basta reparar no incentivo ao consumo que este corte do subsidio de Natal vai provocar nas bolsas dos portuguesinhos. Quanto à banca, estamos conversados, nada de incomodar os senhores porque agora estão entretidos a puxar pela imaginação, na melhor forma de arrebentarem com mais estes milhões que lhes vão ser atribuídos, generosamente de bandeja pela Troika. -Lembram-se de certeza dos "yuppies" que durante o reinado cavaquista rejuvenesceram com os dinheiros que provinham da Europa e davam azo e incentivavam a delírios consumistas despropositados, puxaram pela imaginação e valia tudo, arriscando capital em investimentos de alto risco, sem pensarem que a fonte um dia secava. Estamos a viver dias com a mesma cor partidária no poder, mas enganem-se aqueles que se iludem com estes sinais de poupança na redução de Ministérios e viagens em classe económica, porque isso são trocos, garantidamente que a estes jovens do outrora irão suceder outros laranjinhas com as suas ideias liberais e vontade de reclamar o seu pedacinho de poder em troca do apoio que não regatearam!!! Entretanto o Banco Central Europeu prepara-se para subir as taxas de juro e dar uma pincelada neste quadro catastrofista previsto por conceituados economistas independentes, digamos que daqui a uns tempos estaremos exatamente na mesma posição que a Grécia, sem poder de compra, com uma taxa de desemprego monstra, com os índices económicos todos na rua da amargura e uma vontade de partir para outro lugar.Em relação aos gregos irá existir sempre uma diferença, é que nunca iremos ter a coragem de ir para a rua e demonstrar o nosso descontentamento, afinal de contas domaram muito bem o nosso povinho durante um longo inverno Salazarista, deveríamos sempre "comer e calar!"
-Mais um ano, e este blog após estes 1094 dias e de ter escrito cerca de 166 artigos, admito que ultrapassou aquilo a que à um ano chamei de devaneio, neste momento já existe um carinho especial por este bocadinho aonde desabafo as minhas ideias. Para que se entenda bem o porquê deste apego a um blog, basta imaginar um País aonde o Estado garantisse que ao chegarmos a uma repartição pública estariam pessoas a atender-nos com conhecimento daquilo que fazem e tratassem do nosso problema com o respeito que mereceria, aonde o Governo deixasse de funcionar para clientelismos e se dedicasse ao bem comum dos cidadãos, aonde a justiça funcionasse célere e sem condicionantes ou interferências da parte dos mandantes, a educação cumprisse o seu papel fundamental numa sociedade e formasse jovens com bases e princípios nucleares para enfrentar os desafios que se lhes deparam ao longo da sua vida, que os cuidados de saúde fossem ministrados à população de forma indiferenciada fosse qual fosse a sua condição social e económica, aonde a democracia não fosse uma palavra vã e no nosso quotidiano não presenciássemos aos atropelos grosseiros dessa verdade! -Aí sim, pela natureza deste espaço acho que este blog deixaria de ter sentido . Mas confesso, esse dia estará muito longe de chegar, pelo andar da carruagem. Sendo assim, já estou como o Jel ("Homens da Luta") afirmou na tomada de posse deste novo executivo, "... temos trabalhinho assegurado para mais uns anitos, VIVA A LUTA..."
Estava ontem a desfolhar um jornal centenário espanhol, "La Vanguardia" e reparei neste pequeno cartoon de Toni Batllori, que me chamou desde logo à atenção. Recortei e apresento-vos hoje aqui. O chamado grupo de indignados 15-M têm perpetuado em Espanha uma consistência na reivindicação dos seus pontos de vista muito para além do que seria expectável pela classe política e neste momento o Movimento começa a fazer-se respeitar ao ponto de nesta Terça-feira, todos os grupos parlamentares em uníssono, decidiram levar em consideração algumas das tomadas de posição deste grupo, nas suas já famosas assembleias que decorrem geralmente no final de cada protesto. Algo está a mudar, nem que seja só para sossegar mentes inquietas. O PP prepara-se para atacar o poder após a sua vitória estrondosa no ultimo escrutínio eleitoral, aonde conquistaram Câmaras que pertenciam aos socialistas desde sempre. Mas, não lhes interessa ir nesta avalanche de protestos porque por um lado, de certeza que ainda se lembram como Aznar foi colocado na rua à uns anitos e depois, porque o seu conservadorismo e as ideias liberais que intentam protagonizar num futuro muito próximo de governação ativa não são compatíveis com as ideias dos indignados. Por agora, apenas pretendem que a imagem dos socialistas se vá desgastando com toda estes protestos e entretanto vão pressionando o Ministério do Interior de Rubalcaba para intervir energicamente contra estes jovens que põem em causa a ordem pública e demonstram não ter respeito pelos valores mais éticos da democracia espanhola, segundo os seus comentários subliminares. Uma estratégia que infelizmente irá dar os seus resultados práticos, caso os socialistas não tenham o bom senso de demarcarem-se da sua responsabilidade de levar esta legislatura até ao final e desde já chamarem à liça todas as forças partidárias para enfrentarem este período extremamente difícil para o País, constituindo um Governo de Salvação Nacional. Tenho seguido com redobrado interesse toda a evolução da situação tanto em Espanha como na Grécia, já que em Portugal e na Irlanda estamos num período de falsa esperança de que algo vá mudar. Continuamos a sugerir a nós próprios de que estes novos mandatos vão fazer a diferença, pura ilusão!!! -Mais cedo ou mais tarde estamos na situação da Grécia, mas entretanto vai tudo para o Algarve de férias porque a crise têm tempo para nos dar cabo da cabeça.
São 125 anos de história, aonde várias gerações já tiveram peripécias que contam com alguma magia à mistura, aos seus descendentes. Eu habituei-me desde criança a visitar este Zoo em Lisboa e continuo-o a apreciar, como uma chamada de atenção a todos nós! -Os ataques conscientes e inconscientes à preservação de todas estas espécies e ao próprio planeta. Não me agrada, sinceramente, ver estes animais fora do seu ambiente natural, mas acredito que existe na história deste parque a procura incessante de propiciar o máximo conforto e estabelecer um equilíbrio entre o que é o seu habitat natural e as condições exíguas que aqui existem. Nos últimos anos, recordo-me por exemplo das condições que propiciaram aos felinos que estavam confinados a meia dúzia de metros e umas grades horrorosas, umas jaulas disfarçadas, agora tudo isso mudou e para bem melhor. Na sua já longa história, o Jardim Zoológico, beneficiou sempre de uns mecenas que fizeram um trabalho extraordinário nas nossas ex-colónias em África, pesquisando e recrutando espécies, beneficiando este lugar, a ponto de ser considerado um dos melhores da Europa. Após 74, houve um período menos fulgurante até aos princípios dos anos 90. Recordo-me que nessa altura houve uma mudança na forma como administravam este lugar, transformando as dificuldades financeiras numa aposta clara em novos conceitos de marketing e gestão, à imagem de outros parques semelhantes por esse mundo fora. Nasceram crias que entretanto cresceram e adaptaram-se a esta vida de cativeiro e foram promovidos concursos para que as empresas apadrinhassem estes novos elementos, com contrapartidas em publicidade. Já tive oportunidade de conhecer outras realidades semelhantes como por exemplo perto de Boston ou em Nova Iorque ( no Central Park) ou perto da fronteira entre a Holanda e a Bélgica, etc... e realmente o nosso Zoo têm umas condições muito agradáveis em comparação com esses lugares. Em jeito de conclusão, apenas desejo que exemplos (poucos?) como este possam perdurar por muitos mais anos e que tenhamos a coragem de no nosso quotidiano, possamos pensar um pouco na preservação deste legado que os nossos antepassados nos deixaram com muita dedicação e espírito de sacrifício. Uma homenagem a todos aqueles que todos os dias dedicam um carinho especial por estes animais, principalmente os que organizam e preservam este Jardim Zoológico.
Ou vira à direita ou vira à esquerda moderada e assim vamos vivendo no nosso mundinho, não passamos disto. Agora desde que iniciei este blog acostumei-me ao facto de lidar com o engenheirinho no poder, agora já estou como os "Homens da Luta" que parodiam com um faducho de Coimbra ..." Sócrates têm mais encanto na hora da despedida...", não vai de certeza deixar saudades a ninguém (exceto aos seus boys!) mas suspeito que o seu protagonismo era digno de muita inspiração para pessoas que como eu adoram escrever sobre as incongruências politiqueiras deste nosso burgo.
Como detinha aquele dom fantástico de ter conversa para tudo, quando se demitiu ainda houve um punhado de portugueses que ficaram com uma lágrima no canto do olho, porque se comoveram com as lamechices deste engenheirinho que nos deixou o País de rastos e ainda teve a lata de afirmar na sua ultima reunião, na comissão política do PS, ..."eu adoro-vos!..." dirigindo-se aos papalvos que o deixaram candidatar-se a estas ultimas legislativas. Foram seis anos de intrujice que mereceram da maioria dos portuguesinhos, uma segunda oportunidade, aonde em dois anos teve tempo para colocar no rol dos milhares de Institutos e Fundações mais uns tantos que sempre viveram à custa do Estado, além de assinar mais umas tantas concessões público-privadas que lhe irão ser úteis no futuro. Bem diziam uns tantos iluminados da nossa praça que o melhor seria fazerem uma auditoria independente e séria aos números que nos apresentavam (manipulados?) para que o próximo a sentar-se na cadeira de S.Bento soubesse o que ia encontrar.
Tal como disse no seu discurso de despedida, a história irá de certeza fazer justiça à sua obra. De certeza que não vai passar muito tempo para descobrirmos a dimensão real da sua passagem pelos corredores do poder e nessa altura, ou muito me engano ou é melhor ele estar bem longe porque não vai haver nenhum Procurador Geral da Republica que o safe!
Achei curioso que ontem ao entrevistarem o pai do futuro primeiro ministro na pacata cidade transmontana de Vila Real, quando lhe perguntaram o que vai dizer ao seu filho depois desta eleição, o senhor doutor dirigindo-se para o seu consultório, respondeu textualmente ..."estás lixado!...". Eu acrescentaria, parece que não és médico, parece é que és bruxo!
- Serralves serve para termos uma conversinha sobre as propostas ridiculas para a cultura que os principais partidos apresentaram nesta campanha eleitoral. Esta semana aconteceu um evento no Porto que dignifica a cidade e serve como exemplo do que se pode fazer na divulgação de variadíssimos projetos de diferentes áreas da cultura em Portugal. Um Festival com espetáculos de dia e de noite, durante um fim de semana, um cartaz muito aliciante e de acesso absolutamente gratuito. Nos anos 20 do século passado, o Conde de Vizela herdou esta quinta de veraneio da sua familia e estava longe de pensar que um dia este local seria uma referência e visita obrigatória para todos aqueles que se interessam por arte moderna e não só. Só tenho pena que estes eventos não se repitam com mais frequência e em diversos pontos do país, porque se tivermos em atenção, as assistências, cada ano mais numerosas neste local, depressa concluimos que existe interesse, apenas falta mais iniciativas deste género. Lembro-me de uma exposição na Gulbenkyan à uns anitos atrás aonde durante uma mostra de trabalhos da Paula Rego, mesmo abrindo as portas durante 24 horas, as filas não tinham fim e de certeza que nessa altura ninguém estava à espera de uma adesão que foi histórica. Mais uma prova de que o público em geral acorre a estes eventos desde que haja uma boa divulgação e que os conteúdos primem pela qualidade. , Termino, tal como comecei, falando nas propostas. O Passos Coelho afirma desde logo que se formar Governo, o Ministério da Cultura vai à vida, aliás em coerência pura com aquilo que aconteceu com o malogrado secretário do estado da Cultura do governo de Cavaco Silva, o hilariante Santana Lopes que já inventava os violinos de Chopin ou a relação sempre conflituosa com a sua Persona non grata que foi nem mais nem menos, o Nobel José Saramago. Quanto às propostas do PS nesta área, além de criticar o PSD, esta semana juntou um conjunto de personalidades ligadas à nossa cultura que apoiam as suas políticas, Querem-se rir um bocadinho, então aqui vão os nomes das personalidades presentes: - Lenita Gentil, fadista; Michell, cozinheiro e Inês Pedrosa, escritora. Eu não disse que este engenheirinho é inimitável!!! Francamente senhor primeiro ministro demissionário, estamos a falar de cultura!- Seis anos chegaram para ver o que podem e conseguem fazer, agora com a Troika à perna, até o telhado do novo Museu dos Coches vai ficar sem telhas.
Batemos no fundo!- Já vale tudo, com toda essa gente sem tusto para a refeição, arranja-se quorum para um comício bem animado. Em troca de meia dúzia de incentivos cheios de sotaque apresenta-se triunfante o líder no palco das falsas promessas. Esta campanha têm-se pautado por um deficiente esclarecimento sobre o que realmente interessa saber, em vez disso levantam-se falsas questões e assuntos periféricos para o povo ficar entretido. Hoje é o partido B que lança uma acusação difusa, amanhã o partido C contra ataca e lança uma nova farpa, entretanto sai a quarta sondagem do dia e lá vão eles ver como se saíram nas suas divagações estratégicas. E assim vai a vidinha dos portuguesinhos que ainda têm pachorra para aturar estes senhores que se dizem capazes de nos tirar deste buraco! Por outro lado temos uma profusão de debates, aonde são convidados todos aqueles que já lá estiveram, mais aqueles que já lá estão e os que são candidatos a irem para lá, a somar a todos estes ainda aparecem aqueles que não estando interessados no poleiro, usufruem de alguma forma proveitos da política daqueles a que estão diretamente associados. Uma rede de personalidades que envolve sempre o mesmo objetivo, criar-nos a ilusão de que estão preocupados com o futuro deste país e dos seus cidadãos. Apesar de chegarmos até aqui e sabermos quem nos conduziu a este estado lastimável, continuo sem perceber o resultado das sondagens que teimam em apresentar valores de bipartidarismo angustiante. É algo de patológico este comportamento da sociedade portuguesa que revela uma ambivalência persistente, pelo menos nos últimos 20 anos, porque parece identificar muito bem os políticos que tomaram estas decisões ruinosas mas depois na hora da verdade, coloca a cruz sempre nos mesmos personagens?? -Como os empates técnicos parecem persistir, sondagem após sondagem, prevejo que após o 5 de Junho iremos assistir a tristes encenações, com personagens que irão usar muitas figuras de estilo nos seus discursos patéticos, para justificar alianças nunca antes imaginadas. Quem irá perder mais uma vez?- Todos nós, é claro!- Mas se calhar como povo, deveríamos parar e "deitar" no divã, para sermos minuciosamente psicanalisados. Talvez estudando o papel do inconsciente no comportamento desta massa humana conseguíssemos chegar a alguma conclusão ou ainda verificar recalcamentos de uma exposição muito longa a uma ditadura que supostamente ocupava a cadeira do poder para nos proteger de tudo e nós só tínhamos que nos preocupar com as nossas vidinhas amorfas???- Talvez Freud nos conseguisse dar uma mãozinha para deslindar estes assuntos...
Como sempre, aqui ao lado quando metem na cabeça organizar um protesto para demonstrar o seu descontentamento em relação a algo que os prejudica, aconteça o que acontecer levam o seu querer até às ultimas consequências. Devem lembrar-se daquele episódio em 2004, quando morreram dezenas de pessoas numa estação de comboios em Madrid, um atentado terrorista que José Maria Aznar numa primeira reação acusou a ETA como sendo o cérebro desse ato, por motivos puramente eleitoralistas, dado que a Espanha preparava-se para ir às urnas logo a seguir. Pura manipulação dos factos, já que desde cedo se percebeu a sua "cartada" falhada e a perceção do povo foi imediata, ninguém perdoou o PP, foram para as ruas e o descontentamento foi traduzido no escrutínio eleitoral. De repente os socialistas ultrapassaram Aznar e a reviravolta assombrou o resto da Europa. Agora são os socialistas que esgotaram os seus argumentos e já começam a notar-se alguns tiques de "democracia fora do prazo," as manifestações que neste momento ocorrem numa das principais praças madrilenas, Puerta del Sol, são a imagem disso mesmo, em vésperas de mais umas eleições regionais. Decidiram acampar neste local até ao próximo domingo e desta forma darem voz ao descontentamento popular que se propagando, principalmente pela juventude sem perspetivas de futuro. O movimento apelida-se de "Plataforma Democracia Real" e a ideia desta forma de protesto espalha-se por outras cidades, ontem já eram cerca de 11 localidades seguindo o mesmo exemplo. Apesar da chuva que vai caindo e das cargas policiais para desmobilizarem, estes jovens insistem em propagar esta ideia de que o povo têm o direito de se fazer ouvir nos momentos decisivos e graves como aquele que se vai vivendo um pouco por toda a Europa. Já se ouviu falar de que esta manifestação foi criada com base naquilo que aconteceu por cá em 12 de Março, talvez assim seja, mas acho que eles levaram essa ideia mais a fundo e permanecem na rua, ao contrário de nós, aonde tudo foi efémero e desvaneceu-se. Adormecemos novamente!
Desde o princípio deste blog tenho invariavelmente apontado o dedo a este Governo, agora demissionário, mas acontece que hoje vou usar aquele belo postal de apresentação dos Monty Phyton, "...and now something completely different...", para registar um único facto, que considero positivo neste mar de asneiras em seis anos de desgovernação do PS. Refiro-me à aposta feita nas energias renováveis!! -Demos sem dúvida um salto qualitativo e somos apontados como um exemplo a seguir. A Ilha Graciosa poderá ser a primeira região insular do mundo, a ficar livre de Co2. Uma ilha com 4500 habitantes que apresenta as condições necessárias para se empreender este projeto da autoria da "Younicos", uma empresa alemã com sede em Berlim. Este empreendimento terá como base a energia solar e eólica e será sem dúvida algo para se estender ás outras ilhas do arquipélago, que reúnem todas as condições para ser um sucesso. Mas nada é perfeito. Enquanto recebia esta noticia com muito agrado ao mesmo tempo, tomo conhecimento que na tempestade que assolou a Ilha da Madeira o ano passado e que vitimou dezenas de pessoas, foi arquivado o processo que investigava possíveis culpados da construção desenfreada em cima de cursos de água com muita especulação imobiliária à mistura. Claro está, que toda a gente sabe que o Governo Regional estaria metido nestas andanças até às orelhas. Nem tudo pode ser diferente...
Existe a ideia entre os portugueses que vamos passar um mau bocado nos próximos anos. Parece algo de inevitável, um destino que estava programado no nosso código genético como povo. Ao longo dos últimos 37 anos temos construído, todos em conjunto, um role de condições que paulatinamente, transformaram este País na pouca vergonha que hoje assistimos. Quando digo todos, somos mesmo todos, porque se vivemos em democracia e tivemos oportunidade de fazer as nossas escolhas de que é que nos podemos queixar agora?- Esta bipolarização partidária que dominou os destinos e opções, ao longo deste tempo, não serviram de lição aos portuguesinhos, porque segundo as sondagens, vamos cair no mesmo buraco. É uma espécie de obsessão, queixamo-nos muito mas volta e meia lá estamos nós enfeitiçados pelo olhar do "aracnídeo" e enredados na mesma teia.
O FMI está cá, para ficar durante muitos anos, e se por ventura tivermos alguma ilusão de que vieram para nos "ajudar", pensem só nos exemplos da Grécia e da Irlanda, isto para referirmos os últimos casos. Mas eu lembro o que aconteceu ao Brasil entre 1998 e 2003, aliás deixo-vos um pequeno excerto do que na altura foi publicado em finais de 2002 no jornal "O Globo" pelo economista Marcelo Neri:
"Quais as conseqüências desta política? A assinatura de Acordos com o Fundo Monetário Internacional, e, conseqüentemente, a adoção do receituário das políticas econômicas recomendadas pelo Fundo têm invariavelmente resultado no aprofundamento da recessão e na inviabilização dos projetos nacionais soberanos de desenvolvimento. A crise social sem precedentes vivida recentemente pela Argentina é o caso mais emblemático do fracasso das políticas econômicas liberais nos países em desenvolvimento. Desde 1998, o Brasil tem recorrentemente assinado Acordos com o FMI, e como resultado das políticas econômicas aplicadas ao país se encontra desde então com a economia praticamente estagnada."
Portanto estamos conversados quanto às intenções destes senhores que agora "acamparam" no Terreiro do Paço.Ao menos, para já, que possam arrumar um pouco a casa, limando aquelas arestas que mais dão nas vistas, caso das negociatas com as empresas público-privadas, os negócios do TGV, da construção da nova auto-estrada Lisboa-Porto, da ligação escandalosa com a Mota-Engil , e mais algumas dezenas de etc...
O Presidente, esse não têm dado cavaco a ninguém, passa incólume e sereno como se nada se tivesse a acontecer. Recebeu os seus antecessores em Belem, por altura das comemorações do 25 de Abril, e apelou a um entendimento entre as comadres desavindas, mas acho que não vai ter qualquer sucesso, elas lá sabem a razão e nós também. Essa história do Bloco Central já foi chão que deu uvas, agora passado este tempo, os "tachos" ou dão para uns ou para outros!
Mais uma oportunidade para divulgar um evento que neste momento decorre no Museu da Electricidade em Lisboa, a exposição da World Press Photo. Geralmente costumo assistir, neste espaço original da capital, a esta seleção do melhor que aconteceu no passado ano em relação a foto jornalismo. Mostro aqui dois dos exemplos premiados, mas todos os anos esta exposição não deixa indiferente ninguém, perante as obras destes homens e mulheres que arriscam a sua própria vida para nos mostrar uma realidade, que por vezes nos fica confortávelmente distante. Ainda recentemente, dois repórteres fotográficos (recentemente galardoados com premios desta organização) foram mortos em Misrata (Líbia) ao tentarem capturar imagens para a Vanity Fair e para a Getty Images, respectivamente Tim Hetherington e Chris Hondrus, ambos de 41 anos. Desde o principio do conflito já faleceram 5 jornalistas devido a fogo cruzado na Líbia
Geralmente, quando termino a minha visita, custa-me digerir toda a frieza de algumas daquelas imagens, mas ao mesmo tempo sinto-me gratificado, porque consigo transportar-me para alguns daqueles locais e pensar como reagiria perante determinadas situações com uma máquina nas minhas mãos. Enfim, sonhos...
Este pequeno excerto da "Divina Comédia" que aqui apresento, integra duas das figuras que sempre aprendi a respeitar pela sua postura perante a cultura em Portugal e pela excelência do seu trabalho. Mário Viegas, que muito cedo nos deixou e Luis Miguel Cintra, um homem que continua contra ventos e marés a dirigir uma das mais emblemáticas salas de teatro de Lisboa, falo da Cornucópia. A sua programação pauta-se por uma escolha criteriosa de grandes autores e nunca se deixaram tentar pelos textos que fazem chamariz de mais público.
Mas esta introdução serve para homenagear mais uma figura grande da nossa cultura, o realizador deste mesmo filme de 1991. Manoel de Oliveira, nascido no Porto em 1908, que acaba de apresentar o seu novo filme "O estranho caso de Angélica". A história de um fotógrafo da Régua que é chamado para tirar o ultimo retrato de uma jovem que acaba por falecer após o seu casamento e que pertencia a uma família muito abastada. Esta película integrou mais uma vez a seleção oficial do Festival de Cannes de 2010, aliás uma presença que sempre foi assídua naquele prestigiado certame.
Sempre fui um grande apaixonado pela 7ª arte e confesso que Manoel Oliveira nunca foi um dos meus favoritos, mas a verdade é que me lembro de ter assistido a este filme que apresentei em cima e que foi para mim na altura uma bela surpresa. A "Caixa" foi outro dos que me recordo além do inevitável clássico "Aniki Bóbó", que aliás foi a sua primeira grande metragem. Desde esse momento, em 1941 realizou mais 32 obras!!!!- A sua longevidade no meio cinematográfico já lhe proporcionou reconhecimento a nível mundial, não fosse ele o realizador mais velho do mundo. Mas, mais importante do que tudo é assistirmos a esta sua "teimosia" em continuar a ser uma pessoa lúcida e com projetos para o futuro, de certeza que este senhor oriundo de uma família burguesa dos princípios do século passado, é um exemplo para todos nós. A sua preserverança na forma como faz aqueles longos planos estáticos com ausência de diálogos e por vezes monótonos, apesar das criticas do grande público e das piadas que se fizeram ao longo dos tempos, nunca o demoveram dessa forma de dirigir as suas obras.
Termino com uma das frases do mestre, num pequeno apontamento cinematográfico de um outro grande realizador, Win Wenders, ele afirmava "...a unica coisa verdadeira é a memória...". Eu diria, tenhamos bastante memória para não esquecermos dos nossos valores maiores.
Nas ultimas eleições em Portugal têm-se registado um crescente numero de independentes que surgem para preencher aquela lacuna cada vez maior que os partidos políticos criaram na sociedade. Os cidadãos estão naturalmente insatisfeitos e procuram outras opções. Por vezes aparecem candidaturas surpresa como o que acabou de acontecer nas presidenciais com Fernando Nobre. Apelidou-se de independente, longe de qualquer partido político existente, com um perfil exemplar na área da assistência humanitária, criou a AMI em 1984 e desde essa data habituámo-nos a assistir às suas incursões em múltiplos palcos de guerra e a diversos cenários de catástrofes naturais, dando o seu contributo de um forma muito corajosa. Quando surgiu, com as suas credenciais e prioridades sociais, logo cativou uma boa percentagem de eleitores. Algo que se veio a concretizar no resultado das Presidenciais, quase 600 mil votos (!!!) sem qualquer aparelho partidário a suportar esta candidatura, é obra. Em tempos de crise os partidos às vezes recorrem das ideias mais estapafúrdias, e esta do PSD convidar Fernando Nobre só porque ele obteve um êxito relativo nas ultimas eleições é algo de muito estúpido. Ou o convite aparece porque Manuela Ferreira Leite, Luis Filipe Menezes, Marques Mendes e António Capucho recusaram-se a integrar as listas do PSD às próximas legislativas ou aparece porque Pedro Passos Coelho pretende dar uma imagem de abertura a novas ideias (mais à esquerda) para cativar eleitores de outro espectro político? -Digamos que qualquer das hipóteses são insuficientes para justificar tal gesto, apenas lembro o que já aconteceu recentemente com Manuel Alegre. Teve muitos mais votos quando apresentou uma candidatura sem apoios partidários do que quando cometeu erros crassos que lhe valeram uma derrota humilhante. Digamos que existem muitos portuguesinhos que já se arrependeram nesta história de apoiar o benemérito Doutor Fernando Nobre, era mais um que queria "tacho" e que aquelas palavras bonitas, levaram-nas o vento.
"A Lua e o Half Dome" Parque Nacional de Yosemite, 1960
"Rosa e Tronco" 1932
"Montes Teton e o rio Snake" Parque Nacional de Teton, 1951
"Pinheiro Jeffrey, Sentinel Dome", Parque Nacional de Yosemite, 1940
"Casa Blanca em ruínas" Canyon de Chelly, Arizona, 1942
A minha paixão pela fotografia faz-me de quando em vez mostrar um pouco da obra dos mestres que eu tanto admiro. Desta vez falo de Ansel Adams, um notável fotógrafo norte americano que retratou com mestria os Parques Nacionais do seu País e não só. Dedicou-se à fotografia de paisagem e enquanto perito em técnicas de laboratório, inventou um método de revelação e exposição- conhecido como "sistema de zonas"- que hoje faz parte da história da fotografia. A par da sua arte e pelo facto de ter passado muito tempo nestes ambientes, abraça a causa da preservação da natureza e as suas imagens de Yosemite, tornam-se importantes para que este local passe a ser classificado como parque natural a partir de 1940. Os seus admiradores sempre reconheceram o carácter emblemático das imagens de Adams e as suas fotografias correram mundo como ícones das belezas naturais dos Estados Unidos. Faleceu aos 82 anos, quatro anos antes recebera das mãos do presidente Jimmy Carter a Medalha da Liberdade. Deixou um legado fantástico e graças a ele, existem ainda muitos destes locais preservados devido às suas fotografias.
Sempre soube que o nível de vida dos islandeses era muito alto, à imagem do que acontece nos outros países nórdicos, seus vizinhos. Mas, subitamente em 2008 começa-se a falar de uma repentina crise que surpreendeu o resto da Europa. À custa das asneiradas dos três principais bancos da Islândia, que levaram o Executivo a emitir um decreto urgente pelo qual atribui para si a capacidade de nacionalizar as instituições financeiras privadas. A Bolsa entretanto regista quedas históricas e o Estado fica à beira da falência!!
Enquanto este panorama se vai desenrolando e agravando, o ministro das Finanças recorre ao famoso FMI. A partir daqui começa aquilo que eu realmente considero um verdadeiro porta estandarte daquilo que representa a palavra movimento cívico de um povo que vive em plena democracia. Uma ilha deste tamanho com um fraca densidade populacional, naturalmente que a maioria das pessoas vive em redor da capital, cerca de de três a quatro mil pessoas começaram por pacificamente reunir-se em frente ao seu parlamento, exigindo a demissão dos responsáveis governamentais além de uma punição pelos seus atos irresponsáveis. A persistência dá sempre resultado e ao fim de umas semanas o Governo caiu. A pressão continuou para que se mudasse a própria Constituição, que já datava de 1944 e era uma cópia da dinamarquesa. Foi constituída uma nova equipa para dirigir os destinos do País com uma senhora de 66 anos , com o bonito nome de Sigurdardóttir que foi depois confirmada como líder parlamentar após sufrágio universal. Entre outras medidas bem aceites pelos cidadãos islandeses, esta senhora promoveu como prioridade da sua política económica, a não gratificação dos banqueiros e que ao contrário, legislou de forma a que estes fossem punidos com prisão efetiva pelos atos cometidos no passado. Alguns fugiram e estão a ser procurados pela Interpol. Esta medida impopular para o resto dos países europeus, faz com que os burocratas de Bruxelas retardem agora o processo de adesão da Islândia à comunidade europeia. No entanto este País nórdico consegue no presente afirmar que já ultrapassou a sua fase negra e encontra-se em plena fase de crescimento e consolidação da sua economia. Um "milagre"ou talvez não, apenas a vontade de um povo em fazer valer a sua voz. Todo este processo foi muito pouco divulgado pelos órgãos de comunicação social europeus, o que desde logo prenuncia algo de muito estranho, ou talvez não!
Penso termos chegado ao epílogo de uma história já com 6 longos e penosos anos. Acho que terei de falar no engenheirinho daqui por uns tempos, porque presumidamente irá querer candidatar-se a um posto qualquer, num tacho de relevo em Bruxelas. -PECou, e PECou e voltou a PECar, a sua sede de poder deverá impedi-lo de algum dia reconhecer que a sua liderança foi ruinosa para este País. A teimosia, não permitia largar mão das suas ideias e por muita falácia sobre propostas de aliança com outras forças partidárias, depois de saber que não conseguira a segunda maioria absoluta, não convenceu ninguém. Se a Justiça em Portugal fosse uma senhora de olhos vendados, balança equilibrada numa das mãos e noutra a espada como Minerva, de certeza que este senhor já teria abandonado esta sua farsa. Mas a equidade da balança pesa sempre para o mesmo lado e a espada levanta sempre sobre os mais desfavorecidos. Quanto ás suas ultimas medidas, que em princípio não irão vingar, (porque as "hienas laranjinhas" farejam o sangue da vitima e estão com vontade de espetar o dente para a estocada final) eu penso que são mais do mesmo. Afinal de contas, todos sabemos que a Irlanda e a Grécia com processos muito semelhantes ao nosso, apesar destas mesmas medidas para combater o deficit, estão cada vez mais enterrados no lodaçal da alta finança europeia. Empréstimos para pagar juros cada vez mais altos, que por sua vez geram uma divida com efeito de bola de neve, que vai crescendo, crescendo até à banca rota! As eleições aí estão no horizonte dos portugueses e infelizmente não antevejo que existam soluções credíveis, lideres pragmáticos em função da nossa realidade, políticas consistentes e reformadoras que consigam antever uma luz ao fundo do túnel e o mais importante, vontade de rompermos com esta bipolarização partidária de 37 anos que nos deixou neste estado. Se o nosso futuro, mais que previsível, passa por uma substituição de um engenheirinho presunçoso por um "laranjinha" com 365 medidas no seu bolso, encomendadas aos "donos de Portugal" e que em termos práticos, resume-se a uma total indisponibilidade de avançarmos para uma credibilização da nossa economia nos mercados internacionais a par de continuarmos a encher os bolsos aos mesmos de sempre, prefiro sinceramente que entre o FMI e que aí sim, cortem a direito, sejam transversais a toda a nossa sociedade nas dificuldades que teremos de enfrentar. Substituir "boys" por "yuppies" não nos leva a lado nenhum.
- Sinceramente, este dia 12 de Março irá ficar na memória de muita gente, pelo menos para mim que lá estive foi uma "festa linda pá" como diria Chico Buarque. Através de um simples apelo de uma rede social aconteceu algo que eu considero ser uma mudança de atitude dos Portugueses (notem Portugueses não portuguesinhos!). Calcula-se que tenham calcorreado aquela avenida cerca de 200 mil pessoas, em busca de uma esperança de que fossemos ouvidos, em uníssono gritámos bem alto o nosso inconformismo, saltámos do sofá e descemos a avenida. A uma geração juntaram-se todas as outras, não pretendendo participar no carnaval do senhor primeiro ministro, demonstrámos que este protesto em massa poderia revelar um sinal forte em direcção aos nossos políticos. Coexistiram ali diversas formas de pensar, mas sempre numa base de respeito mútuo e no final o balanço foi positivo, porque deixou no ar a esperança de que os movimentos cívicos em Portugal poderão ter uma palavra muito importante em decisões futuras. E, agora?- Não basta o que fizemos, até porque nada mudou para já. Não podemos adormecer sobre um primeiro passo que demos, seria tudo muito inconsequente. Não se pode permitir que alguma força partidária se cole a este movimento e será importante ter respostas claras sobre os nossos problemas, porque muito em breve elas irão ser colocadas. Não basta protestar sobre o que está mal, temos de tornar claro esse manifesto que foi criado e tentar que ele seja o mais cristalino possível para todas as Gerações. VIVA PORTUGAL, AFINAL ESTAMOS VIVOS!!!!!!!!!
"O Oceanário celebra a vida na terra através de uma visão deslumbrante da vasta e complexa diversidade de seres vivos que habitam este oceano global, evocando o papel vital que este exerce na saúde e evolução planetária." Francisca Menezes Ferreira in "Pavilhão do Oceanos - Exposição Mundial de Lisboa de 1998"
A hipocrisiade um Estadopodeserinfinita. Regimes como o Irão e a Coreia do Nortesãoexemplodissomesmo. Esta reacçãoque o PresidenteAhmadinejadteve , perante a possibilidadedasNaçõesUnidastomaremumadecisãodeintervençãonaLíbia, é debradaraoscéus. Simplesmente, criticaessahipótese e aindaporcimaameaçaospossíveisintervenientes. Ainda à pouco tempo, regozijava-se com a luta do povoegípcio, agoracomo a oposição no seuprópriopaísrecomeça a manifestar-se, jánãoachapiadanenhumaaoqueestá a acontecernaLíbia!! Mas Ahmadinejadjánão nos conseguesurpreenderpelanegativa, tudo o quetêmfeito é semprenestafaixadeincongruência total. O seu regime totalitaristaencontraafinidades em paísescomo a China, a Venezuela, a Bolívia e outrosquetais, quesejustificamunsaosoutros nos palcosdapolíticainternacional, comouma nova correntepolítica a nívelmundial, aonde o regime presidencialistachama a sitodo o poder, umaespéciedeautocraciamoderna. Nassuasrelaçõesinternacionaisregem-seporumaantipatiabásica e comum, ódio visceral aosEstadosUnidos. Quando, o queestá em causasãoclamoresinternos para umareformapolíticanassuasdensas e rígidas leis, logo vêmosfantasmasdaintervenção e influênciaestrangeiradentrodassuasfronteiras. Regimes extremamenteinseguros, quetalcomoforamderrubadosoutrosrecentemente, tambémelesestarãonaordem do dia nos próximos tempos e a tensãovai-seadensando. Na minhaopinião, o efeitodominó do queaconteceu no Magrebe, está a gerarumaondadedesconforto em certosestadistasmuitocomprometidos com o seupassado e presente, menosclaros. O ultimo exemplo do queacabodeafirmar, é semdúvida o nervosismovisíveldeJosé Eduardo dos Santos peranteumacrescenteondadecontestaçãoqueaindanãosaiu à rua em Angola, mas quenasodiadasredessociaisvai-se "cozinhando" algoquejácheira a esturro.
Desde que comecei este blog, sempre critiquei a atitude passiva como os portuguesinhos enfrentaram nos últimos anos as dificuldades do nosso quotidiano. A situação têm vindo a piorar progressivamente e neste momento já não existem formas de esconder os números do nosso descontentamento. Todos nós, mesmo os que neste momento se encontram aparentemente bem, antes de mergulharem nos seus empregos, pseudo estáveis, acordam todas as manhãs, com mais um sinal de que, ou vamos perder mais poder de compra, por esta ou aquela razão, ou o Governo decide que as medidas de contenção até agora tomadas não são suficientes, ou extinguiram-se mais uns postos de trabalho, ou a despesa do Estado, apesar de tudo é a única que continua a subir, ou o Sarkozi e a Merkel decidiram apertar mais o cerco, ou o caso de corrupção à muito nas barras do tribunal acaba por não dar em nada, ou são os partidos que se atacam ferozmente no intuito de alcançar o poder, a qualquer preço, etc... tudo sinais constantes de que não existe forma de nos sentirmos confortáveis e egoístas por muito mais tempo. Solidariedade é algo que neste momento não se pode pedir aos portuguesinhos, na minha opinião de uma forma ou outra TODOS NÓS estamos a ficar enrascados e se não temos sensibilidade para ajudar o próximo, ao menos agora, pensemos na nossa própria pele. Esta forma pessimista de realçar as nossas fraquezas não é um Estado de alma inconsequente e prematuro, a imagem retórica do copo meio cheio ou meio vazio é simples demagogia para aqueles que continuam impávidos e serenos. O povo é, aliás, sempre sereno, dizem eles! Esta geração à rasca, se calhar vai dar-nos uma lição!! -Pelo menos aos da minha geração, que se iludiram com os cravos de Abril e consequente entrada para a Europa. Vai dar uma lição à apelidada geração rasca, (nome dado por uma figura politica proeminente que todos devem conhecer) muitos deles que hoje se sentam naquelas mesmas cadeiras da Assembleia da Republica. Ou posso estar muito enganado e isto vai tudo continuar na mesma, isto não passa de um movimento de processos de intenção na internet, não passam de meninos que gostam de escrever coisas... ou então, tal como eu sinto, que desta vez algo paira no ar. Existe um sentimento transversal a toda a sociedade portuguesa, que não abarca só os mais novos. Importa sim, é não partidarizar este movimento, ao qual me junto, com muita vontade de voltar a sentir orgulho em ser PORTUGUÊS.
Quando eu era pequeno, vivia no centro de uma grande cidade, os meus pais tinham um restaurante pequeno e muito frequentado, lembro-me de que existia uma pobreza envergonhada que por vezes nos batia à porta, à procura não de uma esmola mas de comida, afinal aquele era um local aonde se poderia afagar um pouco o estômago. Muitas destas pessoas acabavam por se fidelizar neste local já que os meus pais nunca diziam que não. Alguns deles faziam pequenos recados para compensar a sopita. Outros, a bússola mudou o seu Norte e foram bater a outras portas. Estamos a falar dos anos 70, o definhar da ditadura e os anos logo após a Revolução, tempos confusos aonde acabámos por receber toda aquela gente vinda das ex-colónias com uma mão à frente outra atrás, milhares que se abrigaram aonde calhou. Os Governos de cariz provisório caíam como tordos, uns após os outros, o que hoje era segurança amanhã era insegurança, as leis que se ditavam hoje, amanhã eram anuladas, etc... um panorama que não era brilhante. No final dessa década, principios dos anos 80' eu ouvia falar que tudo iria melhorar, com tempo, seriamos um povo plenamente integrado na Europa, com direitos e deveres que nos trariam esperança para gerações futuras, a consolidação da democracia iria transformar muitas das nossas fragilidades. O amanhã era tido como certo, após o despotismo e a clausura de 40 anos, deixaríamos de alienar o povo com o fado do destino certo. E a FOME?????- Isso seria básico e elementar, irradicar esse flagelo da nossa sociedade, seria fundamental. Toda esta introdução, para que eu possa entender o quotidiano e exprimir toda a frustração desta minha geração perante o desalento dos mais novos e também daqueles que trabalhando uma vida inteira, de repente, caiu o céu nas suas cabeças e lutam desesperadamente para que o vizinho não note a sua amargura ao ver-se obrigado a bater a muitas portas, porque os filhos esperam alguma coisa em casa. Será que estou a distorcer a realidade(?), afinal de contas estamos em pleno século XXI e temos outras "armas" para combater este mal. - Mas então, o porquê de eu sentir que afinal andámos iludidos com tanto provincianismo bacoco? -Muita gente continua a olhar para o lado enquanto todo este panorama não nos bate à porta. Será que afinal, somos mesmo PARVOS como eles dizem?- Que me interessa ter muitas auto-estradas, muitos estádios de futebol, muita tecnologias se no fim o que realmente interessa, continuamos a anos luz de lá chegar!!!
O visionamento deste documentário que já estreou à cerca de 1 ano, levou-me a pensar que em Portugal a qualidade do serviço público prestado, depende de muitos factores, mas aquele que deveria ser sempre prioridade, fica infelizmente para último, o bem estar das populações. Vou aqui deixar um exemplo, mas poderia falar, em termos de caminhos de ferro, no fecho de mais de 800 km nos últimos anos. A famosa Linha do Tua, fechada por decreto de resolução do Conselho de Ministros, desde finais de 1991, continua nos dias que correm a ser uma pedra no sapato de quase todos os principais políticos portugueses, isto porque as promessas foram muitas e obra nenhuma. Aqueles quilómetros de via férrea entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros jazem talvez para sempre perante cenários que não custa a acreditar, dizem os entendidos, serem do melhor do mundo em termos de beleza. Projectos, já foram apresentados, secundarizando até as pessoas que continuam a necessitar deste transporte como pão para a boca, mas relevando a sua importância no aspecto turístico. Poderiam dinamizar todo este interior cada vez mais abandonado, com o valor intrínseco do trajecto. Ainda à cerca de um mês o Presidente da Republica visitou algumas destas paragens e confrontado com a possibilidade de reabertura deste troço, respondeu simplesmente que já passou muitos bons momentos nestes locais e desviou-se mais uma vez da questão. Infelizmente a sua memória é cada vez mais curta e deveria lembrar-se que foi através de um Governo liderado por si que despoletou o encerramento da Linha. Hipocrisia, pura e dura! Os transmontanos desejam cada vez mais que a linha de fronteira fosse um pouco mais a Sul, de maneira que não tivessem de se preocupar mais com a realização de manifestações, sinos a rebate ou choros de revolta perante a indiferença. O poder centralista de Lisboa têm cada vez mais, vistas curtas. Colocaram transportes alternativos ao comboio, mas as pessoas continuam a esperar horas para que se possam deslocar ao médico, à escola, para os cada vez menos empregos que existem. E Lisboa fica lá, longe... Muito longe e estes políticos demoram a prometer, porque já ouviram dizer que agora estamos mal. Da Europa já não vêm aqueles milhões que costumavam vir e agora até nos estão a apertar os calos!!! Por incrível que pareça, os senhores do PSD no poder em meados de 90 diziam, na altura, que a consulta às autarquias introduzia demasiado populismo na decisão. Por isso fecharam a Linha sem perguntar nada. A democracia segundo eles, têm limites. Ao percorrer aquelas imagens da autoria de Jorge Pelicano, interrogo-me senão deveria ser da responsabilidade do Engenheirinho, criar condições para promover a prazo, a fixação das populações nos quatro cantos do País? O progresso da nossa Nação é isto mesmo, muitas concessões à Mota Engil para cruzar Portugal de lés a lés com IPs em sucessão aritmética, muito betão para encher os bolsos aos mesmos de sempre. De certeza a esta hora, o conselheiro Abílio Beça, um dos grandes dinamizadores e fundadores desta linha em 1903, que por ironia do destino acabou por morrer numa das estações, trucidado por uma locomotiva em 1910, estará a dar umas belas voltas na sua tumba.