sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Uma tacada na crise!


Só ouço falar de excepções. O banco de Portugal declara-se uma excepção à lei do corte de subsídios de natal e de férias para a Função Pública. A TAP e a Caixa Geral de Depósitos também se colocam nessa posição. A este ritmo ainda vamos acabar o ano com uma grande excepção, algo inédito, uma lei só promulgada para os funcionários públicos que concordem com a lei e não a ponham em causa. Uma embrulhada destas , a Troika de certeza nunca testemunhou em casos similares ao nosso. O PR está preocupado com as contas lá de casa e nem sequer enviou a lei ao Tribunal Constitucional, antes de a promulgar. A sua definição de equidade é muito paradoxal, por um lado contestou a sua legalidade mas depois quando lhe chegou o papel à secretária, assinou e não houve questões. No mínimo, estranho não acham?

Habituados a este regime de excepções, os portuguesinhos poderiam agora começar eles próprios a criar as suas regras dentro das leis em vigor, baseando sempre as suas decisões dentro da legalidade constitucional. Senão vejamos, vou transcrever o artigo segundo da referida Constituição de 1976.
"... Artigo 2.º
Estado de direito democrático

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa... "

Quando se fala em separação e interdependência de poderes, pergunto eu, conseguimos vislumbrar esse facto na nossa realidade política, jurídica, ou sócio-económica? - Baseados no referido artigo poderíamos começar talvez, por abrir excepções e exigir uma separação definitiva entre o poder político e o poder económico. Depois, poderíamos seguir os passos destas excepções e também beneficiar das benesses dadas a estas instituições, já por si muito gratificadas, baseados mais uma vez na Constituição, quando se fala na verdadeira equidade. Já não falo do aprofundamento da democracia participativa, aí o Sr. Primeiro Ministro reage muito mal, quando os portuguesinhos organizam um protesto, por mais insignificante que seja. Só não reage mal quando ouve que o Banco de Portugal gastou 5.000€ em material de golfe!- Será que foi uma daquelas excepções?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

É a "coltura" estúpido!


Haja paciência para estas medidas de contenção!- Invariavelmente é a cultura a primeira a sofrer com os cortes, na maior parte dos países em crise, mas o corte radical neste sector como se verifica em Portugal, é algo de inédito e triste. Os dados revelados são confrangedores, o Teatro S. Carlos está em risco de ficar às moscas durante este ano, por falta de verbas para qualquer produção. No cinema vamos talvez presenciar a um 2012 sem qualquer filme realizado, algo que já não acontecia desde 1955 (!).

O PSD já nos habituou, quando assume a governação do País, invariavelmente a cultura fica para trás. Lembremo-nos do caso que opôs Saramago ao inenarrável Governo de Cavaco, por causa da obra "Evangelho Segundo Jesus Cristo". Por exemplo, como classificar Santana Lopes como Secretário do Estado da Cultura, entre muitos feitos na área do incentivo à procura de espaços nocturnos também gostava, particularmente, de uma peça musical de violinos de Chopin???

Francisco José Viegas, uma pessoa respeitada no universo da literatura, quando era director da inesquecível revista "Grande Reportagem", sempre o considerei lúcido e independente, também só assim conseguiria dar continuidade a um projecto com aquelas características. Quando agora foi nomeado a par de Crato para a pasta da Educação, pensei para comigo, ora aqui estão duas belas ideias. Não podia estar mais enganado. Duas belas decepções!!!

Rita Blanco sempre com aquele ar de quem não deve não teme, afirmou à bem pouco tempo, e passo a citar, que um dia a história irá encarregar-se de classificar as desastrosas medidas que estão a ser tomadas por este Secretário do Estado. Uma reflexão muito simples. O nosso País não têm indústrias muito fortes, sendo o turismo uma das áreas aonde poderíamos ir buscar alguma receita, não seria importante fomentar as actividades culturais, apostarmos na qualidade, diversificar a oferta?-
- Desculpem, estava a esquecer-me, temos uma das capitais da cultura europeia este ano. E depois?- Vamos todos rumar a Guimarães e deixamos "morrer"as nossas companhias de teatro, estagnamos a indústria cinematográfica e vulgarizamos as nossas mais profundas raízes culturais?

Como temos vindo a ser muito amigos de empresas como a Mota Engil, Soares da Costa e Teixeira Duarte, nada melhor que mandar construir um "mamarracho" para albergar o Museu dos Coches. Uma necessidade, essa sim imperiosa, para os cofres dos senhores do costume. Os milhões aí investidos, poderiam facilmente ajudar as pessoas que directa ou indirectamente dependem do Estado para levar por diante projectos que assim ficam na gaveta.

Termino, colocando mais uma questão, será que o memorando de entendimento com a Troika compromete-nos a esmifrar as fracas infraestruturas culturais deste País????

sábado, 14 de janeiro de 2012

S em I senção C ontínua!

Falar da comunicação social é sempre muito complicado, ainda mais quando vivemos uma época de dificuldades aonde cada eco de possível abuso de poder é logo ampliado e levado ao colo até à caixa principal dos meios difusores. A velocidade que medeia, entre o acontecimento e a sua divulgação é, no quotidiano assustador. Na maioria das vezes não existe um período de reflexão, tudo é servido a quente por motivos de competição. É importante mais do que nunca termos a sensatez de separar o trigo do joio, somos nós receptores que com maior ou menor capacidade, temos de ajuizar do essencial e relativizar o acessório.

Existe neste momento uma razão muito concreta para eu trazer a terreiro este tema. A SIC Notícias, dentro do segmento de canais por cabo, é líder de audiências com larga vantagem. Ao longo destes 11 anos, habituou-nos a critérios bem definidos na informação prestada, isenção q.b. e programas de grande qualidade, como é o caso do "60 minutos"; "Eixo do Mal" ou a "Quadratura do Circulo".

No entanto começo a reparar que existiram mudanças nítidas a partir do momento em que o PSD chegou ao Governo. É indesmentível que a linha editorial do canal levou uma grande volta e para bom entendedor mais palavra basta. Balsemão têm dedo nesta mudança para pior no que concerne à isenção outrora apresentada. Poderia ser exaustivo, mas basta-me ir buscar um exemplo bem recente. O caso da agressão de polícias à paisana na Calçada da Estrela, após a manifestação junto à Assembleia da Republica no dia 24 de Novembro, foi caso demasiadamente aberrante. A SiC Noticias só apresentou a notícia passadas 6 horas do acontecimento!!!- Até a RTPi já tinha passado essa peça e todos sabemos os critérios a que estão sujeitos, nesse canal estatizado e controlado por os "boys" do costume. A notícia que têm honras de abertura na TVI24 horas, passou a ser relegada para segundo plano na SIC Noticias por razões já apresentadas. A estação de Pais do Amaral apresenta neste momento uma informação mais clara e dando ênfase a assuntos controversos, independentemente de lesarem ou não a imagem do Governo em curso.

Os profissionais da SIC não deixaram de ser bons naquilo que fazem de um dia para o outro, apenas deduzo que o ordenado ao fim do mês nos tempos que correm é mais importante que os critérios de uma informação isenta que gostariam de colocar no ar.

A oferta é neste campo muito diversificada e não se coaduna com estas oscilações tendenciosas, acredito que Balsemão, sendo um expert nesta matéria, irá arrepiar caminho e muito em breve voltarmos a reconhecer as qualidades que sempre assistimos neste canal

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Avestruz comuna!

Sempre tive uma aversão aterradora a estes regimes incrivelmente dificeís de classificar. Não se pode traduzir por palavras o comportamento destes ditadores à frente dos seus reinos, seriam sempre redutoras perante as monstruosidades testemunhadas. Não irei perder muito tempo a descrever o que todos já sabem, apenas comecei por referir a morte deste líder da Coreia do Norte porque serve de pano de fundo para o que quero a seguir opinar.

Eu nunca escondi neste blog as minhas tendências de esquerda e apraz-me sempre ouvir no nosso parlamento os deputados do PC, defendendo os mais desfavorecidos, apontando as incongruências da direita, a falta de rigor quanto ao controle das grandes fortunas, etc... afinal são poucas essas vozes! -Ainda hoje, gostei de escutar o ataque cerrado de Jerónimo de Sousa ao Primeiro Ministro, perante aquela fuga de capitais do Grupo Jerónimo Martins para a Holanda. Nada irá mudar, mas ao menos fica o leve e inconsequente grito de inconformismo perante a presença apagada do líder do PS e um Louça em queda livre.

A ligação destes dois aspectos é a razão deste post, o envio de condolências ao regime que aqui referi no primeiro parágrafo da parte dos senhores do Partido Comunista é algo que me custa engolir!!!!- Será que essa mensagem chegará aos familiares de cerca de dois milhões de coreanos que morreram à fome sob a alçada deste pseudo-ser humano que agora faleceu?
Exige-se um novo paradigma para este comunismo que tanto necessitamos paras as lutas que nos esperam, já em 2012. Não podem estar sempre a ter dois pesos e duas medidas perante realidades que são tão chocantes que não se podem escamotear. Ainda recentemente, em 2010, o PC reagiu da pior forma, quando veio defender a atitude incongruente da China, no caso da detenção domiciliária do Nobel Liu Xiaobo (http://abcdosportuguesinhos.blogspot.com/2010/10/o-nobel-da-justica.html).

Depois de começarmos a perder a esperança numa nova esquerda, (a desilusão chamada Bloco de Esquerda após aquele desastroso apoio presidencial a Manuel Alegre) gostaria que estes senhores deixassem de enterrar a cabeça na areia e concretizassem a sua "perestroika".