quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um talhão de esperança.


Os mais antigos costumavam comentar comigo que os pequenos quintais por trás dos prédios em plena capital, representavam aquele hábito de muita gente que migrou de zonas rurais e trouxeram a sua intrínseca ligação à terra. Claro que num período de crescimento aparente do País nos anos 80 e 90, essa prática foi deixando de fazer sentido, os mais novos não se interessavam e os mais velhos iam abandonando essa prática, porque as grandes superfícies proliferavam e os produtos cada vez mais acessíveis à sua bolsa, não incentivavam o cultivo. Se falarmos em termos de abandono, relembro as políticas desastrosas do Sr Silva nesta área. Os subsídios comunitários choviam e foi incentivado o virar as costas aos campos. Virar as costas às pescas, etc...Por isso acho engraçado quando vejo o mesmo Sr.Silva passados uns anos vir incentivar os jovens a voltarem à agricultura!! -Eu acho que se deveria exigir um mínimo de decência a estes políticos que acham ter o poder de fazer esquecer todas as estrumeiras que praticaram no passado (ainda por cima recente!), porque depois destas afirmações até as vacas açorianas se riem!!!

-Chegados a este momento da nossa longa história, seria desnecessário explicar o porquê de ressurgir este interesse pela terra. Não me abstenho de pensar que numa primeira fase à uns anos atrás, estávamos muito numa onda de Al Gore, o verde predominava, sentíamos necessidade de preservar, as campanhas de sensibilização não cessavam e o planeta como um todo era preocupação evidente. Mas agora não, penso que é um outro instinto que nos guia, somos levados a pensar que falhando tudo à nossa volta, inclinamo-nos para a pura sobrevivência que nos leva outra vez à terra. Tenho acompanhado as iniciativas que têm surgido, a maior parte das vezes de índole municipal, mas não só como o exemplo que ainda a semana passada li no jornal "Expresso". Em Montemor-o-Novo conjugaram-se dois interesses numa "simbiose" que eu achei curiosa, por um lado os proprietários de muitos hectares abandonados e por outro, pessoas interessadas em trabalhar essas terras, mas que não tinham terrenos para o fazer. Criou-se uma base de dados e as pessoas interessadas vão-se organizando, vão-se comunicando, respeitando é claro, regras bem definidas para ambos. Na zona de Lisboa e arredores cada vez que aparece uns talhões disponíveis, aparece logo muitas candidaturas e a verdadeira crise ainda nem se começou a sentir, segundo o que dizem os entendidos. Penso que na zona do Parque Botânico de Monteiro Mor, junto ao Museu Nacional do Traje estão disponíveis cerca de 2500 m2, uma zona que era tratada pelos próprios funcionários do Museu por pura carolice, mas que por diversas razões foi sendo abandonada, pelo que sei já existem candidatos suficientes para criar ali mais uma horta comunitária super lotada.


Este fenómeno tende a espalhar-se e seria interessante saber até que ponto não precisemos todos de começar a pensar em soluções que não passem necessariamente por um modo de vida que se encontra prestes a esgotar os seus recursos e que nas ultimas décadas definha-se a olhos vistos.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

ACORDEM!!!! ....Porra!


"O que realmente levanta uma indignação contra o sofrimento não é sofrimento intrinsecamente, mas a falta de sentido do sofrimento."

Frederich Nietzsche

Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.

Che Guevara

O sonho é legítimo... Mas o sono pesado de nossa indignação atrai o caos. Precisamos acordar para o fato de que as mudanças sociais começam dentro de nós.

Demétrio Sena

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Merotocracia



Uma das grandes questões que actualmente se colocam aos movimentos de indignados, é a capacidade destes grupos de dar respostas capazes aos problemas que levantam?
A Democracia têm tido as "costas largas", qualquer ditador disfarçado hoje em dia poderá assumir que no seu caso em particular este mesmo regime é respeitado integralmente e o povo de uma forma ou de outra teve oportunidade de eleger os seus representantes. Já de certeza ouviram falar, José Eduardo dos Santos, Hugo Chávez ou mesmo Hu Jintão e parece-me incrível como estes senhores conseguem conjugar a palavra demo+kratos com a realidade dos seus países. Mas estes são exemplos maiores da hipocrisia política do século XXI, no entanto se depois tivermos com um pouco de atenção, vamos encontrando outros atropelos menos consistentes mas relevantes na nossa própria comunidade europeia. Todos os dias, basta abrirmos os olhos e estar atentos a sinais muito preocupantes vindos daqueles que supostamente elegemos para serem nossos representantes e defenderem os nossos interesses comuns.

Seria previsível que sendo políticos, não teriam a mesma fama se fossem cumprir tudo aquilo que prometeram nos seus programas eleitorais, a sua classe vive momentos bem conturbados de credibilização perante os eleitores, mas a crise está aí e precisamos urgentemente de soluções mais convincentes. Aonde vamos encontrá-las?

Fora dos partidos políticos seria talvez uma ideia muito perigosa, dizem alguns, porque poderíamos estar aqui a presenciar a um déjà vu da situação caótica que a Europa viveu antes da Segunda Grande Guerra com o aparecimento de grupos totalmente inovadores e depois deu naquilo que deu, portanto estamos aprisionados a um sistema que não se renova mas vai-se perpetuando até um dia...

Portanto, voltando à questão do princípio, eu admito que a realidade é propiciadora de alguns movimentos mais radicais com algumas ideias inócuas e limitadas por alguma utopia na sua realização, mas quando se diz que não existem respostas, às perguntas levantadas é totalmente falso. Os manifestos estão expostos para quem queira dar-se ao trabalho de ir consultá-los, mas acredito que a muitos portuguesinhos lhes seja mais fácil de afirmar que estes movimentos são vazios de conteúdo e apenas pretendem desestabilizar!!!
Muitas das ideias apresentadas fazem todo o sentido para quem como eu não obtenho qualquer vantagem na forma como somos governados, agora acredito que para certas pessoas seja impensável estar a perder tempo com este tipo de reivindicações.

A 12 de Março referi aqui neste blog que aconteceu algo de muito diferente neste País, espero que este movimento tenha aqui uma oportunidade de provar que nada daquilo foi efémero e que os "velhos do Restelo" são difíceis de mudar de opinião mas um dia terão que assumir que este inicio de século merece uma Merotocracia em vez da velhinha Democracia.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Terceira Visão.


Dalai Lama decidiu que irá reencarnar naquilo que lhe vier à tola e eu pergunto já que é assim, quem irá decidir o destino a dar na reencarnação da nossa economia quando chegarmos à bancarrota?

Sou um fervoroso seguidor das ideias deste grande guia espiritual e só tenho pena que os nossos sucessivos governos não o tenham recebido condignamente, aquando das suas curtas e esporádicas visitas a Portugal (isto porque estamos sempre a prestar contas àquele grande mercado emergente do Oriente, enfim chinezices!), mas agora seria interessante ele apreciar que não foram infrutíferas as suas viagens. Apreendemos depressa alguma da filosofia zen que ele difunde por esse mundo fora, se nunca se aperceberam deste facto, basta relembrar uma série de medidas governamentais que foram tomadas nestes ultimos 100 dias, sem qualquer reacção da nossa parte. Passo a enunciá-las:

* Aumentaram os transportes de uma forma brutal e nós o que fizemos. Serenamente NADA!
*Anunciaram cortes na saúde, resolução de diminuir os transplantes realizados, ainda estenderam as taxas moderadoras a grupos da população que usualmente tinham a sua isenção por razões diversas e continuam a fechar centros de saúde sem nenhum critério racional. O povo saiu à rua?- Não senhor, preferiram sentar-se na posição de lótus e esperar por dias melhores.
*Mexeram nas leis laborais de forma a que o patronato pagasse menos nas situações de despedimento sem justa causa, pretendem retirar privilégios a todas as pessoas que trabalham feriados e folgas. Ausência de qualquer medida para proteger os trabalhadores a recibo verde. E apesar de tudo isto, os portuguesinhos entenderam mais uma vez fechar os olhos e deram as suas mãos para....uma conjugação de energias.
* Vão-nos retirar 50% do subsídio de Natal, mas talvez por causa dessa época festiva, decidimos enaltecer o nosso sentido de solidariedade e compreendemos.
*Quando alguém deu a ideia de taxarmos os mais ricos, este Governo ainda sorriu de soslaio e afirmou, ..."nem pensar nisso e depois as fortunas fogem todas para o outro lado do Atlântico???". De devaneio em devaneio fomos sempre cultivando esta nossa veia budista e mantivemo-nos em concentração total.
* Aumento do IVA de 6 para 23% na electricidade e no gás natural. Continuamos mesmo assim a pensar que numa próxima reencarnação teremos poucas probabilidades de voltar a este lugar e sermos governados por estes pseudo políticos.

Respiramos profundamente, libertamos estas energias negativas. Estamos agora calmos. Relaxados e felizes!

Poderia enunciar mais medidas, mas em cem dias já podemos afirmar que lá longe no Tibete o Grande Dalai Lama irá ter orgulho neste povo que ele um dia visitou, escondido, pela porta de trás, mas que deixou um rastro de felicidade e amor puro!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Monte Santo.


Terra

" Onde ficava o mundo?
Só pinhais, matos, charnecas e milho
para a fome dos olhos.
Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.
E o mar? E a cidade? E os Rios?
Caminhos de pedra, sulcados, curtos e estreitos,
onde chiam carros de bois e há poças de chuva.
Onde ficava o mundo?
Nem a alma sabia julgar.
Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.
Em cada dia o povo abraçava outro povo.
E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves:
a estrada branca e menina é uma serpente ondulada
e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio."

Poesia de Fernando Namora




..."Cansado de estar de cócoras em frente do bicho. A moleza do corpo não lhe permitia tal posição.
O sol viera adormecer os nervos, trazendo quebranto e desleixo aos músculos, como se um afago morno tivesse furado a cortina das nuvens para lhe vestir a carne friorenta com uma indolência entorpecente. Por isso os gestos do Pencas se espreguiçavam; por isso os seus membros eram vermes deliciados e o cérebro se esvaziava numa cálida zona de volúpia, todo ele sem forças para se interessar pela tortura da cobra. Esta, resignada ali na sua frente, fazia-lhe apetecer os dias rubros de soalheira, as vinhas, os baldios, os lagartos torrando-se no cimo das fragas, vida quente e livre, sem aquelas necessidades miseráveis de comida, botas, tabaco e vinho"...


Depois de umas belas férias, lembrei-me de evocar Fernando Namora e o livro que escreveu em 1951 "A noite e a Madrugada", dado que ele o escreveu na bela aldeia de Monsanto, aonde eu passei um dia inesquecível. Esta aldeia é indescritível e só quem se senta naqueles penedos compreende a suprema leveza do ser, o cheiro que emana daquelas pedras e sobretudo a paz que nos invade. O silêncio perturbou-me nesta bela tarde de Setembro, será difícil imaginar o que será, passarmos uma noite de inverno rigoroso, refugiados num destes belos abrigos de pedra que nos rodeiam.

Fernando Namora escreveu também neste lugar "Retalhos da Vida de um Médico", que depois até foi adaptado ao cinema no ano em que nasci, 1962, por Jorge Brum do Canto. Garanto-vos que quem visita o local poderá perceber facilmente a razão da eleição deste lugar ermo e calmo para inspirar a escrita e desenvolver a sua carreira de médico, já que a exerceu num consultório que está bem referenciado numa rua com o seu nome.

Muitas vezes na nossa vida encontramos esquinas, aonde por momentos desejaríamos perpetuar a nossa estadia e desfrutar as vistas até à exaustão. Momentos perfeitos.




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um buraco autónomo.


Salvo erro este episódio da Madeira já não encaixa nesta história do endividamento do País, nem na supervisão atenta da Troika ou nas promessas deste Governo, numa nova forma de encarar as dificuldades que se avizinham. Desta ilha já estamos habituados a que nos cheguem nem bons ventos, nem bons orçamentos. Ao longo dos últimos anos tenho-me habituado a que muita gente quando chega ao Continente revelar-me as imensas infra-estruturas que foram criadas para conforto dos locais e das pessoas que os visitam. Lembro-me de que no final dos anos 80 (depois disso nunca mais lá fui) demorava 2 horas para chegar do aeroporto até ao Funchal, ou para ir do Funchal a Porto Moniz era quase meio-dia perdido naquelas estradas sinuosas. Tal como Alberto João Jardim afirmou à poucos dias ou se gasta dinheiro ou não se criam condições para as pessoas viverem com mais dignidade, Salazar tinha uma visão diferente, por isso o estado lastimável da ilha a seguir à Revolução dos Cravos. Eu estou de acordo que a Madeira só poderia ser um pólo de atracção turística, como é, se criasse as condições que hoje detém. Mas por outro lado também sei que este senhor aproveitou-se do resultado de todas estas obras para tornar reféns, toda aquela população de uma forma absurda e ditatorial. Eu quero, eu posso e eu mando, a forma tentacular como domina todos os órgãos do Estado ali representados é escandaloso e faz com que os apoios por si conseguidos só chegam às mãos daqueles que à partida o possam apoiar.

Apesar deste escarcéu com a descoberta de um buraco nas contas do Governo regional, nada impede que ele em Outubro próximo possa ser eleito mais uma vez com maioria absoluta, com apoio do PSD de Lisboa ou sem ele. A alienação dos madeirenses é algo que se explica com muita facilidade, baseando-me naquela máxima de que em terra de cegos quem tem um olho é rei!

Penso que a limitação de mandatos acordada há pouco tempo para os autarcas, deveria ser estendida a estes cargos de Presidentes das Regiões Autónomas, para não criarmos mais situações deste género, aonde o abuso de poder é a característica essencial e a génese deste problema. Embora eu saiba que existem muitos senhores que saltam da cadeira do poder por uns tempos, depois voltam ainda com mais força. E na sua ausência colocam lá “fantoches” para manterem o panorama inalterado, como aconteceu com Isaltino na Câmara de Oeiras. Acredito que existem muitos no nosso País como o Alberto João, mas dão menos nas vistas e como pela boca morre o peixe, este atum veterano já escapa há muito às redes que lhe lançam.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Não temos emenda!




Ninguém explica melhor em Portugal a atracção que os Portuguesinhos têm em aproximarem-se do "abismo", como este sociólogo de grande reputação. Este pedacinho de uma entrevista que António Barreto deu à SIC Notícias, logo a seguir ao seu magnifíco discurso do ultimo Dia de Portugal, reflecte bem a forma sintética e descomplexada como este cientista social aborda as questões intrinsecamente mais complicadas para os outros. Os retratos que faz da nossa sociedade são por certo reflexo de atitudes, que de alguma forma são repetitivas por todos nós em situações idênticas ao longo dos tempos. Achei curioso, que ele não aponta numa direcção determinada quanto ás causas políticas da crise em que estamos embrenhados, prefere apontar o dedo à falta de união mesmo em tempos muito difíceis. Estou perfeitamente de acordo que o momento exigia uma convergência alargada sob a égide do Presidente da República, definirmos soluções para ultrapassar este período confuso, aonde Merkel e Sarkozi definem quase tudo sem deixar espaço à autonomia de cada país.

Tal como ele afirma, Portugal não têm emenda!- Continuamos inexoravelmente a caminhar para uma situação pior amanhã do que hoje e não reagimos; escutamos os ecos de bancarrota na Grécia e passamos ao lado porque os tais políticos continuam a afirmar que a nossa economia não têm nem de perto, nem de longe uma margem de manobra similar à deles!!

As desigualdades sociais são cada vez mais objecto de um estudo profundo e sem cair em demagogias despropositadas, António Barreto declara que somos das nações europeias a que se faz notar mais esse fenómeno, que não é de hoje, é resultado de muita legislação e processos de vária natureza que nos conduziram a essa realidade. Sabendo que as pessoas hoje em dia quando saem de casa já não têm tanta certeza sobre a sua estabilidade a nível profissional, pressinto que essa insegurança possa provocar uma outra apetência para o inconformismo ou mesmo sentimento de revolta. Essas mesmas desigualdades poderão aqui fermentar no futuro uma realidade disforme àquilo a que estamos habituados. António Barreto refere também que, como povo não costumamos ferver em pouca água, mas eu pergunto e se estamos à beira do "abismo" ou mesmo se já entrámos lá dentro, como é que iremos reagir?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Serviço Nacional de quê?


Lanço aqui um desafio que muitas pessoas irão compreender, dadas as circunstâncias. Que tal fazermos uma petição no facebook, para tornarmos possível fazer um transplante urgente do cérebro deste senhor ministro da Saúde?- Extraíamos a sua vertente 100% economicista e em seu lugar colocávamos lá um espírito mais humanista, que no mínimo percebesse deste assunto, alguém com experiência comprovada nesta área sensível.
Quando ouvi as suas declarações sobre a necessidade de reduzir os transplantes por razões económicas, penso que não existam palavras para descrever a minha perplexidade!?- Já desconfiava de que medidas como esta iriam surgir, dado que estamos perante um senhor formado em Organização e Gestão de Empresas, Director Geral do BCP entre 1993 e 98 e que pertenceu à Direcção Geral de Impostos em 2004, quando a Manuela Ferreira Leite era Ministra das Finanças. Portanto com um perfil destes, este senhor percebe tanto de Saúde como a Ministra Cristas percebe de Agricultura. Que existem áreas na Saúde que importa levarem cortes orçamentais urgentes, acredito que sim. Mas nos transplantes????
Mas o PSD cada vez que chega ao poder, já nos habituou a estas fugas à realidade. Lembro-me do caso dos hemofílicos com a Leonor Beleza, uma das páginas mais negras da justiça portuguesa, por falta de coragem no momento da decisão. Lembro-me também, daquela precipitada manobra do Ministro Luís Filipe Pereira, no Governo de Durão Barroso que de repente quis acabar com as listas de espera para intervenções cirúrgicas, cometeram-se aí "atrocidades" por falta de ponderação e sentido de responsabilidade.

O cerco aperta em redor daqueles que não tendo possibilidade de recorrer ao privado, têm de "engolir" estas propostas alarves que vão sendo cometidas por senhores que nunca tiveram contacto com a realidade do Serviço Nacional de Saúde e que impunemente vão decretando tudo o que lhes passa pela cabeça. O nosso Primeiro(s) Passos vai continuar a afirmar que o caminho até 2013 vai ser muito difícil, mas eu pergunto mais uma vez. Difícil para quem?- Para os mesmos de certeza, porque o Grupo Mello continua as suas negociatas neste sector da forma que mais lhes convêm. Os 10 Hospitais que o Governo pretende construir no âmbito das chamadas Parcerias Público Privadas abrangerão mais de 1/4 da população portuguesa dentro de 4 anos e nessa altura o nosso SNS não será mais do que uma sigla sem sentido nenhum.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Senhor Professor.


"Não te coíbas de repetir o que já disseste, porque és pequeno e só assim talvez será possível que te ouçam.". Comecei por citar Vergílio Ferreira por variadíssimas razões, mas a primeira, porque faz agora 20 anos que eu li uma entrevista sua que deu à revista K , conduzida por Pedro Rolo Duarte (um ex-aluno seu do Liceu Camões), ainda hoje guardo esse exemplar comigo. Uma conversa que me ficou na memória e que de vez em quando a vou reler. Passados 5 anos da publicação desta entrevista, faleceu no seu apartamento rodeado de livros em Alvalade e o seu corpo foi enterrado em Melo, a sua terra natal aonde nascera em 1916. Descansa junto à sua Serra da Estrela. Sinceramente o primeiro contacto que eu tive com a sua vasta obra foi através do cinema, no filme adaptado do livro"Manhã Submersa" de Lauro António (1980). Película em que ele próprio protagoniza o papel de Reitor e aonde também contracena com Eunice Muños, Jacinto Ramos e Canto e Castro, entre outros. Quando se fala em grandes escritores portugueses, geralmente nunca ouvimos falar do seu nome, talvez porque tal como ele refere neste depoimento, sempre foi um mal amado. Antes do 25de Abril não era compreendido por o regime vigente mas os comunistas também nunca o consideraram como um dos seus. Após a Revolução continuou a não ser compreendido e só depois da queda do Muro de Berlim, ele provou que tinha razão em relação a esse "bunker", palavra que utilizava para caracterizar o comunismo, dado que lhe parecia "uma estrutura de cimento armado impenetrável. Mas a História lá se meteu numa fenda, como as plantas se metem por entre as pedras e fazem estalar os passeios. e o bunker estalou."

Este beirão de gema era um humanista puro, relatava nos seus livros um personagem sempre perante a solidão das suas ideias que são intrínsecas e muitas vezes intransmissíveis e o mundo lá fora era invariavelmente uma absurda estupidez. Quando damos por nós a reflectir um pouco mais sobre o mundo que hoje nos rodeia, quantas vezes não ficamos com essa mesma sensação. A ultima vez que isso me aconteceu, foi quando acabei de presenciar à queda inevitável de Kadhafi na Líbia, com a entrada dos rebeldes em Tripoli e com a ajuda fundamental da NATO. Mas depois vejo as Nações Unidas encolherem-se e ficarem impassíveis perante a chacina de cidadãos inocentes na Síria, ás mãos de um outro ditador!- Diferença fundamental nesta hipocrisia, uns têm petróleo os outros não. Vamos divulgar ao Mundo meias verdades e deixemos que mais Vergílios Ferreiras ponham a mão na ferida e divulguem com serena melancolia que estes dias não são de festa pá!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bons Exemplos.

Lá volto eu novamente a falar nesta ilha, esquecida muitas vezes pelos europeus. porque como se costuma dizer, fica para lá do sol posto. Só que os ecos que provêm da Islândia são demasiadamente importantes para simplesmente passarmos ao lado. Não são só as cinzas dos vulcões que preocupam os principais "donos" da Comunidade Europeia, são também os maus exemplos que podem contagiar a vontade soberana dos diversos povos europeus, sobretudo os que vivem "acorrentados" a esta Aliança decadente e que estão sempre sujeitos à vontade da Srª Merkel e do Sr. Sarkozi. Os referidos maus exemplos permitiram que uma nação soberana do Norte da Europa conseguisse ver uma luz ao fundo do túnel em tempo muito reduzido depois de ter passado pelo período mais negro da sua história, uma bancarrota que levou o povo à rua e a exigir um novo rumo para o seu País. Não se continuaram a alimentar os caprichos dos senhores da banca, deram hipótese a que novas ideias surgissem de uma esfera política completamente diferente daquelas que até agora dominavam o aparelho estatal e finalmente à cerca de um mês atrás, aprovaram uma nova revisão da Constituição, para aligeirar a existente, que se baseava quase por completo na Constituição dinamarquesa.
A razão deste apontamento prende-se por este último facto, a originalidade na forma como as ideias surgiram. Johanna Sigurdadottir, principal responsável deste novo Governo têm dado mostras de que existindo coragem e determinação, não existem barreiras para superar a sua vontade de pôr em prática ideias diferentes. Ela promoveu o debate deste tema da Revisão, exactamente nas principais redes sociais (Facebook, Twitter) e logo surgiram 3500 sugestões de 520 indivíduos maiores de 18 anos, o que originou um relatório de 700 páginas, que depois foram discutidas num Fórum Nacional. O povo pronunciou-se de uma forma muito clara e estas ideias foram depois trabalhadas para poderem ser úteis a mudanças estruturais em matérias tão importantes como os recursos naturais e os direitos humanos. Num País com 320.000 habitantes aonde dois terços da população usa o Facebook, será fácil de perceber a vontade desta primeiro ministro em ouvir aquilo que o povo tinha para dizer.

A vontade de eles integrarem a Comunidade Europeia também já deve ter sido maior, agora ao levar por diante estas reformas na forma de pensar e de estar no poder, isso eu penso que ainda vai fazer correr muita tinta e provavelmente ser exemplo para outras nações sedentas de soluções rápidas.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Se Bem Me Lembro



Eu enquanto jovem era um incondicional viciado em tudo o que passava na televisão. Era um tempo aonde os meus amigos fugiam de casa para jogar com uma bola de plástico na rua. Eu, muitas vezes fugia para ver televisão ou na taberna-carvoaria mais próxima ou na casa de uma rapariga paraplégica que se chamava Berta, ali para os lados da velha Mouraria em Lisboa.

Refiro estas memórias porque li à poucos dias que vão privatizar a RTP dentro em breve e recordo-me desses anos sessenta aonde serviço público era mesmo à séria. Alguns senhores entendidos neste assunto vieram logo a terreiro criticar esta iniciativa, porque deixamos de ter um canal que não privilegia o tal serviço público e irá pautar a sua programação por critérios puramente economicistas, à semelhança da TVI e da SIC. Ora é preciso ser muito cego para não reparar que é isso o que a RTP1 faz desde à longos anos, apenas faz concorrência na luta por audiências, valha-nos a RTP2, que essa sim ainda vai disfarçando essa sua faceta no meio audiovisual português, apenas exagerando com o tempo de antena que dedica aos mais novos. Pinto Balsemão, têm alertado e bem para a falta de transparência e rigor nas sucessivas linhas programáticas dos sucessivos Conselhos de Administração que têm passado por essa estação, que se diz de cariz público e depois é tudo falso.
Mas voltando ao passado, eu não posso deixar de referir um momento que me fascinava na RTP, por razões que passo a explicar. Existia um senhor que entre 1969 e 1975 tinha um programa que se chamava "Se Bem me Lembro",um açoriano de nome Vitorino Nemésio. Ora, quando este senhor aparecia eu ficava plantado à frente do écran sem perceber patavina do que ele dizia e rezava para que aquilo acabasse depressa, porque a seguir vinha o Cartaz TV do saudoso Jorge Alves, começava com desenhos animados e no final repetia, era um preview que mostrava um bocadinho dos programas que iriam passar na semana seguinte, uma pérola muito aguardada por mim... Mas este Vitorino Nemésio era realmente um fenómeno porque detinha características únicas. À pouco tempo lia na revista "Sábado" um artigo de opinião assinado por José Pacheco Pereira que passo a transcrever por exprimir tudo aquilo que penso deste vulto maior da nossa cultura:

..."O que me interessava em Nemésio era exactamente tudo aquilo que hoje a televisão não valoriza. Ou seja, um homem, ainda por cima um velho, cheio de rugas, que falava com sotaque, que não preparava os programas, que hesitava e mudava de tema, deixando-se ir na sua própria conversa, que parava para pensar e parava para dizer, repetia para dizer melhor, que tinha um tempo lento e usava palavras que hoje acharíamos muito difíceis, e que passava em “horário nobre”, absoluta impossibilidade nos dias de hoje..."

No tempo do preto e branco o fascínio por aquele vidro mágico que difundia imagens como a chegada do Homem à Lua era impossível de explicar aos jovens nesta era do computador, aonde qualquer inovação tecnológica é recebida com total indiferença. Tudo acontece muito rapidamente e a magia desapareceu.







terça-feira, 9 de agosto de 2011

A época do estado de Graça.


Haja saúde e pachorra para aturar estas ideias do Passos e Companhia. Um deles gosta que o tratem por Álvaro em vez de ministro, vêm outra e diz que não gosta que usem gravatas para se poupar na energia,(não pesca nada de agricultura ou ambiente mas opina sobre o vestuário dos colaboradores) o primeiro ministro viaja de económica para impressionar os mais distraídos, aumentam os transportes de uma forma exorbitante, a pedido da troika, mas depois prometem ajudar os mais carenciados com uma ajuda suplementar que ainda não foi explicada aos próprios operadores. Permitem cortar nas indemnizações em casos de despedimento para 20 dias, prometendo que em breve estas medidas vão ser mais penalizadoras para os trabalhadores. O tal estado de graça começa a não ter mesmo graça nenhuma e estas medidas desconexas não podem ser só exigências dos "malvados" do FMI e do BCE, temos aqui já uma pontinha de intenção das politicas proteccionistas do grande capital, algo que irá acontecer frequentemente e em breve numa outra escala.

Lamento que por enquanto estejamos a banhos e como sempre ainda não chegou a época dos protestos. Temos esta ideia peregrina de que existem temporadas com um principio e fim muito precisos. Época balnear começa em Junho e termina no final de Setembro, se por acaso está bom tempo fora deste período e não existe qualquer vigilância, o problema é dos banhistas. Se por acaso ocorre um incêndio fora da época, lá vêm a protecção civil declarar que não estava preparada para tal desgraça, enfim só a época dos saldos agora transformou-se em algo que acontece o ano inteiro em função da crise.

Dentro de pouco tempo a trupe do Passos e Companhia virá carpir as suas mágoas para a praça pública, que apesar de todas as "porradas" que deram nos portuguesinhos, não conseguiram atingir os objectivos propostos dos 5% que prometeram à troika , nessa altura talvez até já estejamos na época de vir para a rua dizer a estes senhores que terminou o estado de graça.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Golden Days.





REN 2.35 +2.17 %





BANIF-SGPS 0.52 +1.96 %





SONAECOM,SGPS 1.52 +1.95 %





B.COM.PORTUGUES 0.33 +1.56 %





EDP RENOVAVEIS 4.59 +1.41 %





GALP ENERGIA-NOM 15.88 +0.67 %





ALTRI SGPS 1.45 +0.56 %





J.MARTINS,SGPS 14.34 +0.28 %





MOTA ENGIL 1.30 +0.08 %





EDP 2.47 -0.04 %





P.TELECOM 6.18 -0.11 %





ZON MULTIMEDIA 3.00 -0.33 %





BRISA 3.52 -0.37 %





CIMPOR,SGPS 5.13 -0.50 %





SEMAPA 7.30 -1.06 %





SONAE IND.SGPS 1.23 -1.21 %





B.ESPIRITO SANTO 2.50 -1.30 %





PORTUCEL 2.14 -1.38 %





BANCO BPI 0.98 -2.18 %





SONAE 0.66 -2.21 %




Todos sabemos que ultimamente fala-se muito mais na cotação da bolsa do que outrora, por uma única razão, todos vivem com o coração nas mãos, à espera daquele dia em que tudo vai abaixo. De repente toda a gente sabe falar de assuntos económicos, toda a gente sabe o que são agências de "rating", toda a gente comenta a divida soberana de cada País, toda a gente discute qual a melhor forma de fugirmos à cotação que nos impingiram de lixo, toda a gente contesta os vários PEC que se sobrepõem e que nos levam ao desespero, etc...

Garanto-vos que por muitos "expert" que encontremos ao virar da esquina, nenhum têm uma opinião similar ao que já tínhamos escutado antes, o que me leva a concluir que temos de ter prudência nas expectativas que criamos depois de ouvirmos este conjunto vasto de opiniões. Uns são alarmistas como o Medina Carreira, outros são optimistas como o Vítor Gaspar, outros ainda são muito pessimistas como é o caso da maioria da população portuguesa. Apesar de já começarmos a dominar as terminologias dos economistas encartados, continuamos a sentir que existe algo no meio desta engrenagem que não responde à principal questão:
-COMO É QUE CHEGÁMOS A ESTA SITUAÇÃO???
A origem será difícil de determinarmos, mas depois de assistir nos últimos dias às resoluções governamentais no domínio dos transportes e de ouvir falar no imposto extraordinário, acredito perfeitamente que quem vai pagar são sempre os mesmos!- Impostos sobre mais valias, nem pensar. Impostos sobre os lucros da Banca, com um Governo de direita, nem em sonhos seria possível, por isso estamos conversados.
Estão a terminar as golden share que o Governo detinha nalgumas das principais empresas da nossa praça, uma participação accionista minoritária mas que lhe confere poderes especiais, tais como eleger um terço do número de administradores, incluindo o presidente. Ou seja termina por aqui um "tacho" para muitos "boys" que se empoleiravam sempre na altura certa para acumular com outros cargos no próprio processo regulador dessas mesmas empresas que administravam. Uma trafulhice que é bom sinal terminar por agora. Vamos esperar por mais sinais deste género, embora eu acredite sinceramente que tudo isto será inglório!