terça-feira, 27 de setembro de 2011

Monte Santo.


Terra

" Onde ficava o mundo?
Só pinhais, matos, charnecas e milho
para a fome dos olhos.
Para lá da serra, o azul de outra serra e outra serra ainda.
E o mar? E a cidade? E os Rios?
Caminhos de pedra, sulcados, curtos e estreitos,
onde chiam carros de bois e há poças de chuva.
Onde ficava o mundo?
Nem a alma sabia julgar.
Mas vieram engenheiros e máquinas estranhas.
Em cada dia o povo abraçava outro povo.
E hoje a terra é livre e fácil como o céu das aves:
a estrada branca e menina é uma serpente ondulada
e dela nasce a sede da fuga como as águas dum rio."

Poesia de Fernando Namora




..."Cansado de estar de cócoras em frente do bicho. A moleza do corpo não lhe permitia tal posição.
O sol viera adormecer os nervos, trazendo quebranto e desleixo aos músculos, como se um afago morno tivesse furado a cortina das nuvens para lhe vestir a carne friorenta com uma indolência entorpecente. Por isso os gestos do Pencas se espreguiçavam; por isso os seus membros eram vermes deliciados e o cérebro se esvaziava numa cálida zona de volúpia, todo ele sem forças para se interessar pela tortura da cobra. Esta, resignada ali na sua frente, fazia-lhe apetecer os dias rubros de soalheira, as vinhas, os baldios, os lagartos torrando-se no cimo das fragas, vida quente e livre, sem aquelas necessidades miseráveis de comida, botas, tabaco e vinho"...


Depois de umas belas férias, lembrei-me de evocar Fernando Namora e o livro que escreveu em 1951 "A noite e a Madrugada", dado que ele o escreveu na bela aldeia de Monsanto, aonde eu passei um dia inesquecível. Esta aldeia é indescritível e só quem se senta naqueles penedos compreende a suprema leveza do ser, o cheiro que emana daquelas pedras e sobretudo a paz que nos invade. O silêncio perturbou-me nesta bela tarde de Setembro, será difícil imaginar o que será, passarmos uma noite de inverno rigoroso, refugiados num destes belos abrigos de pedra que nos rodeiam.

Fernando Namora escreveu também neste lugar "Retalhos da Vida de um Médico", que depois até foi adaptado ao cinema no ano em que nasci, 1962, por Jorge Brum do Canto. Garanto-vos que quem visita o local poderá perceber facilmente a razão da eleição deste lugar ermo e calmo para inspirar a escrita e desenvolver a sua carreira de médico, já que a exerceu num consultório que está bem referenciado numa rua com o seu nome.

Muitas vezes na nossa vida encontramos esquinas, aonde por momentos desejaríamos perpetuar a nossa estadia e desfrutar as vistas até à exaustão. Momentos perfeitos.




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um buraco autónomo.


Salvo erro este episódio da Madeira já não encaixa nesta história do endividamento do País, nem na supervisão atenta da Troika ou nas promessas deste Governo, numa nova forma de encarar as dificuldades que se avizinham. Desta ilha já estamos habituados a que nos cheguem nem bons ventos, nem bons orçamentos. Ao longo dos últimos anos tenho-me habituado a que muita gente quando chega ao Continente revelar-me as imensas infra-estruturas que foram criadas para conforto dos locais e das pessoas que os visitam. Lembro-me de que no final dos anos 80 (depois disso nunca mais lá fui) demorava 2 horas para chegar do aeroporto até ao Funchal, ou para ir do Funchal a Porto Moniz era quase meio-dia perdido naquelas estradas sinuosas. Tal como Alberto João Jardim afirmou à poucos dias ou se gasta dinheiro ou não se criam condições para as pessoas viverem com mais dignidade, Salazar tinha uma visão diferente, por isso o estado lastimável da ilha a seguir à Revolução dos Cravos. Eu estou de acordo que a Madeira só poderia ser um pólo de atracção turística, como é, se criasse as condições que hoje detém. Mas por outro lado também sei que este senhor aproveitou-se do resultado de todas estas obras para tornar reféns, toda aquela população de uma forma absurda e ditatorial. Eu quero, eu posso e eu mando, a forma tentacular como domina todos os órgãos do Estado ali representados é escandaloso e faz com que os apoios por si conseguidos só chegam às mãos daqueles que à partida o possam apoiar.

Apesar deste escarcéu com a descoberta de um buraco nas contas do Governo regional, nada impede que ele em Outubro próximo possa ser eleito mais uma vez com maioria absoluta, com apoio do PSD de Lisboa ou sem ele. A alienação dos madeirenses é algo que se explica com muita facilidade, baseando-me naquela máxima de que em terra de cegos quem tem um olho é rei!

Penso que a limitação de mandatos acordada há pouco tempo para os autarcas, deveria ser estendida a estes cargos de Presidentes das Regiões Autónomas, para não criarmos mais situações deste género, aonde o abuso de poder é a característica essencial e a génese deste problema. Embora eu saiba que existem muitos senhores que saltam da cadeira do poder por uns tempos, depois voltam ainda com mais força. E na sua ausência colocam lá “fantoches” para manterem o panorama inalterado, como aconteceu com Isaltino na Câmara de Oeiras. Acredito que existem muitos no nosso País como o Alberto João, mas dão menos nas vistas e como pela boca morre o peixe, este atum veterano já escapa há muito às redes que lhe lançam.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Não temos emenda!




Ninguém explica melhor em Portugal a atracção que os Portuguesinhos têm em aproximarem-se do "abismo", como este sociólogo de grande reputação. Este pedacinho de uma entrevista que António Barreto deu à SIC Notícias, logo a seguir ao seu magnifíco discurso do ultimo Dia de Portugal, reflecte bem a forma sintética e descomplexada como este cientista social aborda as questões intrinsecamente mais complicadas para os outros. Os retratos que faz da nossa sociedade são por certo reflexo de atitudes, que de alguma forma são repetitivas por todos nós em situações idênticas ao longo dos tempos. Achei curioso, que ele não aponta numa direcção determinada quanto ás causas políticas da crise em que estamos embrenhados, prefere apontar o dedo à falta de união mesmo em tempos muito difíceis. Estou perfeitamente de acordo que o momento exigia uma convergência alargada sob a égide do Presidente da República, definirmos soluções para ultrapassar este período confuso, aonde Merkel e Sarkozi definem quase tudo sem deixar espaço à autonomia de cada país.

Tal como ele afirma, Portugal não têm emenda!- Continuamos inexoravelmente a caminhar para uma situação pior amanhã do que hoje e não reagimos; escutamos os ecos de bancarrota na Grécia e passamos ao lado porque os tais políticos continuam a afirmar que a nossa economia não têm nem de perto, nem de longe uma margem de manobra similar à deles!!

As desigualdades sociais são cada vez mais objecto de um estudo profundo e sem cair em demagogias despropositadas, António Barreto declara que somos das nações europeias a que se faz notar mais esse fenómeno, que não é de hoje, é resultado de muita legislação e processos de vária natureza que nos conduziram a essa realidade. Sabendo que as pessoas hoje em dia quando saem de casa já não têm tanta certeza sobre a sua estabilidade a nível profissional, pressinto que essa insegurança possa provocar uma outra apetência para o inconformismo ou mesmo sentimento de revolta. Essas mesmas desigualdades poderão aqui fermentar no futuro uma realidade disforme àquilo a que estamos habituados. António Barreto refere também que, como povo não costumamos ferver em pouca água, mas eu pergunto e se estamos à beira do "abismo" ou mesmo se já entrámos lá dentro, como é que iremos reagir?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Serviço Nacional de quê?


Lanço aqui um desafio que muitas pessoas irão compreender, dadas as circunstâncias. Que tal fazermos uma petição no facebook, para tornarmos possível fazer um transplante urgente do cérebro deste senhor ministro da Saúde?- Extraíamos a sua vertente 100% economicista e em seu lugar colocávamos lá um espírito mais humanista, que no mínimo percebesse deste assunto, alguém com experiência comprovada nesta área sensível.
Quando ouvi as suas declarações sobre a necessidade de reduzir os transplantes por razões económicas, penso que não existam palavras para descrever a minha perplexidade!?- Já desconfiava de que medidas como esta iriam surgir, dado que estamos perante um senhor formado em Organização e Gestão de Empresas, Director Geral do BCP entre 1993 e 98 e que pertenceu à Direcção Geral de Impostos em 2004, quando a Manuela Ferreira Leite era Ministra das Finanças. Portanto com um perfil destes, este senhor percebe tanto de Saúde como a Ministra Cristas percebe de Agricultura. Que existem áreas na Saúde que importa levarem cortes orçamentais urgentes, acredito que sim. Mas nos transplantes????
Mas o PSD cada vez que chega ao poder, já nos habituou a estas fugas à realidade. Lembro-me do caso dos hemofílicos com a Leonor Beleza, uma das páginas mais negras da justiça portuguesa, por falta de coragem no momento da decisão. Lembro-me também, daquela precipitada manobra do Ministro Luís Filipe Pereira, no Governo de Durão Barroso que de repente quis acabar com as listas de espera para intervenções cirúrgicas, cometeram-se aí "atrocidades" por falta de ponderação e sentido de responsabilidade.

O cerco aperta em redor daqueles que não tendo possibilidade de recorrer ao privado, têm de "engolir" estas propostas alarves que vão sendo cometidas por senhores que nunca tiveram contacto com a realidade do Serviço Nacional de Saúde e que impunemente vão decretando tudo o que lhes passa pela cabeça. O nosso Primeiro(s) Passos vai continuar a afirmar que o caminho até 2013 vai ser muito difícil, mas eu pergunto mais uma vez. Difícil para quem?- Para os mesmos de certeza, porque o Grupo Mello continua as suas negociatas neste sector da forma que mais lhes convêm. Os 10 Hospitais que o Governo pretende construir no âmbito das chamadas Parcerias Público Privadas abrangerão mais de 1/4 da população portuguesa dentro de 4 anos e nessa altura o nosso SNS não será mais do que uma sigla sem sentido nenhum.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Senhor Professor.


"Não te coíbas de repetir o que já disseste, porque és pequeno e só assim talvez será possível que te ouçam.". Comecei por citar Vergílio Ferreira por variadíssimas razões, mas a primeira, porque faz agora 20 anos que eu li uma entrevista sua que deu à revista K , conduzida por Pedro Rolo Duarte (um ex-aluno seu do Liceu Camões), ainda hoje guardo esse exemplar comigo. Uma conversa que me ficou na memória e que de vez em quando a vou reler. Passados 5 anos da publicação desta entrevista, faleceu no seu apartamento rodeado de livros em Alvalade e o seu corpo foi enterrado em Melo, a sua terra natal aonde nascera em 1916. Descansa junto à sua Serra da Estrela. Sinceramente o primeiro contacto que eu tive com a sua vasta obra foi através do cinema, no filme adaptado do livro"Manhã Submersa" de Lauro António (1980). Película em que ele próprio protagoniza o papel de Reitor e aonde também contracena com Eunice Muños, Jacinto Ramos e Canto e Castro, entre outros. Quando se fala em grandes escritores portugueses, geralmente nunca ouvimos falar do seu nome, talvez porque tal como ele refere neste depoimento, sempre foi um mal amado. Antes do 25de Abril não era compreendido por o regime vigente mas os comunistas também nunca o consideraram como um dos seus. Após a Revolução continuou a não ser compreendido e só depois da queda do Muro de Berlim, ele provou que tinha razão em relação a esse "bunker", palavra que utilizava para caracterizar o comunismo, dado que lhe parecia "uma estrutura de cimento armado impenetrável. Mas a História lá se meteu numa fenda, como as plantas se metem por entre as pedras e fazem estalar os passeios. e o bunker estalou."

Este beirão de gema era um humanista puro, relatava nos seus livros um personagem sempre perante a solidão das suas ideias que são intrínsecas e muitas vezes intransmissíveis e o mundo lá fora era invariavelmente uma absurda estupidez. Quando damos por nós a reflectir um pouco mais sobre o mundo que hoje nos rodeia, quantas vezes não ficamos com essa mesma sensação. A ultima vez que isso me aconteceu, foi quando acabei de presenciar à queda inevitável de Kadhafi na Líbia, com a entrada dos rebeldes em Tripoli e com a ajuda fundamental da NATO. Mas depois vejo as Nações Unidas encolherem-se e ficarem impassíveis perante a chacina de cidadãos inocentes na Síria, ás mãos de um outro ditador!- Diferença fundamental nesta hipocrisia, uns têm petróleo os outros não. Vamos divulgar ao Mundo meias verdades e deixemos que mais Vergílios Ferreiras ponham a mão na ferida e divulguem com serena melancolia que estes dias não são de festa pá!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bons Exemplos.

Lá volto eu novamente a falar nesta ilha, esquecida muitas vezes pelos europeus. porque como se costuma dizer, fica para lá do sol posto. Só que os ecos que provêm da Islândia são demasiadamente importantes para simplesmente passarmos ao lado. Não são só as cinzas dos vulcões que preocupam os principais "donos" da Comunidade Europeia, são também os maus exemplos que podem contagiar a vontade soberana dos diversos povos europeus, sobretudo os que vivem "acorrentados" a esta Aliança decadente e que estão sempre sujeitos à vontade da Srª Merkel e do Sr. Sarkozi. Os referidos maus exemplos permitiram que uma nação soberana do Norte da Europa conseguisse ver uma luz ao fundo do túnel em tempo muito reduzido depois de ter passado pelo período mais negro da sua história, uma bancarrota que levou o povo à rua e a exigir um novo rumo para o seu País. Não se continuaram a alimentar os caprichos dos senhores da banca, deram hipótese a que novas ideias surgissem de uma esfera política completamente diferente daquelas que até agora dominavam o aparelho estatal e finalmente à cerca de um mês atrás, aprovaram uma nova revisão da Constituição, para aligeirar a existente, que se baseava quase por completo na Constituição dinamarquesa.
A razão deste apontamento prende-se por este último facto, a originalidade na forma como as ideias surgiram. Johanna Sigurdadottir, principal responsável deste novo Governo têm dado mostras de que existindo coragem e determinação, não existem barreiras para superar a sua vontade de pôr em prática ideias diferentes. Ela promoveu o debate deste tema da Revisão, exactamente nas principais redes sociais (Facebook, Twitter) e logo surgiram 3500 sugestões de 520 indivíduos maiores de 18 anos, o que originou um relatório de 700 páginas, que depois foram discutidas num Fórum Nacional. O povo pronunciou-se de uma forma muito clara e estas ideias foram depois trabalhadas para poderem ser úteis a mudanças estruturais em matérias tão importantes como os recursos naturais e os direitos humanos. Num País com 320.000 habitantes aonde dois terços da população usa o Facebook, será fácil de perceber a vontade desta primeiro ministro em ouvir aquilo que o povo tinha para dizer.

A vontade de eles integrarem a Comunidade Europeia também já deve ter sido maior, agora ao levar por diante estas reformas na forma de pensar e de estar no poder, isso eu penso que ainda vai fazer correr muita tinta e provavelmente ser exemplo para outras nações sedentas de soluções rápidas.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Se Bem Me Lembro



Eu enquanto jovem era um incondicional viciado em tudo o que passava na televisão. Era um tempo aonde os meus amigos fugiam de casa para jogar com uma bola de plástico na rua. Eu, muitas vezes fugia para ver televisão ou na taberna-carvoaria mais próxima ou na casa de uma rapariga paraplégica que se chamava Berta, ali para os lados da velha Mouraria em Lisboa.

Refiro estas memórias porque li à poucos dias que vão privatizar a RTP dentro em breve e recordo-me desses anos sessenta aonde serviço público era mesmo à séria. Alguns senhores entendidos neste assunto vieram logo a terreiro criticar esta iniciativa, porque deixamos de ter um canal que não privilegia o tal serviço público e irá pautar a sua programação por critérios puramente economicistas, à semelhança da TVI e da SIC. Ora é preciso ser muito cego para não reparar que é isso o que a RTP1 faz desde à longos anos, apenas faz concorrência na luta por audiências, valha-nos a RTP2, que essa sim ainda vai disfarçando essa sua faceta no meio audiovisual português, apenas exagerando com o tempo de antena que dedica aos mais novos. Pinto Balsemão, têm alertado e bem para a falta de transparência e rigor nas sucessivas linhas programáticas dos sucessivos Conselhos de Administração que têm passado por essa estação, que se diz de cariz público e depois é tudo falso.
Mas voltando ao passado, eu não posso deixar de referir um momento que me fascinava na RTP, por razões que passo a explicar. Existia um senhor que entre 1969 e 1975 tinha um programa que se chamava "Se Bem me Lembro",um açoriano de nome Vitorino Nemésio. Ora, quando este senhor aparecia eu ficava plantado à frente do écran sem perceber patavina do que ele dizia e rezava para que aquilo acabasse depressa, porque a seguir vinha o Cartaz TV do saudoso Jorge Alves, começava com desenhos animados e no final repetia, era um preview que mostrava um bocadinho dos programas que iriam passar na semana seguinte, uma pérola muito aguardada por mim... Mas este Vitorino Nemésio era realmente um fenómeno porque detinha características únicas. À pouco tempo lia na revista "Sábado" um artigo de opinião assinado por José Pacheco Pereira que passo a transcrever por exprimir tudo aquilo que penso deste vulto maior da nossa cultura:

..."O que me interessava em Nemésio era exactamente tudo aquilo que hoje a televisão não valoriza. Ou seja, um homem, ainda por cima um velho, cheio de rugas, que falava com sotaque, que não preparava os programas, que hesitava e mudava de tema, deixando-se ir na sua própria conversa, que parava para pensar e parava para dizer, repetia para dizer melhor, que tinha um tempo lento e usava palavras que hoje acharíamos muito difíceis, e que passava em “horário nobre”, absoluta impossibilidade nos dias de hoje..."

No tempo do preto e branco o fascínio por aquele vidro mágico que difundia imagens como a chegada do Homem à Lua era impossível de explicar aos jovens nesta era do computador, aonde qualquer inovação tecnológica é recebida com total indiferença. Tudo acontece muito rapidamente e a magia desapareceu.







terça-feira, 9 de agosto de 2011

A época do estado de Graça.


Haja saúde e pachorra para aturar estas ideias do Passos e Companhia. Um deles gosta que o tratem por Álvaro em vez de ministro, vêm outra e diz que não gosta que usem gravatas para se poupar na energia,(não pesca nada de agricultura ou ambiente mas opina sobre o vestuário dos colaboradores) o primeiro ministro viaja de económica para impressionar os mais distraídos, aumentam os transportes de uma forma exorbitante, a pedido da troika, mas depois prometem ajudar os mais carenciados com uma ajuda suplementar que ainda não foi explicada aos próprios operadores. Permitem cortar nas indemnizações em casos de despedimento para 20 dias, prometendo que em breve estas medidas vão ser mais penalizadoras para os trabalhadores. O tal estado de graça começa a não ter mesmo graça nenhuma e estas medidas desconexas não podem ser só exigências dos "malvados" do FMI e do BCE, temos aqui já uma pontinha de intenção das politicas proteccionistas do grande capital, algo que irá acontecer frequentemente e em breve numa outra escala.

Lamento que por enquanto estejamos a banhos e como sempre ainda não chegou a época dos protestos. Temos esta ideia peregrina de que existem temporadas com um principio e fim muito precisos. Época balnear começa em Junho e termina no final de Setembro, se por acaso está bom tempo fora deste período e não existe qualquer vigilância, o problema é dos banhistas. Se por acaso ocorre um incêndio fora da época, lá vêm a protecção civil declarar que não estava preparada para tal desgraça, enfim só a época dos saldos agora transformou-se em algo que acontece o ano inteiro em função da crise.

Dentro de pouco tempo a trupe do Passos e Companhia virá carpir as suas mágoas para a praça pública, que apesar de todas as "porradas" que deram nos portuguesinhos, não conseguiram atingir os objectivos propostos dos 5% que prometeram à troika , nessa altura talvez até já estejamos na época de vir para a rua dizer a estes senhores que terminou o estado de graça.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Golden Days.





REN 2.35 +2.17 %





BANIF-SGPS 0.52 +1.96 %





SONAECOM,SGPS 1.52 +1.95 %





B.COM.PORTUGUES 0.33 +1.56 %





EDP RENOVAVEIS 4.59 +1.41 %





GALP ENERGIA-NOM 15.88 +0.67 %





ALTRI SGPS 1.45 +0.56 %





J.MARTINS,SGPS 14.34 +0.28 %





MOTA ENGIL 1.30 +0.08 %





EDP 2.47 -0.04 %





P.TELECOM 6.18 -0.11 %





ZON MULTIMEDIA 3.00 -0.33 %





BRISA 3.52 -0.37 %





CIMPOR,SGPS 5.13 -0.50 %





SEMAPA 7.30 -1.06 %





SONAE IND.SGPS 1.23 -1.21 %





B.ESPIRITO SANTO 2.50 -1.30 %





PORTUCEL 2.14 -1.38 %





BANCO BPI 0.98 -2.18 %





SONAE 0.66 -2.21 %




Todos sabemos que ultimamente fala-se muito mais na cotação da bolsa do que outrora, por uma única razão, todos vivem com o coração nas mãos, à espera daquele dia em que tudo vai abaixo. De repente toda a gente sabe falar de assuntos económicos, toda a gente sabe o que são agências de "rating", toda a gente comenta a divida soberana de cada País, toda a gente discute qual a melhor forma de fugirmos à cotação que nos impingiram de lixo, toda a gente contesta os vários PEC que se sobrepõem e que nos levam ao desespero, etc...

Garanto-vos que por muitos "expert" que encontremos ao virar da esquina, nenhum têm uma opinião similar ao que já tínhamos escutado antes, o que me leva a concluir que temos de ter prudência nas expectativas que criamos depois de ouvirmos este conjunto vasto de opiniões. Uns são alarmistas como o Medina Carreira, outros são optimistas como o Vítor Gaspar, outros ainda são muito pessimistas como é o caso da maioria da população portuguesa. Apesar de já começarmos a dominar as terminologias dos economistas encartados, continuamos a sentir que existe algo no meio desta engrenagem que não responde à principal questão:
-COMO É QUE CHEGÁMOS A ESTA SITUAÇÃO???
A origem será difícil de determinarmos, mas depois de assistir nos últimos dias às resoluções governamentais no domínio dos transportes e de ouvir falar no imposto extraordinário, acredito perfeitamente que quem vai pagar são sempre os mesmos!- Impostos sobre mais valias, nem pensar. Impostos sobre os lucros da Banca, com um Governo de direita, nem em sonhos seria possível, por isso estamos conversados.
Estão a terminar as golden share que o Governo detinha nalgumas das principais empresas da nossa praça, uma participação accionista minoritária mas que lhe confere poderes especiais, tais como eleger um terço do número de administradores, incluindo o presidente. Ou seja termina por aqui um "tacho" para muitos "boys" que se empoleiravam sempre na altura certa para acumular com outros cargos no próprio processo regulador dessas mesmas empresas que administravam. Uma trafulhice que é bom sinal terminar por agora. Vamos esperar por mais sinais deste género, embora eu acredite sinceramente que tudo isto será inglório!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Robert Doisneau


" O acordeonista da Rue Mouffetard " -1951

" O Beijo do Hotel de Ville " -1950

" Os irmãos " -1934

" O inferno " - 1952

" A bicicleta de Tati " -1949

"Penso que o papel do fotógrafo é o de observador privilegiado, que pode entrar em todos os sítios", são palavras de Robert Doisneau, que soube melhor do que ninguém tirar proveito de uma cidade como Paris, foi aliás considerado como o fotógrafo da cidade do século XX.
Nasceu nos arredores de Paris em 1912, travou conhecimento com o surrealismo, a corrente vanguardista que dominou a capital francesa entre as duas guerras mundiais. O seu espírito humanista e a forma como retratava o ambiente parisiense caracterizou toda a sua obra. Deixo aqui alguns dos melhores exemplos daquilo que acabo de afirmar, começou por trabalhar com André Vigneau, escultor e fotógrafo de moda ligado ao surrealismo e que o introduziu no mundo da fotografia publicitária enquanto obra de arte. Mais tarde, antes da Segunda Grande Guerra, trabalhou na Renault como fotógrafo publicitário e reforçou o seu espírito e compromisso com as classes mais desfavorecidas. Aos domingos pegava na sua Rolleiflex e retratava de uma forma subtil os habitantes dos subúrbios de Paris e traduzia nas suas expressões estes momentos conturbados de uma nação ocupada pelos nazis. Colaborou com a resistência ao forjar alguns documentos e imagens retirados do Ministério dos Desportos e Juventude aonde passou a trabalhar durante a guerra.
Viveu sempre em Paris, a sua cidade, a quem dedicou toda a sua obra, faleceu em 1994, depois de ter integrado agências como a Magnum, a Rapho (aonde permaneceu mais de meio século) e de ter importantes colaborações com a Vogue, Paris Match, Le PointPicture, Post, Life, etc...Os seus planos intimistas e por vezes poéticos baseavam-se na empatia que criava com os seus modelos anónimos, o fotógrafo fazia-os sentir que era como eles. Num curso de fotografia que recentemente tirei, o meu professor deu-nos conta de como é difícil estarmos na rua, no meio de uma multidão e conseguirmos ter a mestria de nos envolver e ao mesmo tempo sermos discretos de forma a conseguir o plano e o momento exato. Este mestre francês conseguia-o de uma forma magistral!

terça-feira, 12 de julho de 2011

O número dez!


Está a decorrer a Copa América e para nós europeus, esta competição passa um pouco ao lado, apesar de termos curiosidade de seguir o comportamento dos colossos Brasil e Argentina. Esta taça é similar ao nosso campeonato da Europa que se realiza de 4 e 4 anos.Falo hoje neste assunto para referir um jogador a quem já adjetivaram de todas as formas e feitios e que agora apelidam como sendo ele e mais dez, a seleção que joga em casa e pretende o título.

Ao contrário do que se possa pensar, mesmo entre aqueles que veneram o seu grande rival em termos de performance, Ronaldo, existe um grande consenso nos dias que correm, este rapaz argentino é sem duvida o melhor jogador de futebol das ultimas épocas e porventura um dos melhores de sempre, digno de estar naquela montra daqueles "Deuses da bola" que tanto já ouvimos venerar, como Di Stefano, Pélé, Maradona, Cruif, Eusébio,etc...
O inicio da sua carreira, foi traumático, porque bem cedo foi-lhe diagnosticado um problema hormonal que retardava o desenvolvimento ósseo, nessa altura começou um tratamento que custava 900 dólares por mês e foi a fundação aonde o pai trabalhava que custeou este processo, baseava-se numa injeção em cada perna durante todos os dias!!!- Já então mostrava os seus dotes numa equipa argentina, Abanderado Grimaldi. Mas entretanto a Argentina passava por um momento de grandes dificuldades financeiras o que levou a que se cortassem muitas despesas e Messi impedido de prosseguir os seus tratamentos, rumou a Espanha, por iniciativa dos pais. Uma prima da mãe, que residia em Lérida, perto de Barcelona, passou a tomar conta do rapaz. Os olheiros do clube catalão depressa o foram buscar e passaram a pagar todos os tratamentos, além do sustento da própria família que se vieram juntar a ele. Começou a dar nas vistas nos escalões mais jovens e daí até à sua estreia pela equipa principal foi algo meteórico. Uma curiosidade que muita gente não sabe, é que Messi estreou-se pelos seniores contra o Porto no estádio do Dragão em 16 de Nov. de 2003, o resto da história toda a gente sabe. Uma das grandes facetas que eu mais admiro neste craque, é que sabe ser um senhor dentro e fora do campo, um verdadeiro exemplo a seguir.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pedro e o Lobo.

Passo a passo lá nos vamos enterrando, já nos consideram "lixo" lá para os lados do Tio Obama. As medidas agora anunciadas são de molde a que a nossa economia consiga mergulhar no abismo, muito por culpa da recessão que se adivinha devastadora, basta reparar no incentivo ao consumo que este corte do subsidio de Natal vai provocar nas bolsas dos portuguesinhos. Quanto à banca, estamos conversados, nada de incomodar os senhores porque agora estão entretidos a puxar pela imaginação, na melhor forma de arrebentarem com mais estes milhões que lhes vão ser atribuídos, generosamente de bandeja pela Troika.
-Lembram-se de certeza dos "yuppies" que durante o reinado cavaquista rejuvenesceram com os dinheiros que provinham da Europa e davam azo e incentivavam a delírios consumistas despropositados, puxaram pela imaginação e valia tudo, arriscando capital em investimentos de alto risco, sem pensarem que a fonte um dia secava. Estamos a viver dias com a mesma cor partidária no poder, mas enganem-se aqueles que se iludem com estes sinais de poupança na redução de Ministérios e viagens em classe económica, porque isso são trocos, garantidamente que a estes jovens do outrora irão suceder outros laranjinhas com as suas ideias liberais e vontade de reclamar o seu pedacinho de poder em troca do apoio que não regatearam!!!
Entretanto o Banco Central Europeu prepara-se para subir as taxas de juro e dar uma pincelada neste quadro catastrofista previsto por conceituados economistas independentes, digamos que daqui a uns tempos estaremos exatamente na mesma posição que a Grécia, sem poder de compra, com uma taxa de desemprego monstra, com os índices económicos todos na rua da amargura e uma vontade de partir para outro lugar.Em relação aos gregos irá existir sempre uma diferença, é que nunca iremos ter a coragem de ir para a rua e demonstrar o nosso descontentamento, afinal de contas domaram muito bem o nosso povinho durante um longo inverno Salazarista, deveríamos sempre "comer e calar!"

terça-feira, 28 de junho de 2011

Terceiro Aniversário!

-Mais um ano, e este blog após estes 1094 dias e de ter escrito cerca de 166 artigos, admito que ultrapassou aquilo a que à um ano chamei de devaneio, neste momento já existe um carinho especial por este bocadinho aonde desabafo as minhas ideias. Para que se entenda bem o porquê deste apego a um blog, basta imaginar um País aonde o Estado garantisse que ao chegarmos a uma repartição pública estariam pessoas a atender-nos com conhecimento daquilo que fazem e tratassem do nosso problema com o respeito que mereceria, aonde o Governo deixasse de funcionar para clientelismos e se dedicasse ao bem comum dos cidadãos, aonde a justiça funcionasse célere e sem condicionantes ou interferências da parte dos mandantes, a educação cumprisse o seu papel fundamental numa sociedade e formasse jovens com bases e princípios nucleares para enfrentar os desafios que se lhes deparam ao longo da sua vida, que os cuidados de saúde fossem ministrados à população de forma indiferenciada fosse qual fosse a sua condição social e económica, aonde a democracia não fosse uma palavra vã e no nosso quotidiano não presenciássemos aos atropelos grosseiros dessa verdade! -Aí sim, pela natureza deste espaço acho que este blog deixaria de ter sentido . Mas confesso, esse dia estará muito longe de chegar, pelo andar da carruagem. Sendo assim, já estou como o Jel ("Homens da Luta") afirmou na tomada de posse deste novo executivo, "... temos trabalhinho assegurado para mais uns anitos, VIVA A LUTA..."

terça-feira, 21 de junho de 2011

15-M, 16-M, 17-M, 18-M, 19-M, 20-M, 21-M....



Estava ontem a desfolhar um jornal centenário espanhol, "La Vanguardia" e reparei neste pequeno cartoon de Toni Batllori, que me chamou desde logo à atenção. Recortei e apresento-vos hoje aqui. O chamado grupo de indignados 15-M têm perpetuado em Espanha uma consistência na reivindicação dos seus pontos de vista muito para além do que seria expectável pela classe política e neste momento o Movimento começa a fazer-se respeitar ao ponto de nesta Terça-feira, todos os grupos parlamentares em uníssono, decidiram levar em consideração algumas das tomadas de posição deste grupo, nas suas já famosas assembleias que decorrem geralmente no final de cada protesto. Algo está a mudar, nem que seja só para sossegar mentes inquietas. O PP prepara-se para atacar o poder após a sua vitória estrondosa no ultimo escrutínio eleitoral, aonde conquistaram Câmaras que pertenciam aos socialistas desde sempre. Mas, não lhes interessa ir nesta avalanche de protestos porque por um lado, de certeza que ainda se lembram como Aznar foi colocado na rua à uns anitos e depois, porque o seu conservadorismo e as ideias liberais que intentam protagonizar num futuro muito próximo de governação ativa não são compatíveis com as ideias dos indignados. Por agora, apenas pretendem que a imagem dos socialistas se vá desgastando com toda estes protestos e entretanto vão pressionando o Ministério do Interior de Rubalcaba para intervir energicamente contra estes jovens que põem em causa a ordem pública e demonstram não ter respeito pelos valores mais éticos da democracia espanhola, segundo os seus comentários subliminares. Uma estratégia que infelizmente irá dar os seus resultados práticos, caso os socialistas não tenham o bom senso de demarcarem-se da sua responsabilidade de levar esta legislatura até ao final e desde já chamarem à liça todas as forças partidárias para enfrentarem este período extremamente difícil para o País, constituindo um Governo de Salvação Nacional. Tenho seguido com redobrado interesse toda a evolução da situação tanto em Espanha como na Grécia, já que em Portugal e na Irlanda estamos num período de falsa esperança de que algo vá mudar. Continuamos a sugerir a nós próprios de que estes novos mandatos vão fazer a diferença, pura ilusão!!! -Mais cedo ou mais tarde estamos na situação da Grécia, mas entretanto vai tudo para o Algarve de férias porque a crise têm tempo para nos dar cabo da cabeça.