quinta-feira, 25 de abril de 2013

Continua uma festa linda, pá!

Carta Aberta a um Amigo de Abril.

Caro amigo, a festa, apesar de tudo continua linda!

Faz um ano desde que partiste e as noticias não são animadoras. Grândola ouviu-se mais, mas o gajo é teimoso e persiste nesta política de austeridade.

Alargámos os prazos da divida, mas o cinto já não têm mais buracos  e as famílias desesperam. Temos uma dieta à base de uma receita errada. Os ingredientes foram mal calculados e o resultado é desastroso. 

Temos muitos elogios à forma como nos estamos a portar, mas a origem dos encómios são suspeitos. Eles estão a ganhar fortunas com o nosso sacrifício. 

Repetem vezes sem conta, não somos a Grécia, nem o Chipre, mas cada vez estamos mais parecidos com Portugal dos anos 50 e 60, pelo menos nas condições de trabalho, na perda de direitos laborais adquiridos, nos números do desemprego, no acesso à educação, à saúde e à justiça.

Gostava de saber mais para te contar  Miguel, mas eles escondem a verdade, omitem as ideias de um liberalismo atroz que perpassa desde Atenas, a Bruxelas, a Nicósia ou Lisboa. As tuas ideias continuam vivas nas nossas lutas, mas essa alegria de viver a política de uma forma transparente e salutar, a virtude de não se contradizer em lugares distantes como a faixa de Gaza, Beirute ou nos corredores do Parlamento Europeu. isso nós temos muita saudade.

Tal como Chico dizia "...Já murcharam a  tua festa pá, mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim..."  de certeza que iremos sempre descobrir uma semente que irá florescer e dar esperança num futuro bem melhor. Os cravos nunca irão murchar, enquanto seguirmos as tuas convicções. Até sempre Miguel...






terça-feira, 16 de abril de 2013

Uma aliança impossível!

Quando estamos à beira de um precipício, ocorrem-nos ideias pouco lúcidas. Ultimamente, tenho querido acreditar, baseando-me nas ultimas sondagens, na possibilidade de uma coligação de esquerda, com chances de maioria absoluta no parlamento. O PS farto de entendimentos ao centro e à direita, poderia agora experimentar uma solução de entendimento com o PCP e o Bloco. Para uma pessoa de esquerda como eu, esse seria um cenário interessante.

Com esta direcção bicéfala do BE, essa ténue esperança ganhou novo alento, porque na opinião de Semedo e Catarina Martins, neste momento, não fechariam a porta a um entendimento com os socialistas. Quanto à relação entre os socialistas e o PCP, tudo se torna muito mais complicado, porque passados quase 40 anos sobre os conturbados momentos do período pós-revolucionário de 75 e 76, as mazelas nunca sararam. A desconfiança é muito grande, de ambas as partes.

 Ontem mesmo li um artigo de opinião de Rui Tavares, na última página do jornal "Público" que se intitulava, "Eles não querem".
Sucintamente passo a  descrever aquele texto, com algum desalento, devo confessar. No Alto Minho, mais propriamente em Caminha, estes três partidos de esquerda chegaram a um pré-acordo, quanto à sua candidatura conjunta, nas autárquicas que se avizinham. Logo que alinhavaram o seu programa a apresentar aos eleitores daquela Câmara, deram indicação das suas intenções para os respectivos centros nevrálgicos em Lisboa. O que aconteceu depois, é a imagem real da possibilidade de acordos entre estes três partidos. Por razões de mera táctica e jogos palacianos, foi vedada essa possibilidade. Primeiro pensam nas suas vaidades e constrangimentos, só depois no País. Agora imaginem na hipótese remota de entendimento a nível...não vale a pena!!

Tudo isto não passa infelizmente de uma mera utopia, com culpas a dividir por estes três partidos de esquerda.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Última Ceia.

 Transcrevo hoje, algumas afirmações que atestam da veracidade nas afirmações recorrentes de que os portuguesinhos estão à beira de um precipício.  Pensamentos recentes sobre a agonia deste Governo. Uma selecção de pessoas que não estando ligadas aos partidos da  oposição, estão de uma forma ou doutra, a desempenhar papéis bem diferenciados, na sociedade portuguesa. Une, estas vozes, a urgência de clarificar o desempenho deste Governo ao longo dos últimos dois anos.

  • António Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, afirmou ontem no Jornal de Negócios ..."O Governo utiliza o pior da autoridade, para interromper o Estado de Direito, e para instaurar um Estado de excepção..." 


  •  António Arnaut, pai do quase extinto Serviço Nacional de Saúde, declarou hoje num fórum da TSF e passo a citar. "Passos Coelho é um primeiro ministro insensível, incompetente e insensato". Apelou de seguida a uma Revolta Cívica. 
  • Medina Carreira, fiscalista e antigo Ministro das Finanças, disse esta semana no seu programa da TVI ..."qualquer dona de casa faria melhor que Passos e Sócrates..."


  • Pacheco Pereira do PSD, no programa da SIC Noticias, "Quadratura do Círculo". "...à medida que vai tendo cada vez mais dificuldades em cumprir aquilo que deseja, vinga-se em todos aqueles que lhe criam obstáculos..." referido-se a Passos Coelho.
  • José Reis, director da Fac. de Economia da Universidade de Coimbra. "Este Governo têm uma total ausência de ideias e estratégias que façam sentido". Proferiu esta frase, num programa da RTP , o mês passado.
Estas opiniões seriam apenas meras opiniões, não tivessem elas o peso de uma realidade transversal a toda a sociedade portuguesa nos dias que correm. Seria importante, Cavaco de uma vez por todas, deixar de andar com este Governo "ao colo" e escutar o barulho ensurdecedor do seu silêncio.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Soltas de Abril.

Quando este blogue está quase a completar 5 anos, vou hoje começar a apresentar, uma rubrica que se chama... Soltas.  Uma miscelânea de temas desconexos, que em dada altura poderão ter-me chamado à atenção.

  • A figura que apresento em cima, representa uma prática secular em Bombaim. Uma cidade  com mais de 12 milhões de pessoas, cerca de 5 mil homens distribuem todos os dias à hora do almoço mais de 200 mil refeições. Vão buscar as marmitas, ao domicilio de cada pessoa, que não têm oportunidade de transportar o seu repasto. Ora aqui está uma ideia que seria bem vinda em tempos de crise, aplicada convenientemente á nossa realidade.
  • Foi inaugurada hoje, com pompa e circunstância, mais uma unidade de refinaria no complexo industrial da GALP, em Sines. Em termos práticos, vamos conseguir ser auto-suficientes, em termos do consumo de gasóleo e ainda vai dar para exportar. Será suficiente para diminuir o preço de venda ao público, a médio ou longo prazo?- Resposta óbvia, claro que não! Por causa destas e doutras é que a GALP continua a registrar todos os anos, lucros colossais.
  • Júlio Pomar finalmente inaugurou o seu atelier-museu, mesmo junto à sua casa, na Rua do Vale. Curioso é que na vizinhança, ali para os lados de S.Bento, more alguém, que têm feito tudo para dar cabo da nossa cultura. Mas esta obra, era uma promessa do então Presidente da Câmara, João Soares em 2000. Finalmente este armazém abandonado, conseguiu converter-se num ponto de encontro para todos aqueles que admiram o seu trabalho. A esta obra, António Costa poderia agora, decidir fazer-lhe uma homenagem justa, em termos da toponímia desta cidade. Nesta rua,  estreita de um só sentido na cidade de Lisboa, aonde ele sempre viveu e trabalhou, propor que se passasse a chamar, Rua Júlio Pomar. Justiça seja feita, enquanto ele ainda nos dá o prazer da sua presença.
  • Fernando Seara já prometeu,a Revolução Branca bem pode insistir nas providências cautelares, quanto à sua eventual candidatura ao município de Lisboa, porque ele vai bater o recorde Guiness de recursos (Isaltino já lidera com 44!!!!) até que consiga levar por diante os seus intentos. A sede de protagonismo às vezes em Portugal raia o ridículo. 
  • Finalmente, termino com uma bela notícia. Nelson Mandela continua a registar melhoras contínuas, apesar de estar ainda no Hospital. É desejo de todos os grandes democratas deste mundo, uma vida longa a este grande estadista. Um humanista que será sempre um exemplo a seguir.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Europa Não! Portugal Nunca.

Agora que começamos, insistentemente a ouvir cada vez mais vozes contra esta Europa descontrolada,  lembrei-me de uma peça de teatro, representada por o inesquecível Mário Viegas na sua Companhia Teatral do Chiado entre 1994-95, chamada "Europa Não! Portugal Nunca". Este senhor do teatro, encenador, actor e declamador de excelência, simulava uma conferência de imprensa, aonde se candidatava  à Presidência da Republica. Mais tarde, também viria a propor o seu nome como independente pela UDP à Assembleia da Republica. Acredito mais como chamada de atenção perante tanta hipocrisia apresentada pelos políticos que se levavam muito a sério, do que propriamente como intenção de conseguir esse lugar.

  


Neste blogue, era uma lacuna muito grande da minha parte, nunca ter dedicado algumas palavras a um dos homens da cultura portuguesa que mais admirei. Apesar da sua clarividência cortar a direito  não poupando nunca a mesquinhez  e a mediocridade, não deixou de ser condecorado pelo Estado e reconhecido em vários prémios nacionais e internacionais. Mário Viegas não tinha paciência para as tricas do "porno"sensacionalismo quotidiano, não pactuava com esquemas de promoção e subsídios  fáceis em troca do seu silêncio. Na sua curta estadia entre nós, granjeou mais inimigos do que amigos, porque aquele olhar, as suas pausas, o seu sentido de humor  e inteligência, incomodava muito boa gente.

  Nasceu em Santarém, em 1948 e cedo se notabilizou como actor, no Teatro Experimental de Cascais, aonde se estreou com a peça, "O comissário de polícia" em 1968. Ao longo da sua vida, foi fundador de três companhias de teatro, a ultima das quais, a já mencionada Companhia do Chiado, aquele estúdio ao lado do Teatro de S.Luiz, que ficou com o seu nome.Uma homenagem mais do que merecida. 


                                   
Foi nesse espaço que ele um dia, agarrou o texto do Almada e adaptou-o a um Manifesto Anti-Cavaco. Ao ouvi-lo, sentimos a sua actualidade, basta mudar alguns personagens e colocar lá outros. Os medíocres serão sempre reconhecidos, pelas suas características intrínsecas. 

Quem não se lembra de um saudoso programa da RTP, "Palavras Ditas", aí sim lembro-me do que era serviço público. Era delicioso, ouvir Viegas declamar Fernando Pessoa, Jorge de Sena, Raul de Carvalho, Cesário Verde, José Régio, Vinicius de Moraes, etc... Quem se atreveria hoje em dia a apostar num programa dedicado à poesia?

 Podíamos falar também do seu percurso no cinema, aonde participou em 15 filmes, entre os quais eu destaco "A Divina Comédia"do centenário Manoel de Oliveira, "Sem Sombra de Pecado" de José Fonseca e Costa ou "Rei das Berlengas" do também inesquecível Artur Semedo.

O seu espólio, é um legado a todos aqueles que continuam a acreditar que deveríamos sempre falar primeiro e depois pensar. Mário há só um, o Viegas e mais nenhum! 




terça-feira, 19 de março de 2013

Não há ronha que envergonhe o FMI.

Passa pela cabeça desta gente, que podem fácilmente mexer nas economias dos cidadãos sem qualquer problema? -Só porque, por decreto, decidiram ir aos bancos, tirar uma percentagem sobre as contas depositadas. Ensandeceram de vez, ou estão completamente conscientes que seria assim fácil, só porque tinha a chancela da Troika?
Apesar de ser, um pequeno País, com pouco menos de um milhão de pessoas, o Chipre soube reagir a este "roubo" e o Parlamento acaba de reprovar tal medida. Os números são de uma violência atroz e cada europeu deve ter-se sentido atingido. Olha se isto acontecesse no meu País intervencionado, como reagiria?

Estas propostas, vão de certeza dar razão a todos aqueles que sempre acharam estes senhores da Troika, um pouco como experimentalistas de um novo conceito de Europa reduzida a uma ditadura económica, centrada nas ideias dos mais fortes sobre a efectiva inoperância dos mais fracos. Mais uma vez, lembro-me da letra e música do sempre lúcido, José Mário Branco, " FMI". Nunca foi tão actual, basta mudarmos os protagonistas, porque a história repete-se e a credibilidade, é a mesma.


Cachucho não é coisa que me traga a mim..."FMI
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece

 o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimor do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attaché-case' sai a solução!
FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI
Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!
FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico hara-kiri
FMI Panegírico, pro-lírico daqui
Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!
FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ..."


sexta-feira, 15 de março de 2013

Populus Lapsus Linguae.

Nada como colocar um título em latim para celebrar  esta semana o Chico Primeiro. Mas não vou falar da igreja.É impressão minha, ou cada vez andamos mais preocupados com as medidas futuras deste Governo e esquecemos completamente a via do calvário que percorremos até aqui?

Os portuguesinhos anseiam por saber a revelação. O que decidiram aquelas três criaturas vindas de uma Troika longínqua, junto do nosso Gaspar. O segredo mais bem guardado, dos 4 mil milhôes. Pouca gente faz as contas às alterações já introduzidas na lei laboral a par da implementação de programas para combater o flagelo nacional, o desemprego. Essa cruz que Passos carrega nas suas costas e não deixa dormir o Relvas. O povo diz, e com razão, que em enquanto o pau vai e vêm, folgam as costas, mas neste caso, ainda estamos a  digerir a pancada,  já estamos com outra no lombo.

Era importante, para começar, não nos deixarmos levar pela ladainha do executivo, quanto ao legado que o PS nos deixou e blá...blá...blá... afinal de contas os senhores já estão no poleiro à cerca de 2 anos. Para não me dispersar muito, apenas irei focar-me na alta percentagem de desemprego jovem revelada recentemente pelo INE, os insignificantes 40%!
Vamos rebobinar a fita e recordar um passado recente.

Relembro um programa de iniciativa governamental, lançado em Março de 2012, com o charmoso nome de "Plano Impulso Jovem". Através (mais uma vez) de verbas comunitárias, consistia na atribuição de bolsas a empresas, que promovessem estágios para jovens e mais tarde garantissem a possibilidade de integração efectiva nos seus quadros. Objectivo este, que abrangeria cerca de 90 mil jovens. Iriam criar também um passaporte  para primeiras oportunidades de inserção no mercado de trabalho, também direccionado aos jovens. Os objectivos foram traçados e os resultados, passado um ano, estão à vista de todos.

Depois em Agosto, vieram as ajudas directas aos empresários. As alterações introduzidas no código de trabalho, visavam dinamizar  a criação de emprego. Relembro algumas delas, para não ser muito exaustivo:


  • Diminuição, em 50% na remuneração de feriados a par da eliminação posteriormente de alguns.
  • Redução drástica na remuneração de trabalho extra.
  • Mais facilidade em despedir, criando uma cláusula de inadaptação ao posto de trabalho.
  • Diminuição dos montantes compensatórios e do número de dias para cálculo de indemnizações por despedimento.
  • Redução da TSU para as entidades empregadoras.
  • Eliminação de três dias de férias, que compensavam o trabalhador pela assiduidade no ano anterior
Enfim, um conjunto de medidas que ao fim e ao cabo acabaram por dar os seus resultados. Aonde é que são visíveis?- Acho que todos os portuguesinhos poderão facilmente responder a esta questão. No bolso de todos aqueles que já estavam muito bem na vida.

O líder da JSD, afirmou um dia destes, que Passos no final da sua governacão (se assim lhe podemos apelidar) terá pela frente duas realidades possíveis. Ou sairá em ombros, ou será escorraçado pelo povo português. Sinceramente, penso que em ombros vai ser muito difícil, pelo menos, por aqueles que vivem neste momento no limiar da pobreza e perderam tudo aquilo que tinham, à custa destas experiências mal sucedidas.

terça-feira, 5 de março de 2013

Visita virtual à sala de Passos Perdido(s).

Mais uma grande demonstração do nosso desânimo, acaba de acontecer, um pouco por todo o País. Seria importante, realçar por cada imagem que eu deixo aqui, relembrar algumas das promessas eleitorais do senhor Passos Coelho. Dizia o candidato do PSD, e passo a citar:

" Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar o nosso futuro, tapando com impostos, o que não se corta em despesas."

 "Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado"

"Se formos Governo, garanto que não será necessário despedir pessoas, nem cortar mais salários para sanear o sistema português"



"Não faz sentido martirizar o povo português com impostos e mais impostos e o Estado ao mesmo tempo estar a atribuir milhões de euros a gestores públicos, em prémios e bónus."


"Como é possível manter um governo em que o  primeiro-ministro mente?????"

Conta do Twitter de Passos Coelho (@passoscoelho) iniciada a 6 de Março de 2010.
Os tuites aqui transcritos foram publicados entre Março de 2010 e Junho de 2011.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Grillo Falante

Este "tsunami" político que acaba de acontecer na Itália, deveria merecer da nossa parte, toda a atenção. Por alguma razão, sucedeu algo  de muito parecido nas ultimas eleições na Grécia. Simplesmente, a diferença aqui registada é que a nova força que irrompeu, o Syriza, é baseado numa coligação da esquerda radical grega, portanto do mesmo espectro político. O partido de Grillo, grande surpresa em Itália, não têm qualquer ligação com partidos políticos. Diz-se, aliás, contra o sistema vigente, baseado nas mesmas soluções, os personagens de sempre e caindo invariavelmente  nos erros do costume!



Existe outra semelhança entre estas duas recentes eleições, tanto o partido de Alexis Tsipras, o segundo mais votado na Grécia como agora o Movimento Cinco Estrelas, não desejam fazer coligações para viabilizar qualquer solução estável para os respectivos países. Porque manda a coerência dos seus discursos, que prometendo aquilo que prometeram durante as suas campanhas eleitorais, não iriam pactuar mais com o poder outrora instituído. Seria mais do mesmo.

Este novo panorama político na Europa revela que as novas gerações desejam uma mudança. Revelam também o despertar para estas questões, agarrando o poder de decisão nas suas mãos, já que os seus antecessores estão a deixar-lhes um legado catastrófico. Urge, agir o mais breve possível, romper com estes ciclos mais ou menos viciosos, de mudança no poder. Estas percentagens agora obtidas, tanto de Bersani, como de Berlusconi, ainda revelam aquele voto conservador das gerações mais velhas, mas cada vez são mais fracas. A tendência de alternância de poder, pelas mesmas forças partidárias, modelo que já vêm desde o final da Segunda Guerra Mundial, está a esgotar-se. Felizmente para todos nós.

Como sempre, a nós portuguesinhos, as mudanças vêm sempre por arrasto e muito mais tarde. Tenho esperança que o PS, o PSD e o CDS, (principalmente estes) tenham uma  lenta ou rápida agonia, até ao seu ocaso. Por enquanto os jotinhas, a desenvolver a sua ascensão nos respectivos aparelhos partidários, talvez possam não ter tempo de "mamar" à nossa custa.

Coincidência ou não, Gepetto criou um boneco mentiroso que se chamava Pinóquio, mas a história conta-nos, que a fada logo criou um Grillo que seria a consciência do boneco. Talvez estejamos na presença de um cómico que representa a consciência de uma casta de homens que não merecem o lugar que ocupam.






quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Já agora, vamos cantar todos!


À cerca de dois anos, escrevi neste blogue, o importante que seria, sairmos à rua para demonstrarmos o nosso repúdio pela corja de políticos que nos governava, liderada pelo ex-engenheirinho e recente filósofo, Sócrates de seu nome. Assim, o 12 de Março foi um bom impulso para nos vermos livres desses senhores. No passado 15 de Setembro, essa demonstração de força reflectiu-se numa marcha-atrás comprometedora, na espatafúrdia ideia de aumentar a TSU.

Muita gente começa a interrogar-se sobre o estado da nossa democracia?
Vivemos momentos difíceis, o que por vezes tira alguma clarividência aos nossos julgamentos e é necessário diagnosticar o cerne do mal que padecemos. Está mais do que provado que apenas 1% da população portuguesa teve até hoje oportunidade de escolher o senhor que se senta em S.Bento, em cada eleição desde o 25 de Abril. A forma como estão escolhidas as pessoas é automaticamente a antítese do que seria uma verdadeira democracia. Ainda por cima, a bipolaridade esquizofrénica das nossas opções, ainda mais limita as hipóteses de colocarmos ali alguém que não seja fabricado e formatado, pelos aparelhos partidários.

A partir do momento em que começamos a sofrer na pele,  as vicissitudes desta crise profunda, todas as pessoas escolhidas por estes dois partidos para representar a vontade do povo nas urnas são logo estigmatizadas, ou seja, ficam registadas com o crivo de inconsequentes, corruptas, de estarem ligadas a grupos económicos, mentirosas, etc..., simplificando, características nada abonatórias para o normal desempenho a que foram destinadas. E o povo não se costuma enganar, mais cedo ou mais tarde os buracos começam a aparecer. Começamos a duvidar da própria Constituição, interrogamo-la constantemente, porque já nem essa consegue defender-nos das atrocidades cometidas.

 Toda esta geração que vive no desemprego, em trabalhos precários, que foi obrigada a emigrar ou ainda aqueles que estando a estudar não vislumbram qualquer perspectiva de uma saída com futuro, esses mesmos estão a acordar e passa por eles uma mudança de paradigmas. Temos de mudar de modelos e no entanto fazer por preservar os valores de Abril. A juventude, penso que terá aqui uma palavra essencial neste processo contra os poderes instituídos. Por tudo isto, cada um de nós deveria agir já, antes que seja tarde demais e estar presente nesta manifestação.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Édouard Boubat

                                   Cerejeira em flor (1983). Édouard Boubat
                                              Parque de Saint-Cloud (1981)


                                               O inicio da película (1964)


                                      Primeiro nevão no Jardim do Luxemburgo (1955)


                                                             Nazaré,(1956)

Mais um Mestre de fotografia francês, nasceu em 1923, na sempre incontornável, Paris. Um dia disse que "...Em fotografia há sempre uma dimensão que ultrapassa a aparência. É o que eu chamo o invisível ou, se preferir, a atmosfera... " Ele conseguia transportar as atmosferas que captava de uma forma sublime, foi pioneiro da fotografia humanista francesa, a par de Doisneau. 

Antes de enveredar definitivamente por esta carreira brilhante, passou dias difíceis durante a Segunda Guerra Mundial, ao ser enviado para um campo de trabalhos forçados, em Leipzig. Marcado por esta terrível experiência, chega a Paris com uma vontade indómita de viver. Começa então a interessar-se por fotografia em 1946. Foi com uma Rolleicord 6x6, que ele captou o seu primeiro grande êxito, "a Menina com Folhas Mortas". Esse trabalho que lhe viria a dar o prémio Kodac e que foi exposta em 1947, na Feira Internacional de Fotografia em Paris, de uma forma, até para ele, inesperada. Em 1949, conhece Robert Frank, um fotógrafo da sua geração, nascido na Suiça, mas radicado nos Estados Unidos. Dessa amizade, resultaram experiências partilhadas, viajaram pela Europa e nessa altura troca a sua máquina por uma Leica. Começou a publicar numa das revistas de actualidade, mais importantes em França, a "Réalités". 

O seu trabalho como foto-jornalista, caracterizava-se por preencher com imagens simples  e planos apertados, situações à partida, despidas de qualquer interesse relevante, mas que ressaltava ali uma alegria e esperança, dignas de serem apreciadas. Ele viria a ser apelidado de "correspondente da paz", pela mensagem que transmitia, através das imagens.

A excelência do seu trabalho, é bem patente, no número de prémios  que o galardoaram.Nos seus últimos anos de vida, dedicou-se a experiências com a luz, numa série dedicada às flores e a uma reportagem especial, inacabada, sobre o Circo Romanes, de Paris. Os seus restos mortais, repousam no lugar indicado aos grandes homens da cultura francesa, Montparnasse. Morreu em 1999, com 75 anos e apenas destaco algo de muito interessante nas suas deambulações por este mundo. A última fotografia deste apontamento, foi tirada na nossa praia da Nazaré, aonde ele veio fazer uma reportagem em 1956. Esta foto, teria grande sucesso a nível internacional.





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um Murmúrio em Montemor







     Visitei Montemor-o-Novo, tirei algumas fotos do seu lindíssimo castelo altaneiro e gostava de recordar, um filho desta terra, que no meio literário teve um pouco esquecido, mas recentemente voltou a publicar. Falo de Almeida Faria, nascido junto destas muralhas em 1943.

                     
                   
     


 Com 19 anos publicou a sua primeira obra, "Rumor Branco", muito considerada pela critica de então e elogiada especialmente por Virgílio Ferreira. Durante muitos anos, este livro e outros que posteriormente escreveu, como  "A Paixão " de 1965, ou mesmo a tetralogia  Lusitana, composta por "Cortes" de 1978, "Lusitânia" de 1980, "Cavaleiro Andante" de 1983, estiveram desaparecidos dos escaparates das nossas livrarias, esgotadas que foram as suas edições originais.



Durante anos foi considerado um escritor de culto.
A Assírio Alvim por altura do 50º aniversário da publicação de "Rumor Branco" voltou o ano passado a reeditar esta obra e prepara-se agora, para publicar novamente o resto dos seus livros mais antigos.
Almeida Faria não publicou nada durante 12 anos, segundo ele, porque estaria muito ocupado com o ensino de Estética na Universidade Nova de Lisboa, ele que se licenciou em Filosofia na Universidade de Lisboa, no principio dos anos 60.

Foi convidado a escrever sobre Goa e Cochim pelo Centro Nacional de Cultura, cidades ainda com vestígios da nossa presença. Assim nasce "Murmúrio do Mundo", lançado o ano passado, uma prosa de viagens, bem referenciada pela maioria dos críticos mais exigentes da nossa praça.






Quando ao longo de 150 páginas este livro faz-nos transportar para estas paragens, que desconhecemos por completo, de uma forma mágica e ao mesmo tempo escorreita, é puro prazer. Espero que tenham a vontade de descobrirem este pedaço da Índia que já testemunhou a grandeza do nosso império colonial, através da simplicidade das palavras deste montemorense.



       

A sua terra natal, vê-se reconhecida por esta referência da nossa cultura e deu o seu nome à Biblioteca Municipal. Uma cidade alentejana que tal como outras soube cuidar dos seus, atempadamente, algo que o Secretário de Estado da culturazinha, tarda em reconhecer. Os valores da nossa cultura têm de ser preservados, apesar de todas as crises.



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A Odisseia do Serviço Público.

No dia em que aconteceram mais esclarecimentos de Relvas na comissão parlamentar, sobre o futuro da RTP, apetece-me falar da nova grelha de programação deste canal. Depois de rumores de uma privatização quase consumada, passou-se a uma solução parcial e ao fecho do Canal 2. Mais tarde ouvimos falar de concessão a um grupo angolano e finalmente estamos na fase da pura e simples reestruturação do canal público. Solução esta que satisfaz o CDS e alivia mais uma vez uma desavença com o outro partido de coligação. O mercado não está  para brincadeiras e os valores oferecidos seriam sempre abaixo do potencial deste canal, esta a principal razão do finca pé de Paulo Portas.

Mas à margem destas negociatas de bastidores, uma nova grelha arrancou, gostaria de destacar para já um ou dois programas que foram apresentados recentemente e que me surpreenderam pela positiva. A verdade é que eu cada vez tenho menos tempo e pachorra para estar em frente à televisão. Tento ser o mais selectivo possível. Bruno Nogueira já nos habituou a projectos diferentes e de qualidade inquestionável. Basta recordar os saudosos "Contemporâneos", ou o "Ultimo a Sair". Agora, ele e o Gonçalo Waddington resolveram presentear-nos com esta "Odisseia". Uma série de autor, em que mais uma vez a RTP teve a coragem de apostar e ainda por cima em horário nobre. Eu sei das poucas hipóteses que este projecto poderá ter em termos de audiências, mas acontece que neste País, desculpem a minha honestidade, será como dar "pérolas a porcos". Os portuguesinhos estão preparados para assistir a 4 telenovelas de seguida na SIC, durante toda a semana, ao inenarrável concurso "Casa dos Segredos" na TVI, mas quando a fasquia sobe um pouco, poucos se atrevem a perder tempo a entender algo de mais complexo.

Serviço público é também aquilo que a RTP apresenta com o novo "E depois do Adeus". Uma série de ficção com muita qualidade que retrata fielmente aquilo que se viveu a seguir ao 25 de Abril, no que diz respeito ao regresso e às dificuldades que encontraram, milhares de pessoas vindas das ex colónias. Aliás esta série, vêm no seguimento de uma outra que fez história, também na RTP, com protagonistas como Miguel Guilherme e a excelente Rita Blanco, com o título "Conta-me como Foi".

Os meus mais sinceros parabéns ao Director de Programas deste canal, Hugo Andrade, por ter a coragem de remar contra a maré e não escolher o facilitismo em prol das receitas da publicidade e outros jogos de interesse.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Impacto nulo.


Miguel Sousa Tavares afirmava hoje, na SIC, até o Pato Donald seria capaz de estar à frente do PSD nas sondagens habituais, neste momento.


Uma alusão clara, à fraca prestação de Seguro, enquanto líder da oposição. Quanto à sua competência, penso ser razoável afirmar que até no PS, a paciência começa a faltar. Só mesmo aqueles que estão sempre na sua sombra e querem garantir um tacho, na hora de assumir possíveis responsabilidades governativas, continuam indefectíveis. Não me lembro, de uma oposição PS, mais amorfa e anémica como esta, protagonizada por Seguro. 

A par deste infortúnio, dos portuguesinhos só terem voto para os rosas e os laranjas, ainda temos a malfadada sorte de termos um "abstencionista violento"  ainda no activo. Quando mais necessitávamos de uma oposição com coragem de apresentar rumos divergentes, daqueles que nos apresentam diariamente,  de uma forma coerente e clara, temos esta liderança ineficiente.

Cada entrevista que concede, mais dúvidas ficam na nossa cabeça. Diz estar preparado para assumir o poder, mas não promete nada. Ficamos com a nítida sensação que seria mais do mesmo. Baralha e volta a dar, mas o jogo está viciado e os truques, nem os consegue disfarçar. Os adversários, quando ele vai a jogo, estão descansados, porque dali só sai "bluff". 

Nos corredores daquele palacete do Largo do Rato, António Costa passou a ser um nome que ressoa cada vez mais forte, passámos daquela fase dos vagos murmúrios, alguém têm que assumir os comandos. Mas o presidente da Câmara, parece-me muito indeciso. Na "Quadratura do Círculo" parece-me um homem decidido a pegar nas rédeas do seu partido, mas depois também dá ideia de prolongar a sua estadia na edilidade para preparar estofo para se candidatar a Belém. Parece-me urgente os portuguesinhos terem conhecimento da sua decisão, às vezes costuma-se dizer, quem tudo quer tudo perde. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A escrita é uma forma de liberdade

Existe hoje em dia muita gente na praça pública a opinar sobre tudo ou quase tudo. Eu costumo colocar alguns na minha prateleira privada e ir buscá-los para me esclarecer sobre algo que pretendo clarificar, confio nas suas opiniões e raramente perco oportunidade de os ouvir.Os meus eleitos, são geralmente pessoas que ao longo de muito tempo, habituaram-me às duas qualidades que eu acho primordiais. Independência e inteligência  Apesar das alternâncias do poder, essas pessoas continuam a demonstrar clarividência na maioria das opiniões e passam ao lado das pressões. Preferem ficar de lado, muitas vezes, do que simplesmente alinhar.

Clara Ferreira Alves, é uma dessas mentes esclarecidas, a quem eu aprendi a respeitar desde os tempos do seu excelente programa na RTP2, o "Falatório" em 1996. Já nessa altura, e se tivermos a curiosidade de rever alguns desses episódios, podemos constatar da excelência dos convidados por si escolhidos a dedo. É  uma pérola, que eu recomendo visionamento urgente na RTP Memória. Mais recentemente, temos tido a  oportunidade e o prazer de a ver no programa da SIC Notícias, "O Eixo do Mal". E naquele painel, apesar de estar muito bem acompanhada, ela destaca-se pelo discurso escorreito e destemido. Uma verdadeira mulher de coragem, que não embarca em opinar superficialmente, corta a direito e doa a quem doer, as ideias são construídas, sem ter medo de polémicas.

Acabei de ler o seu livro "Estado de Guerra" (recomendo vivamente) e pontualmente leio também as suas crónicas no "Expresso". A sua escrita é também reveladora da sua vontade de fugir aos lugares comuns e vinca bem a forma como sempre encarou a vida. Olhos nos olhos e sem hipocrisias.

Esta cronista, jornalista e escritora, já dirigiu a casa Fernando Pessoa, entre muitas outras coisas, um dia afirmou que "a escrita é uma forma de liberdade", e gostaria também de receber o prémio Nobel. Talvez não ganhe, mas o prémio de uma das mentes mais esclarecidas e incómodas do nosso tempo, esse não lhe poderemos negar.



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Aventura de Obélix na Rússia.

Quando ouvi a pretensão do Presidente francês, taxar os mais ricos com 75%, julguei que não passaria de mais uma promessa eleitoral. Afinal, por toda a Europa, os políticos para melhorarem a sua imagem perante os mais fracos, também tiveram ideia semelhante. Mas fiquei espantado porque em França, essa mera pretensão teve mesmo para se tornar real, não fosse o Tribunal  Constitucional colocar um entrave na sua prossecução. François Hollande não desiste e diz que irá conseguir impor essa lei, embora noutros moldes, mais de acordo com a Constituição.

A escassa percentagem de franceses, atingidos com essa ideia, mexeram logo os cordelinhos, a comunicação social tratou de dar voz a essa indignação. À cabeça desse protesto, está Gerard Depardieu, que logo decidiu pedir cidadania belga e rumar de bagagem e fortuna para o outro lado da fronteira. Não satisfeito com esse sinal de protesto, nada melhor do que pedir passaporte russo a Putin!!?!

Eu acredito que 75%, seja algo de inaceitável, mesmo atendendo aos rendimentos superlativos destes senhores, mas daí até ao desespero, de ir pedir ajuda a Putin, é um passo muito largo. Ainda por cima, perante a presença de uma taxa de 13% ( o imposto sobre os grandes rendimentos) idolatrou o líder russo e elogiou a democracia naquele País. Como é possível, eu não sei.

Com o tratamento que o Gaspar e seus amigos cuidam das grandes fortunas em Portugal, mais a veneração que lhes prestam, eu não sei porquê que o Depardieu, não veio até cá. Estaria completamente à vontade, aliás lembram-se do episódio recente com Soares dos Santos. Transferência do capital maioritário do Grupo para a Holanda, com o Governo impávido a assistir... uma fuga concertada nalgum jantar de cortesia, entre os personagens habituais nestes filmes. Ao actor que ultimamente representa Obélix nas telas,  estas suas ultimas afirmações  e decisões, só podem ser resultado de alguma coisa vinda do céu que lhe tenha caído na cabeça.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Testemunho vai explodir!


     3ª-FEIRA, 4 DE JANEIRO DE 2011   Entrega de testemunho.


"-Esta passagem de testemunho explosiva é digna de assustar qualquer um. Mas vejamos, agora que iniciámos mais um ano, acredito que muitos de nós têm sempre uma ténue esperança que afinal estão a pintar o quadro com cores demasiado sombrias e existe uma luz ao fundo do túnel. Porquê tanto pessimismo afinal só ainda vamos na primeira semana do ano e já aumentaram os transportes, a gasolina, a luz, o gaz, a água, o IVA cerca de 2% nalguns produtos e noutros de 6 Apara 23%, cortes nas prestações sociais, descida dos salários dos funcionários públicos, os medicamentos mais caros devido ao cancelamento de comparticipação do Estado na maioria deles, aumento das portagens e o agravamento das deduções do IRS. Portanto não vamos começar já a pensar no pior.
-Alguns portuguesinhos até costumam dizer que ultimamente a culpa deste ambiente negativo é dos próprios jornalistas e economistas bem falantes que insistem em falar na crise por qualquer razão. A obsessão de realçar o aumento do IVA em vez de falarem do programa tecnológico do Engenheirinho?- A opção de se colocar nas primeiras páginas o aumento da despesa do Estado em vez de se falar no esforço que os nossos governantes têm feito no estrangeiro, estendendo as mãozitas no Brasil, na Venezuela, na Líbia, etc... Julgarem em praça pública comportamentos de administradores da Carris, do Metro, da EDP, da CGD quando poderiam salientar que todos estes senhores estão imbuídos de um elevadíssimo espírito de sacrifício ao aceitarem estes cargos de muita exposição pública quando poderiam estar a exercer as mesmas funções numa empresa privada.
Acreditem que apesar de toda esta minha ironia existe muita gente que apesar de tudo, prefere continuar a colocar a cabeça na areia e esperar que a tempestade passe
."

Ao fim de quase 5 anos deste blogue, eu transcrevo pela primeira vez um texto do principio de 2011, deste meu "abc dos portuguesinhos" A razão principal, salta à vista. É arrepiante sentirmos, que estas mesmas palavras poderiam ser hoje escritas, não  perderam actualidade nenhuma. Talvez, com outros personagens, com outras situações limite e ainda mais endividados!

Quanto ao cartoon, então apresentado, basta imaginar outra situação, mais actual. Um senhor de vestes brancas, com o ano de 2013 bem estampado. O cartucho de dinamite, rebentou, ele fica chamuscado e surpreso. Enquanto observa o senhor de barbas, (ano velho) retirar-se apressadamente pelas portas dos fundos, expressando uma cara de alívio profundo. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Senhor do Fato de Treino.

A TAP, uma companhia que ultimamente têm estado nas bocas do mundo, pelos motivos conhecidos, vive um momento de rara indefinição, quanto ao seu futuro. Eu, desde muito pequeno, ouvi falar desta companhia  com uma deferência especial, até porque tinha um tio muito chegado que trabalhava numa empresa satélite e que se servia dos melhores epítetos para idolatrar a empresa mãe. Aprendi a respeitar o seu nome, como algo de muito sólido. Entretanto, a transportadora aérea passou  por muitas fases, até chegar a este estado. Talvez este caso, mesmo a nível europeu, não seja sui generis, mas as soluções até agora apresentadas, parecem-me originais, na forma como o Governo está a "despachar" a empresa por qualquer preço e ao primeiro que se chegue à frente.

Existem muitas teorias, sobre a valorização real da companhia neste momento, mas suspeito que 20 milhões, não seja um número aceitável!! 

A meu ver, esta nem será uma "jóia da coroa", como muitos a apelidam. A EDP e a PT, essas sim foram anéis que foram delapidados por privatizações fraudulentas. 

Mesmo tendo em conta, as dívidas contraídas ao longo dos anos, mesmo sabendo que a frota deveria ser renovada, os activos da empresa, poderiam facilmente cobrir o passivo e calcular então um preço de venda mais condizente com o prestigio da empresa. 
A verdade, é que só um candidato se apresentou a este negócio (ainda por cima, com este preço), que me pareceu mais, uma negociata.  Isto, por duas simples razões. Primeiro porque o Relvas está envolvido (aliás, ele está em todas) e porque o senhor do "fato de treino", Efromovich, cidadão do mundo e de lugar algum, pareceu-me um oportunista de meia tigela, a prometer mundos e fundos, vindo inclusive para a comunicação social dar entrevistas, falando como se já tudo tivesse sido decidido e ele detivesse o controlo absoluto da empresa. Toda a gente sabe que a descrição nestes processos , são cruciais para o êxito dos mesmos e este senhor ficou desde então, muito mal na fotografia. Claro, logo a seguir, Passos Coelho só tinha que escolher um caminho. Recuou, deu uma desculpa esfarrapada, sobre a não entrega de um valor de garantia, que ninguém de juízo perfeito acredita. Do mal o menos, os portuguesinhos já estarão habituados a estes avanços e recuos do Primeiro Ministro. 

Quanto aos episódios subsequentes sobre este assunto, não acredito em milagres e serão na linha das decisões desastrosas até aqui tomadas sobre as privatizações a concretizar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Devaneios ortocromáticos III

                                                    2011- Vista aérea da Ilha do Pico

                                                                      2012- Buçaco

                                                     2011- Grafitti na Horta. Ilha do Faial

                                               2011- Farol dos Capelinhos. Ilha do Faial

                                                       2012- Aparição. CCB em Lisboa

                                                      2012- Jardins e Palácio no Buçaco

2012-Moliceiros na Ria de Aveiro


“O passo entre a realidade que é fotografada na medida em que nos parece bonita e a realidade que nos parece bonita na medida em que foi fotografada é curtíssimo.”

     Excerto de  "O que é fotografia?" de Italino Calvino

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O Sonho de um Monárquico.




 Vou falar de um sonho. Um sonho de um arquitecto paisagista que nunca desistiu!
 A inauguração no próximo dia 14 em Lisboa, do chamado Corredor Verde de Monsanto. Gonçalo Ribeiro Telles, com 90 anos, muitos deles, passados a chamar atenção dos autarcas deste nosso País,  para a importância dos espaços verdes, para as construções incontroladas de betão sobre cursos de água, o respeito pelos lençóis freáticos, do perigo da desertificação no interior, numa agricultura com bases sustentadas em políticas coerentes, nas idiossincrasias difusas dos responsáveis pela pasta do Ambiente nos últimos Governos, ou seja, ausência completa de continuidade e sustentabilidade nos programas idealizados.

As ideias deste monárquico, muitas vezes embateram num muro constituído por jogos de interesses e políticos comprometidos. Mas na capital deixa, sem dúvida,obra feita. Além deste sonho, outros estão ainda em plena implementação, como por exemplo, a radial de Benfica, o projecto do Vale de Alcântara e ainda a sua ideia fantástica de uma cidade virada ao Tejo, com o mínimo de edificações a separar o cidadão do seu rio, na zona ribeirinha a oriente e a ocidente. Não esquecendo nunca, o prémio Valmor que obteve com o excelente espaço verde na Calouste Gulbenkian ou mais recentemente, o Jardim Amália Rodrigues, no cimo do Parque Eduardo VII.

 Enquanto foram cometidos tantos atentados contra o ordenamento do território, especialmente perpetrados pelo Sr. Silva nos seus áureos tempos como Primeiro Ministro, este senhor, estava lá e apontou o dedo, indicando os podres do Reino. Muitas vezes foi apelidado de  estranho visionário. A eucaliptação do Pais, não foi obra do acaso, agora incentiva-se o retorno à terra, sabem por quem??          Exactamente, o mesmo Sr. Silva.
Esta inauguração, aonde Gonçalo Ribeiro Teles irá estar presente, é sem dúvida uma lufada de ar fresco neste País acabrunhado e cinzentão. E ele merece, a cidade também. Aqui fica o convite, vão dar uma curva entre a Avenida Liberdade e Monsanto e respirem fundo. São sete quilómetros para descontrair e esquecer as notícias da manhã.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Dave Brubeck

Hoje não podia deixar passar a oportunidade de prestar a minha grande homenagem a um músico que aprendi a admirar. Faleceu hoje um grande mestre do Jazz e um homem cuja simplicidade sempre o guindou a um patamar de excelência. "Take Five" (vídeo em cima), foi sem dúvida a sua grande imagem de marca, mas as quase 250 melodias que produziu, deixam um legado inestimável.

Nasceu em 1920 na Califórnia, aprendeu piano aos 4 anos, alegando ter dificuldades de visão, evitava as partituras e sempre foi muito autodidacta. Participou na Segunda Grande Guerra sob o comando do mítico General Patton, teve algumas incursões numa orquestra da Cruz Vermelha, aonde tocava em vários espectáculos para as tropas. Foi o primeiro músico de Jazz branco a aparecer na capa da Revista Time, em 1954. Era contra a vigente segregação racial e a sua música transpunha barreiras que de outra forma seria difícil de alcançar, foi pioneiro em clubes exclusivos de negros, acompanhando nomes como Duke Ellington, Ella Fitzegerald, etc...

"Take Five", foi só o single de Jazz mais vendido de sempre, foi um dos poucos a tocar para 4 Presidentes norte americanos, a sua reputação estendeu-se de uma forma viral por causa da forma descomplexada e simples como desconstruía o Jazz, conotado como algo de muito enigmático e difícil de entranhar no público em geral. O Quarteto Dave Brubeck, com Paul Desmond, Eugene Wright e Joe Morello, foi a formação que mais vincadamente marcou a sua obra, iniciaram esta aventura em 1951, terminando em 1967. Mais tarde, ainda viria a tocar com os seus três filhos entre 1971 e 1976. Aliás foram os seus filhos que em 2009, numa homenagem que a Casa Branca prestou a este grande vulto da cultura norte americana, tocaram nas vésperas de ele completar 90 anos.

Ouço muito Brubeck  e hoje nas vésperas de ele completar 92 anos, fiquei com a sensação de que o Jazz perdeu um dos seus maiores expoentes. Paz à sua alma.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Frases soltas




Errar é humano. Culpar outra pessoa é política.
Hubert H. Humphrey

Quando Gaspar e seus amigos, repetem vezes sem conta, estarem no caminho certo a tentar corrigir erros de um passado recente, compreendemos Hubert.


A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano.
Voltaire

Quando Gaspar e seus correligionários evocam a necessidade de uma violenta carga fiscal para o ano e justificam com a promessa de melhores dias num futuro (??) próximo. Não deveríamos desconfiar desta recuperação célere, sacrificando tudo e quase todos?
Será que já estamos no campo da perversão para explicar este orçamento?


A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.
Winston Churchill

Neste caso, poderíamos afirmar que o felino Cavaco já gastou as suas sete vidas!!!! 


Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.
John Galbraith

Só dessa forma, conseguimos compreender as entrevistas dadas por Passos Coelho, antes das eleições, sobre matérias cruciais, como o aumento de impostos.


Não há nada de errado com aqueles que não
gostam de política, simplesmente serão
governados por aqueles gostam.
Platão

Uma verdade cada vez mais presente na nossa Assembleia da República. Quando votamos, ninguém sabe quem se vai sentar naquelas cadeiras, Depois, olhamos resignados e verificamos a decadência dos valores em questão, com o passar dos tempos. Existe muito boa gente, que ali, poderiam ajudar este País a singrar, com as velas ao alto, mesmo atravessando tempestades e ventos cruzados. Simplesmente, essa gente capaz já não têm pachorra para estes jogos.


Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem.
Bertold Brecht

Termino, com esta frase de Brecht, para mais uma vez salientar a importância de nunca deixarmos estes senhores destruir o sonho de Abril. A apatia e a ignorância do que se passa à nossa volta, são duas caracteristicas aliadas do poder. A resiliência, que tantas vezes é repetida pelo primeiro ministro, como sendo prioridade na nossa forma de estar, é altura de contrapormos com uma vontade de lhe mostrar, que a corda de uma vez por todas partiu. Nós sabemos quem são os malfeitores da vida pública!



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Profissionais da amargura.

Este filme de Jason Reitman, com George Clooney de 2010, é uma história disseminada cada vez mais para a nossa realidade. Profissionais, treinados para comunicar aos trabalhadores o seu despedimento. Cada vez mais em Portugal, existem escritórios de advogados especializados em apoio jurídico e consultorias a empresas em fase de reestruturação. Muitas vezes, contratados para coordenar processos de despedimento colectivo e lay-off. Percorrem o país de norte a sul, para dar aquela notícia que ninguém quer receber. A par destes profissionais também os psicólogos especialistas em Recursos Humanos, também têm tido muita procura, por parte das empresas que não querem fazer o trabalho mais complicado.

Como todos já deveriam saber, o Governo está cada vez  mais "Nas Nuvens" (como o título do filme em questão) e a realidade vai-nos mostrando números assustadores. As empresas tentam escapar aos impostos destruidores e canalizam as soluções para a vertente mais frágil, ou seja a dispensa sistemática de funcionários. Perante o Estado, pedem timidamente a redução da carga fiscal mas avançam sempre com ideias, sobre a forma de se poderem descartar, das suas responsabilidades e enfraquecer os direitos adquiridos dos trabalhadores. A balança cada vez está mais desequilibrada e sob a capa de uma crise que é real, existe muita gente a querer tirar proveito desta situação. Nunca o Tribunal de Trabalho teve tantos processos pendentes como hoje em dia, existem audiências a ser marcadas para Dezembro de....2013!!!!!

Achei curioso o Primeiro Ministro, congratular-se no dia da greve geral, com toda a população que decidiu ir trabalhar.Que remédio, temos nós? -Como é possível, a uma pessoa com este cargo, alienar-se e não conseguir observar, especialmente no sector privado, que ninguém arrisca ser apontado como potencial sindicalista, agitador e outros títulos abusivos por parte da entidade patronal, de forma a ser um  próximo forte candidato a ir para o olho da rua.