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domingo, 3 de agosto de 2014

O banqueiro anarquista.

Com esta história toda do Banco Espírito Santo, lembrei-me de um pouco de prosa do Fernando Pessoa. Seja porque motivo for, é sempre bom recordarmos Pessoa. Quase no fim da sua vida, ele escreveu este conto, que não passa de um simples diálogo, fantástico entre o narrador e o Banqueiro. O seu sentido arguto e alguma dose de humor sobre tudo o que o rodeava, está bem espelhado neste texto.

     Seria fastidioso estar aqui a explicar o que se passa no reino do Espírito Santo. Nem eu, nem aquelas almas, da Comunicação Social que nos bombardeiam com suposições, especulações e cenários hipotéticos, saberão exactamente o que se passa. Mas de repente, todo o mundo é especialista em alta finança e afirmam peremptoriamente, que sabem do que falam. Nós, os portuguesinhos, já estamos de férias e se esta época de incêndios até está fraquita, devido a um Verão muito envergonhado, não queremos saber de mais nada, viramos as costas a estes assuntos da família abençoada. Para figuras tristes, já basta a dos jornalistas,  que ficam horas à porta do senhor Ricardo Salgado, à espera, não sei bem de quê???

          O Banco de Portugal, regulador, por excelência da banca, veio, mais uma vez, a tempo de dizer que temos de, parcialmente, nacionalizar o Banco Abençoado. Uma espécie de BPN, mas desta vez, mais grave ainda. O prejuízo vai ser coberto por um fundo, (inventado à ultima hora, com uma designação diferente daquela que esteve na base da ajuda ao BPN, para não chocar muito, os portuguesinhos) que irá recapitalizar o banco. Àqueles que pensam, que estão a perceber, exactamente, o que está a acontecer, o Espírito Santo os Abençoe...

         Voltando ao inicio, penso que a solução está na ideia deste conto de Pessoa. Todos, termos a ambição e a força necessária, para nos tornarmos, individualmente, banqueiros anarquistas, de forma a subverter as regras deste jogo viciado. Vale a pena, ler ou ouvir esta obra, porque está mais actual do que nunca, vão ver que não perdem o vosso tempo. Uma boa sugestão para este verão transfigurado.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O cerco aperta.

Passei recentemente por uma experiência que gostaria de partilhar. Quanto mais procuramos estar informados acerca do que nos rodeia, mais temos a noção da manipulação a que somos sujeitos. As contradições sucedem-se, a par dos lapsos e a verdade é uma miragem difícil de alcançar. Eu não sou apologista da teoria da conspiração, eu não tenho a mania da perseguição, mas com certos partidos no governo, acontecem frequentemente situações muito dúbias.

As cores dos partidos mais conservadores vão desfraldar nos Palácios de S.Bento e da Moncloa (caso não haja uma surpresa...das boas), nos próximos anos, temo que tanto Rajoy como Passos não serão muito apologistas de permitirem divulgar informação, que não lhes convenham. Utilizam geralmente a comunicação social como meio ideal à manipulação da opinião pública. Quanto mais aprofundamos a questão, mais evidente se torna esta sublime sacanice. Quem se atreve a pisar o risco é punido exemplarmente, perguntem ao Relvas se não é verdade?- Como neste momento ainda não dominam por completo as redes sociais, estão a tratar de legislar, para que em breve, não hajam escapatórias. A noticia vinda de Espanha à uns dias, sobre a intenção do PP implementar medidas punitivas sobre os chamados "incentivos" a manifestações ou mesmo sobre os próprios manifestantes, mesmo que estes apenas tenham comportamentos pacifistas???- O que importa, parece ser o de isolar estes anarquistas que não alinham com as teses vindas da SarkoMerKolândia. Primeiro sinalizar e depois capturar como se fossem actos "terroristas".

O garante da Democracia é baseado em pormenores das  respectivas Constituições, muito velhinhas e desconexas com a realidade. Existem formas de dar a volta aos textos e acreditem que estes senhores são peritos nessa matéria. Pelo andar da carruagem, Passos irá imitar o seu amigo espanhol e a pressão sobre todos aqueles que pensam diferente, será uma certeza  num futuro próximo. Eu penso que na   Blogoesfera, estes novos arautos do "lápis azul" terão muito que fazer!- Do meu insignificante contributo, eu tenho uma certeza. Nunca irei desistir!

Quem  saboreia o aroma da liberdade, geralmente nunca se permite a pactuar com esta pseudodemocracia.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

O anarquista utópico.

Um dia acordei com a nítida sensação de que a única solução seria a Anarquia!-Mas uma Anarquia à minha maneira, ou seja, não sermos condescendentes, como aquele pessoal da extrema esquerda que por aí anda; poderíamos ser radicais com a estupidez vigente, declarar "guerra" aos impérios económicos, restabelecer os verdadeiros ideais revolucionários, eliminar o medo e a letargia do povo, ignorar por completo aqueles que saltam de cadeira em cadeira, sempre à procura de um poleiro mais inatingível, dar voz aos que se vão calando porque já perderam a esperança de construir um futuro mais optimista, lutar por uma identidade que se foi perdendo ao longo dos tempos, combater os jogos de interesse nos bastidores, repensar muito bem este conceito caduco da democracia da Europa Ocidental, não comprar ilusões com base em pressupostos de palavras e frases cheias de nada, colocar sangue novo nos alicerces de um poder mais justo, sermos práticos em relação ao que realmente interessa, não descurando nunca a tentação de cairmos nos mesmos erros dos nossos antecessores, etc... enfim uma grande utopia!!
Eu penso que cada um de nós, têm uma ideia diferente de como seria a forma mais correcta de sairmos deste "buraco" aonde nos encontramos. Paradoxalmente, se por um lado muitos acham que não vale a pena radicalismos, nem anarquias, nem revoluções, nem violência, por outro também acham que assim não dá, com paninhos quentes, com paciência, com os mesmos de sempre no Poder, com compromissos sempre adiados. Afinal, como é que ficamos?- Cruzamos os braços e deixamos nas mãos destes políticos, o nosso futuro?
Essa utopia deveria ser geradora de luta e do sonho de um País melhor, mas quando se alcança algum objectivo, logo vêm os compromissos e tal como Jim Morrison um dia afirmou "Quando fazes as pazes com o poder, tornas-te poder!"e o ciclo volta a iniciar-se.