quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Willy Ronis

                                        " Pequeno parisience".(1952) /Rapho/ Eyedea/ Contacto

                                            "Boulevard Verbena " (1947)/Rapho/ Eyedea/ Contacto

                                 "Cruzamento da  Rue Vilin/ Rue Piat " (1959)/Rapho/ Eyedea/ Contacto

                                          " Os apaixona dos da Bastilla" (1957)/Rapho/ Eyedea/ Contacto

                                              " Chuva na Place Vendome " (1947) /Rapho/ Eyedea/ Contacto

Na sequência da apresentação dos Grandes Mestres de Fotografia, Willy Ronis é um vulto muito especial e que me agrada por diversas razões. A primeira das quais, porque se trata de um homem de esquerda, que lutou sempre contra os despotismos, o fascismo, e a ganância do poder. Depois porque é um humanista de mão cheia e a terceira razão porque retratou Paris, de uma forma ímpar e eu sou um apaixonado por Cidade das luzes. Willy Ronis, nasceu precisamente em Paris, em 1910, o seu pai era fotógrafo, mas ele não quis seguir as pisadas do progenitor , pelo menos na sua juventude. Optou pelo desenho e pela música. Mas foi sol de pouca dura, já que teve de recorrer em 1932 ao estúdio do pai, fotografando de início  casamentos e baptizados. Por lá se manteve até à morte deste em 1936. Com o avanço do fascismo pela Europa, começou a usar a fotografia como arma de luta. Foi colaborador da resistência durante a ocupação nazi, e publica nesta altura as suas primeiras imagens na imprensa. Em todas elas, está bem patente a sua preocupação em mostrar uma forma de reivindicação social e as ideias de esquerda. No final da 2ª Grande Guerra e após o seu casamento, o trabalho que produz começa a ser reconhecido mundialmente, imagens do regresso dos prisioneiros  que escaparam aos campos de concentração nazi, foram publicadas na Point de Vue, Time, Life  e Picture Post. Filiado no Partido Comunista Francês, tornou-se amigo do poeta Luis Aragon. Por essa altura continuava a retratar as manifestações, as greves e as ocupações fabris. Um desses exemplares, de carácter sindical, foi publicado nos Estados Unidos, acompanhado de uma crítica depreciativa, o que lhe provocou desagrado. Reagiu, comentando o seu  ponto de vista sobre a "imprensa imperialista". A partir daí, o seu nome entra na famosa "lista negra" e a imprensa "anglo-saxónica" prescinde da sua colaboração.

Passa por uma fase de esquecimento e na década de 70, a revista Photographe resgata a importância da sua obra. Em 1980, foi nomeado presidente honorário da Associação Francesa de Repórteres Fotográficos. Em 1983, Ronis legou o conjunto da sua obra ao Estado francês.
 

 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

The Charles River

Quando chega a altura das eleições nos Estados Unidos, lembro-me sempre dos anos que passei em Boston. Tive a sorte suprema de quando cheguei aquela parte do mundo, uma conjugação de factores, abriram-me muitas portas. Primeiro, e a mais importante, a família que me recebeu de braços abertos e proporcionou-me uma adaptação suave e calma. Um emprego à minha espera, e quando refiro este pormenor, estou-me a lembrar dos muitos portugueses que ultimamente têm rumado a outras paragens, sem terem uma perspectiva do que irão encontrar, e muitas vezes têm de regressar, porque entre as promessas e a realidade, a diferença, muitas vezes é colossal e intransponivel. Uma das cidades mais eclécticas que poderia encontrar a nível mundial, dado que vêm desaguar a estas paragens, as comunidades mais díspares, á procura de construir os seus sonhos. A razão principal passa por esta cidade acolher duas universidades como Harvard e o MIT, a conjugação destes factores só por si, poderiam propiciar aquele ambiente descomplexado e a coexistência harmoniosa do respeito pelas pessoas diferentes.

Deixei para ultimo, um dos factores que mais importância teve na minha prolongada estadia naquele País. Quando ali cheguei no inicio dos anos 90, era Clinton o inquilino da Casa Branca e garanto-vos que se fosse um republicano a minha vida teria outro rumo, de certeza absoluta. Senão vejamos, no que diz respeito à politica seguida por o último republicano que habitou a cadeira do poder e falando concretamente na emigração, foi um autêntico desastre. Aliás, ainda estou para descobrir qual foi a área governamental aonde esse senhor tenha feito algo de positivo? -Tentou colmatar as suas deficiências naturais com decisões difíceis de definir, sem chegarmos ao insulto puro e duro. Após o 11 de Setembro, penso que muita gente inocente foi tragada por decisões indiscriminadas, gente que pertencia a comunidades  que na sua génese, ajudaram também a construir este País. A vontade indómita de dificultar a vida dos emigrantes roçou a xenofobia, principalmente os que tinham origem árabe. Ainda passou pouco tempo, portanto, depois de 8 anos de gafes atrás de gafes, seria imperdoável, os americanos darem oportunidade novamente a um republicano de se sentar naquela cadeira. Eu sei que Romney não é Bush, mas as suas ideias parecem ser similares, é melhor não arriscar!!!

Como estamos em noite de eleições e concluindo o meu raciocínio. Prevejo e desejo uma grande vitória de Obama, (apesar de me ter desapontado nalgumas reformas prometidas e não concretizadas neste primeiro mandato) e que neste segundo mandato seja mais fiel às suas ideias originais. Quanto a Boston, estará sempre no meu coração e um dia, eu sei que irei voltar às margens do Charles River e nunca perder o meu direito a sonhar.




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A metamorfose de Narciso

Aos poucos fui descobrindo que o espelho reflectia algo diferente da imagem que imaginava de mim próprio. Eu não poderia ser aquilo, ou pelo menos só aquilo. Faltava algo ali, eu possuía traços que se foram aperfeiçoando e não reconheci essa evolução naquela visão distorcida. Estava fadado para grandes cometimentos, reconhecerem a minha singularidade, seria um acto de mera constatação, por todos os que me rodeavam. Ter consciência desta beleza intrínseca e avassaladora não poderia ser desmistificada por uma mera ilusão de óptica. Por alguma razão, os Outros, tornavam mais real esta minha certeza, porque passavam ao largo, sem terem a coragem de se aproximar. Caso contrário,  seria um vexame desmesurado a sua incapacidade de traduzirem a minha imagem em palavras. Não se acercando desta minha aura, seria uma forma de se conformarem com a sua nítida debilidade.

Os espelhos, portanto passaram a ser um inimigo que importava declarar guerra. Talvez aproximando-me de um lago de águas cristalinas e isentas de qualquer movimento, fosse a tradução perfeita da minha certeza. De joelhos, inclinei esta obra de Deuses, situada acima dos ombros e deparei-me com algo perturbador. Uma pequena Libélula pousou por instantes nas águas e depositou alguns ovos. Distraído, fiquei assistindo ao desenrolar daquela acção. O tempo foi passando e aqueles ovos deram origem a uma ninfa, um insecto parecido com uma criatura alienígena. Ao descobrir uma planta perto do lago, esta subiu e deu-se uma metamorfose inesperada, transformou-se em algo de muito gracioso. Despiu as vestes repelentes e ao abrir as asas, foi ao encontro de um companheiro. O ciclo de vida prosseguia e eu assistia estupefacto. Interroguei-me perante tal milagre. Se aquela transformação, não seria também exemplo de um pedaço do desenrolar da minha existência?

Narciso, era filho do Deus-rio Cephisus e da ninfa  Liriope, um jovem de extrema beleza que se tornou escravo da sua imagem. Estaria eu, errado nas minhas convicções?- Afinal o que pôde assistir naquela imagem reflectida, não foi mais do que um ser distorcido pelas pequenas vibrações, que uma libélula provocou, ao depositar os seus descendentes na superfície do lago. Há quanto tempo, estaria eu, longe da realidade?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um silêncio ensurdecedor

Expandir Anos
Dívida das AP em % PIB
Mais 199155,6
200048,5
200150,9
200253,5
200354,9
200456,3
200561,4
200662,5
200768,3
200871,7
200983,2
2010Pro93,5
2011Pro108,0
Fontes/Entidades: DGO/MFAP–BP–INE, INE–BP, PORDATA
Última actualização: 2012-09-28
Em Junho deste ano já ultrapassámos os 117,8%!!!!
 Estes dados poderiam alarmar qualquer cidadão português, por muito leigo que fosse nestas matérias, mas pelos vistos, nós continuamos a fazer como a avestruz e não tiramos a cabeça da areia enquanto, não chegarem boas notícias. Os poucos que continuam por aí a lançar alertas aos quatro ventos, são apelidados de demagogos, de velhos do Restelo, de alarmistas, de não sermos solidários com o esforço comum, de pouco patrióticos, etc.. Anda por aí, muita gente desesperada com a situação dificil em que se encontra, mas estão formatados para não destoar da letargia generalizada, e embarcam nessa toada, mesmo que com a corda no pescoço. Se alguém ultrapassa esta barreira e protesta  ou seja dá voz à sua indignação, logo vêm aqueles olhares dos demais, reprovando a falta de recatez e bom senso. Afinal de contas, já nada é escondido, cada vez mais existe provas das derrapagens sucessivas, nas metas traçadas por este Governo, mesmo assim o povo quando reage, é muito na base do protesto sectorial. Hoje são os estivadores, amanhâ os jornalistas, depois o pessoal dos transportes, depois os outros e mais os outros... Unidade, acontece de longe a longe  e os governantes até ficam abismados com esses aglomerados na rua, não fossemos nós  o melhor povo do Mundo!!!! 
Enquanto o senhor Gaspar ameaça mudar o seu tom de voz, nós continuamos a protestar, mas baixinho.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Grão a Grão...

                                    2004...Manifestação contra a arrogância do  senhor Burroso.


          2010...Manifestação da CGTP na Avenida da Liberdade

 2010...Flashmob junto da Estação do Rossio, contra a Presença dos senhores da NATO em Lisboa
 2011...O dia em que Sócrates acordou para a realidade. O famoso 12 de Março

 2011... 15 de Outubro, o dia em que as escadas da Assembleia da República foram ocupadas pelo povo.
 2011...Acampada dos indignados no Rossio, durante mais uma assembleia.

 2012...Terreiro do Povo, durante uma manifestação da CGTP
 2012...O pessoal da cultura decidiu afirmar também "QUE SE LIXE A TROIKA"
 2012...Um 5 de Outubro privado, que correu muito mal!!!!
2012... 15 de Setembro. Um dia de grande mobilização e o inicio da mais que anunciada queda de um Governo desgovernado.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um fim de semana diferente

 Enquanto na capital, comemoravam pela ultima vez a Republica, eu rumei a norte.Exactamente à região de Aveiro.
                                                Um belo passeio de moliceiro na ria de Aveiro

                                       ..."  Vão no longe moliceiros
                                                De asas brancas, a voar,
                                                    Ao vento, leves, ligeiros,
                                                          Por sobre a ria a singrar.
                                                                 Vão no longe moliceiros
                                                                         De grandes velas a arfar..."

                                             Poema: Amadeu de Sousa (in Colectânea Poética)
                     

 
As imagens não fazem justiça à beleza deste local. O Buçaco era daqueles lugares que nunca fomos, mas que toda a gente diz maravilhas, portanto a minha expectativa era enorme. Superou tudo o que eu esperava!
Sem dúvida que o local foi talhado por transformações ao longo dos séculos, mas o virtuosismo de um lugar muito especial, nunca foi beliscado. Que bela manhã, meus amigos.
Cedros, ciprestes, abetos, sequóias, tílias, ulmeiros, loureiros, faias, fetos gigantes, acácias e freixos, provenientes da América, da Austrália, dos Himalaias ou de tantos outros locais do Mundo, foram plantados e cuidados por gerações de monges Carmelitas Descalços que viveram em clausura e contemplação por mais de 200 anos, entre 1630 e 1834, neste magnífico altar da Natureza, sagrado e protegido por bula do Papa Urbano VIII de 1634.
Com a descoberta de todos estes recantos, vamos cada vez mais tendo a certeza de que vale a pena lutar por dias melhores, afinal de contas, deixaram-nos este legado, que não merece ter estes indecorosos timoneiros.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Vergonhoso Pedro! Vergonhoso.

Vamos comemorar mais um feriado (este ano pela ultima vez) da implantação da República. Seria bom, lembrar os portuguesinhos, mais uma vez, do espírito que norteou os homens do 5 de Outubro.Manuel Arriaga e companhia deverão estar, neste momento, a dar voltas na campa, quando reparam nesta bandalheira colossal em que Portugal se tornou. Os ideais republicanos vão sendo espezinhados, sempre que estes badamecos vão conduzindo este País para uma dependência económica, que  irão arrastar todos os outros valores intrínsecos da nossa identidade como povo, para o lamaçal! 

Troikam-nos as voltas, ditando de fora, as  regras que nos irão afundar de forma irreversível. 

"Dedicação à causa pública, o progresso ao serviço dos cidadãos, a laicidade, o respeito pelas diferenças, a educação, a ciência, a cultura, o respeito pelos direitos dos trabalhadores e a modernidade". 

Quando lemos, algo sobre estes valores republicanos e logo a seguir deparamos com uma comunicação de Vitor Gaspar sobre o próximo orçamento, o que é que nos dá vontade de fazer? -Digam, não tenham medo!!!!
Gritar bem alto, que já chega!!! -Deixem de nos fazer de estúpidos, de mansos, deixem-se de vez de gozar com a nossa cara. 

O primeiro ministro prepara-se para se ausentar das comemorações deste dia. Acovarda-se e retira-se para o estrangeiro com desculpas sem nexo. Deixa cá os outros, para representá-lo e ouvir aquilo que ele não têm coragem de assumir. Vergonhoso, Pedro. Vergonhoso!

sábado, 29 de setembro de 2012

Marés vivas!

Neste registo, o "vaidoso" comunica ao povo português, que iríamos pedir um empréstimo à Troika. Lembram-se?- E, depois o que aconteceu...

...isso mesmo. Assistimos a um dia memorável. Uma manifestação da dita geração à rasca, organizada através das redes sociais. Não só em Lisboa, um protesto que se estendeu por todo o País. Uns dias mais tarde...


...o "vaidoso" foi de malas aviadas para Paris, tirar um curso de filosofia, com o dinheiro que juntou, à nossa custa, durante 6 anos!

A rotatividade que sempre nos lixou a vida, voltou a acontecer. Sentimo-nos aliviados, ao principio, porque nos livrámos do "engenheirinho"! -Até pensámos, pior é difícil. Mas passado um ano e tal...

Uma ideia brilhante!-Este recente ex-jotinha, abusou da paciência dos portuguesinhos e como tal a resposta, fez-se sentir, logo a seguir...


Mais uma vez, os portuguesinhos responderam na rua!!!! -Mais uma vez, o povo gritou bem alto "BASTA"!
Atendendo à lógica destes registos que aqui deixei, eu pergunto, o que falta aqui para completar esta sequência?
A demissão deste senhor, nos próximos dias, claro! -Não queremos remodelações, não queremos remendos, não queremos paninhos quentes ou distracções, como aquele episódio recente da extinção das fundações, apenas desejamos a extinção deste mal!

Eu comparo estas manifestações a um fenómeno da natureza que acontece muito nesta altura do ano, as marés vivas. Quando chegam, varrem com a sua força, tudo o que lhes aparece à frente. Mas eu gostaria de saber, para quando, um verdadeiro "tsunami" na política portuguesa?



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Carteirista!!

Não foi uma boa ideia de certeza absoluta!

Somos sossegadinhos, mas não abusem!

Paradoxalmente, dentro da coligação governamental, enquanto uns se queixavam de que era inevitável este aumento da TSU, outros afirmavam que existe muita margem de manobra para se cortar nas despesas do Estado e esta decisão era disforme. Paulo Portas, primeiro em privado concorda com Passos Coelho e depois como a coisa dá para o torto, faz marcha atrás e diz que foi pressionado a aceitar. Este senhor têm a escola toda, é um animal político e quando fareja perigo, é o primeiro a abandonar o barco. O Passos, é um rapazola sem qualquer experiência, como costumam afirmar os barões do PSD em privado, e pensou que os portuguesinhos aturavam tudo, engoliam os seus devaneios, sempre com bonomia e pacatez. O Relvas, de certeza que concordou com tudo isto e em vésperas da "bomba" rebentar, pirou-se para o Brasil e ainda por cima, manda recados através da comunicação social. O "faz soninho", bem tenta explicar esta embrulhada através de conferências de imprensa com mais de quatro horas, mas desta vez os jornalistas não adormeceram e fizeram-lhe perguntas incómodas. O Cavaco, entretanto deixou de aparecer. Recebe o pessoal em audiências atrás de audiências, mas não sai do palácio. Convocou um Conselho do Estado para sexta-feira e sem querer incorrer na minha queda para futurologia, penso que aquela reunião vai resultar em...nada.

Passos vai recuar, a TSU vai manter os valores que tinha e o Governo terá de encontrar uma solução que não dê tanto nas vistas. Mas, estes senhores vão novamente surgir com ideias semelhantes, provavelmente com outras roupagens, mas este comportamento irá ser uma constante ao longo da sua legislatura.

Concluindo, a demonstração no sábado, só pecou por tardia.Quem está atento sabia que as sucessivas mentiras e contradições, teriam um dia de resultar na ira de milhares de pessoas. Ainda estamos vivos e isso é uma boa sensação, pena é que o demonstremos só, quando nos mexem muito na carteira.





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Companheiros, vamos pra luta...

Será que é agora que vamos acordar de vez?- Temo que não. Esta passividade irritante, está implantada no nosso DNA enquanto povo. Tenho as maiores dúvidas que este Ministro das Finanças acredite neste próximo orçamento. Ele está obrigado a prescrever uma receita semelhante aquela que nos levou a esta situação. O discurso hipócrita, que o PS deixou um legado muito penoso, deixou de ter alguma espécie de sentido. Somos reféns de uma orientação neoliberal decretada pela Troika, e estas medidas são ainda mais dolorosas, são mais papistas do que o papa, como se costuma dizer.

À  pouco tempo, acabei de ler "Capitães da Areia", e o escritor Jorge Amado, termina esta obra, com a seguinte frase ..."Porque a Revolução é uma pátria e uma família"....  Este grande autor, que completaria 100 anos, em 2012, um cidadão do mundo, que no seu legado transmitiu sempre, a vontade de mostrar que as classes sociais mais desfavorecidas sempre lutaram por  um  mundo mais justo, sempre defendeu o verdadeiro sentido da liberdade e da fraternidade. Descreveu sonhos, de todos aqueles que nunca perderam o direito de estar na vida com a cabeça erguida, apesar das dificuldades. O livro que referi foi apreendido e queimado pelo Estado Novo, no Brasil. Mas em 1944 teve nova edição e deu-se a conhecer ao mundo. Esta frase sobre o que pode ser uma Revolução, seria uma utopia, por muito que a tentássemos incutír e explicar aos portuguesinhos, afáveis e letárgicos. Até aonde pode chegar a vontade de um povo, que não vira costas à luta, por muito que ela possa parecer, impossível de vencer.

De repente, levamos com mais 7% de descontos para a Segurança Social, iremos carregar este peso por tempo indeterminado, damos de caras com reduções de 5% para o mesmo efeito, por parte dos patrões e ainda por cima, estas medidas têm o demérito de não agradar, nem a uns, nem a outros!!!- Este Governo tornou-se um bom aluno para Merkel, que nos tipifica como exemplo a seguir e deixa de rastos muitas famílias, compromete o futuro do País e quanto a uma resposta adequada, tarda em aparecer. O grande mestre brasileiro, diria neste caso, ..."Companheiros, vamos pra luta..."

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Rtp2 ao fundo.

Ainda estávamos na praia, quando o moço de recados deste governo vêm a terreiro, fazer uma declaração que nos deixou de boca aberta. O ministro que conseguiu um diploma em tempo recorde e que agora passeia o seu "avental" lá para os lados de Timor, deveria ser ele a trazer-nos essa novidade, mas também já nos habituou a uma série de lapsos, atropelos da democracia, desrespeito pela constituição e outras do mesmo calibre.

Se a notícia não passa de mais uma forma de entreter o pessoal, para passar o resto do Verão a comentar algo inócuo, até não estou muito preocupado. Mas, se estas declarações têm algum fundo de verdade, aí o caso muda de figura. Quase um ano depois, o Governo parece ter concluído que a privatização parcial de um canal e o fecho do outro será a solução ideal.Tantas horas de estudo, tantas reuniões sobre este dossier e o resultado, mais uma vez, cheira a mais um negócio "à Relvas". Não chega o controle sistemático das linhas editoriais dos canais públicos, mesmo assim, o negócio fala mais alto e o interesse público fica para depois.

Por falar em interesse público, verdade seja dita os portuguesinhos merecem a televisão privada que têm. Três ou quatro telenovelas encaixotadas na programação, pinceladas por programas da manhã e da tarde cheios de motivos de desinteresse geral e concursos para sacar uns cêntimos ao povo através do valor acrescentado. Resta muito pouco,mas também não interessa, porque não dá audiência.

A Rtp2 têm pautado a sua programação ao longo dos anos com conteúdos de interesse público e cumpre a sua função por inteiro. Este hipotético fecho vêm na linha daquilo que os sucessivos governos do PSD fizeram pela cultura em Portugal. Para estes meninos o povo necessita estar alienado com outros assuntos bem mais leves, porque dessa forma têm menos acesso  a ferramentas para exercitar a capacidade de pensar os problemas do País. Estupidificar é uma regra essencial e este fecho vêm exactamente nesse sentido. Os serviços públicos estão por isso, todos eles, a ser eliminados. Transportes, serviços energéticos, saúde, educação, etc...
Garanto-vos que aos poucos o fumo vai tornar-se fogo e aquilo que hoje não passa de um processo de intenções amanhã é uma lei de corpo inteiro no Diário da Républica.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Um homem de esquerda.

Louçã despede-se do Bloco e a pergunta que eu coloco neste momento.Ele sai pela porta grande ou pela pequena? -Digamos que a resposta será díspar, consoante a vertente, pela qual queiramos pegar no assunto. Se este partido têm um lugar de destaque na política portuguesa, deve-o em grande percentagem a este homem. Ninguem dava nada por o BE, na sua génese, muita gente vaticinaria um destino semelhante ao MRPP, à UDP ou ainda a outros partidos de papel muito secundário que nunca tiveram representação parlamentar. O Bloco, além de ter tido uma dezena de deputados na Assembleia, conseguiram eleger representantes em Bruxelas e mesmo um Presidente da Câmara.

No auge da sua evolução, existiu algo que a meu ver determinou algumas dissidências e a sua queda de popularidade. O apoio nas ultimas Presidenciais ao candidato do PS, Manuel Alegre foi determinante. Muita gente não compreendeu esse apoio e penalizou o partido não só nessas eleições como mais tarde nas legislativas. Normalmente, Louçâ deveria ter pedido demissão e permitir que houvesse uma entrada de sangue novo na liderança. Acabou por ficar mais um ano e justificar alguns erros para encobrir a verdadeira razão de uma opção desastrosa, inclusive revelando estar arrependido de não ter reunido com a Troika, aquando da sua primeira visita, para determinar as condições do empréstimo.

Se houve alguém, dentro daquele hemiciclo em São Bento, que conseguiu parlamentar de uma forma perspicaz os seus pontos de vista, ou mesmo a maneira como tornou públicos alguns dados inoportunos às sucessivas maiorias da Assembleia, especialmente através dos famosos "duelos" com Sócrates, essa pessoa é Francisco Louçâ. Um líder que deixa uma marca indelével no panorama da política portuguesa e um economista que sempre justificou as suas ideias com base numa maior justiça social, algo que eu sempre classifiquei de utopia, devido ao mundo que nos rodeia.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

William Klein

                                                      "Um happening na rua"                                             
                                               Tóquio, 1961

                                            "Fim do mundo em Nova Iorque"
                                         Nova Iorque, 1955

"Hat and 5 roses"
                                                    Paris, 1956
                                                       "Nina and Simone"
                                                 Roma, 1960
"ANYTHING GOES:
               désordre, ordre, trash, crash,
                            violence, poésie, hasard, mise 
                                         en scéne, rêve, raison, too
                                                 much, subjective, snapshot,
                                                             posé dans la photographie
                                                                                 comme dans tout...
                                                                                                         ANYTHING GOES."

William Klein, mais um mestre da fotografia que aqui apresento, nasceu em Nova Iorque decorria o ano de 1928. Viveu a sua meninice sentindo de perto as sequelas da Depressão de 1929. Estudou Sociologia, mas a sua paixão por desenho, depressa o levaram até Paris, aonde estudou pintura na Sorbonne. Só em 1952, tirou as suas primeiras fotografias e desde cedo identificou-se com o realismo de alguns trabalhos de Man Ray.
Em 1956, publica o seu primeiro conjunto de fotografias, sobre a cidade de Nova Iorque, logo impressionando pelas suas imagens de caos. Uma vertigem de anúncios, engarrafamentos, cartazes, semáforos, multidões de personagens diferentes, mendigos, milionários, cruzamento de culturas. Nos seus registos, a vanguarda está sempre presente, como as da Pop Art dos anos 60. Um urbanismo monstruoso caracteriza os seus trabalhos posteriores, tacteando muitas capitais do mundo, com este mesmo sentido realista. Moscovo, Tóquio, Roma, Berlim, Londres, Paris. O seu trabalho, como assinalaram alguns críticos, muitas vezes parecem fotogramas de filmes de Orson Welles ou de Stroheim. A sua aproximação à 7ª arte é tão óbvia que acaba mesmo realizando alguns filmes, aonde eu destacaria

Float Like a Butterfly, Sting Like a Bee

Float Like a Butterfly, Sting Like a Bee Poster
Pier Paolo Pasolini manifestou  surpresa, por ser um americano a demonstrar aos romanos, qual era a sua verdadeira paisagem, no livro que publicou sobre Roma. Fellini, por seu lado, também comentou que esta sua obra poderia ser um guião de um filme. Como o próprio afirmou, a sua câmara não fixa modelos, mas antes personagens, o que o obriga a dialogar, indicar, sugerir, discutir a  até provocar os protagonistas das suas imagens, tal como faz um realizador com os seus actores. Um mestre da fotografia sempre muito perto do cinema.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Um código elástico.


Entrou hoje em vigor o novo código do trabalho que vêm agilizar, segundo o nosso Governo, as relações entre trabalhadores e patronato. Estas regras irão permitir a descida da taxa do desemprego, porque será mais fácil despedir!!??-Como é possível, continuarmos a permitir, que os direitos adquiridos ao longo de décadas, sejam agora reduzidos a uma legislação, que é tendenciosa e desequilibrada?

Dou alguns exemplos, que encontrei nesta nova fase do código do trabalho, que comprovam esses desequilíbrios. Como a legislação impunha o pagamento de uma indemnização decente  a quem fosse despedido sem justa causa, agora tudo se torna mais fácil. Por simples inadaptação ( e sabe-se lá a quantidade de inadaptados que os patrões por esse país fora, estão prontos a inventar) o empregado, de um dia para o outro fica sem o seu trabalho e ainda por cima reduzem de 30 para 20 dias, por cada ano de trabalho, o valor a calcular para efeitos de compensação. Acima de 12 anos de permanência no mesmo local, em termos de indemnização , não conta nem mais um dia!- Para amenizar o clima, nada melhor que simularmos uma situação que passará a ser recorrente. O valor até agora acordado no pagamento de horas extraordinárias, feriados e  dias de folga trabalhados, irá ser reduzido em 50%. Calculem que alguém se recusa a trabalhar numa dessas situações.Qual o cenário mais certo para esse trabalhador? -Exactamente, adivinharam. Basta aos patrões, recorrerem à lei da inadaptação.

Vamos ser muito mais produtivos, porque vão cortar 4 feriados e o período de férias reduz de 25 para 22 dias anuais?- Quem poderá, no seu juízo perfeito, acreditar numa alarvidade dessas?

 -Miguel Sousa Tavares afirmava à dias, que o País nunca poderá deixar de ser aquilo que é, enquanto existirem movimentos corporativos e sindicais a barrarem sempre as reformas do Estado, quando vão no sentido oposto, aos famosos direitos adquiridos. Estou completamente de acordo. Mas ao mesmo tempo, também sei reconhecer que essas mesmas reformas, nunca combatem o outro lado da moeda. Os interesses dos grandes grupos económicos, as mordomias de mil e uma instituições que vivem à custa dos nossos impostos, dos compadrios políticos, da fuga sistemática aos impostos por parte da banca e não só,etc...A Constituição passou a ser muito elástica e estes senhores, acreditem em mim, andam-se a esticar muito!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ai, Mouraria!

Estou quase a completar meio século de vida e à muito que deixei de embarcar em promessas de políticos que se "lixam" para as eleições, mas aquilo que está a ser feito por António Costa num dos bairros mais degradados em Lisboa, é digno de registo.Cresci no bairro da Mouraria, bem no centro de Lisboa e tenho alguma noção da evolução do estado em que aquelas ruas ficaram ao longo destes anos. Desde o Largo Adelino Amaro da Costa (antigo Largo do Caldas), a São Cristóvão, à Rua do Capelão, Benformoso, Rua do Terreirinho, Largo dos Trigueiros,Martim Moniz até ao Intendente, toda esta zona foi esquecida por os vários líderes que passaram  na Câmara de Lisboa, desde o 25 de Abril. Apenas houve retoques aqui e ali, mas nada substancial, que travasse o clima de insegurança e descrédito dos próprios alfacinhas. Não quero embandeirar em arco, com aquilo que já foi feito, até posso vir a arrepender-me de elogiar este esforço, mas realmente temos de reconhecer, a mudança para melhor de toda esta zona.O projecto "Mouraria: as cidades dentro da cidade", iniciado em Setembro de 2011, aprovado pelo QREN e com um montante previsto de de 12 milhões, visava a requalificação do edificado, revigorar a componente social e equipar o espaço público com outro mobiliário urbano. O próprio presidente transferiu o seu gabinete de trabalho para a zona do Intendente, de forma a dar um sinal de mudança, na forma como os lisboetas possam encarar este espaço emblemático.

 Passado este ano, desde o arranque do projecto, podemos observar que não ficou apenas por um processo de boas intenções, congratulo-me porque verifico no terreno algumas transformações. Para trazer mais gente afim de testemunhar estas mudanças, a Câmara dinamizou toda a zona do Intendente, com a organização de concertos ao fim de semana, que têm sido um êxito!-Para que estes eventos possam estar a ser um sucesso, a razão principal, é a excelência dos músicos que têm sido convidados. Eu assisti à duas semanas ao concerto dos Xutos e Pontapés ( uma das minha bandas de culto em Portugal) neste local e fiquei agradavelmente surpreso por duas razões. Primeiro, porque estava completamente cheio e depois, porque tive ocasião de verificar que os moradores desta zona acolhem com muita satisfação, todas estas iniciativas.Para alguns deles, devido à sua idade, uma realização que já vêm demasiado tarde. Muito sofreram com o total desprezo de anteriores executivos camarários!

 A prostituição e a droga caracterizavam as ruas que circundam o Intendente, e poucos se aventuravam a dar uma volta por estas bandas, revejo com nostalgia estes lugares que calcorreei, enquanto menino, têm agora outro aspecto, sem dúvida uma bela surpresa. Sabe-se lá, se um dia destes a "movida" que habita outros lugares como o Bairro Alto, Cais do Sodré, Castelo e Alfama, entre outros bairros, não irá passar também pela Mouraria?? - Juro-vos que merecia!