quarta-feira, 3 de julho de 2013

Trocas e Baldrocas.




...de manhã, a senhora de meia idade pediu o café. O lugar estava vazio, as cadeiras ainda estavam por "arriba" das mesas. Ainda se cheirava a fritos da noite anterior, o moçoilo do outro lado do balcão gracejava   da ave madrugadora, ao mesmo tempo, coçava os olhos e ligava as máquinas. A senhora já se sentara a um canto e escutava  sem interesse as primeiras notícias da manhã, intervaladas com muitos anúncios aborrecidos. O chorrilho de impropérios do rapazola, já ela estava acostumada. Acordava sempre desta forma...na terriola, todos o conheciam assim. Não se parecia nada com o pai...raios o partam!

...a manhã estava fresca e luminosa. A senhora continuava no seu canto à espera, mais um quarto de tempo e o sítio estaria embrenhado no seu ambiente habitual. Vozeirões dos clientes costumeiros, com alguma jogatana à mistura. Por enquanto, só o som estéreo daquela telefonia, lhe chegava aos ouvidos. De repente, o locutor divulga uma notícia de última hora. Um governante qualquer, lá da capital, enquanto administrador de uma empresa pública de transportes, assinou uns "sapos" e lesou o Estado em vários milhões de euros. A sua fisionomia teve uma ligeira reacção, um sorriso traquina e pensou lá para os seus botões. Malandros, são todos a mesma coisa. Logo de seguida, questionou-se um pouco perplexa. Assinou uns "sapos"????

...a manhã seguia o seu percurso inexorável por aquelas bandas. A senhora tragou o seu café e olhou de soslaio para o petiz. Este, indiferente, continuava a tentar colocar todos os seus sentidos a funcionar, antes que chegassem mais clientes. A senhora estendeu os seus cêntimos pela mesa e antes de sair, ainda mandou para o ar em modos de desabafo.

..."Oh! Chico vê lá se dizes ao teu pai, que compre outro rádio, porque este, só dá notícias que não se entendem!!"

terça-feira, 25 de junho de 2013

Quinto Aniversário!

                                           
                                            -Parabéns ABC DOS PORTUGUESINHOS!!
E assim se passaram 5 anos!! Um projecto que foi crescendo, muito devagar e que passou a ser um prazer,  lançar um desabafo todas as semanas, passou a ser uma espécie de terapia para a forma inquieta como eu sinto o pulsar dos portuguesinhos. Admito que por vezes torna-se difícil não repisar certas ideias que continuam no nosso burgo, a ser cada vez mais pertinentes. Continuo a sentir que não funcionamos como um  todo, enquanto povo. Somos cada vez mais sectários, mais egoístas, menos solidários e no fundo cada vez mais portuguesinhos. Dou o braço a torcer quando, por escassas vezes, conseguimos ultrapassar estas nossas características, mas dou comigo a pensar que o comodismo, o conformismo, o provincianismo, acabam sempre por triunfar!!!

Neste dia, que completo 5 anos, recordo alguns números. Estes mais fiáveis do que os do Gaspar.
 Tenho cerca de 14855 visualizações deste meu blog, aonde escrevi 267 mensagens. O dia em que escrevi  sobre o grande mestre de fotografia, Sebastião Salgado, o meu espaço começou a ser muito mais visível. Tenho registadas 1427 visitas, só a esse artigo. O porquê desse facto, continuo a desconhecer, mas admito que falei sobre alguém muito especial para muita gente, especialmente no Brasil. E por falar em países, Portugal continua a liderar como é óbvio a lista de visualizações, mas tenho registo de cerca de 89 países diferentes que já clicaram pelo menos uma dezena de vezes, alguns dos meus posts. Brasil, Estados Unidos e Rússia, são os países com mais de um milhar de visitas!!

Aos que teimam em continuar a acompanhar-me e a darem alguma da sua atenção, só posso mais uma vez, agradecer muito e desejar que o façam sempre com o espírito mais crítico possível, e já agora, se não for pedir muito, ajudem-me dalguma forma a manter este meu devaneio com alguma qualidade, e enviar de vez em quando alguma sugestão.

                                            MUITO OBRIGADO....




terça-feira, 18 de junho de 2013

Um samba inquietante!

Todos sabemos que a "Realpolitik" obriga Dilma a proferir barbaridades sobre a real situação social  do seu país. Quando todos falamos do Brasil, pensamos em lugares comuns. Samba, bola e um continente de belas praias. Fácil, seria pensar que com a organização de eventos como o Mundial e as Olimpíadas, os brasileiros estariam a viver uma fase de sonho.

A economia do Brasil vai de vento em popa, afinal o legado de Lula, sugeria um percurso mais tranquilo à sua sucessora. O mundo começou a olhar a Terra de Vera Cruz de uma outra forma, uma economia emergente, que dá nas vistas, ao contrário do que acontece, quase em todo o resto do planeta. Longe vão os tempos, aonde a inflação galopante, obrigava os consumidores a verificarem a subida dos preços de um mesmo produto,duas e três vezes no mesmo dia!! -Quem não se lembra da dança das  sucessivas moedas, devido a essa mesma inflação. A deterioração de uma, dava lugar a outra.Cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro real e finalmente o real que se conseguiu solidificar com uma série de importantes reformas desde os anos 90.

Agora, por causa de um aumento de 7 cêntimos (???), nos transportes públicos de São Paulo, o mundo desabou? -Será que esta  é a verdadeira razão de tanto protesto, ou foi simplesmente o "clic" de um mau estar latente em relação a muitas matérias? -Eu penso que estes tumultos têm origem nas opções de um Governo que têm estado mais preocupado em espalhar pelo mundo, uma imagem de prosperidade, estabilidade e que não têm atendido aos clamores que chegam da rua. As tais infraestruturas sociais mínimas  e necessárias, como um bom serviço de saúde e educação, uma boa rede de transportes, a erradicação dos problemas de muitos milhares de brasileiros em situação de pobreza extrema, tudo isto está por fazer...

O último país do mundo aonde eu esperaria ver uma manifestação à porta de um Estádio de futebol, contra a organização desse mesmo evento, seria sem dúvida no Brasil. Isso está a acontecer neste momento na Taça das Confederações e a FIFA (organismo altamente corrupto!!), através de um dos seus responsáveis máximos, vêm afirmar que este povo só reclama porque existe Democracia a mais  neste lugar!!!!

Temos de começar a  pensar, que os brasileiros afinal nem vão muito "à bola"com os biliôes gastos nesta e nas próximas organizações megalómanas. Quando existe tanto por fazer. Em Portugal tivemos algo de muito semelhante e sabemos o resultado dessas decisões.Depois da festa, alguém têm de apanhar as canas, resultantes do foguetório. Recordo-me de um excerto de uma  poesia do grande Carlos Drummond de Andrade, que retrata bem o fim da festa.

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Primavera na Turquia.

A islamização da Turquia é um processo moroso que Erdogan, não pretende assumir, devido a querer piscar o olho à Comunidade Europeia, mas nunca deixando de lado os interesses da sua origem política. Devido a uma hipotética rixa, por causa de um parque emblemático de Istambul, criou-se um movimento de solidariedade nacional, que enfrenta a brutalidade das forças de segurança turcas. Uma questão linear, transformou-se em meia dúzia de dias, numa questão complexa. Penso que já não se trata, apenas da construção de um centro comercial, outros valores se levantam e a defesa desses mesmos valores.

 O primeiro ministro turco, perdura à cerca de 10 anos no poder, e todos sabemos que apesar da importante desculpa que a Turquia é um país democrático e que Erdogan foi eleito pelo povo, a partir de certa altura, deparamo-nos sempre com uma  verdade incontornável, as teias que se vão tecendo ao longo do tempo, começam a destruir os mais básicos pilares da democracia. Os atropelos começam a surgir, quase com se nada se passasse. Os fios da teia estendem-se para lá das leis instituídas e ao tecerem a sua armadilha, depressa capturam todos aqueles que ousam pisar no seu território. Uma das características que mais me impressionou, na reacção de Erdogan a este caso, foi quando se ausentou do País por uns dias e quando regressou, tinha à sua espera, milhares de  pessoas mostrando o seu apoio, logo no aeroporto!!! Sabemos bem, qual o nome que se dá, a este tipo de fenómenos, que são frequentes, em países muito pouco democráticos, alguns deles, vizinhos da Turquia.

Eu assisti a um filme de Alan Parker, no final dos anos 70, que me impressionou bastante, com o nome  midnight express. Um filme que retratava uma Turquia retrógrada, com um sistema judicial quase feudal  e uma brutalidade das forças de segurança quase dantescas. Desde essa altura, até ao presente, muita coisa mudou por aquelas bandas no que diz respeito aos mais elementares direitos humanos, mas Erdogan acho que "adormeceu" à sombra do trabalho outrora produzido e passa por uma fase bem complicada. Questiono-me mesmo se esta distracção não lhe provocará danos irreparáveis?- Seria melhor que assim acontecesse, para bem da democracia turca.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cavacolândia.

Um dia, tenho esperança que se estude nas nossas escolas, o que realmente fez o Sr.Silva por o nosso Pais!!!

Desde que chegou a primeiro-ministro em Novembro de 1985, até ao presente, este senhor só esteve afastado do poder durante 10 anos. Estamos a falar, de quase 30 anos na nossa história democrática. Valerá a pena recordar que aquilo que "plantou" nos primeiros anos da sua carreira como dono da cadeira de S.Bento, estamos agora a colher os frutos. Relembro as quantias astronómicas vindas da Comunidade Europeia para desenvolvimento das nossas débeis infraestruturas. As várias negociatas que se aprontaram,  com a sua total conivência, beneficiando sempre os seus "yuppies", colocando-os em locais estratégicos, para dominarem a seu belo prazer, o sector empresarial do Estado, tiveram como resultado, os maiores crimes de colarinho branco jamais vistos neste País.  Imperando sempre a estratégia de enterrar o nosso sector primário, conseguiu ao mesmo tempo, a proeza de arranjar um tapete de alcatrão do interior para o litoral, em todas as direcções, incentivando as populações rurais a não terem alternativas e assim fugirem em direcção ao "El Dorado". As cidades à beira mar plantadas, cheias de subsídios para esbanjar, aonde tudo era fácil.

Beneficiou muito das asneiradas que a esquerda precipitadamente aprontou, nos anos a seguir à Revolução, beneficiou ainda da imagem de Sá Carneiro e da forma como o acidente de Camarate foi interpretado pelo povo português.Quando chegou ao poder, tinha as "costas quentes", porque os apelidados "Donos de Portugal", estavam de regresso, com vontade de voltar a controlar o "pedaço" e traziam os bolsos cheios de dinheiro para investir.Um economista de Boliqueime, que se apresentava ao eleitorado com intenção de gerir bem as nossas contas, uma pessoa moderada, ligada ao centro direita, foi a pessoa indicada para traduzir na prática, todas as ideias destes senhores do "outrora", agora de regresso.

O crescimento económico que se verificou, na maior parte do tempo, nas suas duas legislaturas e que levou a que conseguisse duas maiorias absolutas, não foram mais do que o puro benefício do dinheiro vindo de Bruxelas. Alguns dos seus colaboradores, dessa altura, são hoje suspeitos de ilegalidades cometidas após a sua passagem pelos Governos do Sr. Silva, aproveitando-se claro está, dos contactos sempre proveitosos.

Este percurso, que teve um interregno de 10 anos, foi o suficiente para o povo português, esquecer o Sr. Silva e voltar a votar nele. Não uma, mas duas vezes!!! -Agora, que o homem têm o índice de popularidade mais baixo de sempre, ( inclusive quando sai à rua, previne-se sempre com os ambientes que vai encontrar) penso ser a altura certa, para lhe demonstrar que esta primeira experiência, de colocar Belém e S.Bento com gentes do PSD, está a ser péssimo para a maioria dos portuguesinhos.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alienado, eu???

Os nossos governantes persistem numa postura, que deveria ser tácita, mas cada vez dá mais nas vistas, porque assustam com medidas bastante penalizadoras e mais tarde recuam, suavizando a pancada, nunca deixando porém de nos castigar. Os portuguesinhos em geral, acabam por pensar no final, do mal o menos ou a conversa mole "poderia ser pior...".

As medidas incluídas no ultimo orçamento seriam suficientes, mas agora "aqueles patifes" do Palácio Ratton, acabaram por dar cabo dos seus planos e portanto nada como rectificar com medidas ainda mais duras. Duras para quem? -Os que sempre conseguiram colocar o seu capital fora do controle do fisco, esses continuam bem. Os outros, receiam que a percentagem decidida, não seja muito alta, receiam pelas suas poupanças, receiam perder os seus postos de trabalho, receiam não ter de pagar mais pelo acesso à saúde ou à educação dos seus filhos, receiam não poder manter  a prestação da casa regularizada e por fim, receiam não ter coragem para enfrentar a fila numa qualquer instituição de caridade...

Enquanto a dita "pancada" não chega, vamos discutindo se o Cardozo merecia ou não merecia ser castigado, por ter empurrado o Jesus??? -Muitas vezes, pergunto-me se somos alienados por conveniência ou perdemos a nossa dignidade de vez, algures, entre uma decisão da Troika  e mais uma lengalenga do Gaspar???

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Um dia de justiça.

Notícia de ultima hora. Dominique Venner, ensaísta francês de 78 anos, militante da extrema
direita, suicidou-se hoje no altar da famosa catedral Notre Dame em Paris, em protesto pela crescente "islamização" da sociedade francesa, produto de legislações sucessivas que incentivam a imigração afro-magrebina. Além de ter declarado no seu blogue, recentemente, que se opunha energicamente contra a recente legalização do matrimónio  homossexual.

Quando menos se esperava, na Assembleia da República, com maioria de direita, foi aprovada a lei, que permite a um casal homossexual ter plenos direitos, num processo de co-adopção. Que eu saiba, ainda não assisti a multidões na rua, vociferando bestialidades acerca desta decisão, ao contrário do que aconteceu em França. Mesmo sabendo que a extrema direita francesa têm algum peso eleitoral, custa-me a acreditar na massificação ignóbil destes protestos! 

Apesar de ouvir vozes, como Marinho e Pinto, ainda bastonário dos advogados, ter declarado e passo a citar ..."o desenvolvimento harmonioso da personalidade da criança exige um pai homem e uma mãe mulher – e não um homem a fazer de mãe e uma mulher de pai... ", não deixo de sentir que a nossa sociedade por muito bem informada que possa estar sobre este assunto, irá sempre ter que se debater com episódios frequentes de puro preconceito, como o caso do advogado em questão. Declarações proferidas, mesmo após os pareceres favoráveis à legalização desta co-adopção, inclusive, em Janeiro último, pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

Nos dias que correm, poucas são as vezes em que me sinto regozijado com as leis que saem do hemiciclo,mas desta vez sinto que se fez justiça, e mais, a nossa sociedade necessita urgentemente de nos basearmos em valores que exprimam menos descriminação e mais dignidade humana. Estamos todos de parabéns!

Termino, deixando esta questão em aberto. Qual será o significado da morte deste ensaísta francês num altar de uma das mais famosas catedrais do mundo?

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Eduardo Gageiro.


Tenho mantido uma certa regularidade na apresentação de grandes mestres da fotografia e desta vez, aproveitando o facto de se realizar no próximo sábado, uma homenagem, mais  do que merecida, a um grande foto-jornalista português, Eduardo Gageiro, apresento aqui um pouco do seu trabalho

 Foi criada uma exposição com centenas de trabalhos seus, no Museu de Cerâmica de Sacavém, a sua terra natal. Curioso ou não, foi exactamente neste lugar que ele começou por ser paquete, nesta antiga fábrica de louças. Seria mais tarde, empregado de escritório e só iniciou a sua actividade que o celebrizou, com 19 anos no "Diário Ilustrado". Mas antes ainda, com apenas 12 anos, veria uma foto sua, ser publicada no Diário de Notícias, jornal aonde viria a trabalhar mais tarde, tal como no "Século Ilustrado".
 A sua forma de estar na fotografia sempre foi muito incómoda para todos os que o rodeavam, inclusive para os próprios colegas de profissão. Ele não se satisfazia em fazer os seus registos junto dos outros, separava-se da "molhada" e obtinha um ângulo diferente de uma mesma situação. Um outro olhar que lhe valeu ser preso pela PIDE. Acusavam-no de apresentar imagens, que o regime queria esconder a todo o custo. Pediam-lhe para ele não tirar fotografias a pessoas. Em cima, uma imagem de Salazar, algures na costa portuguesa a sonhar com África e outros horizontes.

O 25 de Abril, por todas e mais algumas razões, foi o dia mais feliz da sua vida! -O portefólio do trabalho que realizou nesse dia, logo a partir das 6 da manhã, é reconhecido internacionalmente como um importante  e fulcral testemunho daquele dia memorável. Eu destacaria a fotografia de Salgueiro Maia, quando toma consciência do sucesso da Revolução em curso. Ele acompanhou este  oficial desde as primeiras horas do dia, com o consentimento do próprio, antevendo a importância do que se iria desenrolar.


 Os seus trabalhos granjearam-lhe centenas de prémios; destacaria, aquele 2º lugar na categoria de "Portraits", no mais prestigiado galardão internacional de fotografia que é a  World Press Photo, com um retrato de Spínola. Outro galardão importante, foi aquele que conquistou na China, na 11ª Exposição Internacional de Fotografia, o maior concurso a nível mundial, com mais de 3500 fotógrafos em competição. Foi condecorado também com a Ordem do Infante D.Henrique, sendo-lhe reconhecida a excelência da sua carreira.



 Hoje com 78 anos, continua a afirmar que a máquina continua a ser um instrumento de denuncia e de protesto. Vive com alguma amargura, estes "nossos" dias de dificuldade e não compreende como um outro seu compatriota da mesma profissão teve de vender a sua máquina,para ultrapassar dificuldades, mesmo antes de obter um reconhecimento idêntico ao seu na World Press Photo?!
Não foi para isto que ele sonhou e registou Abril, nem ele, nem muitos de nós.
Ele merece uma visita nossa ao museu de Cerâmica, testemunhar um olhar...diferente!



quarta-feira, 8 de maio de 2013

O prometido é de...vidro!

Nos livros de Goscinny, o Obélix diria, "...estes romanos são loucos!", eu afirmaria o mesmo, dos americanos hoje em dia. Para o comum dos europeus, muita coisa que se passa do lado de lá do Atlântico é difícil de entender, nem para quem já lá esteve e têm uma ideia do seu modus vivendi. O que acaba de acontecer com a recusa em aprovar uma legislação, muito "soft", em relação à restrição do acesso, à aquisição de armamento, é absolutamente escandaloso!!!

Isto são jogadas políticas entre os que se sentam no Senado e os "lobbies" que estão por trás deles e financiam as suas campanhas. A política no seu pior!-Acontece com as armas, acontece com o petróleo, com a produção de alimentos transgénicos e mais importante de tudo a influência nefasta dos poderosos 3% de judeus americanos, que metem o nariz em todos os corredores da Casa Branca.

Logo após o massacre daquelas crianças em Sandy Hook, na pacata Newtown em Connecticut, Obama prometeu, fazer algo para parar esta loucura, que já ceifou a vida de milhares de inocentes. A  legislação que foi a votação no Senado, até era bastante tolerante com a facilidade com que se continuaria a adquirir armas. Os candidatos à obtenção de uma arma, apenas teriam de provar que não tinham antecedentes criminais para efectuar essa compra!!! Uma premissa bastante básica! Mesmo assim, foi chumbada e com votos (pasmem-se meus senhores), além dos habituais republicanos, também de alguns democratas!

Portanto na terra da democracia e das oportunidades, existem estas aberrações que acabam por nos fazer pensar, que a interpretação da segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos sufragada pelo "lobby" do armamento, será sempre um obstáculo a uma legislação que faça parar o assassínio de muitos milhares de cidadãos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Traz a máquina contigo!





Vamos dar uma volta por aí. Traz a máquina contigo. Não custa  nada e tu até tens jeito, vá lá...
Sabes, tenho a sensação de que vai estar bom tempo. No outro dia, estava sóbrio, algo que acontece cada vez menos e ali para os lados do Cabo Espichel, assisti a um fim de tarde perfeito. De repente as lágrimas corriam-me pela face e dei por mim a querer eternizar aquele momento. Perguntava-me, como é que vou conseguir partilhar esta imagem.
Uma sensação infinita de impotência, traduzir em palavras o perfeito.
-Se ao menos tivesse aqui a minha máquina...
Consegues-me entender?




- Lembras-te daquelas ruas estreitas que iam dar a sítio nenhum?
Eu, a princípio ainda estava renitente em subir, ladeira acima para ver as vistas, talvez por causa desta minha fobia a alturas.

Depois, para ganhar coragem... ainda... estás-me a ouvir? Repara, só bebi aqueles copos porque tinha a sensação de que a paisagem me ia esmagar. Sabes, desejava desfrutar a aldeia mais portuguesa de Portugal na plenitude. Sabes, quando começam a colocar etiquetas, fico fulo. A mais isto, a mais aquilo. Tretas atrás de tretas!!!

A luz é tão importante, não achas?
A forma como pegas na máquina e essencialmente  a escolha dos enquadramentos, fez-me sentir na hora, que escolhi a pessoa certa para registar aquele momento especial.
Não importa o que dizem os livros, não importa a máquina. O que realmente importa, é quem prime o botão, quem escolhe o momento.

Lembras-te daquela tarde na Nazaré?


-Vê lá se me compreendes. Talvez eu tenha necessidade de preservar aquilo que presencio de alguma forma. Será uma insegurança inconfessada ou simples desejo de partilha?
-Não respondas já. Pensa antes nas imensas probabilidades de que estes momentos tão efémeros, são resultado de um conjunto enorme de factores, que só conciliados produzem aquela imagem. Não serão eles, dignos de registo?
    -Por amor de Deus, não me venhas com essa conversa de escolhas erradas! - Não podemos todos ter esse teu espírito crítico e distante. Em Alcobaça, tudo não passou de uma falsa modéstia da minha parte. Ali, tudo era grandioso...





Quando tracei no mapa, aquela passagem por Porto Mós, estava longe de pensar nas consequências de uma visita tardia a um lugar aonde nos faziam pagar por tudo a que queríamos ver.

Ao subir a estrada em direcção ao castelo, lembro-me de ver aquela senhora de idade, fazer um gesto cheio de dignidade, colocando a tabuleta de encerrado, porque provavelmente, estaria já farta de tanto "menino" com câmara à tiracolo a pedir informações!!

     -Estás enganado!! Redondamente enganado!!! Nesse dia, comecei a beber aquelas ginjas para tentar esquecer os pés molhados. Como chovia a cântaros, quando finalmente regressámos ao nosso abrigo.



 Não, de facto não me passava pela cabeça tentar travar conhecimento com o responsável pelo rebanho. Fostes sempre à minha frente, saíste resoluto do carro e até pensei que resolverias o assunto da melhor maneira. És sempre sensato e não previa aquele epílogo.

Numa estrada no meio de nenhures, era previsível encontrarmos animais imobilizados na via. Eu, especado à espera de um sinal divino para podermos seguir, e nada. Quando dei por mim, estavas a caminho de uma igreja ali perto, no alto de uma colina. Demorastes tanto, que resolvi seguir-te. Quando entrei naquele monumento, estavas simplesmente sentado frente ao altar. Saquei da minha máquina e tentei colocar numa imagem, a paz, o silêncio, a luz, o cheiro do incenso...enfim o divino. Coube tudo aqui...

Por isso, eu peço-te sempre. Traz a máquina contigo!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Continua uma festa linda, pá!

Carta Aberta a um Amigo de Abril.

Caro amigo, a festa, apesar de tudo continua linda!

Faz um ano desde que partiste e as noticias não são animadoras. Grândola ouviu-se mais, mas o gajo é teimoso e persiste nesta política de austeridade.

Alargámos os prazos da divida, mas o cinto já não têm mais buracos  e as famílias desesperam. Temos uma dieta à base de uma receita errada. Os ingredientes foram mal calculados e o resultado é desastroso. 

Temos muitos elogios à forma como nos estamos a portar, mas a origem dos encómios são suspeitos. Eles estão a ganhar fortunas com o nosso sacrifício. 

Repetem vezes sem conta, não somos a Grécia, nem o Chipre, mas cada vez estamos mais parecidos com Portugal dos anos 50 e 60, pelo menos nas condições de trabalho, na perda de direitos laborais adquiridos, nos números do desemprego, no acesso à educação, à saúde e à justiça.

Gostava de saber mais para te contar  Miguel, mas eles escondem a verdade, omitem as ideias de um liberalismo atroz que perpassa desde Atenas, a Bruxelas, a Nicósia ou Lisboa. As tuas ideias continuam vivas nas nossas lutas, mas essa alegria de viver a política de uma forma transparente e salutar, a virtude de não se contradizer em lugares distantes como a faixa de Gaza, Beirute ou nos corredores do Parlamento Europeu. isso nós temos muita saudade.

Tal como Chico dizia "...Já murcharam a  tua festa pá, mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim..."  de certeza que iremos sempre descobrir uma semente que irá florescer e dar esperança num futuro bem melhor. Os cravos nunca irão murchar, enquanto seguirmos as tuas convicções. Até sempre Miguel...






terça-feira, 16 de abril de 2013

Uma aliança impossível!

Quando estamos à beira de um precipício, ocorrem-nos ideias pouco lúcidas. Ultimamente, tenho querido acreditar, baseando-me nas ultimas sondagens, na possibilidade de uma coligação de esquerda, com chances de maioria absoluta no parlamento. O PS farto de entendimentos ao centro e à direita, poderia agora experimentar uma solução de entendimento com o PCP e o Bloco. Para uma pessoa de esquerda como eu, esse seria um cenário interessante.

Com esta direcção bicéfala do BE, essa ténue esperança ganhou novo alento, porque na opinião de Semedo e Catarina Martins, neste momento, não fechariam a porta a um entendimento com os socialistas. Quanto à relação entre os socialistas e o PCP, tudo se torna muito mais complicado, porque passados quase 40 anos sobre os conturbados momentos do período pós-revolucionário de 75 e 76, as mazelas nunca sararam. A desconfiança é muito grande, de ambas as partes.

 Ontem mesmo li um artigo de opinião de Rui Tavares, na última página do jornal "Público" que se intitulava, "Eles não querem".
Sucintamente passo a  descrever aquele texto, com algum desalento, devo confessar. No Alto Minho, mais propriamente em Caminha, estes três partidos de esquerda chegaram a um pré-acordo, quanto à sua candidatura conjunta, nas autárquicas que se avizinham. Logo que alinhavaram o seu programa a apresentar aos eleitores daquela Câmara, deram indicação das suas intenções para os respectivos centros nevrálgicos em Lisboa. O que aconteceu depois, é a imagem real da possibilidade de acordos entre estes três partidos. Por razões de mera táctica e jogos palacianos, foi vedada essa possibilidade. Primeiro pensam nas suas vaidades e constrangimentos, só depois no País. Agora imaginem na hipótese remota de entendimento a nível...não vale a pena!!

Tudo isto não passa infelizmente de uma mera utopia, com culpas a dividir por estes três partidos de esquerda.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Última Ceia.

 Transcrevo hoje, algumas afirmações que atestam da veracidade nas afirmações recorrentes de que os portuguesinhos estão à beira de um precipício.  Pensamentos recentes sobre a agonia deste Governo. Uma selecção de pessoas que não estando ligadas aos partidos da  oposição, estão de uma forma ou doutra, a desempenhar papéis bem diferenciados, na sociedade portuguesa. Une, estas vozes, a urgência de clarificar o desempenho deste Governo ao longo dos últimos dois anos.

  • António Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, afirmou ontem no Jornal de Negócios ..."O Governo utiliza o pior da autoridade, para interromper o Estado de Direito, e para instaurar um Estado de excepção..." 


  •  António Arnaut, pai do quase extinto Serviço Nacional de Saúde, declarou hoje num fórum da TSF e passo a citar. "Passos Coelho é um primeiro ministro insensível, incompetente e insensato". Apelou de seguida a uma Revolta Cívica. 
  • Medina Carreira, fiscalista e antigo Ministro das Finanças, disse esta semana no seu programa da TVI ..."qualquer dona de casa faria melhor que Passos e Sócrates..."


  • Pacheco Pereira do PSD, no programa da SIC Noticias, "Quadratura do Círculo". "...à medida que vai tendo cada vez mais dificuldades em cumprir aquilo que deseja, vinga-se em todos aqueles que lhe criam obstáculos..." referido-se a Passos Coelho.
  • José Reis, director da Fac. de Economia da Universidade de Coimbra. "Este Governo têm uma total ausência de ideias e estratégias que façam sentido". Proferiu esta frase, num programa da RTP , o mês passado.
Estas opiniões seriam apenas meras opiniões, não tivessem elas o peso de uma realidade transversal a toda a sociedade portuguesa nos dias que correm. Seria importante, Cavaco de uma vez por todas, deixar de andar com este Governo "ao colo" e escutar o barulho ensurdecedor do seu silêncio.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Soltas de Abril.

Quando este blogue está quase a completar 5 anos, vou hoje começar a apresentar, uma rubrica que se chama... Soltas.  Uma miscelânea de temas desconexos, que em dada altura poderão ter-me chamado à atenção.

  • A figura que apresento em cima, representa uma prática secular em Bombaim. Uma cidade  com mais de 12 milhões de pessoas, cerca de 5 mil homens distribuem todos os dias à hora do almoço mais de 200 mil refeições. Vão buscar as marmitas, ao domicilio de cada pessoa, que não têm oportunidade de transportar o seu repasto. Ora aqui está uma ideia que seria bem vinda em tempos de crise, aplicada convenientemente á nossa realidade.
  • Foi inaugurada hoje, com pompa e circunstância, mais uma unidade de refinaria no complexo industrial da GALP, em Sines. Em termos práticos, vamos conseguir ser auto-suficientes, em termos do consumo de gasóleo e ainda vai dar para exportar. Será suficiente para diminuir o preço de venda ao público, a médio ou longo prazo?- Resposta óbvia, claro que não! Por causa destas e doutras é que a GALP continua a registrar todos os anos, lucros colossais.
  • Júlio Pomar finalmente inaugurou o seu atelier-museu, mesmo junto à sua casa, na Rua do Vale. Curioso é que na vizinhança, ali para os lados de S.Bento, more alguém, que têm feito tudo para dar cabo da nossa cultura. Mas esta obra, era uma promessa do então Presidente da Câmara, João Soares em 2000. Finalmente este armazém abandonado, conseguiu converter-se num ponto de encontro para todos aqueles que admiram o seu trabalho. A esta obra, António Costa poderia agora, decidir fazer-lhe uma homenagem justa, em termos da toponímia desta cidade. Nesta rua,  estreita de um só sentido na cidade de Lisboa, aonde ele sempre viveu e trabalhou, propor que se passasse a chamar, Rua Júlio Pomar. Justiça seja feita, enquanto ele ainda nos dá o prazer da sua presença.
  • Fernando Seara já prometeu,a Revolução Branca bem pode insistir nas providências cautelares, quanto à sua eventual candidatura ao município de Lisboa, porque ele vai bater o recorde Guiness de recursos (Isaltino já lidera com 44!!!!) até que consiga levar por diante os seus intentos. A sede de protagonismo às vezes em Portugal raia o ridículo. 
  • Finalmente, termino com uma bela notícia. Nelson Mandela continua a registar melhoras contínuas, apesar de estar ainda no Hospital. É desejo de todos os grandes democratas deste mundo, uma vida longa a este grande estadista. Um humanista que será sempre um exemplo a seguir.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Europa Não! Portugal Nunca.

Agora que começamos, insistentemente a ouvir cada vez mais vozes contra esta Europa descontrolada,  lembrei-me de uma peça de teatro, representada por o inesquecível Mário Viegas na sua Companhia Teatral do Chiado entre 1994-95, chamada "Europa Não! Portugal Nunca". Este senhor do teatro, encenador, actor e declamador de excelência, simulava uma conferência de imprensa, aonde se candidatava  à Presidência da Republica. Mais tarde, também viria a propor o seu nome como independente pela UDP à Assembleia da Republica. Acredito mais como chamada de atenção perante tanta hipocrisia apresentada pelos políticos que se levavam muito a sério, do que propriamente como intenção de conseguir esse lugar.

  


Neste blogue, era uma lacuna muito grande da minha parte, nunca ter dedicado algumas palavras a um dos homens da cultura portuguesa que mais admirei. Apesar da sua clarividência cortar a direito  não poupando nunca a mesquinhez  e a mediocridade, não deixou de ser condecorado pelo Estado e reconhecido em vários prémios nacionais e internacionais. Mário Viegas não tinha paciência para as tricas do "porno"sensacionalismo quotidiano, não pactuava com esquemas de promoção e subsídios  fáceis em troca do seu silêncio. Na sua curta estadia entre nós, granjeou mais inimigos do que amigos, porque aquele olhar, as suas pausas, o seu sentido de humor  e inteligência, incomodava muito boa gente.

  Nasceu em Santarém, em 1948 e cedo se notabilizou como actor, no Teatro Experimental de Cascais, aonde se estreou com a peça, "O comissário de polícia" em 1968. Ao longo da sua vida, foi fundador de três companhias de teatro, a ultima das quais, a já mencionada Companhia do Chiado, aquele estúdio ao lado do Teatro de S.Luiz, que ficou com o seu nome.Uma homenagem mais do que merecida. 


                                   
Foi nesse espaço que ele um dia, agarrou o texto do Almada e adaptou-o a um Manifesto Anti-Cavaco. Ao ouvi-lo, sentimos a sua actualidade, basta mudar alguns personagens e colocar lá outros. Os medíocres serão sempre reconhecidos, pelas suas características intrínsecas. 

Quem não se lembra de um saudoso programa da RTP, "Palavras Ditas", aí sim lembro-me do que era serviço público. Era delicioso, ouvir Viegas declamar Fernando Pessoa, Jorge de Sena, Raul de Carvalho, Cesário Verde, José Régio, Vinicius de Moraes, etc... Quem se atreveria hoje em dia a apostar num programa dedicado à poesia?

 Podíamos falar também do seu percurso no cinema, aonde participou em 15 filmes, entre os quais eu destaco "A Divina Comédia"do centenário Manoel de Oliveira, "Sem Sombra de Pecado" de José Fonseca e Costa ou "Rei das Berlengas" do também inesquecível Artur Semedo.

O seu espólio, é um legado a todos aqueles que continuam a acreditar que deveríamos sempre falar primeiro e depois pensar. Mário há só um, o Viegas e mais nenhum! 




terça-feira, 19 de março de 2013

Não há ronha que envergonhe o FMI.

Passa pela cabeça desta gente, que podem fácilmente mexer nas economias dos cidadãos sem qualquer problema? -Só porque, por decreto, decidiram ir aos bancos, tirar uma percentagem sobre as contas depositadas. Ensandeceram de vez, ou estão completamente conscientes que seria assim fácil, só porque tinha a chancela da Troika?
Apesar de ser, um pequeno País, com pouco menos de um milhão de pessoas, o Chipre soube reagir a este "roubo" e o Parlamento acaba de reprovar tal medida. Os números são de uma violência atroz e cada europeu deve ter-se sentido atingido. Olha se isto acontecesse no meu País intervencionado, como reagiria?

Estas propostas, vão de certeza dar razão a todos aqueles que sempre acharam estes senhores da Troika, um pouco como experimentalistas de um novo conceito de Europa reduzida a uma ditadura económica, centrada nas ideias dos mais fortes sobre a efectiva inoperância dos mais fracos. Mais uma vez, lembro-me da letra e música do sempre lúcido, José Mário Branco, " FMI". Nunca foi tão actual, basta mudarmos os protagonistas, porque a história repete-se e a credibilidade, é a mesma.


Cachucho não é coisa que me traga a mim..."FMI
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece

 o cheiro do pilim
Distingue bem o Mortimor do Meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attaché-case' sai a solução!
FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI
Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!
FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico hara-kiri
FMI Panegírico, pro-lírico daqui
Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!
FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ..."


sexta-feira, 15 de março de 2013

Populus Lapsus Linguae.

Nada como colocar um título em latim para celebrar  esta semana o Chico Primeiro. Mas não vou falar da igreja.É impressão minha, ou cada vez andamos mais preocupados com as medidas futuras deste Governo e esquecemos completamente a via do calvário que percorremos até aqui?

Os portuguesinhos anseiam por saber a revelação. O que decidiram aquelas três criaturas vindas de uma Troika longínqua, junto do nosso Gaspar. O segredo mais bem guardado, dos 4 mil milhôes. Pouca gente faz as contas às alterações já introduzidas na lei laboral a par da implementação de programas para combater o flagelo nacional, o desemprego. Essa cruz que Passos carrega nas suas costas e não deixa dormir o Relvas. O povo diz, e com razão, que em enquanto o pau vai e vêm, folgam as costas, mas neste caso, ainda estamos a  digerir a pancada,  já estamos com outra no lombo.

Era importante, para começar, não nos deixarmos levar pela ladainha do executivo, quanto ao legado que o PS nos deixou e blá...blá...blá... afinal de contas os senhores já estão no poleiro à cerca de 2 anos. Para não me dispersar muito, apenas irei focar-me na alta percentagem de desemprego jovem revelada recentemente pelo INE, os insignificantes 40%!
Vamos rebobinar a fita e recordar um passado recente.

Relembro um programa de iniciativa governamental, lançado em Março de 2012, com o charmoso nome de "Plano Impulso Jovem". Através (mais uma vez) de verbas comunitárias, consistia na atribuição de bolsas a empresas, que promovessem estágios para jovens e mais tarde garantissem a possibilidade de integração efectiva nos seus quadros. Objectivo este, que abrangeria cerca de 90 mil jovens. Iriam criar também um passaporte  para primeiras oportunidades de inserção no mercado de trabalho, também direccionado aos jovens. Os objectivos foram traçados e os resultados, passado um ano, estão à vista de todos.

Depois em Agosto, vieram as ajudas directas aos empresários. As alterações introduzidas no código de trabalho, visavam dinamizar  a criação de emprego. Relembro algumas delas, para não ser muito exaustivo:


  • Diminuição, em 50% na remuneração de feriados a par da eliminação posteriormente de alguns.
  • Redução drástica na remuneração de trabalho extra.
  • Mais facilidade em despedir, criando uma cláusula de inadaptação ao posto de trabalho.
  • Diminuição dos montantes compensatórios e do número de dias para cálculo de indemnizações por despedimento.
  • Redução da TSU para as entidades empregadoras.
  • Eliminação de três dias de férias, que compensavam o trabalhador pela assiduidade no ano anterior
Enfim, um conjunto de medidas que ao fim e ao cabo acabaram por dar os seus resultados. Aonde é que são visíveis?- Acho que todos os portuguesinhos poderão facilmente responder a esta questão. No bolso de todos aqueles que já estavam muito bem na vida.

O líder da JSD, afirmou um dia destes, que Passos no final da sua governacão (se assim lhe podemos apelidar) terá pela frente duas realidades possíveis. Ou sairá em ombros, ou será escorraçado pelo povo português. Sinceramente, penso que em ombros vai ser muito difícil, pelo menos, por aqueles que vivem neste momento no limiar da pobreza e perderam tudo aquilo que tinham, à custa destas experiências mal sucedidas.

terça-feira, 5 de março de 2013

Visita virtual à sala de Passos Perdido(s).

Mais uma grande demonstração do nosso desânimo, acaba de acontecer, um pouco por todo o País. Seria importante, realçar por cada imagem que eu deixo aqui, relembrar algumas das promessas eleitorais do senhor Passos Coelho. Dizia o candidato do PSD, e passo a citar:

" Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar o nosso futuro, tapando com impostos, o que não se corta em despesas."

 "Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado"

"Se formos Governo, garanto que não será necessário despedir pessoas, nem cortar mais salários para sanear o sistema português"



"Não faz sentido martirizar o povo português com impostos e mais impostos e o Estado ao mesmo tempo estar a atribuir milhões de euros a gestores públicos, em prémios e bónus."


"Como é possível manter um governo em que o  primeiro-ministro mente?????"

Conta do Twitter de Passos Coelho (@passoscoelho) iniciada a 6 de Março de 2010.
Os tuites aqui transcritos foram publicados entre Março de 2010 e Junho de 2011.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Grillo Falante

Este "tsunami" político que acaba de acontecer na Itália, deveria merecer da nossa parte, toda a atenção. Por alguma razão, sucedeu algo  de muito parecido nas ultimas eleições na Grécia. Simplesmente, a diferença aqui registada é que a nova força que irrompeu, o Syriza, é baseado numa coligação da esquerda radical grega, portanto do mesmo espectro político. O partido de Grillo, grande surpresa em Itália, não têm qualquer ligação com partidos políticos. Diz-se, aliás, contra o sistema vigente, baseado nas mesmas soluções, os personagens de sempre e caindo invariavelmente  nos erros do costume!



Existe outra semelhança entre estas duas recentes eleições, tanto o partido de Alexis Tsipras, o segundo mais votado na Grécia como agora o Movimento Cinco Estrelas, não desejam fazer coligações para viabilizar qualquer solução estável para os respectivos países. Porque manda a coerência dos seus discursos, que prometendo aquilo que prometeram durante as suas campanhas eleitorais, não iriam pactuar mais com o poder outrora instituído. Seria mais do mesmo.

Este novo panorama político na Europa revela que as novas gerações desejam uma mudança. Revelam também o despertar para estas questões, agarrando o poder de decisão nas suas mãos, já que os seus antecessores estão a deixar-lhes um legado catastrófico. Urge, agir o mais breve possível, romper com estes ciclos mais ou menos viciosos, de mudança no poder. Estas percentagens agora obtidas, tanto de Bersani, como de Berlusconi, ainda revelam aquele voto conservador das gerações mais velhas, mas cada vez são mais fracas. A tendência de alternância de poder, pelas mesmas forças partidárias, modelo que já vêm desde o final da Segunda Guerra Mundial, está a esgotar-se. Felizmente para todos nós.

Como sempre, a nós portuguesinhos, as mudanças vêm sempre por arrasto e muito mais tarde. Tenho esperança que o PS, o PSD e o CDS, (principalmente estes) tenham uma  lenta ou rápida agonia, até ao seu ocaso. Por enquanto os jotinhas, a desenvolver a sua ascensão nos respectivos aparelhos partidários, talvez possam não ter tempo de "mamar" à nossa custa.

Coincidência ou não, Gepetto criou um boneco mentiroso que se chamava Pinóquio, mas a história conta-nos, que a fada logo criou um Grillo que seria a consciência do boneco. Talvez estejamos na presença de um cómico que representa a consciência de uma casta de homens que não merecem o lugar que ocupam.






quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Já agora, vamos cantar todos!


À cerca de dois anos, escrevi neste blogue, o importante que seria, sairmos à rua para demonstrarmos o nosso repúdio pela corja de políticos que nos governava, liderada pelo ex-engenheirinho e recente filósofo, Sócrates de seu nome. Assim, o 12 de Março foi um bom impulso para nos vermos livres desses senhores. No passado 15 de Setembro, essa demonstração de força reflectiu-se numa marcha-atrás comprometedora, na espatafúrdia ideia de aumentar a TSU.

Muita gente começa a interrogar-se sobre o estado da nossa democracia?
Vivemos momentos difíceis, o que por vezes tira alguma clarividência aos nossos julgamentos e é necessário diagnosticar o cerne do mal que padecemos. Está mais do que provado que apenas 1% da população portuguesa teve até hoje oportunidade de escolher o senhor que se senta em S.Bento, em cada eleição desde o 25 de Abril. A forma como estão escolhidas as pessoas é automaticamente a antítese do que seria uma verdadeira democracia. Ainda por cima, a bipolaridade esquizofrénica das nossas opções, ainda mais limita as hipóteses de colocarmos ali alguém que não seja fabricado e formatado, pelos aparelhos partidários.

A partir do momento em que começamos a sofrer na pele,  as vicissitudes desta crise profunda, todas as pessoas escolhidas por estes dois partidos para representar a vontade do povo nas urnas são logo estigmatizadas, ou seja, ficam registadas com o crivo de inconsequentes, corruptas, de estarem ligadas a grupos económicos, mentirosas, etc..., simplificando, características nada abonatórias para o normal desempenho a que foram destinadas. E o povo não se costuma enganar, mais cedo ou mais tarde os buracos começam a aparecer. Começamos a duvidar da própria Constituição, interrogamo-la constantemente, porque já nem essa consegue defender-nos das atrocidades cometidas.

 Toda esta geração que vive no desemprego, em trabalhos precários, que foi obrigada a emigrar ou ainda aqueles que estando a estudar não vislumbram qualquer perspectiva de uma saída com futuro, esses mesmos estão a acordar e passa por eles uma mudança de paradigmas. Temos de mudar de modelos e no entanto fazer por preservar os valores de Abril. A juventude, penso que terá aqui uma palavra essencial neste processo contra os poderes instituídos. Por tudo isto, cada um de nós deveria agir já, antes que seja tarde demais e estar presente nesta manifestação.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Édouard Boubat

                                   Cerejeira em flor (1983). Édouard Boubat
                                              Parque de Saint-Cloud (1981)


                                               O inicio da película (1964)


                                      Primeiro nevão no Jardim do Luxemburgo (1955)


                                                             Nazaré,(1956)

Mais um Mestre de fotografia francês, nasceu em 1923, na sempre incontornável, Paris. Um dia disse que "...Em fotografia há sempre uma dimensão que ultrapassa a aparência. É o que eu chamo o invisível ou, se preferir, a atmosfera... " Ele conseguia transportar as atmosferas que captava de uma forma sublime, foi pioneiro da fotografia humanista francesa, a par de Doisneau. 

Antes de enveredar definitivamente por esta carreira brilhante, passou dias difíceis durante a Segunda Guerra Mundial, ao ser enviado para um campo de trabalhos forçados, em Leipzig. Marcado por esta terrível experiência, chega a Paris com uma vontade indómita de viver. Começa então a interessar-se por fotografia em 1946. Foi com uma Rolleicord 6x6, que ele captou o seu primeiro grande êxito, "a Menina com Folhas Mortas". Esse trabalho que lhe viria a dar o prémio Kodac e que foi exposta em 1947, na Feira Internacional de Fotografia em Paris, de uma forma, até para ele, inesperada. Em 1949, conhece Robert Frank, um fotógrafo da sua geração, nascido na Suiça, mas radicado nos Estados Unidos. Dessa amizade, resultaram experiências partilhadas, viajaram pela Europa e nessa altura troca a sua máquina por uma Leica. Começou a publicar numa das revistas de actualidade, mais importantes em França, a "Réalités". 

O seu trabalho como foto-jornalista, caracterizava-se por preencher com imagens simples  e planos apertados, situações à partida, despidas de qualquer interesse relevante, mas que ressaltava ali uma alegria e esperança, dignas de serem apreciadas. Ele viria a ser apelidado de "correspondente da paz", pela mensagem que transmitia, através das imagens.

A excelência do seu trabalho, é bem patente, no número de prémios  que o galardoaram.Nos seus últimos anos de vida, dedicou-se a experiências com a luz, numa série dedicada às flores e a uma reportagem especial, inacabada, sobre o Circo Romanes, de Paris. Os seus restos mortais, repousam no lugar indicado aos grandes homens da cultura francesa, Montparnasse. Morreu em 1999, com 75 anos e apenas destaco algo de muito interessante nas suas deambulações por este mundo. A última fotografia deste apontamento, foi tirada na nossa praia da Nazaré, aonde ele veio fazer uma reportagem em 1956. Esta foto, teria grande sucesso a nível internacional.





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um Murmúrio em Montemor







     Visitei Montemor-o-Novo, tirei algumas fotos do seu lindíssimo castelo altaneiro e gostava de recordar, um filho desta terra, que no meio literário teve um pouco esquecido, mas recentemente voltou a publicar. Falo de Almeida Faria, nascido junto destas muralhas em 1943.

                     
                   
     


 Com 19 anos publicou a sua primeira obra, "Rumor Branco", muito considerada pela critica de então e elogiada especialmente por Virgílio Ferreira. Durante muitos anos, este livro e outros que posteriormente escreveu, como  "A Paixão " de 1965, ou mesmo a tetralogia  Lusitana, composta por "Cortes" de 1978, "Lusitânia" de 1980, "Cavaleiro Andante" de 1983, estiveram desaparecidos dos escaparates das nossas livrarias, esgotadas que foram as suas edições originais.



Durante anos foi considerado um escritor de culto.
A Assírio Alvim por altura do 50º aniversário da publicação de "Rumor Branco" voltou o ano passado a reeditar esta obra e prepara-se agora, para publicar novamente o resto dos seus livros mais antigos.
Almeida Faria não publicou nada durante 12 anos, segundo ele, porque estaria muito ocupado com o ensino de Estética na Universidade Nova de Lisboa, ele que se licenciou em Filosofia na Universidade de Lisboa, no principio dos anos 60.

Foi convidado a escrever sobre Goa e Cochim pelo Centro Nacional de Cultura, cidades ainda com vestígios da nossa presença. Assim nasce "Murmúrio do Mundo", lançado o ano passado, uma prosa de viagens, bem referenciada pela maioria dos críticos mais exigentes da nossa praça.






Quando ao longo de 150 páginas este livro faz-nos transportar para estas paragens, que desconhecemos por completo, de uma forma mágica e ao mesmo tempo escorreita, é puro prazer. Espero que tenham a vontade de descobrirem este pedaço da Índia que já testemunhou a grandeza do nosso império colonial, através da simplicidade das palavras deste montemorense.



       

A sua terra natal, vê-se reconhecida por esta referência da nossa cultura e deu o seu nome à Biblioteca Municipal. Uma cidade alentejana que tal como outras soube cuidar dos seus, atempadamente, algo que o Secretário de Estado da culturazinha, tarda em reconhecer. Os valores da nossa cultura têm de ser preservados, apesar de todas as crises.