quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Ora, sai um Pires de hipocrisia para a mesa do canto...da Europa!

"Sou um soldado disciplinado e leal deste Governo", afirmou o Ministro da Economia, ao ser confrontado com a continuação da taxa de 23%, na restauração. Eu diria melhor, se estivesse no lugar dele, diria...Sou um político de convicções e como tal, este "tacho" dá-me um jeitão!

Pires de Lima, antes de chegar ao Governo, estava na UNICER e de vez em quando,  mandava uns bitaites cá para fora, armado em valente. Só que pelos vistos, a coragem de assumir as suas posições, ficaram à porta do Conselho de Ministros.
O Álvaro, o seu antecessor, não percebia nada do jogo político, andou ocupado lá pelo Canadá e sentia-se perdido naqueles meandros da politiquice corriqueira. Ria-se, distraído, dos próprios colegas do Governo, lançava umas piadas, exemplo, a exportação dos pastéis de Belém, chegou a aventurar-se na taxação do sector energético, mas perdeu logo um Secretário do Estado e apanhou juízo!!

Mas este senhor, sabe bem ao que vinha. Têm a lição estudada, ponderou muito bem o chão que ia pisar. Afirmações sobre o estilo agressivo do anterior Ministro das Finanças e do Primeiro Ministro, em relação ao PS. Também sobre a oportunidade perdida pelo Governo, quando Relvas saiu do executivo, de remodelar também o Ministro da Economia (já se estava a fazer ao cargo, nesta altura???), de forma a reestruturar a dinâmica do Ministério, (talvez por causa disso mesmo, aquando da posse de Pires de Lima, o Álvaro, nem pôs lá os pés) e finalmente em relação aos 23% da restauração, intenção que foi diversas vezes repetida, como sendo um dos objectivos pessoais para o Orçamento de 2014. Tudo isso, foram afirmações num contexto diferente e antes de chegar ao executivo. Em suma, este senhor do CDS, que ficou com um Ministério "vazio", dado que lhe retiraram, uma série de competências, fez parte de um "acordo" para ver se Passos Coelho "aguentava" o barco e para o Portas conceder protelar o fim desta coligação. A sua hipocrisia é justificada pela necessidade de ser ...Ministro da Economia!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Ponte a pé!

Este tema dos protestos na Ponte 25 de Abril, veio novamente à memória das pessoas, por causa da Manifestação da CGTP, marcada para o próximo dia 19, exactamente naquele local. Eu já tive ocasião de afirmar que estes eventos, organizados por esta central sindical, não têm qualquer efeito prático. O governo, invariavelmente, assobia para o lado, sempre que ao fim de semana, se juntam uns milhares de pessoas, percorrendo uma artéria da capital, gritando sempre as mesmas palavras de ordem e desmobilizando na hora combinada com as forças de segurança. Imagem de marca, bandeirinhas debaixo do braço e sentimento do dever cumprido, rumo aos seus lares.

Arménio Carlos, quis desta vez, mexer um pouco nas regras do jogo e atravessar as pontes emblemáticas, nas duas principais cidades do País. Esta decisão, está a provocar celeuma, porque o Instituto de Segurança da Ponte, desaconselha este tipo de iniciativas, invoca "diversos riscos". A CGTP não compreende estes entraves, já que ali se realizam vários eventos de cariz desportivo e porque a própria estrutura sindical adoptou várias medidas, para que a manifestação se desenrolasse de uma forma segura. Entretanto, o assunto já está nas mãos das Câmaras de Lisboa e Almada, que irão emitir os seus pareceres.

A Ponte 25 de Abril, já teve vários episódios, principalmente a seguir à Revolução dos Cravos, que produziam capas de jornal. Longas horas de espera em cima do tabuleiro, porque no chamado "garrafão", o MFA tentava revistar minuciosamente as bagageiras dos carros, à procura de armamento. Períodos muito conturbados, que parece, pairam ainda sobre algumas mentes. Cavaco, também ainda não esqueceu, de certeza, o famoso buzinão , que tantos pesadelos lhe deve ter provocado. Existem, medos no ar!

Enquanto, nas provas desportivas, existem patrocinadores que garantem a receita, que a Lusoponte perde naquelas horas, neste caso, eles não estão preocupados com o controle de multidões ou outro tipo de questões de segurança. Eles estão preocupados é com os euros que deixam de cair na bolsa a cada segundo que passa.

Termino, lembrando algo que Gandhi, afirmou um dia...."a função da resistência civil é provocar reacção. Vamos continuar a provocar... até que reajam ou mudem as leis. Eles não controlam. Nós controlamos!
-Esta é a força da resistência civil..."

Até hoje, o povo português,  neste período em que estamos sob a alçada da Troika, nunca soube organizar-se, de forma,a dar entender a meia dúzia de pessoas, que aqueles que sofrem na pele, o resultado de todas estas medidas penalizadoras, são muitos, e essa força unida, era de certeza suficiente para percorrermos outros caminhos.




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A arrogância do Poder.

Após, mais uma noite de eleições autárquicas, estou com uma ambiguidade genuína de sentimentos. Por um lado, tenho a sensação nítida que os portuguesinhos, meus vizinhos, optaram pela pior opção à Câmara de Oeiras. Por outro, a CDU recuperou muitas das edilidades, principalmente na zona do Alentejo, que tinham perdido à 4 anos e, na minha opinião, é uma forma de se homenagear Urbano Tavares Rodrigues, um comunista alentejano, desaparecido recentemente.

Quanto à primeira questão, quero acreditar que Paulo Vistas irá interpretar da melhor forma, as ideias que Isaltino, atrás das grades, lhe irá ditar. Quando, o provado corrupto sair em liberdade, a população de Oeiras encarregar-se-á de o levar em ombros até ao seu lugar cativo. Quem vive em Oeiras, têm frequentemente a sensação de existir uma "rede" (para não colocar o adjectivo mais correcto, de forma a não ferir certas susceptibilidades) montada, por trás deste senhor. As conexões, são extensas e a forma como ele deixou a teia montada (teve muito tempo, antes de ser justamente encarcerado!), está a resultar em pleno. O "fantoche," agora eleito, não é melhor, nem pior do que o seu adversário do PSD, Moita Flores, mas a sua eleição, revela, que deveria ser feito, um estudo aprofundado na área da Ciência Política, neste Concelho, para que pudéssemos compreender este fenómeno, no minimo, estranho da nossa democracia.

Quanto ao número de Câmaras conquistadas pela CDU, na margem Sul, eu aproveito, para prestar uma homenagem (tardia é certo) a um grande escritor português. Um alentejano, que recordo, quando recebeu o Prémio Fernando Namora, (seu amigo pessoal) disse em entrevista ao Jornal de Letras. A questão era a seguinte. ..."Que mais gosta, ainda, de infringir?..." Ele respondeu, e passo a citar:

...."A arrogância do Poder. Gosto de a combater..." Uma forma de pensar, que nos tempos que correm, ficaria muito bem, a muitos portuguesinhos que continuam a ter na hipocrisia, uma certa zona de conforto e de estar. Já agora, para estes mesmos senhores, recordaria uma outra passagem desta mesma entrevista, sobre a nossa responsabilidade, enquanto cidadãos:

..." E que sentido tem a nossa vida?, que responsabilidade não será amanhã a nossa se ficarmos quietinhos a assistir ao descalabro, nesta grande prisão de gente bem comportada, que é, aos mesmo tempo, o palco de uma peça de Ionesco, onde se tomam a sério as maiores imbecilidades e o bem se confunde a todo o momento com a injustiça, com a hipocrisia?!...”

U

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O cartaz da autarquia.

Caminhamos inexoravelmente para o segundo resgate, mas o folclore das autárquicas está montado e promete galhofa da boa nos próximos dias. Não temos muitas razões para o riso, mas nesta semana, vale tudo. Ainda não vi o Paulinho das feiras, nas ditas, talvez porque o seu estatuto (e vergonha na cara?) assim o impeçam, mas já reparei que este ano os inúmeros candidatos esmeraram-se nos cartazes. Temos para todos os gostos e feitios, da esquerda à direita, do independente ao envergonhado autarca social democrata, que coloca o símbolo do partido , muito disfarçado, a um canto do placar, até mesmo, ao presidente da freguesia que lança descontos com o patrocínio da empresa X. Vale tudo, para atrair atenção dos portuguesinhos. Na falta de debates televisivos ou "tesourinhos deprimentes", temos umas envergonhadas arruadas e estes esclarecedores cartazes.

Nos últimos tempos tivemos também um festival de comédia, com as peripécias da interpretação da lei de limitação dos mandatos dos autarcas. Lamento dizer, mas da esquerda à direita, também neste caso, só o Bloco não entrou nesta pouca vergonha, porque realmente a dita interpretação, só revela  um apego desmesurado dos partidos políticos ao "tacho" gostoso. Como a confusão do "de" ou "da", veio baralhar os tribunais na tomada de decisões, quem saiu a ganhar, mais uma vez, com esta aberração jurídica, foram os que sempre tiveram o poder nas autarquias locais, quem perdeu mais uma vez?- Exactamente, o povo e a dita democracia. Os partidos tiveram mais do que tempo, para esclarecer esta embrulhada, mas não o fizeram porque conscientemente sabiam do epílogo da questão e que esta beneficiaria os seus compadres.

Por estas e por outras, não vou exercer o meu direito de voto, porque conscientemente, nenhum candidato, na câmara ou freguesia local, mostrou vontade de ocupar a edilidade, sem que tenha o único propósito de encher os bolsos, à imagem de Isaltino Morais, que acabou por ser,  (milagre!!?) "engavetado".

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Homenagem à hipocrisia!


Se calhar, este feliz acaso, vêm demonstrar que o Governo que temos em funções, ao incitar jovens licenciados a encontrarem soluções fora do País, nunca esperariam encontrar, estes mesmos jovens, a milhares de quilómetros de casa, demonstrando a sua indignação. Afinal de contas, se estão longe da sua terra, longe dos seus familiares e amigos, muito se deve a este senhor que foi homenageado no Brasil.

Em Portugal estamos "anestesiados" com a musiquinha da recuperação económica, mas lá por terras de Vera Cruz, continuam a não esquecer a razão do abandono de milhares de jovens, porque as oportunidades escasseavam e continuam a ser cada vez piores, apesar da divulgação da descida da taxa de desemprego em algumas.....décimas!!!!!!!!!!

Tenham VERGONHA, ao menos deixem passar algum tempo, antes de fazerem estas homenagens hipócritas!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cinemateca a conta gotas.

Eu já receava esta notícia à muito tempo, mas cada vez que a ouço, fico triste por viver,....aqui!

Aqui, aonde a cultura é sempre o parente pobre.
Aqui, aonde em particular, uma das minhas paixões, é maltratada, sem se saber o porquê?
Aqui, aonde a Secretaria do Estado da Cultura faz sempre figura de corpo presente, num Governo com as prioridades viradas do avesso.
Aqui, aonde não se importam de fechar portas a uma instituição que à 70 anos, simplesmente, nos mostra bom cinema.
Aqui, aonde fecham os olhos ao facto da nossa escassa produção de cinema, continuar a receber prémios internacionais e reconhecimento da qualidade do nosso trabalho.
Aqui, aonde, o mais velho realizador mundial, é português e as suas obras continuam  a difundir a nossa identidade cultural aos quatro cantos do mundo.
Aqui, aonde, só por mero acaso, o filme mais visto nas salas de cinema este ano, é português!!!
Aqui, aonde, se enterram milhares de euros em fundações, institutos e observatórios fantasmas!

Na casa de Félix Ribeiro, os que aqui trabalham, vivem em sobressalto.Fecha hoje, fecha amanhã?
O ano passado, por esta altura, foram obrigados a abandonar as legendas dos filmes, por razões financeiras. Este ano, apesar de se ter apertado o cinto, Maria João Seixas, já não sabe para aonde se virar? - Neste momento chegou mais um balão de oxigénio. Mais 700 mil euritos, para aguentar o barco até ao final do ano. Depois logo se verá se a Cinemateca, não mergulhará num período de trevas?

A directora procura receitas, através de publicidade ou o surgimento de um qualquer mecenas, que consiga compreender a importância de manter estas portas abertas. Nem que fosse, pelo facto de sermos dignos desta herança que Luis de Pina e João Bénard da Costa nos legaram.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

André Kertész

Continuando com esta minha divulgação de mestres da fotografia, apresento hoje o húngaro, André Kertész. Nasceu em 1894, iniciou os seus estudos com vista a seguir  uma carreira no universo das finanças, mas nos tempos livres, a fotografia era o seu passatempo favorito. De simples ócio, passou a prioridade, dando lugar a uma carreira de bastante sucesso. Mas antes,teve que calcorrear alguns degraus difíceis, primeiro na Europa e depois foi convidado por uma agência fotográfica nos Estados Unidos.




                                      Em casa de Mondrian,André Kertész((1926)@The Estate of Anré Kertesz/Higher pictures

 Em 1936, atravessou o Atlântico e apesar do surto repentino de revistas em Nova Iorque, a sua visão, personalidade e temperamento artístico, nunca encontrou estabilidade no fotojornalismo americano. Devido à impossibilidade  de voltar à Europa devido ao eclodir da 2ª Guerra Mundial, Kértesz lutou para encontrar um trabalho estável como freelancer. Em 1947, conseguiu finalmente um lugar nos quadros da revista House&Garden, onde passou 15 anos  a criar fotografias de arquitectura. Ele apelidou este período, como os "anos perdidos".




                                                            O garfo,André Kertész(1928)@The Estate of Anré Kertesz/Higher pictures

Em, 1962 e já com 68 anos, voltou novamente à Europa, nesta altura começou a produzir aquilo que mais gostava, imagens líricas impregnadas de perspicácia e conhecimento. A objectiva deslizava para o símbolo inanimado, realçando sombras, com gestos cada vez mais poéticos. Apelidaram-no de "poeta com uma câmara". Em 1963, a Biblioteca Nacional de Paris convidou-o a realizar uma mostra especial dos seus trabalhos. Foi assim que este mestre voltou a deambular por Montparnasse, com a Leica que usou durante toda a vida.



                                      Os óculos e o cachimbo de Mondrian,André Kertész(1928)@The Estate of Anré Kertesz/Higher pictures


 Quando realmente chegou o seu período áureo, a mulher de toda a sua vida, morre  e atinge ferozmente a sua mais elementar inspiração. Regressa ao trabalho com uma Polaroid SX-70, carregado de dor e tristeza, algo que se traduz visivelmente na sua obra doravante.




                                                              Meudon,André Kertész(1928)@The Estate of Anré Kertesz/Higher pictures

Reconhecido como uma figura incontornável na história da fotografia, faleceu em 1985, com 91 anos. À data da sua morte, ainda era um fotógrafo activo e na memória de grandes académicos, continua a imagem de um homem que nunca desistiu de viver do suor do seu trabalho e ao mesmo tempo perseguindo a sua "estrofe perfeita".


                                                      Tulipa melancólica,André Kertész(1928)@The Estate of Anré Kertesz/Higher pictures


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cantiga de mal-dizer.


          Ve(e)des  m andar morrendo
 
          e vós jazedes fodendo

           na praia ao sol!!

           Do meu desemprego non vos doedes,

          e moir eu, e vós troçais

          na praia ao...sol!!



                                                                      Indiferentes a tudo me ol(h)ais, que eu

                                                                      não tenho labor

                                                                      oh, vos que passais pelo Pontal, glorificando

                                                                       uma cantoria que casi a todos avorrece

                                                                       mal de mim... neste torpor


         
           Nem me importo, se lhes c(h)amam

           palavras perdudas

          A todos nós, clamam

          que o migo de Boliqueíme, sen siso

          continue com a vista mui embaçada

          não fora o mafarrico do Largo do Caldas, ter razon de tanto riso.







                                                                     
         


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cavaleiro charmoso!

Eu até tenho medo de estar aqui a lançar foguetes, por causa de um facto positivo que verifiquei, mais uma vez, no nosso litoral alentejano. Vou dizer baixinho... ainda não estragaram aquele pedacinho!

-É verdade, ainda existem locais em Portugal, aonde se resiste à especulação imobiliária, construções desenfreadas, aliciamento por parte dos "Donos de Portugal" ao pobre autarca local,etc... Locais, apelidados de redutos agradáveis para os "pobrezinhos", passarem as suas férias

Estes 130 Km de costa, compõem-se de três reservas naturais. O Sado, das Lagoas de Stº André e da Sancha, finalmente a do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Falando especialmente desta última. Por razões absolutamente discriminatórias e sem qualquer motivo aparente, Vila Nova de Milfontes e a Zambujeira do Mar, sempre foram mais beneficiadas em termos de infraestruturas, em relação a locais como Almograve. Mas até por causa disso mesmo, esta ultima localidade, preserva um ambiente muito especial. Já para não falarmos da pequena localidade, junto ao fantástico Cabo Sardão, de nome Cavaleiro. Experimentem, desfrutem e não estraguem!
Em termos de preservação das espécies, têm sido muito criteriosas, as medidas tomadas por parte das entidades envolvidas, no aspecto das autorizações para construção, existem também, muitos entraves (felizmente!) para quem quer "inventar"!
Após cada período de férias nesta zona, trago sempre a esperança de voltar em breve, sem que os autarcas locais não façam desta zona uma continuação da "criminalidade urbanistica"  verificada em quase todo o Algarve. Não podemos é falar destas coisas, muito alto, dá azar!


















quinta-feira, 25 de julho de 2013

Herberto, sempre!



                                  "...Fosses tu meu grande espaço e eu tacteasse
                                           com todo o meu corpo sôfrego e cego...."

                      Herberto Helder
                      Servidões
                           Assírio & Alvim
                              2013

                     Ao longo dos anos, fui ponteando aqui e ali, este blogue com exemplos de portugueses de excelência. Hoje, decidi colocar este nome maior da nossa poesia, também nesse rol de pessoas aqui referenciadas. E, se o faço só agora, tenho uma explicação muito lógica. Ou talvez duas ou três. Vivemos um tempo de enorme incerteza, um tempo de promiscuidade entre a realidade constituída por duros golpes palacianos, com frequentes facadas nas costas do parceiro político e a senilidade mental de um presidente arredado da razão. Esta ultima semana foi dura demais para os portuguesinhos. Ora, nada melhor que recordarmos nesta altura, um homem que apesar de o considerarem um misantropo, sempre conseguiu afastar-se de toda esta realidade, apodrecida por vaidades bacocas e galanteios enjoativos. O lançamento de uma obra sua, é sempre uma lufada de ar fresco. Nada melhor que centrarmos as nossas atenções num momento de excelência, no depauperado panorama cultural do nosso burgo.
                 
O poeta dos poetas, como muitos o consideram, publicou aos 82 anos, a sua mais recente obra, com 70 poemas originais. "Servidões", um livro que nesta altura, já será de todo impossível encontrarmos nos escaparates das livrarias. O autor sempre fez questão de publicar uma só edição de cada livro que escreveu, e assim, estes três mil exemplares eclipsaram-se em menos  de dois meses. A sua aversão a entrevistas, o facto de não  aparecer em qualquer acto social, a par da recusa de receber o Prémio Fernando Pessoa em 1993, transformaram tudo o que o rodeia, com uma aura de grande mistério, adensando ainda mais a curiosidade em relação à sua obra. Que tenhamos sempre o discernimento para procurar obras de autores maiores da nossa cultura, para compensar o aziago dos nossos dias.


                                 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Por favor retire-se!

Pelos vistos, vamos ter um verão político, muito intenso. As conversações entre os três partidos, que levaram o País a este caos, continua. Entretanto, temos um governo a tentar despachar certas negociatas que estavam na prateleira, antes que seja tarde. Existem compromissos assumidos que importa finalizar. Este impasse veio desregular toda essa calendarização, remetendo os Ministérios a trabalhar horas extra. Eleições, nem querem ouvir falar de tal hipótese. Agora que tudo estava a correr bem para os bolsos dos mesmos de sempre e muito mal para o País.



Na Assembleia, assiste-se quase diariamente a cenas simplesmente surrealistas!!!
Desde os senhores deputados, que não sabem o que chamar ao ex-demissionário da pasta dos Negócios Estrangeiros ou alguém que irrevogavelmente, não irá ser vice-primeiro-ministro, apesar de tudo fazer para se chegar à frente...
Para cúmulo, Assunção Esteves, a segunda figura mais importante do Estado, começa a vociferar, citações espatafúrdias à mistura com ideias pouco democráticas e perde as estribeiras, ao gritar para as forças de segurança fazerem o seu trabalho!

Eu compreendo, as ultimas semanas não têm sido fáceis, o seu posto está em perigo, agora que se estava a sentir bem naquela cadeira. Esqueceu-se completamente da posição que ocupava, quando citou, Simone de Beauvoir. "Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes.". Seria escusado relembrar a esta senhora, em que contexto foi feita esta frase. Comparar o povo português a nazis, não será muito abonatório para a credibilidade que desejaríamos que tivesse uma pessoa nas funções que exerce. Eu, poderia mais ajustadamente, lembrar, que a mesma Simone de Beauvoir, também disse que, e passo a citar. "Querer-se livre é querer livre os outros." Portanto, essa ideia de mudar as regras de acesso às galerias da Assembleia, não seria uma ideia muito democrática, pois não? -Quanto à causa, das arrelias da senhora Presidente da Assembleia da República, em relação às constantes manifestações de desagrado ali sentidas, lembro~lhe outra citação da escritora e filósofa existencialista, francesa. "É horrível assistir à agonia de uma esperança.".A agonia, é tudo aquilo que sentimos, neste momento, daí os protestos. A esperança, era a de que este governo pudesse ter feito alguma coisa em abono do seu povo. Portanto, será natural que a senhora um dia destes, vá ter que se retirar. VAI TER QUE SE RETIRAR, OUVIU BEM?????

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O verdadeiro artista!



Paulo Portas sai e bate com a porta...irrevogavelmente!!!
Paulo Portas explica a sua demissão.
Paulo Portas sente-se pressionado.
Paulo Portas repensa a sua decisão.
Paulo Portas remete-se ao silêncio.
Paulo Portas reúne-se com o primeiro ministro...
.....uma ........duas .......três....quatro......cinco......seis vezes.
Paulo Portas vai a Belém
Paulo Portas reentra por aquela porta.
Paulo Portas assegura novo protagonismo.
Paulo Portas assegura liderança do próprio partido.
Paulo Portas, um político de ideias claras.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Trocas e Baldrocas.




...de manhã, a senhora de meia idade pediu o café. O lugar estava vazio, as cadeiras ainda estavam por "arriba" das mesas. Ainda se cheirava a fritos da noite anterior, o moçoilo do outro lado do balcão gracejava   da ave madrugadora, ao mesmo tempo, coçava os olhos e ligava as máquinas. A senhora já se sentara a um canto e escutava  sem interesse as primeiras notícias da manhã, intervaladas com muitos anúncios aborrecidos. O chorrilho de impropérios do rapazola, já ela estava acostumada. Acordava sempre desta forma...na terriola, todos o conheciam assim. Não se parecia nada com o pai...raios o partam!

...a manhã estava fresca e luminosa. A senhora continuava no seu canto à espera, mais um quarto de tempo e o sítio estaria embrenhado no seu ambiente habitual. Vozeirões dos clientes costumeiros, com alguma jogatana à mistura. Por enquanto, só o som estéreo daquela telefonia, lhe chegava aos ouvidos. De repente, o locutor divulga uma notícia de última hora. Um governante qualquer, lá da capital, enquanto administrador de uma empresa pública de transportes, assinou uns "sapos" e lesou o Estado em vários milhões de euros. A sua fisionomia teve uma ligeira reacção, um sorriso traquina e pensou lá para os seus botões. Malandros, são todos a mesma coisa. Logo de seguida, questionou-se um pouco perplexa. Assinou uns "sapos"????

...a manhã seguia o seu percurso inexorável por aquelas bandas. A senhora tragou o seu café e olhou de soslaio para o petiz. Este, indiferente, continuava a tentar colocar todos os seus sentidos a funcionar, antes que chegassem mais clientes. A senhora estendeu os seus cêntimos pela mesa e antes de sair, ainda mandou para o ar em modos de desabafo.

..."Oh! Chico vê lá se dizes ao teu pai, que compre outro rádio, porque este, só dá notícias que não se entendem!!"

terça-feira, 25 de junho de 2013

Quinto Aniversário!

                                           
                                            -Parabéns ABC DOS PORTUGUESINHOS!!
E assim se passaram 5 anos!! Um projecto que foi crescendo, muito devagar e que passou a ser um prazer,  lançar um desabafo todas as semanas, passou a ser uma espécie de terapia para a forma inquieta como eu sinto o pulsar dos portuguesinhos. Admito que por vezes torna-se difícil não repisar certas ideias que continuam no nosso burgo, a ser cada vez mais pertinentes. Continuo a sentir que não funcionamos como um  todo, enquanto povo. Somos cada vez mais sectários, mais egoístas, menos solidários e no fundo cada vez mais portuguesinhos. Dou o braço a torcer quando, por escassas vezes, conseguimos ultrapassar estas nossas características, mas dou comigo a pensar que o comodismo, o conformismo, o provincianismo, acabam sempre por triunfar!!!

Neste dia, que completo 5 anos, recordo alguns números. Estes mais fiáveis do que os do Gaspar.
 Tenho cerca de 14855 visualizações deste meu blog, aonde escrevi 267 mensagens. O dia em que escrevi  sobre o grande mestre de fotografia, Sebastião Salgado, o meu espaço começou a ser muito mais visível. Tenho registadas 1427 visitas, só a esse artigo. O porquê desse facto, continuo a desconhecer, mas admito que falei sobre alguém muito especial para muita gente, especialmente no Brasil. E por falar em países, Portugal continua a liderar como é óbvio a lista de visualizações, mas tenho registo de cerca de 89 países diferentes que já clicaram pelo menos uma dezena de vezes, alguns dos meus posts. Brasil, Estados Unidos e Rússia, são os países com mais de um milhar de visitas!!

Aos que teimam em continuar a acompanhar-me e a darem alguma da sua atenção, só posso mais uma vez, agradecer muito e desejar que o façam sempre com o espírito mais crítico possível, e já agora, se não for pedir muito, ajudem-me dalguma forma a manter este meu devaneio com alguma qualidade, e enviar de vez em quando alguma sugestão.

                                            MUITO OBRIGADO....




terça-feira, 18 de junho de 2013

Um samba inquietante!

Todos sabemos que a "Realpolitik" obriga Dilma a proferir barbaridades sobre a real situação social  do seu país. Quando todos falamos do Brasil, pensamos em lugares comuns. Samba, bola e um continente de belas praias. Fácil, seria pensar que com a organização de eventos como o Mundial e as Olimpíadas, os brasileiros estariam a viver uma fase de sonho.

A economia do Brasil vai de vento em popa, afinal o legado de Lula, sugeria um percurso mais tranquilo à sua sucessora. O mundo começou a olhar a Terra de Vera Cruz de uma outra forma, uma economia emergente, que dá nas vistas, ao contrário do que acontece, quase em todo o resto do planeta. Longe vão os tempos, aonde a inflação galopante, obrigava os consumidores a verificarem a subida dos preços de um mesmo produto,duas e três vezes no mesmo dia!! -Quem não se lembra da dança das  sucessivas moedas, devido a essa mesma inflação. A deterioração de uma, dava lugar a outra.Cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro real e finalmente o real que se conseguiu solidificar com uma série de importantes reformas desde os anos 90.

Agora, por causa de um aumento de 7 cêntimos (???), nos transportes públicos de São Paulo, o mundo desabou? -Será que esta  é a verdadeira razão de tanto protesto, ou foi simplesmente o "clic" de um mau estar latente em relação a muitas matérias? -Eu penso que estes tumultos têm origem nas opções de um Governo que têm estado mais preocupado em espalhar pelo mundo, uma imagem de prosperidade, estabilidade e que não têm atendido aos clamores que chegam da rua. As tais infraestruturas sociais mínimas  e necessárias, como um bom serviço de saúde e educação, uma boa rede de transportes, a erradicação dos problemas de muitos milhares de brasileiros em situação de pobreza extrema, tudo isto está por fazer...

O último país do mundo aonde eu esperaria ver uma manifestação à porta de um Estádio de futebol, contra a organização desse mesmo evento, seria sem dúvida no Brasil. Isso está a acontecer neste momento na Taça das Confederações e a FIFA (organismo altamente corrupto!!), através de um dos seus responsáveis máximos, vêm afirmar que este povo só reclama porque existe Democracia a mais  neste lugar!!!!

Temos de começar a  pensar, que os brasileiros afinal nem vão muito "à bola"com os biliôes gastos nesta e nas próximas organizações megalómanas. Quando existe tanto por fazer. Em Portugal tivemos algo de muito semelhante e sabemos o resultado dessas decisões.Depois da festa, alguém têm de apanhar as canas, resultantes do foguetório. Recordo-me de um excerto de uma  poesia do grande Carlos Drummond de Andrade, que retrata bem o fim da festa.

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Primavera na Turquia.

A islamização da Turquia é um processo moroso que Erdogan, não pretende assumir, devido a querer piscar o olho à Comunidade Europeia, mas nunca deixando de lado os interesses da sua origem política. Devido a uma hipotética rixa, por causa de um parque emblemático de Istambul, criou-se um movimento de solidariedade nacional, que enfrenta a brutalidade das forças de segurança turcas. Uma questão linear, transformou-se em meia dúzia de dias, numa questão complexa. Penso que já não se trata, apenas da construção de um centro comercial, outros valores se levantam e a defesa desses mesmos valores.

 O primeiro ministro turco, perdura à cerca de 10 anos no poder, e todos sabemos que apesar da importante desculpa que a Turquia é um país democrático e que Erdogan foi eleito pelo povo, a partir de certa altura, deparamo-nos sempre com uma  verdade incontornável, as teias que se vão tecendo ao longo do tempo, começam a destruir os mais básicos pilares da democracia. Os atropelos começam a surgir, quase com se nada se passasse. Os fios da teia estendem-se para lá das leis instituídas e ao tecerem a sua armadilha, depressa capturam todos aqueles que ousam pisar no seu território. Uma das características que mais me impressionou, na reacção de Erdogan a este caso, foi quando se ausentou do País por uns dias e quando regressou, tinha à sua espera, milhares de  pessoas mostrando o seu apoio, logo no aeroporto!!! Sabemos bem, qual o nome que se dá, a este tipo de fenómenos, que são frequentes, em países muito pouco democráticos, alguns deles, vizinhos da Turquia.

Eu assisti a um filme de Alan Parker, no final dos anos 70, que me impressionou bastante, com o nome  midnight express. Um filme que retratava uma Turquia retrógrada, com um sistema judicial quase feudal  e uma brutalidade das forças de segurança quase dantescas. Desde essa altura, até ao presente, muita coisa mudou por aquelas bandas no que diz respeito aos mais elementares direitos humanos, mas Erdogan acho que "adormeceu" à sombra do trabalho outrora produzido e passa por uma fase bem complicada. Questiono-me mesmo se esta distracção não lhe provocará danos irreparáveis?- Seria melhor que assim acontecesse, para bem da democracia turca.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cavacolândia.

Um dia, tenho esperança que se estude nas nossas escolas, o que realmente fez o Sr.Silva por o nosso Pais!!!

Desde que chegou a primeiro-ministro em Novembro de 1985, até ao presente, este senhor só esteve afastado do poder durante 10 anos. Estamos a falar, de quase 30 anos na nossa história democrática. Valerá a pena recordar que aquilo que "plantou" nos primeiros anos da sua carreira como dono da cadeira de S.Bento, estamos agora a colher os frutos. Relembro as quantias astronómicas vindas da Comunidade Europeia para desenvolvimento das nossas débeis infraestruturas. As várias negociatas que se aprontaram,  com a sua total conivência, beneficiando sempre os seus "yuppies", colocando-os em locais estratégicos, para dominarem a seu belo prazer, o sector empresarial do Estado, tiveram como resultado, os maiores crimes de colarinho branco jamais vistos neste País.  Imperando sempre a estratégia de enterrar o nosso sector primário, conseguiu ao mesmo tempo, a proeza de arranjar um tapete de alcatrão do interior para o litoral, em todas as direcções, incentivando as populações rurais a não terem alternativas e assim fugirem em direcção ao "El Dorado". As cidades à beira mar plantadas, cheias de subsídios para esbanjar, aonde tudo era fácil.

Beneficiou muito das asneiradas que a esquerda precipitadamente aprontou, nos anos a seguir à Revolução, beneficiou ainda da imagem de Sá Carneiro e da forma como o acidente de Camarate foi interpretado pelo povo português.Quando chegou ao poder, tinha as "costas quentes", porque os apelidados "Donos de Portugal", estavam de regresso, com vontade de voltar a controlar o "pedaço" e traziam os bolsos cheios de dinheiro para investir.Um economista de Boliqueime, que se apresentava ao eleitorado com intenção de gerir bem as nossas contas, uma pessoa moderada, ligada ao centro direita, foi a pessoa indicada para traduzir na prática, todas as ideias destes senhores do "outrora", agora de regresso.

O crescimento económico que se verificou, na maior parte do tempo, nas suas duas legislaturas e que levou a que conseguisse duas maiorias absolutas, não foram mais do que o puro benefício do dinheiro vindo de Bruxelas. Alguns dos seus colaboradores, dessa altura, são hoje suspeitos de ilegalidades cometidas após a sua passagem pelos Governos do Sr. Silva, aproveitando-se claro está, dos contactos sempre proveitosos.

Este percurso, que teve um interregno de 10 anos, foi o suficiente para o povo português, esquecer o Sr. Silva e voltar a votar nele. Não uma, mas duas vezes!!! -Agora, que o homem têm o índice de popularidade mais baixo de sempre, ( inclusive quando sai à rua, previne-se sempre com os ambientes que vai encontrar) penso ser a altura certa, para lhe demonstrar que esta primeira experiência, de colocar Belém e S.Bento com gentes do PSD, está a ser péssimo para a maioria dos portuguesinhos.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alienado, eu???

Os nossos governantes persistem numa postura, que deveria ser tácita, mas cada vez dá mais nas vistas, porque assustam com medidas bastante penalizadoras e mais tarde recuam, suavizando a pancada, nunca deixando porém de nos castigar. Os portuguesinhos em geral, acabam por pensar no final, do mal o menos ou a conversa mole "poderia ser pior...".

As medidas incluídas no ultimo orçamento seriam suficientes, mas agora "aqueles patifes" do Palácio Ratton, acabaram por dar cabo dos seus planos e portanto nada como rectificar com medidas ainda mais duras. Duras para quem? -Os que sempre conseguiram colocar o seu capital fora do controle do fisco, esses continuam bem. Os outros, receiam que a percentagem decidida, não seja muito alta, receiam pelas suas poupanças, receiam perder os seus postos de trabalho, receiam não ter de pagar mais pelo acesso à saúde ou à educação dos seus filhos, receiam não poder manter  a prestação da casa regularizada e por fim, receiam não ter coragem para enfrentar a fila numa qualquer instituição de caridade...

Enquanto a dita "pancada" não chega, vamos discutindo se o Cardozo merecia ou não merecia ser castigado, por ter empurrado o Jesus??? -Muitas vezes, pergunto-me se somos alienados por conveniência ou perdemos a nossa dignidade de vez, algures, entre uma decisão da Troika  e mais uma lengalenga do Gaspar???

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Um dia de justiça.

Notícia de ultima hora. Dominique Venner, ensaísta francês de 78 anos, militante da extrema
direita, suicidou-se hoje no altar da famosa catedral Notre Dame em Paris, em protesto pela crescente "islamização" da sociedade francesa, produto de legislações sucessivas que incentivam a imigração afro-magrebina. Além de ter declarado no seu blogue, recentemente, que se opunha energicamente contra a recente legalização do matrimónio  homossexual.

Quando menos se esperava, na Assembleia da República, com maioria de direita, foi aprovada a lei, que permite a um casal homossexual ter plenos direitos, num processo de co-adopção. Que eu saiba, ainda não assisti a multidões na rua, vociferando bestialidades acerca desta decisão, ao contrário do que aconteceu em França. Mesmo sabendo que a extrema direita francesa têm algum peso eleitoral, custa-me a acreditar na massificação ignóbil destes protestos! 

Apesar de ouvir vozes, como Marinho e Pinto, ainda bastonário dos advogados, ter declarado e passo a citar ..."o desenvolvimento harmonioso da personalidade da criança exige um pai homem e uma mãe mulher – e não um homem a fazer de mãe e uma mulher de pai... ", não deixo de sentir que a nossa sociedade por muito bem informada que possa estar sobre este assunto, irá sempre ter que se debater com episódios frequentes de puro preconceito, como o caso do advogado em questão. Declarações proferidas, mesmo após os pareceres favoráveis à legalização desta co-adopção, inclusive, em Janeiro último, pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

Nos dias que correm, poucas são as vezes em que me sinto regozijado com as leis que saem do hemiciclo,mas desta vez sinto que se fez justiça, e mais, a nossa sociedade necessita urgentemente de nos basearmos em valores que exprimam menos descriminação e mais dignidade humana. Estamos todos de parabéns!

Termino, deixando esta questão em aberto. Qual será o significado da morte deste ensaísta francês num altar de uma das mais famosas catedrais do mundo?

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Eduardo Gageiro.


Tenho mantido uma certa regularidade na apresentação de grandes mestres da fotografia e desta vez, aproveitando o facto de se realizar no próximo sábado, uma homenagem, mais  do que merecida, a um grande foto-jornalista português, Eduardo Gageiro, apresento aqui um pouco do seu trabalho

 Foi criada uma exposição com centenas de trabalhos seus, no Museu de Cerâmica de Sacavém, a sua terra natal. Curioso ou não, foi exactamente neste lugar que ele começou por ser paquete, nesta antiga fábrica de louças. Seria mais tarde, empregado de escritório e só iniciou a sua actividade que o celebrizou, com 19 anos no "Diário Ilustrado". Mas antes ainda, com apenas 12 anos, veria uma foto sua, ser publicada no Diário de Notícias, jornal aonde viria a trabalhar mais tarde, tal como no "Século Ilustrado".
 A sua forma de estar na fotografia sempre foi muito incómoda para todos os que o rodeavam, inclusive para os próprios colegas de profissão. Ele não se satisfazia em fazer os seus registos junto dos outros, separava-se da "molhada" e obtinha um ângulo diferente de uma mesma situação. Um outro olhar que lhe valeu ser preso pela PIDE. Acusavam-no de apresentar imagens, que o regime queria esconder a todo o custo. Pediam-lhe para ele não tirar fotografias a pessoas. Em cima, uma imagem de Salazar, algures na costa portuguesa a sonhar com África e outros horizontes.

O 25 de Abril, por todas e mais algumas razões, foi o dia mais feliz da sua vida! -O portefólio do trabalho que realizou nesse dia, logo a partir das 6 da manhã, é reconhecido internacionalmente como um importante  e fulcral testemunho daquele dia memorável. Eu destacaria a fotografia de Salgueiro Maia, quando toma consciência do sucesso da Revolução em curso. Ele acompanhou este  oficial desde as primeiras horas do dia, com o consentimento do próprio, antevendo a importância do que se iria desenrolar.


 Os seus trabalhos granjearam-lhe centenas de prémios; destacaria, aquele 2º lugar na categoria de "Portraits", no mais prestigiado galardão internacional de fotografia que é a  World Press Photo, com um retrato de Spínola. Outro galardão importante, foi aquele que conquistou na China, na 11ª Exposição Internacional de Fotografia, o maior concurso a nível mundial, com mais de 3500 fotógrafos em competição. Foi condecorado também com a Ordem do Infante D.Henrique, sendo-lhe reconhecida a excelência da sua carreira.



 Hoje com 78 anos, continua a afirmar que a máquina continua a ser um instrumento de denuncia e de protesto. Vive com alguma amargura, estes "nossos" dias de dificuldade e não compreende como um outro seu compatriota da mesma profissão teve de vender a sua máquina,para ultrapassar dificuldades, mesmo antes de obter um reconhecimento idêntico ao seu na World Press Photo?!
Não foi para isto que ele sonhou e registou Abril, nem ele, nem muitos de nós.
Ele merece uma visita nossa ao museu de Cerâmica, testemunhar um olhar...diferente!



quarta-feira, 8 de maio de 2013

O prometido é de...vidro!

Nos livros de Goscinny, o Obélix diria, "...estes romanos são loucos!", eu afirmaria o mesmo, dos americanos hoje em dia. Para o comum dos europeus, muita coisa que se passa do lado de lá do Atlântico é difícil de entender, nem para quem já lá esteve e têm uma ideia do seu modus vivendi. O que acaba de acontecer com a recusa em aprovar uma legislação, muito "soft", em relação à restrição do acesso, à aquisição de armamento, é absolutamente escandaloso!!!

Isto são jogadas políticas entre os que se sentam no Senado e os "lobbies" que estão por trás deles e financiam as suas campanhas. A política no seu pior!-Acontece com as armas, acontece com o petróleo, com a produção de alimentos transgénicos e mais importante de tudo a influência nefasta dos poderosos 3% de judeus americanos, que metem o nariz em todos os corredores da Casa Branca.

Logo após o massacre daquelas crianças em Sandy Hook, na pacata Newtown em Connecticut, Obama prometeu, fazer algo para parar esta loucura, que já ceifou a vida de milhares de inocentes. A  legislação que foi a votação no Senado, até era bastante tolerante com a facilidade com que se continuaria a adquirir armas. Os candidatos à obtenção de uma arma, apenas teriam de provar que não tinham antecedentes criminais para efectuar essa compra!!! Uma premissa bastante básica! Mesmo assim, foi chumbada e com votos (pasmem-se meus senhores), além dos habituais republicanos, também de alguns democratas!

Portanto na terra da democracia e das oportunidades, existem estas aberrações que acabam por nos fazer pensar, que a interpretação da segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos sufragada pelo "lobby" do armamento, será sempre um obstáculo a uma legislação que faça parar o assassínio de muitos milhares de cidadãos.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Traz a máquina contigo!





Vamos dar uma volta por aí. Traz a máquina contigo. Não custa  nada e tu até tens jeito, vá lá...
Sabes, tenho a sensação de que vai estar bom tempo. No outro dia, estava sóbrio, algo que acontece cada vez menos e ali para os lados do Cabo Espichel, assisti a um fim de tarde perfeito. De repente as lágrimas corriam-me pela face e dei por mim a querer eternizar aquele momento. Perguntava-me, como é que vou conseguir partilhar esta imagem.
Uma sensação infinita de impotência, traduzir em palavras o perfeito.
-Se ao menos tivesse aqui a minha máquina...
Consegues-me entender?




- Lembras-te daquelas ruas estreitas que iam dar a sítio nenhum?
Eu, a princípio ainda estava renitente em subir, ladeira acima para ver as vistas, talvez por causa desta minha fobia a alturas.

Depois, para ganhar coragem... ainda... estás-me a ouvir? Repara, só bebi aqueles copos porque tinha a sensação de que a paisagem me ia esmagar. Sabes, desejava desfrutar a aldeia mais portuguesa de Portugal na plenitude. Sabes, quando começam a colocar etiquetas, fico fulo. A mais isto, a mais aquilo. Tretas atrás de tretas!!!

A luz é tão importante, não achas?
A forma como pegas na máquina e essencialmente  a escolha dos enquadramentos, fez-me sentir na hora, que escolhi a pessoa certa para registar aquele momento especial.
Não importa o que dizem os livros, não importa a máquina. O que realmente importa, é quem prime o botão, quem escolhe o momento.

Lembras-te daquela tarde na Nazaré?


-Vê lá se me compreendes. Talvez eu tenha necessidade de preservar aquilo que presencio de alguma forma. Será uma insegurança inconfessada ou simples desejo de partilha?
-Não respondas já. Pensa antes nas imensas probabilidades de que estes momentos tão efémeros, são resultado de um conjunto enorme de factores, que só conciliados produzem aquela imagem. Não serão eles, dignos de registo?
    -Por amor de Deus, não me venhas com essa conversa de escolhas erradas! - Não podemos todos ter esse teu espírito crítico e distante. Em Alcobaça, tudo não passou de uma falsa modéstia da minha parte. Ali, tudo era grandioso...





Quando tracei no mapa, aquela passagem por Porto Mós, estava longe de pensar nas consequências de uma visita tardia a um lugar aonde nos faziam pagar por tudo a que queríamos ver.

Ao subir a estrada em direcção ao castelo, lembro-me de ver aquela senhora de idade, fazer um gesto cheio de dignidade, colocando a tabuleta de encerrado, porque provavelmente, estaria já farta de tanto "menino" com câmara à tiracolo a pedir informações!!

     -Estás enganado!! Redondamente enganado!!! Nesse dia, comecei a beber aquelas ginjas para tentar esquecer os pés molhados. Como chovia a cântaros, quando finalmente regressámos ao nosso abrigo.



 Não, de facto não me passava pela cabeça tentar travar conhecimento com o responsável pelo rebanho. Fostes sempre à minha frente, saíste resoluto do carro e até pensei que resolverias o assunto da melhor maneira. És sempre sensato e não previa aquele epílogo.

Numa estrada no meio de nenhures, era previsível encontrarmos animais imobilizados na via. Eu, especado à espera de um sinal divino para podermos seguir, e nada. Quando dei por mim, estavas a caminho de uma igreja ali perto, no alto de uma colina. Demorastes tanto, que resolvi seguir-te. Quando entrei naquele monumento, estavas simplesmente sentado frente ao altar. Saquei da minha máquina e tentei colocar numa imagem, a paz, o silêncio, a luz, o cheiro do incenso...enfim o divino. Coube tudo aqui...

Por isso, eu peço-te sempre. Traz a máquina contigo!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Continua uma festa linda, pá!

Carta Aberta a um Amigo de Abril.

Caro amigo, a festa, apesar de tudo continua linda!

Faz um ano desde que partiste e as noticias não são animadoras. Grândola ouviu-se mais, mas o gajo é teimoso e persiste nesta política de austeridade.

Alargámos os prazos da divida, mas o cinto já não têm mais buracos  e as famílias desesperam. Temos uma dieta à base de uma receita errada. Os ingredientes foram mal calculados e o resultado é desastroso. 

Temos muitos elogios à forma como nos estamos a portar, mas a origem dos encómios são suspeitos. Eles estão a ganhar fortunas com o nosso sacrifício. 

Repetem vezes sem conta, não somos a Grécia, nem o Chipre, mas cada vez estamos mais parecidos com Portugal dos anos 50 e 60, pelo menos nas condições de trabalho, na perda de direitos laborais adquiridos, nos números do desemprego, no acesso à educação, à saúde e à justiça.

Gostava de saber mais para te contar  Miguel, mas eles escondem a verdade, omitem as ideias de um liberalismo atroz que perpassa desde Atenas, a Bruxelas, a Nicósia ou Lisboa. As tuas ideias continuam vivas nas nossas lutas, mas essa alegria de viver a política de uma forma transparente e salutar, a virtude de não se contradizer em lugares distantes como a faixa de Gaza, Beirute ou nos corredores do Parlamento Europeu. isso nós temos muita saudade.

Tal como Chico dizia "...Já murcharam a  tua festa pá, mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim..."  de certeza que iremos sempre descobrir uma semente que irá florescer e dar esperança num futuro bem melhor. Os cravos nunca irão murchar, enquanto seguirmos as tuas convicções. Até sempre Miguel...






terça-feira, 16 de abril de 2013

Uma aliança impossível!

Quando estamos à beira de um precipício, ocorrem-nos ideias pouco lúcidas. Ultimamente, tenho querido acreditar, baseando-me nas ultimas sondagens, na possibilidade de uma coligação de esquerda, com chances de maioria absoluta no parlamento. O PS farto de entendimentos ao centro e à direita, poderia agora experimentar uma solução de entendimento com o PCP e o Bloco. Para uma pessoa de esquerda como eu, esse seria um cenário interessante.

Com esta direcção bicéfala do BE, essa ténue esperança ganhou novo alento, porque na opinião de Semedo e Catarina Martins, neste momento, não fechariam a porta a um entendimento com os socialistas. Quanto à relação entre os socialistas e o PCP, tudo se torna muito mais complicado, porque passados quase 40 anos sobre os conturbados momentos do período pós-revolucionário de 75 e 76, as mazelas nunca sararam. A desconfiança é muito grande, de ambas as partes.

 Ontem mesmo li um artigo de opinião de Rui Tavares, na última página do jornal "Público" que se intitulava, "Eles não querem".
Sucintamente passo a  descrever aquele texto, com algum desalento, devo confessar. No Alto Minho, mais propriamente em Caminha, estes três partidos de esquerda chegaram a um pré-acordo, quanto à sua candidatura conjunta, nas autárquicas que se avizinham. Logo que alinhavaram o seu programa a apresentar aos eleitores daquela Câmara, deram indicação das suas intenções para os respectivos centros nevrálgicos em Lisboa. O que aconteceu depois, é a imagem real da possibilidade de acordos entre estes três partidos. Por razões de mera táctica e jogos palacianos, foi vedada essa possibilidade. Primeiro pensam nas suas vaidades e constrangimentos, só depois no País. Agora imaginem na hipótese remota de entendimento a nível...não vale a pena!!

Tudo isto não passa infelizmente de uma mera utopia, com culpas a dividir por estes três partidos de esquerda.