quarta-feira, 10 de setembro de 2014

sesta no além...Tejo

  Horas mortas... Curvada aos pés do Monte 
                                                          A planície é um brasido... e, torturadas, 
                                           As árvores sangrentas, revoltadas, 
Gritam a Deus a bênção duma fonte                                                                                                                          
E quando, manhã alta, o sol posponte 
                                                                        A oiro a giesta, a arder, pelas estradas, 
                                                                                                  Esfíngicas, recortam desgrenhadas 
                                                                                                                                                       Os trágicos perfis no horizonte!

    
                           
Árvores! Corações, almas que choram, 
                          Almas iguais à minha, almas que imploram 
Em vão remédio para tanta mágoa! 
         








      Árvores! Não choreis! Olhai e vede: 
                                                                   - Também ando a gritar, morta de sede, 
Pedindo a Deus a minha gota de água! 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"                           



  A minha homenagem, a uma grande mulher do Alentejo, após, umas férias, num dos mais bonitos segredos da nossa terra...apenas que se possam ouvir sussurros desta minha convicção!


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Cinema Paradiso

           Foi inaugurado ontem, o cinema Ideal. Quando soube desta novidade, lembrei-me logo do "Cinema Paradiso" de Tornatore, porque seria?
          -Esta é uma boa notícia, num País, aonde a cultura é muito mal tratada. Esta é uma história de coragem, de um conjunto de pessoas que acredita no verdadeiro espírito, do cinema de bairro. Para as novas gerações, será muito difícil  compreender, o que será ir a um espaço ver cinema, que não seja num centro comercial e que não tenha mais dez salas ao lado, de preferência com um pacote de pipocas na mão. Mas para mim, esta reabertura, é uma lufada de ar fresco, dado que me recorda, os dias em que eu percorria Lisboa e era frequentador assíduo de muitas, deste género de salas. Umas das minhas primeiras idas ao cinema , foi ao cinema Avis, ali para os lados do Arco Cego, ver o Terence Hill e o Bud Spencer, no "Trinitá, Cowboy Insolente", nos idos, anos 70. Mas recordo também,  ver outras "cowboyadas" no cinema Royal, no bairro da Graça ou ao Martim Moniz, no saudoso Salão Lisboa, popularmente chamado, o "piolho". Comprávamos por dez tostões o ingresso e as sessões eram ininterruptas, como tínhamos de ficar na plateia, às vezes choviam coisas esquisitas, vindas do primeiro balcão. Mas fazia tudo parte do espírito intrínseco destas salas.

          Estamos numa altura crítica para as salas de cinema em Portugal (e não só), as receitas de bilheteira caem abruptamente e poucos resistem. O cinema Londres foi um dos que, infelizmente encerrou à pouco tempo, mas por outro lado, o Nimas, vai resistido heroicamente, com uma escolha muito criteriosa dos filmes a apresentar.
No verão, vão-se propagando os locais em Lisboa, aonde se pode assistir a filmes ao ar livre, esta é uma boa iniciativa, para demonstrar que existe público para sair de casa e ir ao cinema, basta que não coloquem os bilhetes a um preço proibitivo, tal como acontece nas salas da Lusomundo e outros grupos idênticos.

              Não tenho muita esperança, que outras salas em Lisboa possam seguir as pisadas do Ideal, mas torço para que este projecto tenha sucesso e seja um exemplo para contrariar a ideia, de que esta indústria está a morrer lentamente. Brindemos a este local único em Lisboa, com Foyer, Plateia e Balcão, brindemos também à casa da Imprensa, proprietária do edifício e que teve a coragem de embarcar nesta aventura e finalmente brindemos à Midas, que irá ser responsável pela programação. Uma das mais velhas salas de cinema de toda a Europa, com cerca de 110 anos de história, merece toda a nossa atenção. Para todos aqueles que gostam realmente de cinema, apelo a que façam muitas visitas a este local de culto.


domingo, 3 de agosto de 2014

O banqueiro anarquista.

Com esta história toda do Banco Espírito Santo, lembrei-me de um pouco de prosa do Fernando Pessoa. Seja porque motivo for, é sempre bom recordarmos Pessoa. Quase no fim da sua vida, ele escreveu este conto, que não passa de um simples diálogo, fantástico entre o narrador e o Banqueiro. O seu sentido arguto e alguma dose de humor sobre tudo o que o rodeava, está bem espelhado neste texto.

     Seria fastidioso estar aqui a explicar o que se passa no reino do Espírito Santo. Nem eu, nem aquelas almas, da Comunicação Social que nos bombardeiam com suposições, especulações e cenários hipotéticos, saberão exactamente o que se passa. Mas de repente, todo o mundo é especialista em alta finança e afirmam peremptoriamente, que sabem do que falam. Nós, os portuguesinhos, já estamos de férias e se esta época de incêndios até está fraquita, devido a um Verão muito envergonhado, não queremos saber de mais nada, viramos as costas a estes assuntos da família abençoada. Para figuras tristes, já basta a dos jornalistas,  que ficam horas à porta do senhor Ricardo Salgado, à espera, não sei bem de quê???

          O Banco de Portugal, regulador, por excelência da banca, veio, mais uma vez, a tempo de dizer que temos de, parcialmente, nacionalizar o Banco Abençoado. Uma espécie de BPN, mas desta vez, mais grave ainda. O prejuízo vai ser coberto por um fundo, (inventado à ultima hora, com uma designação diferente daquela que esteve na base da ajuda ao BPN, para não chocar muito, os portuguesinhos) que irá recapitalizar o banco. Àqueles que pensam, que estão a perceber, exactamente, o que está a acontecer, o Espírito Santo os Abençoe...

         Voltando ao inicio, penso que a solução está na ideia deste conto de Pessoa. Todos, termos a ambição e a força necessária, para nos tornarmos, individualmente, banqueiros anarquistas, de forma a subverter as regras deste jogo viciado. Vale a pena, ler ou ouvir esta obra, porque está mais actual do que nunca, vão ver que não perdem o vosso tempo. Uma boa sugestão para este verão transfigurado.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A paz no mundo não é da nossa conta

                -Morrissey sempre foi para mim uma referência musical muito importante. Peguei num tema da sua autoria, lançado à pouco tempo para discorrermos um pouco sobre o que se vai passando à nossa volta, fora de portas. As imagens que nos vão chegando através dos mais variados canais, contam-nos dos horrores que muita gente sofre com as "jogadas" abjectas dos políticos mundiais neste seu "tabuleiro" à escala planetária. A profusão de situações incompreensíveis  e chocantes é de tal forma gigantesca, que nos começamos a tornar insensíveis às imagens. Tal como o autor da música diz, nós apenas somos uns pequenos tolos, que vamos vivendo as nossas vidinhas e votando sempre na altura certa, para eleger os do costume.

             -A guerra fria foi lá para trás, agora estamos na época da guerra do faz de conta. As potências mundiais fazem de conta que se importam com o sangue derramado nestes conflitos. A ONU faz de conta que têm um Conselho de Segurança que determina o ocaso destas guerras. O Tribunal de Haia julga-se capaz de colocar no banco dos réus, todos os assassinos que continuam a perpetuar estes massacres. A Comunidade Europeia, coitada, nem finge ser nada, porque se reduz  à sua insignificância. Não têm qualquer voz activa. Não vale a pena estarmos a culpar uns em detrimento de outros porque na minha opinião, é tudo farinha do mesmo saco. Políticos que se limitam a fazer o que lhes mandam fazer, porque nas sombras do Grande Poder, existe um Poder ainda maior. Tudo se passa nos bastidores, e estas barbáries são decididas, em função de mil e um interesses, basta tomarmos como exemplos mais fulcrais, o que se passa neste momento na Ucrânia e na Faixa de Gaza.
Obama não mexe um dedo para deter Israel, no massacre de palestinianos.Precisam de morrer cem palestinianos, por cada israelita abatido em combate. Sabemos todos a razão desse facto, pelo menos deveríamos saber. Os judeus com os seus fortes lobbies, controlam e sempre controlaram o poder nos Estados Unidos (e não só). Os grandes grupos económicos é que controlam os Governos, ninguém têm duvidas disso, mas o mais triste é que, nós os tolos, continuamos a pensar que existe os bons e os maus, como nos filmes. Por outro lado, temos aquele, que eu já considero, um dos maiores ditadores da história contemporânea. O antigo agente do KGB, continua a sentir os fantasmas da Guerra Fria, desestabiliza tudo à sua volta, tal é a sua sede de protagonismo. Depois da queda de um avião e de transformar, parte da Ucrânia numa zona de conflito armado, ao ponto de não deixarem os corpos das vitimas serem repatriados para junto das suas famílias, o que mais falta, para provar que o senhor Putin deveria  estar na barra do Tribunal de Haia? -Falta o mais importante, coragem para desequilibrar esta balança do poder geoestratégico, ou ainda, provar a mais que evidente ajuda deste senhor, a estes mercenários que tentam desmembrar um País soberano. Ninguém fica bem nestas chacinas e no entanto, tal como diz a música, estes assuntos não são da nossa conta!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Fechado para obras

         Agostinho da Silva disse um dia, e passo a citar "A liberdade que há no capitalismo é a do cão preso de dia e solto à noite". Fui buscar esta frase para ilustrar os tempos difíceis que estamos a atravessar. Os nossos governantes, dignos representantes do grande capital, marionetas descalibradas
(a maior parte das vezes!!) dos donos deste País, estão a entregar paulatinamente, a educação, a justiça e a saúde, aos privados. Mais ainda, não deixando possibilidade de um retrocesso fácil. Em nome de um hipotético equilíbrio da nossa economia, continuamos a assistir, à transferência dos serviços a cargo do Estado para empresas de "amigos". Imperceptívelmente, junto ao período estival e com muito futebol à mistura, eles vão continuando as negociatas, sem darem muito nas vistas. As leis vão sendo lançadas em Diário da República, e os portuguesinhos já nem reagem.
      As boas notícias, estão a guardá-las para vésperas das eleições legislativas do próximo ano, entretanto vão arranjando formas de esvaziar o País. Como sempre, vamos assistindo à contestação localizada, hoje meia dúzia de gatos pingados protestam a Sul, depois, amanhã é no outro extremo do território, mas a tudo isso os nossos governantes, vão encolhendo os ombros e reafirmando que são sinais óbvios  e inevitáveis da crise provocada por os desgovernos "socratistas".
        Termino, citando um Nobel que tanta falta nos faz, para pensarmos este nosso Portugal. José Saramago afirmou, "O grande problema do nosso  sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas, democraticamente."

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Devaneios ortocromáticos V

                                           
                                             *Parque Bhuda Éden- Bombarral, 2012



                                         *Parque Bhuda Éden- Bombarral, 2012



                                       *Castelo de Montemor o Velho, 2012



                                     * Castelo de Montemor o Velho, 2012



                                             *Fontanário em Évora, 2013

                                 *  Manifestação, Que se lixe a troika
                          -Lisboa, 2013 



                  *  Manifestação, Que se lixe a troika
                          -Lisboa, 2013 


*Mosteiro de Alcobaça, 2013

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A menina do mar.

Acaba de passar, mais um aniversário do meu blogue. São seis anos e começa a amadurecer em mim a ideia de que este cantinho representa algo de muito especial. Foram mais de trezentas mensagens e em todas elas, procurei traduzir o que de mais fiel se vai passando no meu quotidiano, sem máscaras ou hipocrisias. A todos os que me continuam a seguir, agradeço a vossa atenção. Indefectível será sempre a minha preocupação em colocar neste blogue todos os assuntos que me vierem à  cabeça, sem essa trave mestra não continuaria, não existem temas "tabu". Por outro lado, a periodicidade é que poderá começar a falhar, por falta de tempo livre.

Escolhi este dia para comemorar, mais um aniversário, no preciso momento em que passam dez anos sobre a morte da enorme poetisa, Sophia de Mello Breyner. O seu corpo irá repousar a partir de hoje no Panteão Nacional, junto de outros nossos ilustres. As histórias de Sophia ilustraram muitos dos sonhos da nossa infância, aonde de muito do nosso imaginário foi criado através dos seus "bonecos". Elas ilustravam as nossas fantasias, traduziam no papel as deambulações  e a irreverência da nossa meninice.  Quem, da minha geração não ouviu ler  "A menina do mar"?
-O que nos prendia ás suas histórias, era talvez a simplicidade das suas palavras, não era necessário o abstracto ou a metáfora. Era escorreito e soava perfeito.Toda a sua obra era o espelho de um espírito solto ao vento e de uma serenidade absoluta.

Nunca será demais lembrar que produzir cultura em Portugal, passa por horas muito difíceis, a razão todos nós conhecemos, Por esse motivo, deixe-vos um pequeno filme de um outro "monstro sagrado" e incompreendido da cultura portuguesa. João César Monteiro, realizou este trabalho em 1969, sobre um excerto da vida peculiar, desta grande poetisa portuguesa. Garanto-vos é delicioso!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Passa, tempo, tic-tac.

Nesta imagem, vemos um relógio de ponto. Nesta maquineta foram sendo introduzidas, ao longo destes últimos três anos, alterações, que foram condicionando as regras da relação entre o trabalhador e a sua entidade patronal. Regras essas que penalizaram de forma unilateral a parte mais desprotegida. O resultado dessas mudanças, começam agora a ser mais visíveis. Inequivocamente os ricos estão mais ricos e os pobres, mais pobres. Até a este ponto, não estou a dizer nada do outro mundo, toda a gente sabe ou desconfia que com estas mudanças nas leis laborais, a balança iria desequilibrar-se de forma evidente.
Lembro-me daquelas manifestações ruidosas, por todo o País, contestando a subida da TSU, tendo o Governo na altura dado um passo atrás. Mas aos poucos, através de leis minuciosamente introduzidas,  foram alterando o código do trabalho, como por exemplo:
    -A eliminação de alguns feriados, diminuição da remuneração das horas extraordinárias, introdução de novos impostos (temporários, diziam eles!!!), aumento do horário de trabalho, congelamento ou redução dos salários base, etc.... acabaram por penalizar ainda mais os trabalhadores.

Esta forma de ir buscar o dinheiro ao bolso dos mesmos de sempre, é estudada, de forma a que a contestação não se prolongue para além do razoável, no entender destes senhores. Depois existem os sindicatos que, marcando presença à mesa da concertação social, deveriam ter outra forma de agir. Verdade seja dita, que da parte da UGT, nem sequer reconheço a vontade de estar ao lado dos trabalhadores. Contestam de uma forma veemente na altura da notícia das alterações, mas logo a seguir preocupam-se demasiado com a próxima "pancada", esquecendo por completo os direitos, entretanto espoliados. E o  povo já desacreditou, não vale a pena, nem sequer vir para a rua.

O dito relógio de ponto foi evoluindo através dos tempos, desde a velha cartolina que se introduzia no controlador de entradas e saídas dos trabalhadores até aos dias de hoje, aonde nem precisamos de cartões magnéticos,basta o reconhecimento físico junto a estas máquinas de ponto. Em sentido contrário a esta evolução, vão exactamente os direitos laborais, penso que qualquer dia estaremos na era industrial!

       -Os excessos já se começam a notar. Pessoas obrigadas a aceitar salários abaixo do que está legislado, com a  ameaça de perderem o seu posto de trabalho. Compromisso de um contacto permanente com a empresa, mesmo em período de descanso e já ouço falar inclusive, de mulheres que lhes foram sugeridas, compromissos, em como não estão a pensar em engravidar nos próximos tempos. Aonde vamos parar????

terça-feira, 17 de junho de 2014

Ironias à parte...

-E pronto, agora seria fácil, começar a criticar a nossa selecção. Não vou por aí, prefiro assobiar para o lado e pensar que ainda vamos dar a volta e ganhar... aos Estados Unidos e ao Gana. O Fábio já não joga mais neste Mundial, acabo de saber que a lesão é irrecuperável. Não faz mal, temos lá craques prontos a substitui-lo! -Quem, perguntam vocês?
-Sei lá, eles não são 23??  -Então, alguém estará de certeza em condições para o render!
Depois, também não vamos lá ter aquele rapaz do Real Madrid, que foi expulso injustamente, só porque encostou a cabeça no alemão. Também não é o fim do mundo, porque não precisamos de andar à porrada com os americanos, afinal esta é uma competição, aonde importa saber jogar à bola. Quanto a esta verdade, qualquer central disponível fará melhor figura do que Pepe.
Quanto à táctica a apresentar contra os americanos, acredito piamente no nosso treinador, seja quem for o adversário, é sempre 4x3x3. Desde os tempos idos, da sua passagem no Sporting, Paulo Bento não muda, porque esta fórmula já apresentou muito bons resultados. Ele não muda de táctica, nem de jogadores, porque estes são os mesmos que apresentou no ultimo Europeu. Esta equipa já se conhece tão bem, que já jogam de olhos fechados.
Quanto ao facto de não termos ao serviço da nossa equipa, jogadores como o Tiago do Atlético de Madrid, o Quaresma, o Danny do Zenit ou mesmo o Antunes ou o Ricardo Carvalho, isso são cartas fora do baralho, dispensáveis neste conjunto de notáveis eleitos.
Depois, falta salientar o mais importante. Temos o melhor jogador do planeta!!!
Vocês nem imaginam a quantidade de sessões de autógrafos que Cristiano teve de realizar  em Campinas, junto ao super luxuoso resort, escolhido a dedo, para proporcionar todas as condições de trabalho aos nossos heróis. Cristiano com tanto apoio até se esqueceu que tinha uma lesão no joelho.
Os nossos jogadores, escolhidos por Jorge Mendes, desculpem queria dizer Paulo Bento, irão de certeza deixar no Brasil, uma imagem fiel daquilo que se passa no futebol português. Ainda iremos chorar muitas lágrimas...de alegria, com a performance destes eleitos.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Man Ray

                                                       Lagrimas(1932)


                                          O violoncelo de Ingres(1924)



                                                             Sem título(1930)

                                                          Preto e Branco(1926)
                                                                  O beijo(1930)


                                                              A oração(1934)
Continuando com esta minha apresentação, mestres da fotografia, hoje trago à memória, um americano que amava a pintura, mas recorrendo à fotografia para financiar a sua paixão, acabou por se notabilizar com as inovações que empreendeu com a manipulação da luz sobre o papel fotográfico. 

Nasceu em Filadélfia em 1890, começou a pintar aos cinco anos e desde logo, os pais de origem judaica, oriundos da Rússia, aperceberam-se que o seu filho ingressaria no mundo das artes. Muito jovem foi para Nova Iorque, aonde frequentou a Academia Americana de Desenho.Aí mesmo, começou a aperceber-se de algumas influências europeias. Em 1914, aventura-se no mundo da fotografia e o seu experimentalismo começa a dar nas vistas, com técnicas muito sui generis. Neste mesmo ano,casa-se com a poetisa belga, Adon Lacroix, com quem partilhava o gosto pelo surrealismo. Em 1915, realiza a sua primeira exposição na David Gallery em Manhattan e conhece Marcel Duchamp, com quem funde o movimento dadá nova-iorquino. Um movimento, aonde o absurdo impera a par da irreverencia, combate as formas de arte institucionalizadas,uma critica premente sobre o consumismo ou o capitalismo e ainda uma utilização diferente dos objectos para produzir novos conceitos de arte.

Em 1920,muda-se para Paris, afinal o sítio certo, para um homem visionário como Man Ray. Mas mesmo aqui, na capital das luzes, as suas novidades estéticas não foram bem aceites pelo mercado. Mais uma vez  teve de recorrer ao retratismo. Entre outros, fotografou, Jean Cocteau, Gertrude Stein, René Clair, James Joyce,etc... Em todo este ambiente, o surrealismo estava sempre muito presente nos trabalhos que apresentava, mesmo no campo da 7ª arte, aonde entre outros filmes, produziu "L´Étoile de Mer"(1928).

Por motivos evidentes e sendo filho de quem era, abandona Paris durante a Grande Guerra e regressa aos Estados  Unidos,onde dá aulas e desenvolve novas realidades expressivas na fotografia, criando imagens abstractas. Nunca deixou de inovar e traçou sempre uma linha disforme em função do que seria a normalidade. Desenvolve a sua arte, a Rayografia, ou fotograma, criando imagens abstractas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico.Em 1951, regressa a Paris e em 1963, publica a autobiografia  Auto-Retrato.    Viria a falecer em 1976 com 86 anos, nesta mesma cidade.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Vai "pirrear" para outra freguesia!



Antonio José Seguro protagonizou este fim de semana, um dos episódios mais caricatos, no epilogo de umas eleições europeias. Eu pergunto, quem é que compreendeu aquele ar triunfalista do líder socialista, ao chegar à sede de campanha?
  - De certeza, ninguém!
Eu nunca tive grande fé nas capacidades do senhor abstencionista violento, mas continuo sem entender, como é que ainda ninguém se chegou à frente???
Este escrutínio no fim de semana, não conseguiu surpreender-me em quase nada. Uma votação vergonhosa dos partidos de direita,  era mais do que esperada. Apenas registo, que algumas regiões do Norte, apesar de terem vindo a sofrer com os efeitos desta governação, mais do que qualquer outro ponto do território, continuam armados em portuguesinhos e a dar o benefício da dúvida a esta coligação. O resultado da CDU, também previsível. Por um lado, uma  esquerda super fragmentada e por outro a obtenção de alguns dividendos com os desalinhados com este PS. Marinho Pinto, é um fenómeno natural, tal como aconteceu na inenarrável vitória da Frente Nacional em França. Os extremos sobressaem nestas alturas e a história já nos ensinou, cuidado com estes movimentos!
No entanto, pela segunda vez, António Costa ameaça candidatar-se a deixar a edilidade de Lisboa. Será que é desta?
Por esta hora, tenho já uma certeza. Passos e Portas estarão a fazer contas à vida. Porque uma coisa, seria preparar as próximas legislativas com o "copinho de leite"; outra realidade, será enfrentar o actual Presidente da Câmara da capital. Aliás, este principio de verão poderá ser mesmo, o momento mais "horribilis", deste Governo, suplantando a inconsequente irrevogabilidade de Portas. A par de tudo isto, não podemos esquecer que a decisão do Tribunal Constitucional está para breve e a economia deu uma nova cambalhota, o primeiro trimestre deste ano teve resultados menos animadores.
Tal como Soares afirmou, esperemos que esta "vitória de Pirro" tenha alguma consequência...pelo menos na liderança do PS, digo eu.



terça-feira, 20 de maio de 2014

Uma alegoria da nossa realidade.

-Estamos todos dentro deste barco e continuamos sem saber, quem é o timoneiro?
-Garanto-lhes, eu não sei...Apesar desse facto, parece evidente o menosprezo por aqueles que se preocupam!
-Eu tenho de propor um objectivo, enquanto esta letargia vai singrando por toda a tripulação, façamos um esforço para conseguir saber o rumo. Ao menos o nosso rumo???
Talvez gritando, alguém me ouvisse...mas não vale a pena...
No outro dia, quando já me sentia um pouco desesperado, escolhi bem as palavras e fiz uma pergunta directa, cheia de conteúdo e muito pertinente. O meu interlocutor, o escolhido, porque estava em posição de me responder,  ruboresceu e manteve-se em silêncio, enquanto os outros...aqueles que deveriam estar do meu lado, olharam para mim de uma forma esquisita. Como se eu estivesse a dizer alguma barbaridade! -Eu apenas buscava uma pista...


- Um dia vai ser tarde, o tempo vai passando e as forças vão diminuindo. Como é difícil, explicar a forma como vemos o mundo à nossa volta, as cores, as formas, a percepção que temos do bem e do mal e transmitir isso aos que nos rodeiam. Não quero impor a minha vontade a ninguém, mas seria desumano contentar-me com uma vida sem respostas às minhas questões mais nucleares.
-Eu sei que não podemos ser todos iguais...eu até sei, que até já nos deram tudo para nos sentirmos confortáveis...eles fizeram o impossível para que não tivéssemos de pensar muito. Mas a mim, custa-me ter de olhar no espelho ao fim de cada jornada e ver outra pessoa, ali retratada. Enquanto tiver consciente, quero olhar o rastro que a embarcação vai deixando no mar e pensar que fiz tudo para satisfazer as minhas questões.
-Sou insaciável, vou continuar à procura de saber os planos que me escondem. Mesmo que me acusem de estar atrás de uma suposta teoria da conspiração, vou em frente. Qual é o interesse de viver em liberdade senão obtemos respostas às nossas dúvidas e anseios quanto ao nosso futuro??
-É simples, qual é o nosso destino e quem nos leva para lá?
-Respondam, porra!




terça-feira, 6 de maio de 2014

Os Privilegiados.


Posso ser acusado de demagogia barata, mas os temas vão-me surgindo aqui neste blogue, porque os considero pertinentes. Em Abril, tanto o BE como a CDU apresentaram projectos lei na Assembleia, que visavam tornar as actividades extra parlamentares dos deputados mais transparentes. Nesse sentido, era essencial a exclusividade dos deputados às funções ali exercidas, no decurso dos seus mandatos e mesmo saindo, seria normal, existir um período de "nojo" em relação a cargos de administração ou directoria em empresas de relevo. Principalmente, cargos que possam interferir com o decorrer de negócios entre o público e o privado.

Naturalmente, que estes dois projectos lei, foram esmagados por a maioria... mais o PS. O regime de exclusividade, interfere com os "jogos" que se fazem nos bastidores, e porquê?

-Porque 117 dos 230 deputados no nosso Parlamento têm outros cargos extra no sector privado, além do seu trabalho diário na Assembleia!
-Porque nas empresas cotadas do PSi 20 actualmente, só 4 não contam com políticos ou ex-políticos nos seus quadros!
-Porque a comissão de Ética  da Assembleia da República que deveria fiscalizar os conflitos de interesses entre a actividade destes senhores no privado e o que representam como mandatários do povo, simplesmente não funciona, apenas existe no papel.
-Porque as comissões reguladoras que são instituídas para regular as actividades das empresas, geralmente,como têm nos seus mais altos cargos, pessoas que já tiveram ou têm interesses nesse mesmo ramo de actividade, apenas fazem figura de corpo presente.
- E finalmente, porque quanto às famosas comissões parlamentares. Quando se levanta alguma questão em relação a estas questões de incompatibilidades, fazem muito barulho, mas nunca ninguém presenciou a uma conclusão que redundasse nalguma medida punitiva. São completamente inoperantes!

Gustavo Sampaio escreveu um livro interessantíssimo sobre estas questões, com o título de "Os Privilegiados". Este livro que é no fundo uma grande reportagem aos meandros daquelas bancadas parlamentares, revela dados curiosos em relação às actividades extra parlamentares dos deputados. Entre outras figuras, vêm lá descrito como é que Ferreira do Amaral foi parar à Lusoponte, como é que Jorge Coelho vai parar à Mota Engil ou ainda, Pina Moura na Iberdrola.

Acontecem hoje em dia, muitos casos, não mediáticos, que poderiam revelar o estado de podridão absoluta que se vive neste meio. Por alguma razão, no norte da Europa os deputados ficam admirados, quando questionados, se existe alguma legislação em relação a esta hipotética exclusividade parlamentar nos seus países? -Eles apenas respondem, que nunca pensaram em levantar essa questão, dado que nem sequer têm tempo para levar a cabo o trabalho que têm em mãos no seu quotidiano. São formas de pensar que nós nunca iríamos entender.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Acordai Povo! Acordai!

Vivemos hoje um dia histórico, e não conseguimos explicar a razão desta sensação estranha!
Vivemos Abril sem a alegria de termos a perspectiva de dias melhores pela frente.
Vivemos um dia de comemoração dos 40 anos da Revolução, mas o caminho percorrido não co                 à realização dos ideais daqueles militares que marcharam até Lisboa.
Vivemos sob o signo do "medo". Medo de perder o emprego, medo de falar demais, medo de não po         pagar as prestações em atraso. Um medo encapuçado, disfarçado, mas ele existe no nosso dia a dia.
Vivemos momentos de resignação, sob o signo de protectorado, de uma ajuda que nos deram, mas q        fechámos os olhos ao preço que as gerações vindouras irão ter que pagar. Uma irresponsabilidade que       muita gente aceita de forma consciente e que numa pretensa democracia consolidada deveria ser mais           questionada.
Vivemos enfim, numa realidade que todos os portuguesinhos divididos,  merecem viver....

        Termino esta minha homenagem a todos os que tornaram possível este dia com um poema de um homem que fez por merecer Abril:


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Capitães de Abril.

Estamos às portas de uma comemoração especial do 25 de Abril. Com pena minha, temos o Presidente da República que temos, o Governo e uma Presidente da Assembleia que por cá ainda andam e com este pessoal, não poderíamos esperar muito acerca das festividades. Ainda se propôs alarvemente, uns chaimites decorados pela Joana do costume e uns patrocínios de entidades privadas, mas houve vergonha suficiente para não se avançar com essas idiotices. Mas a realidade é de tal forma inverossímil, que até os verdadeiros "heróis" ainda vivos, da Revolução dos Cravos, foram proibidos de discursarem nas comemorações oficiais, na Assembleia da República. O problema é deles, dizem uns, um episódio lateral, dizem outros, mas eu diria que este assunto é demasiado grave para se deixar passar incólume, sem mais consequências.

Por volta do ano 2000, Maria de Medeiros realizou a sua primeira longa metragem e eu que trabalhava na zona da baixa de Lisboa, assisti várias vezes, ás gravações na Rua do Arsenal e mesmo no Terreiro do Paço. Era quase surrealista ver a parafernália militar que se juntava às primeiras horas da manhã, naquelas artérias de Lisboa. Os mais incautos, até se assustavam com o aparato ali testemunhado, deveriam pensar que estavam perante um verdadeiro golpe militar!!

O filme, é um belo testemunho de como tudo aconteceu e não me canso de o rever. Numa entrevista, dada à Radio Comercial, Maria de Medeiros afirmava o seguinte:

 -"...Senão fosse a colaboração de João Soares, como presidente da Câmara de Lisboa e de Jorge Sampaio, que ocupava a cadeira presidencial em Belém, tal como a disponibilidade por parte do exército, ao facultar este material mais antigo, não seria possível realizar este projecto. Ainda acrescentando que, da forma como este Governo trata o cinema e a cultura em geral, seria de todo impossível, arranjar verbas e apoios, de forma a concretizar o seu sonho..."

O sonho de todos estes homens que naquela madrugada abriram as portas da liberdade, não passa hoje de uma utopia vã. Ainda por cima, estes mesmos militares, são ostracizados da casa, aonde sempre deveria estar o espírito desta mesma revolução!!!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Um intelectual injustamente secundarizado.



A política é uma porca, com todos os seus mamilos bem ocupados, em período de aleitação permanente. Os políticos ali andam de volta, à procura de se sustentar, sedentos de mais uma gota provinda das entranhas da progenitora. Eu reformularia e iria mais longe, a política é uma pura ilusão, os políticos de hoje são como maus ilusionistas, fazem os truques por trás de um lençol e mesmo assim, ainda se conseguem ver as orelhas do coelho antes de ele sair da cartola, as cartas caem-lhes das mangas e a partner geralmente quando é serrada ao meio, vai parar ao hospital. A arte do político, reside em convencer-nos ou iludir-nos, de que as suas teorias, são soluções para os problemas do nosso quotidiano.
O facto é que existiram políticos na nossa praça que eram autênticas estrelas de magia, tal e qual "davids copperfields" da bancada parlamentar. Poderia aqui nomear alguns, mas vou apenas, homenagear um nome, que acaba de nos deixar, José Medeiros Ferreira. Professor universitário e político, além de ser um intelectual de referência,  sempre conhecedor do chão que pisava, aliava um sentido de humor muito apurado a uma forma de estar na vida muito criteriosa. Já para não falar da sua veia benfiquista, prova de bom gosto e que nunca esqueceu de o demonstrar, inclusive em vários programas semanais de rádio.
Um dos últimos textos no seu blogue "Córtex Frontal", falava da desintegração gradual do BE. Não podia estar mais de acordo com essa ideia e prova como estava atento a tudo o que se passava à sua volta. -Deixo na íntegra, a mensagem publicada:

"O BE esfuma-se

O Bloco de Esquerda está a perder massa critica e a desfazer-se Primeiro foram ostracismos individuais: Daniel Oliveira, Joana Amaral Dias, Teixeira Lopes. Depois alguém começou a teorizar a saída em peso dos fundadores do BE-um hara-kiri nunca visto nestes quarenta anos de sistema de partidos.Saíram, aparentemente para renovarem os quadros Fernando Rosas, e, Francisco Louçã o verdadeiro líder do BE, capaz de multiplicar a força eleitoral, e de credibilizar pelos seus conhecimentos um partido sem história. Impávido Luís Fazenda a tudo assistiu com uma fé inabalável na capacidade de reprodução da sua escola de quadros. Chegou porém agora a vez de Ana Drago se demitir do cargo que ocupava na direcção do Bloco.
Carismática, estudiosa, dedicada, bem preparada, com uma excelente argumentação política,teria sido uma solução mais forte do que a divisão bicéfala inventada por ocasião da morte assistida do BE. Sempre disse que ela não aceitaria a operação em curso. Quem ficará com muitos dos votos do partido de Louçã?"

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Coro dos Escravos.

No ultimo dia 9 de Março, 40 mil pessoas no centro de Madrid, protestaram contra o evidente desinvestimento na cultura, por parte do Governo de Mariano Rajoy. O movimento apelidado de "Em defesa da cultura" organizaram um conjunto de 1200 vozes, que ecoaram o Coro dos Escravos de Nabucco, Giuseppe Verdi, por aquelas artérias solarengas da capital espanhola.
Os nossos vizinhos do PP, tal como acontece por cá,  tratam a cultura, como um parente pobre, esquecido e abandonado numa qualquer data, lá muito atrás. Na Praça da Independência, este hino talvez tenha acordado algumas consciências... Estas associações de escolas de musica, orquestras de câmara, companhias de circo, pintores, actores, bailarinos, e outros agentes culturais, ergueram os seus cartazes e as suas vozes, contra o estado débil em que se encontra a cultura. Mas não só, a luta pela dignidade das suas áreas de intervenção. A estupidificação da sociedade, só pode beneficiar Governos déspotas, tiranos e anti-democráticos.

Esta iniciativa, chamou-me a atenção, pelo facto de que a população em geral, ainda revela uma sentida preocupação, por este assunto. Assim não fosse e não teríamos estes milhares de pessoas acorrendo a este protesto. O povo, reconhece a importância da preservação e divulgação da cultura, como um valor essencial no seu desenvolvimento e nos valores da sua própria identidade.
Sem qualquer tipo de demagogia, acredito que todos estes Ministérios a cargo de economistas bestiais, cheios de números nos seus horizontes limitados, não tenham espaço para lirismos (tal como eles interpretam o valor da cultura) em tempos de grandes dificuldades. Mas delegar a cultura para um canto, poderá ser um erro grave que poderá vir a emperrar, as suas máquinas calculadoras, num futuro bem próximo. A riqueza da cultura ibérica, não merece ter esta gente medíocre a decidir, pelo seu desenvolvimento ou  a sua pura extinção!

terça-feira, 25 de março de 2014

Realidade virtual.


O cartoon já existe desde meados do século XIX, e sempre serviu para satirizar, de alguma forma, a sociedade. E eu gosto de o utilizar, aqui neste blogue, porque permite ilustrar, de forma simples e directa, algumas das minhas ideias. 
Esta semana, seleccionei um conjunto de desenhos, para chamar a atenção, desta crescente desinformação levada a cabo pelos principais média deste País, de que mais importante do que observarmos a realidade, é a divulgação obsessiva e repetida dos números da nossa pretensa recuperação económica.



Mas já que estamos numa fase de activa campanha eleitoral do Governo e os números são uma das suas armas, eu observei hoje que o INE, publicou os resultados de um estudo sobre a pobreza em Portugal,  achei interessante e preocupante, as conclusões. Estes números são um paradoxo real. Se por um lado estamos em franca recuperação económica e os sinais indicam que o pior já passou, por outro, temos um aumento do índice de pobreza que já não se verificava desde 2005. Inclusive aumentou de 8,6% em 2012 para 10,9% em 2013!


Neste momento, cerca de 1 milhão de portugueses, não consegue comer uma refeição de carne ou peixe por dia! - A par destes dados alarmantes, a crescente precarização do mercado de trabalho, indica que outros tantos, caminham para este estado de pobreza. A "luz vermelha", à muito que está a piscar, mas continuamos a virar as costas a este problema gravíssimo. Passos Coelho, escolheu precisamente o dia de hoje para anunciar o incremento de medidas para combater a exclusão social, combater a pobreza, as desigualdades, etc...blá...blá...blá...

Lembro as palavras sábias de Saramago que dizia e cito..."Quando um político mente destrói a base da democracia", e dizia mais..."o tempo das verdades plurais terminou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias..."
Quando ainda hoje o líder parlamentar do PSD, Luis Montenegro mentia de uma forma escandalosa ao afirmar, no final das Jornadas Parlamentares que os cortes para 2015, não passarão, por cortes nos salários ou nas pensões!!!- Desde quando é que os cortes não passaram, com este Governo, de uma forma directa ou indirecta, por penalizar os rendimentos dos mais desfavorecidos, até hoje???

terça-feira, 18 de março de 2014

O povo unido jamais será soberano!

    -Disse um dia aquele senhor, que se lixem as eleições!!??
 Entretanto, surgiram umas horrorosas autárquicas  e agora aproximam-se as nefastas europeias, que suspeita lhe venham a correr ainda pior. Já se aliou ao amigo "irrevogável", mas nem isso deverá chegar para os 32%, que lhe dariam os mesmos oito "euro-dependentes" que já lá estão neste momento.Depois de tentar impingir-nos a teoria de que estamos à beira de uma saída limpa, tenta a todo o custo, um qualquer entendimentozinho com o "copinho de leite com bolachinhas", para os mercados ficarem mais calmos e não tenham medo da eventual mudança de rumo político... nas legislativas de 2015. Senão for antes...

Este senhor prepara-se para comemorar os 40 anos da Revolução com uma mão cheia de nada, os trunfos que tinha para jogar, antes da saída limpa, estão a acabar e ainda por cima o Tribunal Constitucional prepara-se para lhe dar mais uma notícia desagradável!!! -Entretanto,os senhores da "Troika", vão continuar a ter-nos debaixo de olho. O dito cujo, continua a não ter noção do mínimo de decência ou alguma vergonha na cara, já que voltou a tirar da manga, uma carta gasta e viciada, Miguel Relvas em todo o seu esplendor e carga negativa que transporta atrás de si, é colocado como líder do Conselho Nacional do partido laranja!

Esta democracia, têm umas regras muito peculiares, continuamos diariamente a assistir ao definhar dos ideais de Abril, tal como à agonia dos direitos conquistados desde então, mas estamos estoicamente, à espera de não sei o quê, para podermos reagir e dar uma resposta condigna a este senhor, que nunca teve a noção do que seria, ter um mínimo de dignidade para governar este País. Num dia destes, foi acusado no Parlamento de não ter palavra. Como resposta, remeteu-se ao silêncio!-Ele não têm que se sentir ofendido, porque penso, no futuro irá ouvir muitas outras verdades, que talvez o façam acordar de vez!

domingo, 9 de março de 2014

Uma prescrição amarga.

Como é possível o Zé Portuguesinho continuar impassível perante estas notícias?
Prescrição de um conjunto de processos que se arrastaram nos tribunais durante 8 anos e que terminam num Tribunal de Pequena Instância de Lisboa, provavelmente depois de umas jantaradas entre os juízes que agora pronunciaram  esta decisão e alguns dos "capatazes" deste senhor???
Depois de dar cabo de um dos principais bancos portugueses e estar a usufruir de uma reforma fabulosa, à custa dessa mesma instituição financeira, depois de estarmos a financiar com os nossos impostos algumas destas atrocidades para recuperar o BCP Millenium e ainda assistirmos ao preço irrisório de cada acção neste momento, dizimando as poupanças dos que investiram neste Banco,  este senhor sai, mais uma vez, pela porta grande e com um sorriso de orelha a orelha!!!
O que poderíamos fazer para contrariar este estado caótico e podre aonde nos encontramos?
          -NADA!!- Exactamente,NADA!
Poderíamos talvez, parar de eleger sempre os mesmos "fantoches", que estes "Donos de Portugal" conseguem "manietar" facilmente.
Poderíamos talvez deixar de enriquecer sempre os mesmos, com as nossas compras habituais, nas grandes superfícies comerciais só porque nos dá mais jeito.
Poderíamos exigir que os nossos bancos passem uma factura, cada vez que nos esmifram dinheiro das nossas contas, com taxas e mais taxas.
Poderíamos ter capacidade de interrogar o deputado eleito, qual o destino, do dinheiro dos nossos impostos?
Poderíamos, usar a cabeça e de alguma forma, causar algum dano, embora insignificante, a muitas destas poderosas máquinas de fazer fortunas

 Não podemos continuar a deixar o caminho livre para que estes oligarcas, façam tudo o que querem e decidam o seu futuro e o NOSSO, sem que nada lhes aconteça!

sábado, 1 de março de 2014

Turista acidental.

  Como temos o País à "venda", não admira o que vamos presenciando na saúde, na educação, na cultura,etc... Hoje gostaria de falar num dos parentes pobres de todos os governos de direita, desde a revolução dos cravos, como todos sabem, a cultura. Esta semana fui visitar o Palácio da Pena, situado no coração da Serra de Sintra. O monumento mais procurado e visitado em Portugal, é explorado por a empresa "Parques Sintra Monte da Lua", que além deste espaço, detém também quase todos os monumentos adjacentes em Sintra e em Queluz.

 A sensação que me deu ao visitar este local lindíssimo, era de que estava num qualquer parque temático do género da  DisneyWorld. Passo a explicar. A forma como gerem estes locais, é idêntico ao que se passa naqueles espaços de entretenimento. Paga-se o acesso ao Palácio, por a módica quantia de 11 euros (mesmo em tempo de crise????), mas se decidirmos utilizar um transporte até às portas do Palácio, já temos de desembolsar mais uns euritos. Depois, já no seu interior, reparei que uma boa parte do monumento está em obras e impossível de visitar, a vista para o exterior vai-nos enchendo a alma, mas as poucas salas a visitar é confrangedor para o preço pago. Um autêntico roubo!!!
É certo que ainda temos uma pequena sala aonde estão expostos os vitrais e vidros da colecção de  D. Fernando II,(na foto em cima) recentemente restaurados, mas tudo sabe a muito pouco. Esta empresa não se esqueceu foi de colocar algumas lojas, ao longo do  percurso, de forma a rentabilizar um pouco mais este espaço.
Entretanto se por acaso, desejarmos visitar o Chalet da Condessa d'Edla, mesmo ali ao lado ou o Castelo dos Mouros, ou mesmo o Convento dos Capuchos, teremos que desembolsar mais algum. Temo que em breve, teremos de pagar até para usufruir da própria Serra de Sintra, porque por enquanto ainda é de graça!
Aconselho, por esta razão e por enquanto a uma ida até Sintra e regalarmo-nos com as vistas do exterior dos magníficos monumentos, só para não nos sentirmos "turistas" à porta de casa!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A sabedoria do silêncio.

Aqui no a,b,c... já falei da senhora que está sentada na mais alta cadeira da Assembleia da República  e que cada vez que abre a boca, só sai, aquilo que  todos nós sabemos. Esta reformada que ganha milhares de euros à conta dos impostos dos portuguesinhos, teima em insultar a nossa inteligência, cada vez que opina sobre qualquer assunto. Já referi aqui, as suas  reacções alérgicas à democracia no desempenho das suas funções, depois foram aqueles lamentáveis cálculos, sobre o custo  da possível transladação de Eusébio para o Panteão e agora, a possibilidade de existirem alguns mecenas que financiassem as comemorações dos 40 anos do dia da Liberdade!!- Ainda fez pior, convidou Joana Vasconcelos a decorar umas chaimites, com cravos vermelhos???

Por uma questão de sorte, a senhora "iluminada" (pelo poder instituído, claro!) das artes plásticas em Portugal, recusou a ideia por falta de tempo, porque se o projecto fosse avante, garanto-vos que iria mais uma vez,  ficar muito caro aos bolsos dos maiores "mecenas" que esta senhora loura arranja, que somos, exactamente todos nós!

Eu sei que a temos de aturar mais um ano e pouco, mas não seria razoável utilizarmos as redes sociais ao nosso alcance para uma petição realmente útil.Um pedido à consideração de todos os grupos parlamentares, como se costuma dizer, o silêncio é de ouro e a palavra é de prata, nada melhor que remeter Assunção Esteves a um silêncio compulsivo, só até ao fim desta legislatura. Seria pedir muito?

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

desumanização, usem e abusem.


          -Não costumo divulgar aqui, as minhas leituras, mas vou abrir uma excepção, porque realmente vale a pena. "Desumanização" de valter hugo mãe é um lançamento recente e contêm todos os ingredientes para se tornar numa daquelas obras que nos marcam de uma forma muito especial. Existe ali, magia. Este senhor "brinca" com as palavras até à perfeição.

         -Este angolano, vencedor, entre outros galardões, do Prémio José Saramago em 2007, transporta-nos neste seu ultimo lançamento, para uma realidade muito distante. Uma história passada na enigmática Islândia. Com o suposto conhecimento de causa, envolve a nossa imaginação em paradoxos múltiplos. Se por um lado, temos a sensação desconfortável da descrição de emoções cruas e gélidas, por outro, descreve-nos  um jogo trepidante de palavras que nos aconchegam e faz-nos sentir o calor das emoções. Temos dificuldade, por vezes, de acompanhar uma narrativa enigmática, mas logo surge a simplicidade revelada  no final de cada ideia transmitida. A morte versus a vida desmaterializada de uma criança, que enfrenta o ódio da mãe e a compreensão frágil do pai "poeta".  

           -Eu, a caminho da Europa, vindo do outro lado do Atlântico, à uns anos atrás, fiz escala em Reykjavic. Verdade que não cheguei a sair do aeroporto, mas ao aterrar naquela ilha, perto do meio dia, estava escuro como breu e reparei numas pessoas que transportavam as malas na pista. Essa imagem até hoje, nunca me saiu da cabeça. Vestiam uns anorak´s enormes, que os cobriam da cabeça aos pés, com uns capuzes que não deixavam ver as faces. Na cabeça transportavam umas luzes que realçavam o trabalho rotineiro que efectuavam num ambiente muito hostil. Naquele final de Novembro, lembro-me que aqueles misteriosos seres, faziam-me lembrar uns figurantes de um concerto inolvidável, que assisti no cinema, nos idos anos 80, na saudosa sala do Campo Grande, Caleidoscópio. O filme chamava-se"Like a Hurricane" e não era mais do que um concerto de 78, de  Neil Young&Crazy Horse. A nossa imaginação, por vezes prega-nos estas partidas, vai buscar acontecimentos longínquos e traça linhas desconexas, que no entanto terão alguma razão de ser, algum sentido. Passados, todos estes anos, esta "desumanização", conseguiu interligar, estas minhas experiências.Curioso, porque através de valter hugo mãe, estas imagens voltaram a surgir. Só por isso, já foi muito bom.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

O lixo escondido da Moody´s.

Na última semana, li no reputado "Finantial Times", um artigo de Peter Wise, que resumidamente, glorificava a nossa recuperação económica. Afirmava, que Portugal está a conseguir sair da maior recessão dos últimos 40 anos, com taxas de crescimento superiores à média europeia, registadas no último semestre do ano transacto. Acrescentando também, a descida da taxa de desemprego, o valor positivo da nossa balança comercial e a queda em todos os prazos dos juros da divida. Eu pergunto, à custa de quem?

- Sem infraestruturas sólidas, não existe economia que se aguente. Necessitamos de uma mudança que não foi executada. Baixando novamente os impostos para valores decentes, todos estes sinais positivos, são meros indicadores provisórios, voltaremos a bater à porta dos nossos credores.

-Esta semana, o nosso querido Primeiro afirmou que a Moody´s (de quem disse cobras e lagartos no passado recente) deu um excelente sinal , para uma possível subida do nosso rating. Esse sinal até poderia ser bom, se fosse fruto, dos primeiros resultados visíveis de uma profunda reforma do EstadoNo meio desta profusa e insistente campanha, o que foi escondido em baixo do tapete?

-Só vou dar alguns exemplos. Continuamos a ter filas de espera nas urgências dos hospitais, muito acima do que é expectável, porque o desinvestimento neste sector é chocante. Os cortes começam a atingir as pessoas que normalmente se dirigiam às unidades de saúde para ter os cuidados básicos em doenças oncológicas! -Os enfermeiros emigram em larga escala, porque não encontram soluções dignas e  os médicos saltam para o privado ou "fingem" estar nos dois lados. Os tribunais estão completamente inoperantes, os processos acumulam-se sem solução à vista e a prometida reforma da justiça ficou mais uma vez na gaveta. O ensino está um caos. Professores desmotivados, equipamentos ou fecham ou estão a cair e o desinvestimento na ciência têm dado nos últimos dias, noticias alarmantes. A atribuição de bolsas é uma vergonha, mais valia mandar estas pessoas procurar financiamento para os seus projectos, algures num país decente. Estes e muitos outros casos, são o lixo que se deseja esconder.

O único assunto, aonde este Governo têm feito um excelente trabalho e de maneira célere, é sem dúvida, esmifrar os nossos bolsos, com  impostos de toda a maneira e feitio!!!-Convinha lembrar no entanto a Passos e Portas, que varrer o "lixo" para baixo do tapete, não vai resultar durante muito tempo, apesar desta enorme vontade de apresentar números bonitos! ´

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uma nova Diáspora.

A pouca vergonha dos políticos que nos governam, chega a ser escandalosa. Os portuguesinhos lembram-se, de certeza, que Passos Coelho à cerca de 2 anos aconselhava os jovens portugueses a procurar outras soluções de emprego no estrangeiro. Convinha que os números do desemprego não subissem, até à percentagem que atingiram. Convinha que a vergonha não perpetuasse durante muito mais tempo, com um lugar desonroso, terceira maior taxa da Europa.Convinha esconder as péssimas condições de trabalho e de baixa remuneração que se iam oferecendo a jovens licenciados. Em nome da crise, tudo valia...e vale!

Seguindo o conselho do primeiro-ministro, muitos milhares de jovens começaram a procurar melhores condições além fronteiras, muitos deles, dando passos em falso. Promessas vãs, paraísos que se tornavam em infernos, em menos de nada. Gente sem escrúpulos, procurava gente desesperada que a troco do "el dorado", chegavam a encontrar realidades perto da "escravatura". Trabalhar apenas a troco de comida e pouco mais.

Os últimos dados indicam já, uma saída de milhares de jovens do nosso País que começam a ultrapassar os números da epopeia dos anos 60 e 70 do século passado! - Apesar disso, Paulo Portas está contente porque a taxa de desemprego desceu algumas décimas. Claro que desceu, mas não foi à custa dos 120.000 empregos que o Governo nunca criou, mas sim graças  a esta nova diáspora dos portuguesinhos!!!

Mas a pouca vergonha a que me referi no principio desta crónica, refere-se às ultimas declarações do Ministro da Economia. Diz ele que alguns  portugueses, poderão começar a regressar este ano a Portugal!!??
Como é possível as pessoas afastarem-se tanto da realidade e acreditarem que os portuguesinhos que saíram daqui, com grande capacidade de sofrimento, possam agora estar dispostos a correr o risco de voltar ao mesmo? -Talvez voltem os que ainda estão desesperados e não têm outra saída, mas aqueles que entretanto tiveram uma oportunidade e agora sentem-se um pouco mais aliviados, será que este apelo sortirá algum efeito? -Não creio. Eu falo por mim, que emigrei numa dada altura da minha vida, devido ao efeito nefasto das políticas desastrosas de Cavaco como primeiro ministro e não fossem as razões de ordem familiar, ainda hoje por lá andaria.

Termino com uma frase do Eça de Queiroz que não poderia ser mais actual:
   "...Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre..."