quarta-feira, 16 de maio de 2012
Tragédia Grega!
Esta coligação de esquerda radical, o Syriza, integra uma mescla de vários partidos de esquerda, que não tinham muito protagonismo na cena política grega à uns anos atrás. Juntaram-se a eles os Verdes, os dissidentes do Partido Comunista (KKE), inclusive o seu actual líder, Alexis Tsipras, também integrou a ala jovem deste partido. Fundado em 2004, não tinha qualquer veleidade de chegar ao poder perante os monstros sagrados do PASOK e da Nova Democracia, Estes sim, partidos que dividiram a Vouli (Assembleia Grega), desde a queda do regime militarista em 1974. Graças a um espectacular resultado nas recentes eleições, 16,80% e uma representação de 52 deputados na Vouli, passou a ser o segundo partido mais votado nesta Assembleia!
O povo grego, farto de tantas medidas impostas pela Troika, revelou coragem ao querer mudar o rumo dos acontecimentos. Expressou nas urnas a vontade de promover outras soluções, só que os votos foram muito dispersos e o Presidente Papoulias não conseguiu promover um Governo estável para os próximos anos, apesar da oportunidade que deu aos três partidos mais votados para encetarem contactos nesse sentido. A oposição firme de Tsipras a coligações com partidos que arrastaram a Grécia para esta situação, deu-me um pouco de esperança.Este jovem parece estar convicto das suas ideias e revela força para aguentar pressões, muito comuns nestas alturas. Eu imagino a responsabilidade que lhe tenham tentado incutir por causa da sua inflexibilidade.
As sondagens demonstram agora que no próximo dia 17 de Junho, a sua coligação de esquerda poderá ganhar ainda mais protagonismo e os líderes europeus começam já a olhar este jovem líder, de uma outra forma. Após essa data, deverá também ele, tentar alguns consensos para formar Governo. Espero nessa altura que não venha a desiludir não só os seus apoiantes e o povo grego em geral, mas uma cada vez maior percentagem de europeus, que acreditam existir vida para além das imposições da senhora Merkel!
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Teia de aranha.
As perguntas dificilmente têm uma resposta razoável, porque lidamos com uma comunidade extremamente fechada e sensível a qualquer tipo de investigação. Já não tenho dúvidas, que existe um cartel por trás de todo este negócio, existem regras a ser respeitadas para quem deseja abrir uma loja. Regras muito apertadas, porque o segredo é a alma deste sistema. É como uma teia de aranha, estão a tecer os fios aonde nos iremos enredar, mais dia menos dia. A nossa balança comercial com a China é extremamente deficitária, no entanto esta potência mundial consegue impor regras a seu belo prazer, sem que ninguém na Europa lhes faça frente. Os seus produtos entram nos portos europeus a um ritmo frenético e as alfândegas estão manietadas por convenções previamente delineadas. Jogos de bastidores que favorecem, quem coloca o produto no mercado e quem deveria fazer esse controle.
Mas, depois vemos o que se passa hoje em dia na China e chegamos a uma conclusão óbvia. Todo este plano arquitectado pelo poder em Pequim, não faz muito sentido aos olhos do Ocidente, mas têm como objectivo controlar o comércio mundial através de regras pouco ortodoxas, mas eficientes. Nem que para isso tenham de construir cidades fantasmas e levem a especulação imobiliária a níveis nunca antes presenciados. Este documentário, feito no final do ultimo ano mostra a forma como é possível mostrar uma imagem de prosperidade baseada no vazio!!- Uma ideia inócua composta por mil intenções difíceis de descortinar. Termino com um provérbio chinês que faz todo o sentido. "A mais alta das torres começa no solo", só nos faz falta saber a razão desta construção?
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Alfred Eisenstaedt
Nas margens do Rio Arno (1934)
Representação de fantoches (1936)
Dia da vitória sobre o Japão em Times Square (1945)
Um polaco que ficou na história da fotografia, que começa o seu percurso com registos junto de Hitler, Mussolini, Joseph Goebbels e termina a sua carreira, sendo fotógrafo oficial de Bill Clinton na Casa Branca, não deixa de ser no mínimo, muito peculiar. Nasceu em 1898 em Tczew e aos 14 anos recebeu das mãos do pai, a sua primeira máquina: uma Eastman Kodak Folding Nº3. Depois de ser ferido na 1ª Grande Guerra, com uma granada em 1918, que lhe feriu as pernas, Alfred descobre que a fotografia seria sem dúvida mais que um hobby.
A sua primeira encomenda da Associated Press foi uma reportagem sobre a cerimónia da entrega do Prémio Nobel de Literatura a Thomas Mann. Depois, a sua carreira foi um acto contínuo de grandes momentos. Como por exemplo, a primeira ocasião em que Hitler envergou o uniforme de Fuhrer, bem como do seu primeiro encontro com Mussolini.As suas imagens mais famosas desta altura são tiradas do interior do colossal transatlântico "Graf Zeppelin". O seu astuto sentido na procura da notícia, sagrou-o como excelente repórter fotográfico.Em 1935, pressentindo o que iria acontecer com a ascensão do nazismo ao poder, emigrou para os States.
Começa por trabalhar para a Vogue, Town and Country, mas em 1936, com a ajuda de Margaret Bourke, (de quem eu já escrevi neste blog) entrou para os quadros da Life, onde trabalhou até 1972. Nesta casa, tornou-se célebre como retratista, mas não foi com figuras célebres que ele se notificou, antes pelo contrário, a foto da sua vida aconteceu no epílogo da Guerra que opôs o Japão aos Estados Unidos. Um beijo de um anónimo marinheiro a uma enfermeira, na celebração da vitória em plena Times Square, Nova Iorque, a 14 de Agosto de 1945. Eisenstaedt diria deste registo "As pessoas dizem-me que, quando já estiver no paraíso, esta fotografia continuará a ser recordada."
Na mesma cidade aonde tirou esse instantâneo, realizou em 1950 a sua primeira exposição individual, no Museu Internacional de Fotografia. Em 1983, a Universidade de Miami, atribuiu-lhe o doutoramento Honoris Causa em Belas Artes. Acaba por ser convidado no final de carreira, para ser o fotógrafo oficial de Bill Clinton, ao qual ele cedeu. Faleceu em 1995 em Queens, Nova Iorque, a cidade que o acolheu e acarinhou sempre.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Fantoches trapalhões.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Era uma vez em Portugal
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O cerco aperta.
As cores dos partidos mais conservadores vão desfraldar nos Palácios de S.Bento e da Moncloa (caso não haja uma surpresa...das boas), nos próximos anos, temo que tanto Rajoy como Passos não serão muito apologistas de permitirem divulgar informação, que não lhes convenham. Utilizam geralmente a comunicação social como meio ideal à manipulação da opinião pública. Quanto mais aprofundamos a questão, mais evidente se torna esta sublime sacanice. Quem se atreve a pisar o risco é punido exemplarmente, perguntem ao Relvas se não é verdade?- Como neste momento ainda não dominam por completo as redes sociais, estão a tratar de legislar, para que em breve, não hajam escapatórias. A noticia vinda de Espanha à uns dias, sobre a intenção do PP implementar medidas punitivas sobre os chamados "incentivos" a manifestações ou mesmo sobre os próprios manifestantes, mesmo que estes apenas tenham comportamentos pacifistas???- O que importa, parece ser o de isolar estes anarquistas que não alinham com as teses vindas da SarkoMerKolândia. Primeiro sinalizar e depois capturar como se fossem actos "terroristas".
O garante da Democracia é baseado em pormenores das respectivas Constituições, muito velhinhas e desconexas com a realidade. Existem formas de dar a volta aos textos e acreditem que estes senhores são peritos nessa matéria. Pelo andar da carruagem, Passos irá imitar o seu amigo espanhol e a pressão sobre todos aqueles que pensam diferente, será uma certeza num futuro próximo. Eu penso que na Blogoesfera, estes novos arautos do "lápis azul" terão muito que fazer!- Do meu insignificante contributo, eu tenho uma certeza. Nunca irei desistir!
Quem saboreia o aroma da liberdade, geralmente nunca se permite a pactuar com esta pseudodemocracia.
domingo, 8 de abril de 2012
Devaneios ortocromáticos.
..."“A fotografia é uma forma de ficção. É ao mesmo tempo um registo da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira.”
Gérard Castello Lopes
Póvoa de Varzim- 2010
“A gente olha e pensa: Quando aperto ? Agora? Agora? Agora?
Entende? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo, ou o perdemos…e não podemos recomeçar…”
Cartier Bresson
Colares- 2010
“A fotografia é uma lição de amor e ódio ao mesmo tempo. É uma metralhadora, mas também é o divã do analista. Uma interrogação e uma afirmação, um sim e um não ao mesmo tempo. Mas é sobretudo um beijo muito cálido.”
Henri Cartier-Bresson
Oeiras- 2009
“A fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são.”
Peter Urmenyi
Ponte da Barca- 2006
“A câmara é um instrumento que ensina a gente a ver sem câmara.”
Dorothea Lange
Ovar- 2009
“Você não fotografa com a sua máquina. Você fotografa com toda a sua cultura.”
Sebastião Salgado
Praia da Areia Branca- 2008
“Minhas fotografias são um elo entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma.”
Sebastião Salgado
Costa da Caparica- 2004
“Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça,o olho e o coração.”
Henri Cartier Bresson
Vila Velha de Ródão- 2005
"A câmara não faz diferença nenhuma.
Todas elas gravam o que você está vendo.
Mas você precisa de ver.”
Ernst Haas
Cavaleiro- 2009
A fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são.”
Peter Urmenyi
sexta-feira, 30 de março de 2012
Requiem a António Tabucchi.
Ele "adoptou" a "cidade branca" como sendo sua e por cá ficou radicado até à sua morte. Muitas vezes é necessário observarmos um lugar como se nunca lá estivéssemos estado, de maneira a podermos descrever as suas características, a sua essência de uma forma simples e clara. Ele conseguia esse desiderato de uma forma apaixonada. No entanto, o livro que mais admirei na sua obra, foi sem dúvida, "Requiem" de 1992. Porque, fundamentalmente ele consegue "quadros" fidedignos de lugares e personagens típicas, aonde todos os que têm Lisboa no coração reconhecem facilmente. Nas entrelinhas desta descrição de um passeio, num domingo solarengo pela capital, sente-se os "cheiros" dos lugares por onde passa, tal é a força da realidade imposta. O livro narrado, sempre na primeira pessoa, revela a mestria da sua escrita, ao contar-nos uma história sem grandes enredos, mas rica no ponto de vista da relação que funde com os vários personagens, que vão surgindo, sempre à espera do "fantasma" de Fernando Pessoa e em particular a sua obra "O Livro do Desassossego".
Um "encontro" com que sempre sonhou, já que estudou e traduziu muitas suas obras para italiano. Várias vezes introduziu na sua ficção a obra pessoana, tal como o fez José Saramago (" O ano da morte de Ricardo Reis") e Amadeu Lopes. Dessa forma também contribuiu para demonstrar a sua capacidade de compreender o maior vulto da nossa literatura.
Aqui fica um pequeno excerto deste livro, como nota de despedida ao italiano mais alfacinha que existiu:
..."Hoje é um dia muito estranho para mim, estou a sonhar mas parece-me ser realidade e tenho de encontrar umas pessoas que só existem na minha lembrança. Hoje é o último domingo de Julho, disse o Cauteleiro Coxo, a cidade está deserta, devem estar quarenta graus à sombra, suponho que seja o dia mais indicado para encontrar pessoas que só existem na lembrança, a sua alma, perdão, o seu Inconsciente, vai ter muito que fazer num dia como este, desejo-lhe bom dia e boa sorte..."
sexta-feira, 23 de março de 2012
Um avental de respeito!
Costuma ser sempre o principal "apóstolo" de Passos, esta lá sempre a seu lado, para o amparar nos momentos mais difíceis. Recordo-me do episódio recente da demissão do secretário de Estado da Energia. Antes do Primeiro Ministro ter tempo de explicar alguma coisa, apareceu ele com o seu cinismo característico, declarar a normalidade do acontecido, o Governo prosseguia forte e coeso. Enquanto Passos metia as mãos pelos pés no Parlamento por causa do duplo pagamento à Lusoponte, quem apareceu para colocar tudo no seu lugar?- Exactamente o mestre maçon.Quando alguém pisou o risco na RDP1 falando mal dos amiguinhos angolanos das negociatas, foi ele que mandou Luis Marinho "arrumar a casa".
Apesar da crítica dos autarcas do seu próprio partido à reforma administrativa que quer levar por diante, defende que irá lutar por um futuro melhor para os portugueses, custe o que custar!- Admirável a sua devoção à causa que se apelida de programa do Governo, quando todos sabemos a quantidade de decisões adiadas, como por exemplo, quanto à taxação dos grandes grupos empresariais ou a reforma na justiça e na educação.
Por fim, refiro-me à sua tirada de mestre quando disse do alto do pedestal, "...juventude bem preparada que emigra". Que tristeza ouvir isto da boca de um homem com a sua responsabilidade, parece-me algo inédito e triste. Por enquanto ainda vamos podendo escrever estas ideias, mas fica o aviso à navegação. Um dia destes o Relvas vai querer chegar mais longe e aí, ainda vamos ter muitas saudades do Cavaco, do Sócrates, do Passos, do Durão e de todos os outros que nos lixaram o País.
domingo, 18 de março de 2012
Pedrada no charco!
"Sangue do meu Sangue" é um filme que nos fala do amor incondicional, daquele amor que só as mães sabem dedicar às suas crianças.Em sintonia com esses afectos existe drama e a descrição de algo muito real, as relações que se gerem num bairro com muitas dificuldades. Rita Blanco talvez desempenhe neste filme o papel da sua vida, sem dúvida magistral, tal como Anabela Moreira (excelente surpresa) ou Cleia Almeida. Um filme essencialmente de mulheres.Canijo filma o Bairro Padre Cruz com uma lente muito "transparente". Revela a sua história, dando-nos pistas sobre um desenlace mais que evidente num local com estas características. Muitas vezes desejamos estar a assistir a uma ficção desproporcionada da realidade, mas infelizmente temos de sair da nossa zona de conforto e mergulhar bem fundo neste mundo.Às vezes, mesmo ali ao virar da esquina.
Neste filme, a banda sonora impressionou-me de uma forma estranha, porque o som advém das frágeis estruturas que representam as habitações e os sons provenientes desses espaços. As paredes vizinhas são meras folhas de papel aonde a privacidade se desvanece de uma forma colossal!- Tudo se ouve de um lado para o outro, os sons da televisão são disso prova sintomática. Este "voyeurismo" é no fundo peça fundamental à forma como decorre o próprio argumento.
Se continuarmos a "dormir", um dia destes não vamos poder congratular-nos, nem com estas pequenas "pérolas".
quinta-feira, 8 de março de 2012
A história repete-se?
É verdade que este fenómeno não será exclusivo do nosso burgo, mas basta olharmos para a história, após a Revolução Industrial, para compreendermos um pouco daquilo que nos está a acontecer. Após essa fase, havia um excedente de procura e pouca oferta, muitos milhares rumaram ao Novo Mundo, um fluxo migratório muito consistente. Depois da Depressão do inicio do século passado, quando se conseguiu um equilíbrio entre os interesses dos trabalhadores, defendidos por sindicatos recentemente criados para esse fim, e a função principal dos empresários que será sempre tornar o trabalho mais produtivo e lucrativo, assistiu-se ao período mais estável e duradouro crescimento da história.Depois, veio aquele tempo em que se começaram a colocar na mão de uns tantos matemáticos e economistas, a forma de rentabilizar (ainda mais!) as suas empresas com os mesmos recursos. Começou-se a retirar poder negocial aos trabalhadores e os lucros em vez de serem investidos em mais unidades produtivas começaram a ser canalizados para actividades especulativas. A taxa de desemprego começava assim a sua ascensão. Entretanto as famílias endividaram-se, porque queriam manter os seus padrões de bem estar, previamente atingidos e recorriam à banca de uma forma irresponsável.Para fechar este quadro, nada melhor do que referirmos a confiança absoluta no poder incontrolado dos mercados por parte dos que detém o capital e seus gurus.
Termino com a seguinte questão. Que função social útil desempenham hoje em dia os nossos empresários?
sábado, 3 de março de 2012
Canções sem Mordaça.
Zeca, o símbolo máximo dessa dita música, que perdura e representa a tenacidade de um homem que insistiu lutar contra um regime déspota. Sérgio Godinho que pegou na herança do Zeca, a par do José Mário Branco, Fausto, Vitorino, Janita Salomé, etc...e trouxe até aos nossos dias a importância de nunca deixarmos de produzir música de intervenção. O papel dessa música, não deixa de ser importante porque vivemos em democracia, aparentemente muita gente pensa dessa forma, mas hoje revela-se mais importante do que nos tempos da ditadura. Todos os dias, basta lermos nas entrelinhas e escutarmos com atenção, para chegarmos à conclusão que precisamos de estar muito alertas. Muitas dessas letras que hoje ouvimos, são atacadas como demagógicas ou pretensiosas, elas apenas representam a voz da consciência popular, a maioria das vezes. Servem também como um despertador para os poderes instituídos
Mais recentemente, temos algumas melodias de contestação interpretadas por grupos que não são identificados por essa matriz, mas que sentiram necessidade de transmitirem esse sinal de alerta, porque a situação piora a olhos vistos. Casos dos Xutos, Deolinda e mais recentemente de A C Boss.
Termino com um excerto de uma entrevista dada por Adolfo Luxúria Canibal, o ano passado, quando lhe perguntaram qual o papel da música nas transformações sociais e políticas:
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Que grande seca!
Cristas criou esta semana uma (mais uma?) comissão de trabalho que vai monitorizar as situações que necessitam de maior ajuda e sinalizá-las, devido à falta de chuva neste Inverno. Só espero que Luis Duque não esteja a liderar mais esta comissão, porque senão os agricultores só irão ter ajuda quando acabarmos de pagar a nossa dívida. Mais uma semana, o povo terá de aguardar pelas conclusões destes iluminados, até lá Cristas aconselha que se reze muito e que se tenha fé!!!!
Deram a esta senhora a responsabilidade de tomar conta, entre outras coisas, da nossa agricultura. Eu penso que já não se cometia um erro aberrante deste calibre nesta área, desde os tempos da Governação do Cavaco das Reformas. Nessa altura, abandonaram-se os campos, a pesca foi deixada ao acaso, porque Fundos Comunitários davam para tudo. Incentivou-se o abandono e o desleixo.
Ainda à 2 dias a ministra deslocou-se ao Alqueva e o que trouxe na bagagem como solução para a adiada calendarização do plano de regadio?- Uma mão cheia de nada!!!!
Voltou a reafirmar a existência de um grupo de trabalho para resolver o problema da seca prolongada, mas o mais curioso é que na dita comissão não existe nenhuma estrutura representativa dos agricultores. Parece-me estranho ou talvez não, conhecendo o modus operandi deste Governo, dada a vontade de constituir estes grupos com os "boys" do costume. Assim chegam sempre ás conclusões que mais convêm ao Ministério em causa.
Mas Cristas, sempre com ideias assertivas (atenção que não disse acertivas) ainda à pouco mais de um mês, fez uma nomeação de se lhe tirar o chapéu. Convidou, Manuel Frexes para administrador das Àguas Portugal, o mesmo que era presidente da Câmara Municipal do Fundão e tinha uma factura de cerca de 8 milhões de euros em dívida. Imaginem a quem ele devia essa quantia, que já estava inclusive em Tribunal?- Exactamente, uma factura de água!!- Quando interrogaram a ministra acerca desta polémica nomeação, ela respondeu que a experiência autárquica é sempre importante nestes cargos públicos. E mais nada, quem manda, manda!
Ainda a procissão vai no adro, como se costuma dizer, quanto a esta coligação que nos governa à meio ano, mas prevejo que o andor nem à rua sai. É só uma impressão minha ou então estes 4 anos vão ser mesmo uma grande seca!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Abono disfarçado.
Mário Soares veio agora revelar que após uma conversa mais tensa com Sócrates, este acabou por acatar a sua opinião e decidiu pedir a ajuda financeira. Agora só espero que algum desses barões do PSD tenha a boa ideia de chamar Passos Coelho à razão e este possa renegociar a divida com a Troika. Apesar de termos ouvido o sussurro do Vitor Gaspar ao Ministro das Finanças alemão (naquela cena de submissão aberrante que nos deveria envergonhar a todos) este continua a afirmar que não precisamos de mais ajudas nem de renegociações!!!- Entretanto Cavaco e Passos Coelho continuam na sua cruzada insensata de lançar aos quatro ventos, que nós não somos a Grécia. Lamentavelmente, também não têm mais nada a dizer.
Os sacrificios que agora são pedidos e renovados, são uma inevitabilidade a que ninguém pode escapar, mas eu tenho vários exemplos de que existe "ratos no porão". Imaginem o seguinte quadro. Navegamos em mar alto e o comandante do navio transmite ao resto da tripulação que a casa das máquinas avariou, os meios de comunicação para pedir ajuda não estão operacionais e agora teremos de navegar aproveitando os ventos. Os cálculos para chegar a terra, dão mais ou menos uma semana. No entanto só temos reservas alimentares para 2 dias. Teremos que dividir o mal pelas aldeias e todos concordam em racionar a comida e a bebida. Uma bela noite, levanto-me com insónia e vou dar um passeio. De repente deparo-me com uma cena chocante. Na dispensa e ás escondidas de toda a gente, o comandante que tinha lançado o aviso, lambuza-se com tudo o que há-de melhor!!!
Assim eu me sinto como português depois de ouvir Passos Coelho, ao ouvi-lo afirmar que estes são sacrifícios para 2 anos. Depois virá a bonança. No entretanto, vemos a frota automóvel dos nossos ministros a ser renovada displicentemente. Assistimos impávidos à divulgação das mordomias dos senhores empregados do Banco de Portugal. Aos aumentos de 15% na CGD para compensar cortes nos subsídios de Natal e de férias e agora a historieta mais recente de vencimentos disfarçados para compensar os referidos subsídios.Passo a transcrever um extracto do Diário da República:
-Já viram bem a lata destes senhores?!!MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
Gabinetes do Secretário de Estado do Ensino Superior e da Secretária de Estado da Ciência
Despacho (extrato) n.º 774/2012
Nos termos e ao abrigo do disposto nos n.os.3 e 4 do artigo 2.º e no artigo 6.º do Decreto -Lei n.º 262/88, de 23 de julho:
1. É nomeada Helena Isabel Roque Mendes para, no âmbito dos nossos Gabinetes, exercer funções de apoio à Rede Informática do Governo (RING) e de interface com o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER).
2. A nomeada auferirá uma remuneração mensal de € 1.575,00 (mil quinhentos e setenta e cinco euros), atualizável na mesma percentagem do índice 100 da escala salarial das carreiras do regime geral da função pública, acrescida do subsídio de refeição que estiver em vigor.
3. Nos meses de junho e novembro, para além da mensalidade referida no número anterior, será paga outra mensalidade de € 1.575,00 (mil quinhentos e setenta e cinco euros), a título de abono suplementar.
4. Os encargos resultantes do presente nomeação serão suportados pelo orçamento do Gabinete do Secretário de Estado do Ensino Superior.
5. O presente despacho produz efeitos a partir de 28 de junho de 2011, e é válido pelo prazo de 1 ano, renovável, até à sua caducidade, conforme o previsto na parte final do artigo 11.º do Decreto -Lei n.º 262/88, de 23 de julho.
11 de janeiro de 2012. — O Secretário de Estado do Ensino Superior, João Filipe Cortez Rodrigues Queiró. — A Secretária de Estado da Ciência, Maria Leonor de Sá Barreiros da Silva Parreira.
-ABONO SUPLEMENTAR???
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Esperança adiada.
Logo agora que precisávamos de uma esquerda credível, forte e com ideias para ultrapassar esta crise sem passarmos pelo jugo franco-alemão, temos uma esquerda estagnada no tempo, desacreditada e incapaz.Passo a explicar. O PC continua condicionado aos seus ideiais ultrapassados, principalmente quando vêm apoiar regimes como os da Coreia do Norte ou da China. Não consegue realizar a sua "perestroika", o seu dogmatismo é muitas vezes intransigente. Um emaranhado de conceitos, muitas vezes incongruentes. Declara-se a favor da luta dos direitos adquiridos pelos trabalhadores, deflagra essa bandeira na Assembleia em todas as ocasiões, mas paradoxalmente, revê-se na escravidão perpetuada por regimes inqualificáveis no ponto de vista humanitário.
O BE teve o seu canto do cisne quando obteve 16 lugares na Assembleia em 2009, após esse feito decidiu apoiar Manuel Alegre nas últimas Presidenciais e foi com base nessa decisão que tudo se desmoronou. O candidato em questão conseguiu colar-se o mais possível à esquerda do PS e piscou o olho, na clara tentativa de encantar os bloquistas , que caíram na "armadilha". Depois, foi só seduzir os próprios socialistas, apoiando Sócrates nas eleições legislativas. Traiu tudo e todos e o resultado foi aquele que se viu. Francisco Louçã sentiu-se encurralado, mas apesar de ser avisado, não quis recuar num apoio programado. Descredibilizou o partido e internamente tudo ficou fraccionado. Espelho desse facto, o resultado das ultimas legislativas. O Bloco de Esquerda está a definhar caso não faça uma "lavagem" a nível da própria liderança e respectiva estrutura.
Por ultimo, o PS é um caso anedótico. Não o podemos considerar de esquerda, devido à sua trajectória recente. Com a saída de Sócrates e a entrada de Seguro, esperava-se um recrudescer de ideias mais à esquerda, uma maior abertura ao pluralismo do partido, mas este ex-jotinha inicia a sua oposição ao Governo, com uma "abstenção violenta" ao Orçamento do Estado, uma medida hilariante num assunto crucial para o nosso futuro. Não sei o que estará António Costa à espera, mas o PS precisa urgentemente de uma tomada de posição em breve, da sua parte.
Com todo este panorama, aos portuguesinhos resta-lhes continuarem a ouvir este outro ex-jotinha afirmar algo como, deixarmos de ser piegas ou ainda para abandonarmos a nossa zona de conforto e rumarmos a outras paragens. Se calhar é mesmo a única solução!
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Sebastião Salgado
Após os acordos de paz, o regresso (1994)
Travessia do desaparecido lago de Faguibin (1985)
Camponeses na cidade (1995)
Na região de Tambuctu (1985)
Attilio. Equador (1982)Sebastião Salgado sempre pautou a sua extensa obra por uma preocupação constante com os mais desfavorecidos . Este brasileiro de Minas, nasceu em 1944, começou por tirar um curso de Economia , mas por influência da mulher, a máquina fotográfica passa a ser o seu objecto de culto.
Em 1974, começa trabalhar na Sygma, para a qual fez a cobertura das lutas de libertação de Angola e Moçambique. No 25 de Abril, estava de armas e bagagens em Lisboa e registou os primeiros passos da Revolução dos Cravos. Mais tarde, passa pela Gama aonde ficou até 1979. Nesse mesmo ano, ingressa na prestigiada Magnum, aonde realizou um trabalho que o notabilizou. Durante o projecto, que o incumbiram de realizar sobre os primeiros 100 dias de Governo de Ronald Reagan , foram dele as únicas fotos do atentado perpetrado por John Hinckley, contra o então Presidente dos Estados Unidos , a 30 de Março de 1981 em Whashington. A venda dessas fotos, garantiram-lhe o financiamento de vários projectos posteriores. Entre eles, destaco "Outras Américas" em 1986, sobre os pobres da América Latina ou o "O Homem em Pânico", no qual vagueou pelo Norte de África, durante 15 meses, acompanhando uma delegação dos "Médicos sem Fronteiras". Entre 1993 e 99, os seus registos incidem sobre o fenómeno global, sempre esquecido, do desalojamento em massa, a este projecto deu-lhe o nome de "Exodos" e "Retratos de Crianças" , aclamado internacionalmente e talvez a sua consagração definitiva como pertencendo a um grupo de fotógrafos de elite.
Para Sebastião Salgado, cada um de nós deveria ser testemunha, das atrocidades que perspassam este planeta e dessa forma agirmos proactivamente a favor das pessoas que continuam a abandonar as suas terras e são obrigadas a refugiar-se em lugar incerto, iniciando migrações que muitas vezes têm desfechos dramáticos.Tudo se resume nesta frase de Sebastião Salgado, "... espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair!"
As suas fotos a p/b representam um legado a todos aqueles, que tendo poder de decisão continuam, a fazer de conta que não se passa nada e esta alienação perante a realidade documentada, por vezes choca e magoa, mas não deixa de ser a realidade!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Uma tacada na crise!

Só ouço falar de excepções. O banco de Portugal declara-se uma excepção à lei do corte de subsídios de natal e de férias para a Função Pública. A TAP e a Caixa Geral de Depósitos também se colocam nessa posição. A este ritmo ainda vamos acabar o ano com uma grande excepção, algo inédito, uma lei só promulgada para os funcionários públicos que concordem com a lei e não a ponham em causa. Uma embrulhada destas , a Troika de certeza nunca testemunhou em casos similares ao nosso. O PR está preocupado com as contas lá de casa e nem sequer enviou a lei ao Tribunal Constitucional, antes de a promulgar. A sua definição de equidade é muito paradoxal, por um lado contestou a sua legalidade mas depois quando lhe chegou o papel à secretária, assinou e não houve questões. No mínimo, estranho não acham?
Habituados a este regime de excepções, os portuguesinhos poderiam agora começar eles próprios a criar as suas regras dentro das leis em vigor, baseando sempre as suas decisões dentro da legalidade constitucional. Senão vejamos, vou transcrever o artigo segundo da referida Constituição de 1976.
"... Artigo 2.º
Estado de direito democrático
A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa... "
Quando se fala em separação e interdependência de poderes, pergunto eu, conseguimos vislumbrar esse facto na nossa realidade política, jurídica, ou sócio-económica? - Baseados no referido artigo poderíamos começar talvez, por abrir excepções e exigir uma separação definitiva entre o poder político e o poder económico. Depois, poderíamos seguir os passos destas excepções e também beneficiar das benesses dadas a estas instituições, já por si muito gratificadas, baseados mais uma vez na Constituição, quando se fala na verdadeira equidade. Já não falo do aprofundamento da democracia participativa, aí o Sr. Primeiro Ministro reage muito mal, quando os portuguesinhos organizam um protesto, por mais insignificante que seja. Só não reage mal quando ouve que o Banco de Portugal gastou 5.000€ em material de golfe!- Será que foi uma daquelas excepções?
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
É a "coltura" estúpido!

Haja paciência para estas medidas de contenção!- Invariavelmente é a cultura a primeira a sofrer com os cortes, na maior parte dos países em crise, mas o corte radical neste sector como se verifica em Portugal, é algo de inédito e triste. Os dados revelados são confrangedores, o Teatro S. Carlos está em risco de ficar às moscas durante este ano, por falta de verbas para qualquer produção. No cinema vamos talvez presenciar a um 2012 sem qualquer filme realizado, algo que já não acontecia desde 1955 (!).
O PSD já nos habituou, quando assume a governação do País, invariavelmente a cultura fica para trás. Lembremo-nos do caso que opôs Saramago ao inenarrável Governo de Cavaco, por causa da obra "Evangelho Segundo Jesus Cristo". Por exemplo, como classificar Santana Lopes como Secretário do Estado da Cultura, entre muitos feitos na área do incentivo à procura de espaços nocturnos também gostava, particularmente, de uma peça musical de violinos de Chopin???
Francisco José Viegas, uma pessoa respeitada no universo da literatura, quando era director da inesquecível revista "Grande Reportagem", sempre o considerei lúcido e independente, também só assim conseguiria dar continuidade a um projecto com aquelas características. Quando agora foi nomeado a par de Crato para a pasta da Educação, pensei para comigo, ora aqui estão duas belas ideias. Não podia estar mais enganado. Duas belas decepções!!!
Rita Blanco sempre com aquele ar de quem não deve não teme, afirmou à bem pouco tempo, e passo a citar, que um dia a história irá encarregar-se de classificar as desastrosas medidas que estão a ser tomadas por este Secretário do Estado. Uma reflexão muito simples. O nosso País não têm indústrias muito fortes, sendo o turismo uma das áreas aonde poderíamos ir buscar alguma receita, não seria importante fomentar as actividades culturais, apostarmos na qualidade, diversificar a oferta?-
- Desculpem, estava a esquecer-me, temos uma das capitais da cultura europeia este ano. E depois?- Vamos todos rumar a Guimarães e deixamos "morrer"as nossas companhias de teatro, estagnamos a indústria cinematográfica e vulgarizamos as nossas mais profundas raízes culturais?
Como temos vindo a ser muito amigos de empresas como a Mota Engil, Soares da Costa e Teixeira Duarte, nada melhor que mandar construir um "mamarracho" para albergar o Museu dos Coches. Uma necessidade, essa sim imperiosa, para os cofres dos senhores do costume. Os milhões aí investidos, poderiam facilmente ajudar as pessoas que directa ou indirectamente dependem do Estado para levar por diante projectos que assim ficam na gaveta.
Termino, colocando mais uma questão, será que o memorando de entendimento com a Troika compromete-nos a esmifrar as fracas infraestruturas culturais deste País????




















